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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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AVISO

Devido à manifesta falta de gente interessada em análises de geopolítica, política e outros temas aqui tratados, este blog vai parar por uns tempos, pelo menos. Talvez volte um dia.

Por agora, dedicar-me-ei à publicação de artigos exclusivamente em inglês, no novo site que estou a preparar e que estará pronto dentro de alguns dias: Nomadic Thoughts. Obrigado a todos aqueles que seguiram o blog e que ajudaram a passar a palavra. :)

A RTP, SIC, TVI, CMTV e companhia são apoiantes do terrorismo na Síria!, por Luís Garcia

A RTP, SIC, TVI, CMTV e companhia são apoiantes d

  

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE   

 

Introdução

 

Tal como as choradeiras sazonais da RTP e companhia sobre o excesso de democracia na Venezuela (ditadura no imaginário imbecil da RTP e companhia), ou sobre a maldita Coreia do Norte que não quer ser "totalmente destruída" pelos EUA, ou como a criminosa campanha contra a libertação de Aleppo em Dezembro de 2016 das mãos de mercenários da al-Qaeda e da NATO (segundo a RTP e companhia, Aleppo havia se transformado num mega-cemitério ou inclusive cessado de existir), agora vem a época da propaganda terrorista contra a tão necessária libertação de Damasco Oriental do jugo da Frente al-Nusra (al-Qaeda na Síria) e outras organizações terroristas afiliadas. 

 

Já lá vão uns meses, mas nunca perdoarei a este cagalhão-intelectual pela merda de propaganda nojenta e pelas mentiras...

Publicado por Luís Garcia em Sábado, 13 de Maio de 2017

 

Viu a publicação de facebook acima, do mentiroso anti-jornalista Manuel Fernandes Silva? Ora bem, abra a partilha e veja as dezenas de comentários associados, repletos de vídeos e imagens que provam que Aleppo NÃO morreu. E se achar que é pouco, leia estes artigos escritos na altura, desmentido a propaganda mediática lusitana:

 

Gritantes incoerências "jornalísticas"

 

Se jornalismo é fazer temporadas de choradeiras, onde andam um sem número de incontornáveis choradeiras? Só choradeiras fora de contexto e maquievelicamente utilizadas para manipular boas gentes que assistem, inocentes e crédulos, a desinformação terrorista de RTP e companhia. 

 

Caso contrário, se informação é o seu trabalho, pergunto-me eu, por onde é que andam todas as necessárias e urgentes choradeiras sobre inúmeros casos de barbárie contemporânea?

 

  1. Mossul, quase completamente destruída pelos EUA, Reino Unido e França. Mais de 90% da cidade em ruínas. 1.000.000 de toneladas de escombros ainda por remover depois de já ter passado meio ano. Mais de 10.000  civis massacrados pelo Ocidente que interveio sem pedir autorização ao Iraque, o qual veemente recusou esta oferta de barbárie, destruição e genocídio. Ainda milhares de cadáveres de civis para desenterrar, misturados com outros milhares de bombas que não explodiram. E os EUA recusam-se a pagar o que quer que seja dos 83 mil milhões de dólares necessários para a reconstruir essa cidade de 2 milhões de habitantes, agora praticamente deserta!
  2. Idem-aspas para Raqqa.
    Destruição de Raqqa

    Destruição de Raqqa

    Publicado por Pensamentos Nómadas em Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
  3. Gaza, 70 anos de consecutivos bombardeamentos com armas convencionais e químicas, embargo, cerco militar terrestre, marítimo e aéreo. Sistemática destruição de casas, hospitais, escolas, barcos de pesca, campos agrícolas, etc. Nada. Só noticiam, de tempos a tempos, a morte de ilegais e terroristas ocupantes israelitas, pois claro. Se, pelo menos seguissem a sua própria lógica de noticiar os cercados que lançam roquetes aleatórios sobre civis, então, santa paciência, deveriam estar a relatar a constante e diária queda de roquetes de "rebeldes" sobre civis sírios de Damasco (claro que há uma diferença essencial, Palestina, apesar de cercada, é agredida e ocupada. "Rebeldes" terroristas de Guta, apesar de cercados, são estrangeiros invasores e ocupantes).
  4. Iémene, enfim, nem vale a pena elaborar o tema. Invasão ilegal da Arábia Saudita. Apoio militar dos Estados do Golfo, dos EUA, de Israel e do Reino Unido. Ocupação de 2/3 do país em colaboração com a al-Qaeda para lá trazida pelas forças armadas dos EUA. Milhares de mortos. Bloqueio naval e aéreo. 9.000.000 à beira da morte por inanição. Enfim, onde anda a RTP e companhia?
  5. Israel, que só nos últimos 2 anos efectuou mais de 100 ataques aéreos contra a Síria, provando muito bem que a guerra na Síria é tudo menos "civil". Tenho aqui um artigo com informações sobre uma parte desses criminosos e ilegais ataques do Terrorista Estado de Israel contra Síria: "A guerra civil síria" dos ataques aéreos israelitas.
  6. EUA, que todos os meses matam dezenas de civis sírios em ilegais e criminosos ataques aéreos. Um caudal de provas online sobre o tema, nem vale a pena elaborar. Só não sabe quem não quer saber.

 

Civis, de que lado estão?

 

8 milhões de civis sírios vivem neste momento na grande Damasco, quase o dobro da população normal que não chegava aos 5 milhões antes da guerra. Como se explica que milhões se refugiem no lado do governo, em vez de fugirem do "genocida regime " que se diverte a "matar civis"? Ofereço 1 milhão de euros ao  editor de um media português que me responder assertivamente a esta questão, e só não lhe ofereço um par de call girls porque disso devem andar fartos. 

 

Nenhum destes media terroristas portugueses noticiam mas, o país que mais acolhe refugiados sírios... é a Síria, pois sim! 7 milhões de refugiados internos (principalmente em Damasco, Lataquia e Tartus) fugidos da barbárie dos "rebeldes" que os nosso media idolatram. Fugiram de torturas, assassínios, escravatura, condição de escudos humanos em jaulas, sharia, etc, tudo óptimos updates que os "rebeldes" terroristas Made in NATO trouxeram para a Síria (único estado 100% laico no Médio-Oriente).

 

Digam-me se, decapitar uma criança de 12 anos, por seu pai apoiar Assad, é comportamento esperado de "rebeldes moderados" libertadores:

 

Palestiniano de 12 anos decapitado pelos "rebeldes moderados" ...

Palestiniano de 12 anos decapitado pelos "rebeldes moderados" do "Exército de Libertação Sírio"

Publicado por Pensamentos Nómadas em Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016

 

 

Digam-me se, usar crianças (da minoria alauita à qual pertence Bashar al-Assad) como escudos-humanos dentro de jaulas, como fazem os terroristas de Guta idolatrados pela RTP, é algo de louvar:

 

Photo of the day Syrian children, mostly from #Alawite families paraded in a cage in #Ghouta. Entire families were...

Publicado por The Truth about Syria em Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2018

 

Digam-me se, nas zonas "rebeldes" onde impera a sharia e a barbárie, poderia alguém andar de biquíni e calções na rua, como se podia ver este verão na cidade costeira de Lataquia, na Síria:

 

Lataquia, Síria verão 2017

 

Mais gritantes incoerências "jornalísticas"

 

Quando os EUA chacinaram 10.000 civis em Mossul, foram pouco ou nada noticiados danos colaterais.

 

Se terroristas de Guta lançam roquetes sobre civis de Damasco, de forma aleatória e indiscriminada é luta pela libertação de sabe-se lá o quê. E, portanto, silêncio total por parte de terroristas media como a RTP e companhia.

 

Se a Síria tenta reconquistar esse pedaço de terra seu, das mãos da al-Qaeda, Assad é bárbaro e genocida. Veja abaixo a reportagem de hoje de Gazdiev, na qual explica bem todas estar incoerências. Por exemplo, ainda hoje saíram imagens em vídeo de "rebeldes" terroristas de Guta atirando a matar contra um manifestação de civis mantidos à força dentro de Guta, que protestavam pelo direito a sair de Guta, fartos de serem escudos-humanos de "rebeldes" terroristas maioritariamente estrangeiros:

 

Danos colaterais ou barbárie - entre Raqqa e Guta

Danos colaterais ou barbárie - entre Raqqa e Guta

Publicado por Pensamentos Nómadas em Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018

 

Um pergunta muito simples para os jornalistas portugueses que possam apanhar com este artigo à frente dos olhos: se um bairro de Lisboa estivesses há 5 anos sobre o controlo de uma organização terrorista com membros de dezenas de países diferentes, que bombardeasse de forma sistemática zonas residenciais da restante Lisboa, que tivesse morto milhares de civis e feridos muitos outros milhares, que tivesse destruído, aí está, hospitais, escolas e mercados... que fariam esses "jornalistas" portugueses no dia em que o governo português desse ordem às forças armadas portuguesas para iniciar uma operação militar no intuito de recuperar essa zona das mãos desses terroristas internacionais? Apoiariam o governo e as forças armadas portuguesas ou, como agora fazem, vomitariam diarreia mental apologética de terrorismo como agora fazem em relação a Guta? 

 

 

A esses terroristas "jornalistas", aconselho a leitura das sábias e lógicas palavras de Fares Shehabi, deputado sírio e presidente da Federação da Indústria Síria:

 

 

 

 

Expliquem-me isto caros "jornalísticas"

Expliquem-me, caros "jornalistas" portugueses branqueadores sem escrúpulos do terrorismo na Síria, expliquem-me o que fazem nas seguintes fotos membros de terroristas "rebeldes moderados" na companhia de membros de organizações igualmente terroristas como a al-Qaeda, o Ahrar al-Sham, o ISIS e outras tantas! Que vergonha, que vergonha de terrorista jornalismo português, falso, mentiroso, censurador, enganador, manipulador como nem Goebbels teria sonhado poder ter:

 

SLIDESHOW

(clique nas setas brancas dentro das fotos para navegar entre o slideshow)

 

Se este slideshow não é suficientemente elucidativo do carácter terrorista do assim chamado "Exército de Libertação Sírio" (FSA, na sigla em inglês), então assista, caro leitor, ao vídeo abaixo, no qual a AMC (Aleppo Media Center, uma organização de relações públicas da al-Qaeda financiada pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros da França e do Reino Unido) entrevista Abdel Jabbar al-Okaidi, coronel das FSA, pouco tempo depois deste se ter encontrado com Robert Ford, antigo embaixador dos EUA na Síria. Para quem não fala inglês, resumidamente, o coronel do FSA entrevistado passa minutos louvando o ISIS e seus membros, e proferindo outras surpreendentes barbaridades:

 

Pro-US commander of FSA calls AlQaeda and ISIS "brothers"

Pro-US colonel of FSA calls ISIS "brothers" and praise Alqaeda! (Coronel do ELS Pró-EUA apelida ISIS de "irmãos" e elogia a AlQaeda!)

Publicado por Pensamentos Nómadas em Sábado, 26 de Março de 2016

 

Quais as fontes dos media terroristas portugueses?

 

E a quais as fontes dos terroristas media portugueses? White Helmets? AMC? GMC? Amaq? E mais um sem fim de agências de organizações terroristas que estou farto de ver no canto superior direito de imagens transmitidas nos telejornais da RTP e companhia? Que vergonha! Por que razão (ovelhice, apologia do terrorismo, ou ambas) usam com ÚNICAS e EXCLUSIVAS fontes de "informação" sobre a Síria agências noticiosas terroristas criadas, organizadas e publicitadas pelos media do Reino Unido, EUA, França e seus tristes vassalinhos? Nem vale a pena dizer por que razão têm zero credibilidade as fontes que a RTP, CMTV, SIC e TVI usam. Basta ler a série de artigos abaixo. Depois de os ler, caro hipotético "jornalista" português leitor de todos estes artigos, faça um favor ao resto da humanidade íntegra e pacífica... e suicide-se:

 

Luís Garcia

 

Eva Bartlett

 

Vanessa Beeley

 

Quem não ficar satisfeito com esta irrefutável quantidade de argumentos corroborados por uma imensa quantidade de factos, pode sempre tirar um tempinho e analisar de forma exaustiva o conteúdo deste site:

 

Mas enfim, por serem apologistas do terrorismo, criminosos propagandistas do terrorismo, e grandessíssimos mentirosos com sangue sírio nas mãos, a RTP e companhia, tentam fazer crer ao público português que Guta é mais ou menos isto:

 

só hospitais e o caralho PT copy.jpg

 

Provas do constante terrorismo "rebelde" em Damasco 

Agora, para informar o leitor com factos concretos, provas concretas do terrorismo de Guta (idolatrado pelos criminosos "jornalistas" da RTP e companhia), que leva já 5 anos bombardeando o resto de Damasco, destruindo casas, escolas, hospitais e mercados, e ferindo, mutilando e matando milhares de civis sírios, sobretudo nas últimas semanas! Sim, civis sírios! Então, é para chorar o sofrimento de civis sírios ou é para censurar o sofrimento de civis sírios?

 

Para começar, imagens de terroristas de Guta disparando contra um avião de passageiros (civis, pois claro) aterrando no aeroporto internacional de Damasco:

 

terrorismo de Guta

 

E agora uma pequena lista (muito longe de ser exaustiva) dos resultados dos aleatórios e terroristas atentados dos grupos extremistas de Guta contra a cidade de Damascos e seus arredores, utilizando para o efeito roquetes, mísseis e carro-bomba:

 

عدسة دمشق الآن ترصد الأضرار الكبيرة الناتجة عن استهداف الأحياء السكنية في ركن الدين بدمشق بالقذائف الصاروخية .

Publicado por ‎دمشق الآن‎ em Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018

 

The capital of Damascus today, Dozens of Missiles hit the city's neighborhoods resulting in a large number of martyrs...

Publicado por Vera Vera em Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018

 

يا حرام شو ذنب هالاطفال حالة رهب هستيريا بين الاطفال هذا الفيديو برسم الضمير والانسانية #شاهد_بالفيديو | قبل ثواني من سقوط قذيفة صاروخية بالقرب من مدرسة #دار_السلام بدمشق، الرجاء المشاركة

Publicado por ‎اخبار الهاون بدمشق‎ em Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018

 

Publicado por Tom Duggan em Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018

 

Rest in peace to the beautiful and innocent souls whose lives were snatched from them today in #Damascus by #Ghouta terrorist mortar fires.

Publicado por Sarah Abed em Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

 

15 civilians in Damascus and Homs injured by terrorist shelling, as Syrian Arab Army including Tiger Forces move in on NATO+Saudi backed East Ghouta gangs. Ceasefires failed. https://sana.sy/en/?p=127856

Publicado por Tim Anderson em Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

 

Damascus victims of shelling by the East Ghouta terror gangs. What the colonial media never tells us about Syria. Syrian child: "America is to blame for all this. It provides the terrorists with weapons to shell us." Thank you for the video Alaa Othman.

Publicado por Tim Anderson em Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

  

rebels shelling Damascus

This is why the vast majority of Damascenes, 7 million civilians, want the #SyrianArmy to liberate East #Ghouta. This footage is from the residential neighbourhood of Rikn al-Din in #Damascus after being shelled by the Islamist militants in Ghouta.

Publicado por Syriana Analysis em Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018

 

Podia continuar com mais umas boas centenas de incorporações de publicações semelhantes, mas acredito que já deu para o leitor perceber o nível do problema, ou problemas, que são 2: primeiro, o bárbaro terrorismo patrocinado pelo ocidente em Guta; segundo, a sistemática e total omissão destes factos pelos nosso media portugueses apologistas do terrorismo, em especial a RTP, paga com os nossos impostos para nos fazer crer, de forma perversa e hedionda, que terroristas são vítimas e que vítimas são terroristas. Ah, se estivesse Orwell vivo hoje, que diria ele deste terrorista "jornalismo"...  

 

Se o leitor estiver interessado em ver mais provas do terrorismo de Guta contra os civis de Damasco, vídeos, fotos e testemunhos é coisa que não falta nas redes sociais. Milhares e milhares de publicações. Entre em contacto comigo se quiser exemplos de contas facebook, twitter ou vkontakte onde encontrar essas publicações

 

Convido o leitor a seguir a conta do jornalista inglês Tom Duggan, residente há anos em Damasco, testemunha do constante terrorismo dos extremistas de Guta adorados pelos nossos terroristas media que, em vez de, precisamente, darem a conhecer o trabalho deste corajoso jornalista, emitem propagandas de agências terroristas:

 

You can kill us .but know this. your time is coming .there will be an end to you

Publicado por Tom Duggan em Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

 

Zero hour approaches

Publicado por Tom Duggan em Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

 

Tom Duggan publica com frequência vídeos como este, e fotos, nos quais conta e mostra os efeitos do terrorismo dos extremistas de Guta sobre as zonas civis do resto de Damasco.

 

Quem patrocina terrorismo, é terrorista

 

Portanto, RTP e companhia, mentindo e omitindo o infinito amontoar de horrendos crimes de "rebeldes" terroristas", também são terroristas. RTP e companhia, usando exclusivamente como fornecedores de conteúdo as "agências de notícias" (White Helmets, AMC, GMC, etc) desses hediondos grupos terroristas, são também terroristas. Porque sim, eu tomo atenção aos logótipos dos vídeos que a RTP mostra nos telejornais, são todos provenientes dessas "agências de notícias" da al-Qaeda. Até porque há ZERO media ocidentais dentro de Guta! Sinceramente, mesmo que Assad fosse o genocida bárbaro que pintam, um meio de informação TEM de mostrar conteúdo dos 2 lados e deixar o público decidir, sobretudo quando esse meio de informação não tem conteúdo próprio. Partilhar efusiva e exclusivamente conteúdo de um só lado não é informar, é manipular ao estilo de um Orwelliano Ministério da Verdade. E é fazer apologia do terrorismo, quando esse lado, aí está, é terrorista.

 

Não quero chocar gente sensível, mas enfim, há que mostrar quem são os adoráveis "rebeldes terroristas" idolatrados pelos nossos media (porque quem cala, consente):

 

Rebeldes torturando sírios (tome atenção à arma com a bandeira do FSA)

2018-03-02 13-19-33 Screenshot.png

  

 Soldados sírios executados por "rebeldes", depois de terem sido torturados

 

Soldados sírios torturados e depois executados por "rebeldes"

 

"Rebelde" terrorista do Exército de Libertação Sírio / Frente al-Nusra decapitando um civil sírio

2018-03-02 13-12-46 Screenshot.png

 

 

"rebeldes" atirando funcionários públicos (civis pró-Assad) do cimo de um edifício

 

"Rebeldes" destruindo lugares históricos

 

Enfim, existem centenas de vídeos bem piores, disponíveis online, onde se podem ver pessoas bem mais barbaramente torturadas, como civis sírios e soldados sírios cortados em pedaços com facas, enquanto ainda vivos, com gemidos e imagens que quase fazem uma pessoa vomitar. Os "rebeldes" das FSA, al-Qaeda e companhia fazem tudo isto, partilham tudo isto online, nada é escondido. Ainda assim os media portugueses, regurgitam sem cessar propaganda dos mais abjectos e bárbaros seres humanos à face da terra. E criticam o governo de Assad por querer libertar Guta do jugo destes abjectos seres. Por isso digo e insisto, mete-me um profundo nojo a apologia do terror que passa todos dias na RTP, SIC, TVI, CMTV e companhia.

Bashar Jaafari na ONU

 

Para quem percebe inglês, os 2 discursos do senhor Bashar Jaafari, embaixador da Síria na ONU, de conteúdo muito precioso e, por isso mesmo, censurado e omitido pelos terroristas media portugueses sempre tão cagados de medo perante argumentação válida e lógica:

 

 

 

E um vídeo no qual se pode ver o mesmo senhor Bashar Jaafari calando um jornalista gringo perguntando-lhe "se houvesse umas centenas de terroristas no Central Parque, bombardeando Nova Iorque, o que é que o vosso governo faria?" Ahhhh, embrulha triste apologista da barbárie!

 

 

 

A voz censurada dos sírios de Damasco

 

E para acabar por hoje, um vídeo (já com uns meses, sobre o ataque químico que NÃO aconteceu em Khan Shaykhun) para dar a palavra aos sírios de Damasco, aquela maioria que, por apoiar o seu governo vítima de uma bárbara agressão ocidental, também são SEMPRE silenciados pelos nossos terroristas media portugueses:

 

Opiniões de sírios nas ruas de Damasco, sobre o encenado ataqu...

Opiniões de sírios nas ruas de Damasco, sobre o encenado ataque químico de Khan Shaykhun e sobre o ataque norte-americano com mísseis na base aérea de Shayrat:

Publicado por Pensamentos Nómadas em Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

 

 

Luís Garcia, 23.02.2018, Ribamar, Portugal

 

 

 

 
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WHITE HELMETS: Channel 4, BBC, The Guardian – Arquitectos da guerra 'humanitária' - PARTE 4/4, por Vanessa Beeley

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Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE 

 

À beira do precipício 

Um artigo do Sundance Film Festival descrevia 3 entradas sobre o tópico 'Síria' como "Três documentários sobre a devastação da Síria", mas como é óbvio não é feita nenhuma referência à devastação da Síria por grupos terroristas alimentados pelos EUA e Reino Unido, e que infestaram esta soberana nação graças ao financiamento, armamento, equipamento e apoio de 74 estados membros da ONU como os Estados do Golfo e Israel. Last Men in Aleppo alcançou o seu objectivo principal:

Last Men in Aleppo acompanhou os White Helmets durante os últimos meses de bombardeados que acabaram com a existência dessa cidade, enquanto estes cumpriam a sua heróica tarefa de monitorizar os ceús em busca de bombardeiros russos e sírios, correndo rumo a edíficios acabados de colapsar usando camiões improvisados, e escavando os escombros de forma a retiraram os poucos sobreviventes e os muitos mortos. À noite pensam preocupados sobre a necessidade de retirar as suas famílias da Síria e sobre os seus familiares que já se encontram refugiados na Turquia e na Europa Ocidental. São algumas das pessoas mais incríveis que você jamais verá num ecrã de cinema.

 

Last Men in Aleppo omitiu por completo os crimes da Frente al-Nusra contra o povo sírio em Aleppo Oriental e no resto da Síria, optando por pura e simplesmente recusar-se a reconhecer a existência desta organização. Todas aquelas famílias esfomeadas, privadas de ajuda médica, torturadas, abusadas, violadas, presas e usadas como escudos humanos pela 5ª Brigada dessa organização terrorista que ocupou Aleppo Oriental foram removidas da consciência colectiva Ocidental. O público pode ir ao cinema, comer pipocas e maravilhar-se com o "heróico trabalho de resgate" dos White Helmets sem nunca chegar a dar-se conta da sua fidelidade a organizações terroristas que controlaram estas dizimadas zonas civis com um ideológico punho de ferro.

 

Last Men in Aleppo ofuscou também a existência do verdadeiro Syria Civil Defence que luta não apenas contra as consequências da guerra existente no seu país, mas também contra o terrorismo que a ataca, as sanções e as incapacitantes falhas de água, de electricidade e de equipamento. Boa parte do seu equipamento foi roubado por facções extremistas, facções das quais surgiram, posteriormente, aqueles que hoje dão pelo nome de White Helmets. Os genuínos Last Men in Aleppo [últimos homens em Aleppo] são os membros da Defesa Civil da SÍRIA [Syria Civil Defence], criada em 1963 na Síria (e não na Turquia), e que andam agora reconstruindo os seus centros depois de terroristas terem disparado mais de 10 morteiros por dia sobre as suas instalações, matando e mutilando membros do grupo.

 

Quando visitei estes verdadeiros socorristas a Janeiro de 2018, membros da organização contaram-me que snipers da Frente al-Nusra os atacavam no centro de Layramoun, no meio de áreas que estiveram ocupadas por terroristas durante quase cinco anos. Estes verdadeiros heróis nunca abandonaram o povo sírio e não são homenageados pelo Last Men in AleppoLast Men in Aleppo apenas faz homenagem a assassinos e bandidos.

 

Uma das ambulâncias da VERDADEIRA Defesa Civil da Síria em Layramoun, Aleppo Oriental, atingida a tiro e atacada por terroristas em Bani Zaid e em áreas circundantes. Janeiro de 2018 (fotografia de Vanessa Beeley)

 

Os VERDADEIROS 'últimos homens em Aleppo' são os deficientes mentais e outros deficientes que foram abusados e armados por facções terroristas em Aleppo Oriental, que sofreram lavagem cerebral para se tornarem terroristas-suicidas. Quem o afirma é o Dr. Bassem Hayak, director do Hospital Psiquiátrico de Ibn Khaldoun, que neste momento mais não pode fazer que reparar e restaurar as suas instalações, depois de uma série de ocupações terroristas e do assassíno do seu quadro de funcionários e pacientes. 

 

Visitei este hospital durante a minha recente visita a Aleppo, entre Dezembro de 2017 e Janeiro de 2018. Por onde andavam os White Helmets quando estes civis sírios foram castigados e torturados em consequência da sua vulnerabilidade?

 

Um dos edifícios do Hospital Psiquiátrico de Ibn Khaldoun em Aleppo, Janeiro de 2018. (fotografia de Vanessa Beeley)

 

'Os últimos homens em Aleppo' não foram os White Helmets, esses partiram com a Frente al-Nusra nos autocarros verdes providenciados pelo governo sírio no seu esforço de evacuar todos os terroristas armados e respectivas famílias, a Dezembro de 2016. Os VERDADEIROS 'últimos homens em Aleppo' foram civis emagrecidos, traumatizados e desmoralizados pelo sofrimento que foram obrigados a aguentar durante 4 anos e meio. Um sofrimento agravado pelos White Helmets, e do qual os White Helmets tiraram proveito. Crianças que foram forçadas a assistir à crucificação em praça pública dos seus próprios familiares não vêem os White Helmets como seus salvadores, visto que estes trabalharam em parceria com os terroristas que cometeram estes hediondos crimes. 

 

Os VERDADEIROS 'últimos homens em Aleppo' são esses civis que agora regressam aos lugares da sua anterior pacífica existência, entretanto destruida pelos bombardeamentos. Os White Helmets são os incendiários que pegaram fogo a essas vidas e que agora querem ser vistos como bombeiros, visão esta reforçada pelos media corporativos Ocidentais.

 

Os VERDADEIROS 'últimos homens (e mulheres) em Aleppo' são numerosos, mas não pertencem aos White Helmets.

 

Os prémios e nomeações de Óscares podem dar um enquandramento de respeitabilidade a esses terroristas e carrascos por entre a elite governante, mas nunca apagarão os seus crimes aos olhos do povo sírio e, hoje em dia, a história não é escrita pelos mais poderosos, hoje ela é escrita por aqueles cujas vozes já não podem ser silenciadas.

 

A propaganda dos White Helmets seduziu seres humanos com genuína reacção humanitária que foi explorada por esta "peça central" da propaganda manipuladora de percepções. A estória contada pelos media dos White Helmets e por agência de relações públicas elevaram esta organização apoiante da al-Qaeda ao estatuto de celebridade de culto. O mundo inteiro apaixonou-se com aquilo que mais o deveria ter chocado, enquanto o povo sírio descobre as suas vozes asfixiadas por um Hollywoodesco glamour e por uma transformacional máquina de comunicação em massa.

 

Um novo mundo foi criado, no qual é possível à 'Defesa Civil' da al-Qaeda ser honrada no palco da Carnegie Hall, um novo mundo no qual os arquitectos da guerra são enunciados enquanto Embaixadores da Paz. Este mundo novo não seria possível sem o trabalho da BBC, do Channel 4 e do The Guardian, os quais são o núcleo central da rede de propaganda que tem manipulado a aterradora verdade sobre a guerra suja infligida à Síria.

 

 

Durante o seu impressionante discurso de aceitação do Prémio Nobel de 2005, Harold Pinter leu um poema seu, intitulado "Morte":

 

Onde foi encontrado o cadáver?

Quem encontrou o cadáver?

Estava morto o cadáver quando encontrado?

Como foi encontrado o cadáver?

 

Quem era o cadáver?

 

Quem era o pai ou a filha ou o irmão

Ou o tio ou a irmã ou a mãe ou o filho

Do morto e abandonado corpo?

 

Estava o corpo morto quando abandonado?

Estava o cadáver abandonado?

Abandonado por quem o cadáver?

 

Estava o cadáver nu ou com roupa de viagem?

 

O que vos fez declarar morto esse cadáver?

Esse cadáver, declararam vós a sua morte?

Quão bem conheciam vós o cadáver?

Como sabiam vós que o corpo se encontrava morto?

 

Lavaram o cadáver?

Fecharam-lhe ambos os olhos?

Enterram o cadáver?

Deixaram-no abandonado?

Beijaram o cadáver?

 

Quando olhamos no espelho acreditamos ser exacta a imagem que nos faz frente. Movamos um milímetro e a imagem mudará. Na realidade estamos vendo uma infinita variedade de reflexos. Por vezes um escritor vê-se obrigado a esmagar o espelho, pois é no outro lado do espelho que se encontra a verdade olhando-nos fixamente nos olhos.

 

  

Vanessa Beeley, 01.02.2018

Leia a 1ª parte aqui

Leia a 2ª parte aqui

Leia a 3ª parte aqui

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: WHITE HELMETS: Channel 4, BBC, The Guardian – Architects of ‘Humanitarian’ War

 

 
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A UNICEF: arma de propaganda da al-Qaeda e do terrorismo ocidental na Síria, por Eva Bartlett

A UNICEF: arma de propaganda da al-Qaeda e do terrorismo ocidental na Síria

    

Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

A UNICEF está abertamente fazendo propaganda de guerra para que avance a ilegal invasão Ocidental na Síria. A UNICEF chora lágrimas de crocodilo pelas crianças [numa parte específica] da Síria [referência a Guta] mas, no entanto, nunca chora pelas crianças de outras partes da Síria.

 

A UNICEF, incapaz de se preocupar com crianças noutras áreas não ocupadas pela al-Qaeda e outros "moderados", emitiu esta espantosa e cega declaração onde se pode ler (vinda da Jordânia e não da Síria): "Palavra nenhuma fará jamais justiça às crianças mortas, às suas mães, aos seus pais e aos seus entes queridos":

 

Cara UNICEF, e o que tem a dizer sobre os civis (crianças incluídas) mortos hoje em Damasco, e nos dias e semanas e meses anteriores, e nos anos anteriores, vítimas dos extremistas do leste de Damasco e dos arredores de Aleppo?

 

Onde andava a UNICEF quando 11000 civis, 40% dos quais mulheres e crianças, de Aleppo, foram mortas pelos extremistas apoiados pelo Ocidente?

 

Que foi feito dos dramáticos protestos da UNICEF quando civis (crianças incluídas) foram massacrados nos autocarros que os traziam de Kafraya e Foua, massacrados por "moderados", massacre esse descrito pelos media Ocidentais como tendo sido "um soluço"?


Por onde andava a UNICEF quando em 2009 Israel assassinou bebés e crianças à queima-roupa em Gaza?

 

Por onde andava em 2009 a (fingida) indignação perante o evitável assassínio de Shahed Abu Halima, queimado até crepitar, depois de Israel ter bombardeado a sua casa com roquetes contendo fósforo branco?

  • https://ingaza.wordpress.com/2009/02/04/next-time-it-will-hurt-more-israeli-threat-against-surviving-family-members-of-white-phosphorous-attack/

 

O bebé Shahed Abu Halima.

 

Este golpe da UNICEF é uma perigosa propaganda de guerra. Divulge isto!

 

Eva Bartlett, 21.02.2018

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Eva Karene Bartlett's facebook page

 

 
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WHITE HELMETS: Channel 4, BBC, The Guardian – Arquitectos da guerra 'humanitária' - PARTE 3/4, por Vanessa Beeley

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Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE 

 

Doc Society: O Svengali dos White Helmets?

 

A sua missão: "Juntamos pessoas para desencadear o poder de transformação dos filmes documentais. Nós somos solidários com os realizadores e trabalhamos para uni-los a novos amigos e aliados, construindo novos modelos a nível global. Pretendemos inovar, compartilhar e inovar novamente."

“BRITDOC [Doc Society] estão na vanguarda da inovação em documentários ao nível internacional. De Ping Pong para Virunga, eles foram pioneiros em novas formas de atrair audiências" (Patrick Holland, BBC)

 

 

(A partir de Janeiro de 2018, a Doc Society começará a aplicar o Fundo para Filmes Documentais (BFI). Não poderíamos estar mais orgulhosos e mais prontos para começar a trabalhar para a comunidade criadora de documentários do Reino Unido.)

 

As "cinco áreas estratégicas" da Doc Society são:

1:  Ajudar bons filmes a serem óptimos filmes.

2: Envolver novos parceiros.

3: Criar novas audiências

4: Fazer e avaliar

5: Partilhar e aprender

 

 

Estes cinco objetivos são alcançados através dos seguintes elementos do mecanismo do Doc Society:

1: Os nossos filmes: "somos especialistas em documentários, ajudando bons filmes tornarem-se óptimos: 5 nomeações para óscares e um ganho."

2: O nosso financiamento: "Concedendo 500.000 libras por ano graças à Bertha Foundation e outros; 4.96 milhões de libras concedidas a filmes desde 2005."

3: Good Pitch: “Onde os melhores realizadores em matéria de câmbio social se encontram com novos aliados e parceiros: 29 milhões de dólares angariados em 34 eventos do Good Pitch."

4: Something Real: "recomendação semanal de documentários - os melhores documentários clássicos e de culto, online"

5: Doc Academy – "Recursos de sala de aula gratuitos para professores"

 

 

6: Doc Impact Award: "Para celebrar os documentários com o maior impacto social"

7: Guia de impacto: "Guia detalhado do uso de filmes como ferramenta de mudança social"

 

Acrescentei ênfase aos três aspectos sobre os quais irei me focar na minha pesquisa sobre quem estará por detrás da máquina de promoção dos White Helmets e que atinge tão vertiginosos e sem precedentes níveis, para uma "simples" ONG humanitária.

 

‘Good Pitch’

 


Joanna Natasegara e Orlando Einseidel do Violet Films do Grain Media – sobre o White Helmets do Netflix 

 

Joanna Natasegara e Orlando Einseidel do Violet Films e Grain Media, respectivamente, colaboraram em vários projectos, do quais se pode destacar Virunga (2014, sobre o Congo) e, depois, em 2016, o "documentário" White Helmets que produziram e realizaram para a Netflix. Na realidade, ficaram no lado turco da fronteira com a Síria, recebendo gravações fornecidas pelos White Helmets sem verificação alguma para certificar a autenticidade ou o contexto do material que eles converteram num filme de propaganda vencedor de um Óscar. 

 

 

Virunga foi produzido 2 anos antes de White Helmets e também foi intensamente promovido pelo Doc Society e pelo Good Pitch.

 

 

A equipa de pós-produção que trabalhou no filme White Helmets da Netflix foi apoiada por uma empresa chamada Molinare:

"Tenho o privilégio de liderar a nossa altamente talentosa, dedicada e criativa equipa, e surpreendo-me com frequência com aquilo que a nossa equipa consegue realizar entre a produção e pós-produção, de forma a que tudo soe e se mostre ao melhor nível possível. (Julie Parmenter, director da Molinare)

 

Molinare aparece também na página do “Good Pitch” da Doc Society, assim como a Violet Films.

“Estamos extremamente orgulhosos por termos sido incluídos no prestigioso evento ‘Good Pitch‘ do Sundance Institute e do Britdoc que teve lugar no Royal Institution. Estivemos presentes para debater perante mais de 400 pessoas sobre um projecto muito motivante no qual estamos a trabalhar. Grain Media, Junho de 2013)

 

Vale a pena ressaltar que quer o Grain Media quer o Violet Films trabalham em estreita colaboração com a BBC, o The Guardian, a Al Jazeera e o Channel 4 em inúmeros projectos.

 

Threshold Foundation

 

 

A Doc Society propõe filmes à Threshold Foundation que estes consideram dignos de serem apoiados. Um desses filmes foi o documentário White Helmets da Netflix . 

 

Em Outubro de 2016, recebi um email confidencial de alguém preocupado com o facto de uma ONG ter financiado o films White Helmets: "Tem se tornado claro para mim que, no mínimo, os White Helmets, apoiam a lógica de mudança de regime, visto que eles próprios apelam à criação de uma zona de exclusão aérea que é, de facto, uma declaração de guerra e, no máximo, uma organização completamente fraudulenta e a peça central da manipuladora campanha de relações públicas".  Pouco tempo depois de ter recebido este email, a seguinte declaração apareceu no site da Threshold Foundation:

 

 

Há pouco, enquanto fazia uma investigação sobre o Doc Society, voltei ao site do Threshold Foundation e descobri que uma declaração havia sido removida e substituida com uma outra elogiadora declaração sobre a conquista de um óscar pelos White Helmets. A ferramenta Wayback mostrou-me que a declaração havia sido removida em Março de 2017, imediatamente após os White Helmets terem recebido um prémio da Academia por branquearem a al-Qaeda na Síria. 

 

A declaração ainda está disponível no Google Drive.

 

Que tipo de coerção sofreu a Threshold Foundation para manter o seu incondicional apoio à farsa dos White Helmets? Terá a declaração sido publicada por um elemento insubmisso dentro da organização que se opôs ao facto dos White Helmets serem a "peça central" da "guerra humanitária" destinada a reduzir a Síria à condição de mais um estado falido, como a Líbia? Provavelmente nunca chegaremos a saber a verdade.

 

 

‘Last Men in Aleppo’

 

Good Pitch tem também desempenhado um papel fundamental na promoção do Last Men in Aleppo (LMIA), realizado por Firas Fayyad (à esquerda), um “exilado” sírio residente na Dinamarca. Foi o Good Pitch que geriu todo o processo de incubação e de distribuição deste filme.

 

Firas Fayyad e o seu Last Men in Aleppo passaram do anonimato à nomeação para um Óscar num piscar de olhos, graças à Doc Society.

 

Foi a Good Pitch que introduziu Fayyad à produtora dinamarquesa Larm Films e ao Aleppo Media Centre (criação do Ministério dos Negócios Estrangeiros da França), que produziu um boa parte da narrativa sobre Aleppo Oriental aprovada pela al-Qaeda, incluindo o golpe de misericórdia "humanitário" sobre Omran Daqneesh. Desde então, o Good Pitch encarregou-se por completo do projecto LMIA.

 

 

Soren Jespersen, o produtor de LMIA

“Temos esperança de que o nosso filme traga o sofrimento da população civil de Aleppo para o centro da discussão e que oxalá ponha alguma pressão sobre os políticos, diplomatas e outras pessoas de poder para que de facto façam algo. A Good Pitch é uma rede e um meio de interligar pessoas que sejam entendidas na matéria ou que tenham a acesso pessoas com poder, e que nos possam ajudar a fazer passar o nosso filme em salas importante. Portanto, a Good Pitch é, no fundo, uma organização focada em entrar em contacto com as pessoas certas. Eles conseguem obter algo de palpável. (ênfase adicionado)

 

“Obter algo de palpáve” significa "zonas de exclusão aérea" impostas pela NATO e a escalada do conflito "humanitário". Significa o prolongar da guerra para o povo sírio. Significa sabotar toda e qualquer resolução pacífica ou diplomática para a Síria e para a região.

 

 

Mary Robinson, antigo presidente da Irlanda no evendo Europe Programme 2017 do Good Pitch:

“Acreditamos que a mudança é necessária, sabemos que a mudança é necessária e que, uma forma de obter essa mudança, é a de contar uma boa estória" (ênfase adicionado) 

 

Esta narrativa transformacional é tão levada a sério por aqueles que se empenham em "humanitárias guerras RdP", que acaba por levar à devastação em série de nações soberanas como a Líbia, o Iraque, a Síria e por aí fora. 

 

Last Men in Aleppo recebendo o prémio do Sundance Film Festival 2017. O realizador Firas Fayyad e o co-realizador e editor Steen Johannessen.

 

Last Men in Aleppo ganhou os seguintes prémios poucos depois de ter sido lançado através dos canais da Good Pitch:

1: O documentário teve a sua estreia mundial em Janeiro de 2017 no Sundance Film Festival, onde ganhou o prémio World Documentary Grand Jury Prize.

2: Março de 2017 –  o prémio “Top Prize” no CPH:DOX Festival".

3: Março de 2017 –  Grasshopper Films assumiu os direitos do Last Men in Aleppo.

4:Octubro de 2017 – Recebeu o préio para Documentário Mais Inovador no segundo evento anual do POV Critics’ Choice Documentary Awards.

5: Janeiro de 2018: Documentário para o Óscar de melhor documentário na 90ª Cerimónia de Entrega dos Óscares a ter lutar em Março de 2018

 

Parece que o Good Pitch faz jus ao seu nome. 

 

Acredito que seja seguro concluir que existe uma vasta e bem financiada máquina de relações públicas operando nos bastidores da organização dos White Helmets, branqueando a sua desacreditada imagem e planeando a sua trajectória política, mediática e hollywoodesca. Focada em campanhas de relações públicas temos, então, aquilo que se pode denominar de exército mediático, liderado pelo Channel 4, a BBC e o The Guardian. E o Doc Society é o centro de operações para as secções de cinema e de relações públicas.

 

Agora é que a coisa começa a ficar interessante. Quem são afinal os parceiros da Doc Society?

 

Parceiros do Doc Society

 

 

Um dos parceiros fundadores é Channel 4; outros grandes parceiros são a BBC, a Ford Foundation e a Bertha Foundation.

 

Só falta o The Guardian, ou será que não?

 

 

“O The Guardian colabora com a Bertha Foundation para transmitir, através de documentários internacionais, estórias com um impacto global. Incomendámos uma série de 12 filmes documentais a realizadores independentes. A série segue assuntos globais, focalizando-se em filmes que tenham o poder de destacar temas contemporâneos e de chamar à atenção de pessoas e de movimentos que estão tendo um papel relevante no mundo."  (Ênfase adicionada)

 

Last Men in Aleppo foi o vencedor do Sundance Film Festival Award 2017, nada de surpreendente, se se tiver em conta que o Sundance é também um dos principais parceiros do Doc Society:

 

 

Robert Redford é presidente e fundador do Sundance Institute.

“O Progama do Sundance Documentary Film apoia realizadores de não-ficção, do mundo inteiro, na produção de documentários focados em temas contemporâneos. Criado em 2002 com o apoio financeiro da Open Society Foundations“.

 

A este acrescente-se Bertha Foundation, Rockefeller Foundation, CNN Films e National Geographic, entre outros.

 

 

Completando o circuito, regressamos a Morgan Spurlock do Huffington Post, adicionando um pouco mais de culto de personalidade à mistura:

 

 

E descobrimos que a Open Society Foundation, patrocinadores do Sundance Institute, são também fãs do conceito  Good Pitch, uma "obra do Doc Society":   

 

  

Good Pitch criou uma comunidade de fabricantes de mudanças que partilham a mesma mentalidade e que acreditam no poder de usar estórias para impulsionar a justiça social pelo mundo fora"

 

Vanessa Beeley, 01.02.2018

Leia a 1ª parte aqui

Leia a 2ª parte aqui

Leia a 4ª parte aqui

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: WHITE HELMETS: Channel 4, BBC, The Guardian – Architects of ‘Humanitarian’ War

 

 
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WHITE HELMETS: Channel 4, BBC, The Guardian – Arquitectos da guerra 'humanitária' - PARTE 2/4, por Vanessa Beeley

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Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE 

 

Eu guardei a apologia de terrorismo do Channel 4, para a posteridade, aqui no site do 21st Century Wire: Channel 4 Joins CNN in Normalising Terrorism, Then Removes Their Own Video

 

Antes do ataque verbal do The Guardian e de Solon contra jornalistas e analistas que expuseram o lado mais negro dos White Helemts, o Channel 4 havia já experimentado as suas armas de "verificação de factos" contra a jornalista independente Eva Bartlett, numa tentativa de silenciar as críticas aos aparentemente intocáveis White Helmets. O ataque foi por água abaixo quando, recentemente, Bartlett respondeu aos tiros falhados com um estrondoso contra-ataque de factos e intensas análises produzidas no terreno

 "Tivesse o The Guardian tido intenções honestas no seu artigo sobre os White Helmets, e talvez tivessem investigado os muito membros dos White Helmets com ligações à al-Qaeda e a grupos extremistas afiliados. Aqui fica apenas um exemplo que mostra a fidelidade de mais de 60 membros dos White Helmets à al-Qaeda e a outras organizações terroristas"

 

Julgo que "intenções honestas" é algo fora do alcance deste media colonialistas cujas 'intenções' são as de apresentar a corrupta e criminosa ‘civil defence’ da Frente al-Nusra enquanto louvados "heróis" e "salvadores da humanidade inteira" enquanto que as provas do contrário ficam a acumular pó num canto da casa.

 

Durante a libertação de Aleppo Oriental do Exército Árabe Sírio contra os ocupantes terroristas, o que vimos foi o Channel 4 fazendo apologia dos White Helmets. Jon Snow nunca se desviou da sua narrativa mesmo quando uma simples análise no Google Maps desmontou o relato dos White Helmets sobre os eventos ocorridos em Jib Al Qubbeh, que mais não foi do que um criminoso encobrimento de factos.

 

Leia a reportagem in locu de Vanessa Beeley: WHITE HELMETS: The Jib-Al-Qubeh War Crime in Aleppo, Denied by Channel 4

 

 

(barris-bomba... lançados pelas forças aéreas da Síria e da Rússia)

 

Podemos adicionar a CNN, o Huffington Post e muitos outros a este grupo, mas quero deixar bem identificados os 3 mais proeminentes apologistas dos White Helmets, que têm influenciado a opinião pública no Reino Unido e no resto do mundo. Vejam Becky Anderson da CNN entrevistando Firas Fayyad (realizador de Last Men in Aleppo) em Davos, após a exibição pública do seu filme.

 

Anderson nunca questiona a ausência da Frente al-Nusra no enredo do Last Men in Aleppo, apesar do facto de ocuparem Aleppo Oriental durante o período de tempo no qual Fayyad supostamente aí andou a filmar, ao mesmo tempo que o Exército Árabe Sírio avançava nessa parte da cidade e obrigava as forças terroristas lideradas pela Frente al-Nusra a recuar e a renunciar ao controlo de áreas civis. Este documentário horrivelmente faccioso é aceite como  sendo um retrato irrefutável da vida em Aleppo Oriental produzido por "jornalistas" de media corporativos que não se desviam um milímetro do roteiro neocolonialista aprovado por Hollywood.

 

 

(Como é viver no inferno? O realizador sírio @firasfayy foi preso e torturado enquanto filmava o documentário "Last Men in Aleppo" nomeado para um óscar.)

 

Um bom exemplo de uma resposta por escrito contra qualquer questionamento sobre as sinistras actividades dos White Helmets foi feito por Andrew Mitchell, antigo secretário de estado responsável pelo britânico Department for International Development, em resposta às investigatórias perguntas de Afshin Rattansi sobre o financiamento dado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido a grupos terroristas na Síria sob o pretexto de prestar ajuda "não-letal" à "oposição síria".  

 

Assista a esta parte da entrevista do Going Underground da RT:

 

 

Portanto, já chegámos à conclusão que, no geral, os media corporativos do mundo inteiro protegem a organização White Helmets de quaisquer ataques, e que os seus principais protectores parecem ser o The Guardian, a BBC e o Channel 4. Os guiões aos quais aderem, emanam da agência de relações públicas Syria Campaign, dos próprios White Helmets e de James Le Mesurier, o ex-militar britânico e actual operador de "segurança privada" responsável pela criação dos White Helmets em Março de 2013 na Turquia. Ninguém se desvia um milimetro sequer deste guião, mesmo quando confrontados com irrefutáveis provas que vão no sentido contrário. Exemplos da BBC recitando o guião de Le Mesurier podem ser encontrados aqui e aqui

 

Oiça Martin Quinn, do Tipperaray Peace Prizeaderindo teimosamente ao guião do White Helmets quando confrontada pelas invulgarmente desafiantes questões de Audrey Carville no programa Morning Ireland (da RTE). Carville pergunta a Quinn como pode esta verificar a veracidade dos supostos 100.000 resgates efectuados por este grupo; Quinn diz à audiência que a informação provém dos próprios White Helmets e que, portanto não foi verificada, mas sem dúvida que é verdade.

 

Carville volta a fugir ao guião, chamando a atenção para o facto dos White Helmets terem participado em terroristas execuções de civis na Síria; como seria de esperar, Quinn volta a trazer o guião para a discussão, acusando "os trolls russos e a propaganda de Assad" de estarem por detrás dessas críticas, apesar dos próprios White Helmets terem admitido que membros da sua organização chegaram a andar armados, e que foram depois "demitidos" por terem participado no assassínio de civis e de prisioneiros de guerra das Forças Armadas Sírias e no desmembramento dos seus corpos. 

 

Uma vez mais, pergunto: e se fossem funcionários da Cruz Vermelha, haveriam de ser absolvidos do crime de assassínio com um simples "despedimento"; ou teriam de ser levados perante um tribunal de direitos humanos, e os seus patrocinadores serem responsabilizados por esses crimes? No caso dos White Helmets, os patrocinadores são: EUA, Reino Unido, UE, Holanda, Alemanha, Catar, Turquia, Nova Zelândia, Austrália e outros membros da coligação liderada pelos EUA que infligem uma guerra híbrida à Síria, combinada com o financiamento de um bom número de agentes de propaganda como o Syria Campaign, o Jo Cox Fund, o Independent Diplomat, ou o Mayday Rescue.

 

Vale a pena ouvir esta entrevista da RTE, para se poder compreender o quão difundido tem sido o "guião" dos White Helmets, e o quão incorporado está na mente daqueles que são encarregados de defender esta organização. Devemos nos questionar se 'respeitar o alinhamento partidário' é consensual ou obtido através de coerção; ou se descemos tão fundo numa espécie de abismo moral que, assassínio, tortura e exploração de crianças, são ofensas castigáveis com simples "despedimentos"?

 

Uma vez identificadas as respostas pré-organizadas do tal guião, é fácil cruzá-las com toda e qualquer entrevista ou artigo escrito sobre os White Helmets, exercício que deveria levar a colocar a questão: será esta uma história genuína  ou uma pré-fabricada campanha de marketing? 

 

 

Mas, afinal, quem de facto está por detrás da pré e da pós-produção, da promoção e que dá apoio a esta inundação de projectos de glorificação dos White Helmets?

 

Sugiro que averigue a Doc. Society (antiga Britdoc), sediada no Reino Unido e em Nova Iorque, e que é uma "organização sem fins lucrativos, fundada em 2005, focada no apoio à criação de grandes filmes documentais e em fazê-los chegar ao público mundial". 

 


Campanha de rebranding do Britdoc, que agora se chama Doc Society. 

 

CONTINUA

Vanessa Beeley, 01.02.2018

 

Leia a 1ª parte aqui

Leia a 3ª parte aqui

Leia a 4ª parte aqui

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: WHITE HELMETS: Channel 4, BBC, The Guardian – Architects of ‘Humanitarian’ War

 

 
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WHITE HELMETS: Channel 4, BBC, The Guardian – Arquitectos da guerra 'humanitária' - PARTE 1/4, por Vanessa Beeley

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Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE 

 

"Dado que cada vez menos companhias controlam os nossos media, por que razão os documentários são mais importante do que nunca". Foi este o título de um artigo do Huffington Post escrito em 2014 por Morgan Spurlock, um realizador de documentários, produtor e guionista. Spurlock informa-nos que "filmes são coisas incríveis. São coisas mágicas. Janelas para mundos que não venhamos talvez nunca a ver, ligados a nós em níveis emocionais tão profundos que ficaremos para sempre afectados por eles e por suas mensagens. Filmes podem não só entreter mas também mudar a percepção pública de formas que nunca pensámos serem possíveis". 

 

Como previsto, uma grande quantidade de documentários inundou o mercado mediático. A grande maioria tem transmitido uma perspectiva muito unilateral do conflito na Síria e, quase sempre, apoiado a narrativa de mudança de regimes da coligação norte-americana, a qual tem feito perdurar o seu projecto de desestabilização da região pelos últimos sete anos.Serão estes documentários mais precisos do que os media corporativos que são supostos substituir?

 

Por exemplo, no dia 5 de Abril de 2017 a National Geographic lançou um teaser do seu filme Hell on Earth: The Fall Of Syria And The Rise of ISIS [Inferno na terra - A queda da Síria e a ascensão do ISIS], realizado por Sebastian Junger e produzido por Nick Quested. Este teaser foi prematuramente posto em exibição de forma a coincidir com o alegado e controvérsio ataque químico de Khan Shaykhun na Síria (ocorrido no dia 4 de Abril). No entanto, tal como Paul Larudee revelou, o teaser do filme apresentava uma fraudulenta deturpação da guerra na Síria:

“A cena [de abertura] mostra um míssil destruindo um prédio residencial com uma estrondosa explosão. Sobrepostas sobre as imagens encontram-se as palavras ALEPPO, SÍRIA... (...) A fonte original das imagens remontam a 2014 e são de uma operação israelita que tirou as vidas a mais de 2200 palestinianos nesse ano".

 

"Mudar a percepção pública" é, sem dúvida, uma das funções dos modernos criadores de documentários, os quais, frequentemente, obtêm financiamento dos mesmos fundos de investimento mediático da Time Warner, da AOL ou da Walt Disney, de forma a poderem produzir filmes cambiadores de percepção que sejam comoventes e emocionantes para um público ocidental cujas opiniões em matéria de política externa são, sem dúvida, altamente influenciadas por estes ostensivamente "factuais" documentários. 

 

Publicidade do Last Men in Aleppo.

 

Durante os 7 anos deste projecto para a Síria criado, financiado e armado pela coligação norte-americana, muito poucas organizações foram tão celebradas por políticos, por meios de comunicação e por Hollywood  como têm sido os White Helmets, uma organização financiada por estados-membros da NATO.

 

O Óscar do ano passado entregue a um documentário da Netflix sobre os White Helmets é  seguido, em 2018, pela nomeação de Last Men in Aleppo, o mais recente, resplandecente e emocional vídeo de promoção onde aparecem os supostos "socorristas" fazendo aquilo que melhor sabem fazer: trepar escombros, torcer por terroristas e contemplar no céu imaginários helicópteros

 

A função destes filmes é a de assegurar que os White Helmets afiliados à al-Qaeda surjam dos escombros cheirando a rosas, nas zonas da Síria ocupadas por grupos terroristas e extremistas controlados pela Frente al-Nusra (al-Qaeda na Síria). 

 


Tirado do site da Syria Campaign, mais uma das suas "conquistas" na sua campanha a longo prazo para "mudar a história da Síria"

 

Syria Campaign é, na realidade, a agência de relações públicas dos White Helmets. financiado por  Ayman Asfari, um magnata sírio radicado no Reino Unido que, acidentalmente, financiou também o governo conservador de Theresa May e que está sobre investigação do Serious Fraud Office britânico, depois de já ter sido punido em Itália por inside trading. Sem margens para dúvida, Auman Asfari pode ser descrito como parte interessada no resultado do conflito sírio, com ambições políticas abertamente declaradas para quando for assegurada a "mudança de regime" apoiada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido. Entretanto, os seus planos têm sido frustrados por uma çaica resistência síria com o apoio de seus aliados regionais e geopolíticos.

 

De acordo com uma das muitas ofertas de emprego que proprõe, o Syria Campaign tem concentrado os seus esforços propagandistas na organização dos White Helmets (sublinhado nosso):

  • Criou filmes premiados que foram vistos por dezenas de milhões de pessoas e exibidos na Casa Branca.
  • Criaram no mundo inteiro milhares de estórias mediáticas sobre a Síria.
  • Obtiveram dezenas de milhares de dólares em doações graças à suas direccionadas campanhas
  • Colocaram no topo da agenda política pontos-chave acerca do conflito
  • Recolheram milhões de dólares para apoio directo aos heróicos socorristas sírios
  • Construiram uma comunidade de mais de 500.000 pessoas no mundo inteiro que tomam iniciativas de solidariedade para com os heróis sírios.

 

Quem defende de forma condicional os White Helmets?

 

1. The Guardian

 

“A bravura dos White Helmets na Síria é algo indiscutível” (Charlie Phillips, Realizador de documentários para o The Guardian)

 

 

Olivia Solon, uma inexperiente jornalista do The Guardian residente em San Francisco, foi escolhida para escrever um artigo de ataque a todos aqueles que têm ido à Síria para expor o papel dos White Helmets enquanto organização associada à al-Qaeda em zonas ocupadas por terroristas, as quais têm vindo a diminuir na Síria à medida que o Exército Árabe Sírio e seus aliados avançam rumo a uma total e final vitória militar contra o caro e falhado projecto neocolonialista dos EUA, do Reino Unido, da União Europeia, da Turquia e das Monarquias do Golfo.

 

A flagrante falta de conhecimento de Solon e o facto de depender de declarações daqueles que fazem parte da estrutura dos White Helemts, demonstraram bem até que ponto o The Guardian faz jus à sua alcunha de Cérbero da política de Submundo do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido para Médio-Oriente.

 

 

(Rab G.P.Eadie: Então, ele agora admite fazer parte da máquina de propaganda estatal? ... o seu pungente ataque contra @VanessaBeeley e  @EvaKBartlett sobre o tema da Síria foi simplesmente surpreendente)

(Chevron Road: Monbiot gabou o artigo de Solon como se se tratasse de um inovador jornalismo de investigação. Mas mais não foi que a repetição das palavras empregues por aqueles que apoiam os White Helmets e as mudanças de regime. Enquanto atira lama à cara de quem ousar contradizer a sua perspectiva. Monbiot, ou têm problemas graves, ou é uma fraude.)

 

Sempre que o The Guardian deveria ser atacado por um público exasperado, em consequência da flagrante inaltação que fazem dos White Helmets, o que acontece é a eliminação de comentários ou mesmo a remoção da caixa de comentários. Os White Helmets, hoje em dia, são "intocáveis". Os media corporativos actuam como seus guardiões, defendendo esta farsa de possíveis críticas. O The Guardian é um dos principais promotores do neocon conceito de "guerra humanitária", e que melhor organização para dirigir este conceito senão uma ONG "humanitária" controlada pelos EUA e o Reino Unido [ou seja, os White Helmets]?

 

Infografia criada pelo Professor Tim Anderson ,do Hands Off Syria. 

 

2. A BBC 

 

 

A BBC tem sido outro guerreiro do proteccionismo dado aos White Helmets que raramente, ou mesmo nunca, se desvia das suas respostas pré-programadas quando é pressionada a dar explicações sobre a sua tendenciosa posição neste assunto. A BBC, sobre o tema White Helmets, nunca analisou o outro lado da moeda, por ser menos atractivo, nem tampouco prestou atenção às acusações contra a organização White Helmets disferidas pelo povo sírio libertado da ocupação da Frente al-Nusra / White Helmets em Aleppo Oriental.

 

Talvez quando Guta tiver finalmente sido libertada, e os White Helmets (que vivem lado a lado com as facções terroristas que ocupam os subúrbios orientais de Damasco) tenham partido em autocarros verdes, uma outra fenda se venha a abrir na carapaça dos White Helmets. E a BBC, será que o noticiará?

 

Recentemente a BBC Panorama passou uma "revolucionária" reportagem sobre o possível financionamento de terrorismo na Síria por parte do ministério dos negócios estrangeiros britânico, através do ‘Free Syrian Police’. Mas mentiram por omissão. E não conseguiram explicar o porquê da ‘Free Syrian Police’ ter as suas sedes mesmo ao lado das do White Helmets, onde quer que estejam presentes, assim como não conseguiram explicar por que razão aqueles sistematicamente são vizinhos ou inclusive partilham edifícios com a Frente al-Nusra e com centros militares. O 21st Century Wire previu com precisão o que a BBC omitiria na sua reportagem, e os White Helmets estavam no topo da lista dos não mencionáveis. 

 

Artigo do 21st Century Wire: White Helmets & ‘Local Councils’ – Is the UK FCO Financing Terrorism in Syria with Taxpayer Funds?

 

3. Channel 4 (Reino Unido)

 

 

(Uma mensagem dos White Helmets da Síria para os bombeiros britânicos)

 

O Channel 4 mostrou mensagens dos White Helmets de apoio aos bombeiros da tragédia da Torre Grenfell, apesar do facto dos White Helmets terem sido dias antes filmados caminhando por cima de cadáveres desmembrados de prisioneiros de guerra do Exército Árabe Sírio.

 

Agora chegamos ao líder dos promotores dos White Helmets e das suas narrativas vindas de enclaves ocupados por terroristas em várias partes da Síria, particularmente em Aleppo Oriental. O Channel 4 especializou-se na tarefa de torcer por esta simulação de ONG humanitária, mostrando-os, imagine-se, ao lado de terroristas descritos como "rebeldes" no seu infame artigo "Aleppo, Up Close with the Rebels", o qual entretanto foi removido do seu site depois de muitos espectadores os terem alertado para o facto de terem estado a  filmar o grupo terrorista Nour Al Din Zenki (conhecido por ter decapitado Abdullah Issa, de 12 anos de idade) e por terem branqueado os perversos ataques atentados suicidas deste grupo contra zonas civis de Aleppo Ocidental.

 

CONTINUA

Vanessa Beeley, 01.02.2018

 

Leia a 2ª parte aqui

Leia a 3ª parte aqui

Leia a 4ª parte aqui

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: WHITE HELMETS: Channel 4, BBC, The Guardian – Architects of ‘Humanitarian’ War

 

 
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LAST MEN IN ALEPPO: al-Qaeda apresentada enquanto ‘White Helmets’ para a Nomeação Anual de 'Óscar' Terrorista - PARTE 3/3, por Vanessa Beeley

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Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE 

 

Um segundo Óscar para al-Qaeda?

 

 

Sim, o Last Men in Aleppo foi impulsionado para uma segunda nomeação para um Óscar por aquilo que pouco mais é que um filme promocional da al-Qaeda. O primeiro prémio da Academia para o documentário da Netflix sobre os White Helmets veio em 2017, e agora Last Men in Aleppo está nomeado para os óscares de 2018. Por que voltas e reviravoltas viemos dar a este ponto da nossa existência no qual os nossos governos financiam os dois extremos do espectro de terrorismo e não vão parar à prisão? A Frente al-Nusra e outras marcas de facções terroristas são, simplesmente, o outro lado da moeda dos White Helmets. Um não pode funcionar sem o outro e os nossos governos armam, financiam e equipam ambos os lados. 

 

 

(O realizador do filme, Firas Fayyad, recebe tratamento privilegiado em Davos. A estória dos White Helmets está sendo activamente promovida pelos meios de comunicação ocidentais, a sua autenticidade e integridade raramente são desafiadas pela maioria dos jornalistas e telespectadores norte-americanos / europeus)

 

Denis Bolotsky, correspondente da Sputnik, disse-me que Fayyad se comparou a si próprio com Shakespeare durante o seu recente discurso em Davos:

"Nunca teríamos ouvido falar do conflito de Hamlet se não fosse o Shakespeare" , afirmou Fayyada. "Teríamos ouvido falar de uma pequena parte do século XV. Com Shakespeare conseguimos perceber que tipo de vidas essas pessoas viveram, que tipo de conflitos experienciaram. Portanto, isto aqui, portanto não é para trazê-los enquantoWhite Helmets, é para trazê-los enquanto seres humanos, eu não queria fazer destas pessoas heróis."

 

 

(Caro @firasfayy, aqui está um pouco de Shakespeare para você. "O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres meros actores, eles entram e saem de cena, e cada um no seu tempo representa diversos papéis.)

 

Bolotsky continuou, descrevendo-me como grupos organizados de crianças da escola secundária de Davos foram levados à exibição de Last Men Aleppo. Este é um aspecto perturbador em torno da comercialização deste mais recente empreendimento dos White Helmets. Crianças, com idades compreendidas entre os 12 e os 14 anos, foram submetidas a imagens que certamente não são adequadas a mentes impressionáveis - o arremesso de membros em decomposição, arrancados dos seus corpos, de encima de edifícios para membros dos White Helmets esperando em baixo, o desfile de mortos, os bebés desenterrados para a câmara, as intermináveis injúrias contra o governo sírio e seus aliados.

"Fayyad não hesita nos detalhes horríveis. Vemos mãos, pés e outras partes de corpos no entulho, bem como as feridas nas cabeças das crianças: é quase impossível não chorar ou ficar desesperado." (sinopse do The Guardian sobre o Last Men in Aleppo)

 

Isto é lavagem cerebral e engenharia social a uma escala industrial, e nunca deveria ter sido permitido.

 

Hanna Elvira, uma académica especialista em psicologia, fez esta avaliação:

“Através da aprendizagem observacional, a exposição das crianças à violência nos media leva ao aumento da agressividade, da dessensibilização emocional à violência, mudanças disposicionais e comportamentais, tanto a curto quanto a longo prazo. Mesmo após a exibição de apenas um filme violento, ocorrem efeitos a curto prazo que envolvem crianças demonstrando uma quebra imediata em atitudes simpáticas, e menos preocupação e consciência sobre actos agressivos. Os efeitos psicológicos a longo prazo em crianças e adolescentes envolvem distúrbios crónicos do sono, depressão, ansiedade e uma dessensibilização à violência que aumenta a probabilidade de imitarem os comportamentos agressivos que observam ". 

 

Aqui está a entrevista que eu dei à Sputnik sobre a exibição do filme Last Men in Aleppo em Davos:

 

 

Quem anda promovendo o ‘Last Men in Aleppo’?

 

 

Sem surpresa, o The Guardian está em primeiro lugar no campeonato do inquestionável apoio à longa-metragem dos White Helmets. A recente peça de linchamento mediático, da autoria de Olivia Solon, tentando desacreditar todas as provas existentes contra os White Helmets como tendo sido produzidas por trolls russos, bots e outros tipos de escória social, bombou à grande. Eva Bartlet, uma dos "trolls" designados por Solon, escreveu uma completa desconstrução das infundamentadas calúnias e da falta de transparência da mesma Solon e, assim sendo, não vou perder tempo com esta estória. As provas contra a organização White Helmets estão aumentando tanto que não tarda passará a ser uma perca de tempo tentar caluniar quem expõe as suas criminosas e terroristas ligações. 

 

 

(Como alguém que questiona a narrativa dos White Helmets tornou-se vítima da máquina de propaganda do The Guardian https://t.co/jKE7Jq1AZb. O artigo #FakeLiberal do britânico @Guardian é Pró-Neocons, Pró-Guerra e Pró-terroristas da al-Qaeda)

 

Portanto, a mais recente bajulação às encenações dos White Helmets veio de quem faz as críticas de cinema para o The Guardian, o senhor Charlie Phillips  que é "Um pouco documental, um pouco político, vegano, fã tristonho do Leeds United. Chefe da secção Documentários do The Guardian ", de acordo com o seu perfil no Twitter. Phillips começou a sua ao filme com a ousada declaração:

“A bravura dos White Helmets é algo indiscutível”

 

Não, não é Phillips, a "bravura dos White Helmets já foi posta em questão múltiplas vezes, não por "trolls russos", mas sim pelo povo sírio cujas vozes o The Guardian sistematicamente elimina da nossas consciências no Reino Unido. 

 

Outras vozes são também silenciadas pelo The Guardian. A censura é abundante no The Guardian quando os comentários não estão de acordo com a narrativa aceite pelo governo do Reino Unido. A opção de comentar não foi activada no artigo sensação de Solon, a possibilidade de comentar a brilhante crítica de Phillips sobre o filme dos White Helmet foi desligado quando se aperceberam que a maior parte dos comentários eram divergentes. Os comentários foram quase todos eliminados e, mais tarde, foi desligada também a opção de comentar quando o The Guardian descaradamente fez um artigo-campanha pela atribuição do Prémio Nobel da Paz 2016 aos White Helmets. Não vemos aqui um padrão?

 

Aqui está um muito íntima troca de tuites entre o realizador de Last Men in Aleppo e Phillips, que diz: "Trabalho no The Guardian, já estou acostumado". Charlie Phillips é "usado" para abusar da cega amplificação das narrativas que servem as políticas e práticas neocolonialistas da "Bretanha Global", é esta a realidade.

“É difícil conseguir que um homem compreenda algo, quando o seu salário depende de não entender esse algo.”  (Upton Sinclair)

 

 

(Feras Fayyad: Obrigado Charlie, lamento que tenha sido atacado pela  RT. Eu li o ataque que lhe fizeram.)

(Charlie Phillips: Ó meus Deus, não se preocupe, trabalho no The Guardian, já estou acostumado)

 

Phillips obviamente não reparou em alguns dos detalhes contidos no filme:

 

  

 

Nesta parte, o "herói" foi para uma garagem improvisada reparar o radiador de um  veículo dos White Helmets. Na mesma garagem está estacionado um veículo que exibe uma bandeira terrorista usada por várias brigadas na zona de Aleppo Oriental (muitas vezes denominadas de Emirado do Cáucaso, o qual, entretanto se transformou em ISIS). E este é um ponto que bate certo com a identificação de edifícios de terroristas ligados ao centro dos White Helmets em Al-Ansari .

 

 

E esta é uma curiosa inclusão no filme Last Men in Aleppo. Para quê mostrar um homem atirando pneus para um monte de pneus que já estão a arder? Ainda mais sabendo que esta é uma já denunciada táctica empregue pela "oposição" (jornalistas "cidadãos incorporados" nas brigadas e "activistas" que simpatizam com terroristas) no intuito de criar a falsa impressão de ataques do Exército Árabe Sírio e até da Marinha, como foi o caso das fraudulentas queixas de ataques a partir de barcos de guerra na cidade costeira de Lataquia em 2011!

"Faz me lembrar as notícias de Agosto de 2011 sobre barcos de guerra bombardeando a cidade de Lataquia. Três fontes diferentes (2 de figuras da oposição na cidade e 1 de um jornalista independente ocidental) insistiram mais tarde que não haver marcas de bombardeamentos nenhuns. Foi também nessa altura que aprendi, graças a pessoas sírias, que é possível simular os efeitos resultantes da explosão de bombas metendo pneus a arder nos telhados de casas. (Hollywood in Homs and Idlib, por Sharmine Narwani)

 

  

 

Podia passar horas analisando as imagens de Last Men in Aleppo de forma a poder fazer um resumo do seu condenável conteúdo mas não, prefiro antes recomendar-vos a assistir a este filme com um olhar bem mais crítico. Por que razão haveria um socorrista de atirar membros de corpos em decomposição do cimo de um andar de um edifício destruído para socorristas dos White Helmets esperando em baixo, no meio do entulho? Por que razão haveria este "socorrista" de despender quase uma eternidade de tempo discutindo o tamanho e idade dos dedos do pé de um membro enquanto está a ser filmado. Para quê filmar isto? É macabro e desrespeituoso mostrar cenas deste tipo a um público que parece não se mostrarem horrorizdos com esta exploração do muito real sofrimento do povo sírio em Aleppo Oriental. Onde está o contexto? Quem provocou estes desmembramentos de corpos de seres humanos vivendo sobre ocupação terrorista?

 

O realizador não lhe dá a possibilidade de escolher, foi o "regime" sírio ou os "aviões de guerra russos". Nunca neste filme é descrito o horror vivido sob o governo da Frente al-Nusra e seus associados. Aliás, estes nem sequer são mencionados! Por que não? E por que razão ninguém questiona esta omissão? Quem quer que assista ao Last Men in Aleppo irá partir do princípio que a Frente al-Nusra, simplesmente, nunca esteve presente em Aleppo Oriental. Aquelas crianças que foram obrigadas a assistir a esta propaganda partirão com história reescrita nas suas cabeças. Reescrita pelas mais predatórias forças deste mundo que estão fazendo tudo o que podem para assegurar que a sua descendência herde um "Império de Cemitérios". 

 

Pierre Le Corf, um voluntário e humanista francês vivendo em Aleppo, descreveu o criminoso processo de "editar" as imagens empregues pelos media colonialistas ocidentais. Eu recomendo vivamente que oiça as palavras de Le Corf, um autêntico e genuíno transmissor das vozes sírias que são suprimidas por Firas Fayyad e a sua equipa de produção:

 

 

(#aleppo uma mensagem que creio ser importante, estou cansado e enojado com esta incessante manipulação, estas mentiras e/ou semi-verdades sobre o que se passa na Síria, leia aqui: https://t.co/YWn8be45QP#Aleppo )

 

Como afirmou John Pilger, em 2012, no seu artigo History is the Enemy as ‘Brilliant’ Psy-ops Become the News:

“Quanto tempo mais devemos nos submeter a tal "governo invisível"? Este termo para propaganda insidiosa, usado pela primeira vez por Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud e inventor das relações públicas modernas, nunca foi tão bem empregue. A "falsa realidade" requer amnésia histórica, mentir por omissão e a transferência de significância para aquilo que é insignificante. Desta forma, os sistemas políticos que prometiam segurança e justiça social foram substituídos por pirataria, "austeridade" e "guerra perpétua": um extremismo dedicado ao derrube da democracia. Aplicada ao nível de um individuo, este seria identificado enquanto psicopata. Por que aceitamos tudo isto?"

 

Nunca na história um mais reluzente prémio será entregue a um desfile de "psicopatas" numa passadeira vermelha da Academia. Pelo segundo ano consecutivo, os White Helmets estão nomeados para um Óscar!

 

A BBC, Channel 4, The Guardian, CNN fazendo apologia do terrorismo na Síria

 

Na segunda parte deste artigo irei mergulhar nas profundezas das ligações que a BBC, o Channel 4, a ONU, a CNN, a al-Jazeera, o The Guardian e, sim, a Walt Disney têm ao aparato de promoção da comunidade White-Helmets-al-Qaeda na Síria, uma rede cuja maioria dos accionistas mais não são que a "Bretanha Global", a tal que é 100% aprovada pelos neocons do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido. 

 

 

Aprenda mais sobre os White Helmets lendo os seguintes artigos [em inglês]:

 

BBC and Guardian Whitewash of UK FCO Funding Scandal in Syria
What to Expect From BBC Panorama and Guardian’s Whitewash of UK Gov’t Funding Terrorists in Syria

White Helmets Evidence Presented at Geneva Press Club:
Vanessa Beeley Presents Exposé on White Helmets at Swiss Press Club in Geneva

‘Global Britain’ – UK Funding a Shadow State in Syria
‘Global Britain’ is Financing Terrorism and Bloodshed in Syria and Calling it ‘Aid’

White Helmets – Hollywood Poster Boys:

WHITE HELMETS: State Sanctioned Terrorism and Hollywood Poster Boys for War

21st Century Wire:
New Report Destroys Fabricated Myth of Syria’s ‘White Helmets’

Initial Investigation into White Helmets:
Who are Syria’s White Helmets?

21st Century Wire article on the White Helmets:  
Syria’s White Helmets: War by Way of Deception ~ the “Moderate” Executioners

Who Funds the White Helmets?
Secret £1bn UK War Chest Used to Fund the White Helmets and Other ‘Initiatives’

Original investigative report:
The REAL Syria Civil Defence Exposes Fake White Helmets as Terrorist-Linked Imposters 

Irish Peace Prize Farce
Tipperary’s White Helmets Peace Prize: A Judas Kiss to the Antiwar Movement and Syria

White Helmets Executions
WHITE HELMETS: Severed Heads of Syrian Arab Army Soldiers Paraded as Trophies

CNN Fabricate News About the White Helmets
A NOBEL LIE: CNN’s Claim That ‘White Helmets Center in Damascus’ Was Hit by a Barrel Bomb

White Helmets Links to Al Nusra
WHITE HELMETS: Hand in Hand with Al Qaeda and Extremist Child Beheaders in Aleppo

Report by Patrick Henningsen
AN INTRODUCTION: Smart Power & The Human Rights Industrial Complex

Open Letter by Vanessa Beeley
White Helmets Campaign for War NOT Peace – Retract RLA & Nobel Peace Prize Nominations

Staged Rescue Videos
(VIDEO) White Helmets: Miraculous ‘Rag Doll Rescue’

White Helmets Oscar Award Farce:
Forget Oscar: Give The White Helmets the Leni Riefenstahl Award for Best War Propaganda Film

Cory Morningstar report:
Investigation into the funding sources of the White Helmets, including Avaaz, Purpose, The Syria Campaign

Open letter to Canadian MPs from Stop the War Hamilton (Canada):
Letter from the Hamilton Coalition to Stop War to the New Democratic Party in Canada ref the White Helmet nomination for the Nobel Peace Prize:

Open letter to Canada’s NDP Leader on Nobel Prize:
Letter to NDP from Prof. John Ryan protesting White Helmet nomination for RLA and Nobel Peace Prize.

 

Vanessa Beeley, 20.01.2018

 

Leia a 1ª parte aqui

Leia a 2ª parte aqui

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: LAST MEN IN ALEPPO: Al Qaeda Presented as ‘White Helmets’ for the Annual Terrorist ‘Oscar’ Nomination

 

 
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LAST MEN IN ALEPPO: al-Qaeda apresentada enquanto ‘White Helmets’ para a Nomeação Anual de 'Óscar' Terrorista - PARTE 2/3, por Vanessa Beeley

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Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE  

 

O centro de White Helmets em al-Ansari, Aleppo Oriental

 

O antigo centro dos White Helmets em al-Ansari, Aleppo Oriental, Janeiro de 2018. (fotografia: Vanessa Beeley)

 

Enquanto me encontrava em Aleppo durante o Ano Novo de 2018, visitei o centro dos White Helmets que aparece no documentário Last Men in Aleppo, na companhia da jornalista local Khaled Iskef. Iskef identificou a área de al-Ansari como a localização correcta antes da minha chegada. Anteriormente já havíamos visitado esta área, a Julho/Agosto de 2017, quando constatámos que era a linha de frente da Frente al-Nusra e de várias outras brigadas extremistas, todas elas financiadas pela coligação liderada pelos EUA, incluindo os seus estados vassalos da Arábia Saudita e do Catar.

 

Como muitos outros edifícios ocupados pelos White Helmets e os seus parceiros da Frente al-Nusra, o edifício havia sido uma escola antes de ter sido transformado em centro da "Civil Defense da Frente al-Nusra". A escola feminina de Fenon e a escola Abu Ayoub Al Insari estão agora sendo restauradas e serão reabertas em breve, de modo a continuarem disponibilizando educação laica às crianças de Aleppo. 

 

Abaixo pode-se ver uma captura de ecrã muito reveladora, tirada de uma reportagem da BBC em língua árabe, filmada em 2016, e publicada em abril de 2017, três meses depois do documentário Last Men in Aleppo ter obtido o prémio do júri do Sundance Film Festival 2017 (a 28 de Janeiro de 2017). De forma extraordinária, a BBC não fez a ligação entre as filmagens da atividade terrorista que havia produzido e as imagens apresentadas no documentário Last Men in Aleppo, embora a reportagem da BBC tenha sido realizada no mesmo lugar e pouco antes de Last Men in Aleppo ter ganho o prémio do júri do Sundance Festival.

 

Mais tarde, na Segunda Parte deste artigo, tornar-se-á claro o porquê da BBC ter-se mostrado relutante em fazer essa crucial ligação que teria desmascarado os White Helmets como os afiliados de terroristas que de facto são. No entanto, é óbvio, para uma pessoa que se dê ao trabalho de comparar as duas fotografias (1 - A minha fotografia de Janeiro de 2018,  2 - A captura de ecrã da reportagem da BBC), que ambas mostram o centro dos White Helmets que aparecem no filme Last Men in Aleppo, localizado em al-Ansari, uma zona de Aleppo Oriental ocupada pela Frente al-Nusra. 

 

 

 

O primeiro ponto a destacar sobre a localização do centro dos White Helmets é a sua proximidade à Praça al-Mashad, a apenas 200 metros do cento al-Ansari. Foi nesta praça que extremistas do grupo Nour Al Din Zenki torturam e decapitaram em público uma criança palestiniana de 12 anos, Abdullah Issa, a Julho de 2016. Issa implorou aos seus torturadores que lhe dessem um tiro, mas acabou por ser decapitado, e a sua cabeça erguida no ar pelo seu carrasco enquanto este permanecia de pé na parte detrás de uma carinha.  

 

Hasan Kattan, que se apressou a passar as fotografias e o vídeo de Omran Daqneesh aos media ocidentais, não se mostrou muito entusiasmado com a ideia de produzir fotografias ou vídeos do assassínio de Abdullah Issa cometido um mês antes do incidente que envolveu Omran. Só se pode concluir que Kattan não estava interessado em retratar os seus vizinhos dos White Helmets enquanto terroristas que de facto cometem atrocidades contra o povo sírio que se encontra sobre o controlo deste grupo. Isto levantaria todo tipo de questões e especulações embaraçosas sobre os motivos pelos quais os White Helmets haveriam de permitir que crimes do género fossem realizados à frente do seus olhos dentro e dentro do seu bairro!

 

Filmei o seguinte vídeo durante a minha visita ao centro dos White Helmets em al- Ansari, enquanto caminhava desde o centro até à Praça al-Mashad. Assista ao vídeo:

 

 

Depois dêmos uma olhada aos vizinhos dos White Helmets de al-Ansari. No edifício adjacente era possível indentificar a anterior presença da Frente al-Nusra, a Brigada Khatib Abu Amara (Corpo de Protecção da Frente al-Nusra), Exército de Libertação Sírio, Free Syrian Police [Polícia da Síria Livre], Aleppo Media Centre e Aleppo Today. Como é que sabemos tudo isto? Graças aos graffiti nas paredes e das sinalizações entretanto cobertas pelas autoridades sírias, determinadas em eliminar todas as marcas da presença destes terroristas apoiados pela coligação norte-americana e que oprimiram, esfomearam, violaram e torturaram os civis sírios de Aleppo Oriental durante o tempo da sua ocupação. 

 

Um dos edíficios adjacentes ao centro dos White Helmets em al-Ansari. Janeiro de 2018. (Fotografia: Vanessa Beeley)

 

O vídeo seguinte levá-lo-á por um passeio no bairro al-Ansari dos White Helmets. Assista:

 

 

Quanto pela primeira vez mencionei a minha visita a Aleppo Oriental e que eu havia identificado a localização do Last Men in Aleppo, o realizador deste filme, Firas Fayyad, comentou publicamente o post que eu publiquei no meu facebook enquanto ainda me encontrava em Aleppo. Fayyad tentou argumentar que eu tinha me equivocado na área, dado haver tantos edíficios (sobretudo 'governamentais "Baath"') que se assemelham muito.

 

 

 

 

"Não foi este o lugar onde gravei o filme e existem vários lugares em Aleppo que têm esta mesma cor, e as cores das sedes do [Partido] Ba'ath ou de qualquer outro edifício governamental parecem-se muito entre si na Síria. Não existem ligações ou relações entre os White Helmets e estes grupos de combatentes da al-Qaeda. [...] você ataca os WHite Helmets que são o grupo mais humanista à face da terra, e eles são sírios e são pessoas que dão tudo pela sociedade". 

 

A sério Fayyad?

 

Captura de ecrã de Last Men in Aleppo junto ao centro dos White Helmet de al-Ansari. 

 


Captura de ecrã de Last Men in Aleppo . Por detrás do actor principal vê-se o emblema da Syria Civil Defence escrito em Árabe.

 


Fotografia tirada na mesma rua, com o centro dos  White Helmet à direita. Janeiro de 2018. (Fotografia: Vanessa Beeley)

 

Eu penso que podemos afirmar com toda a certeza que Fayyad mentiu quando tentou deturpar aquilo que eu disse. Estará Fayyad assim tão confiante que os seus apoiantes internacionais o irão proteger, independentemente das provas trazidas à luz na Síria que condenarão os White Helmets enquanto grupo apoiante da al-Qaeda e financiado pelos mesmos governos que também armam, equipam e abastecem as zonas onde estas entidades terroristas ainda operam na Síria?  

 

Por fim, analisemos o interior de edifícios ligeiramente distanciados do antigo centro dos White Helmets, assim como outros do ldo oposto da estrada:

 

 

Neste edifício, que também aparece no documentário Last Men in Aleppo, podemos ver o símbolo Tamkeen nas paredes. Tamkeen é um projecto criado e financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, e gerido por Adam Smith International and Integrity Consulting, o qual já foi analisado de forma exaustiva no meu anterior artigo no qual é perguntado se a "Bretanha Global" anda financiando indivíduos e organizações terroristas na Síria. É óbvio que Tamkeen esteve presente e teve influência na zona de al-Ansari que por tempos esteve infestada por uma variedade de grupos terroristas e por organizações a estes afiliadas.

 

White Helmets e os‘concelhos  locais’ : Is the UK FCO Financing Terrorism in Syria with Taxpayer Funds?

 

Gastámos 200 milhões de libras na Síria - para nada. Hoje em dia é ponto assente que o apoio britânico aos "rebeldes" da guerra civil síria não foi apenas um erro, foi um grande desastre. Esta política tornou ainda pior uma guerra já de si horrível, e favoreceu o florescimento do ISIS. Apesar do nosso governo ter dito que estávamos a ajudar "moderados", os principais beneficiados foram a al-Qaeda e outros jiadistas." (Peter Oborne)

 

CONTINUA

Vanessa Beeley, 20.01.2018

 

Leia a 1ª parte aqui

Leia a 3ª parte aqui

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: LAST MEN IN ALEPPO: Al Qaeda Presented as ‘White Helmets’ for the Annual Terrorist ‘Oscar’ Nomination

 

 
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RTP e Andreia Martins, apologistas do terrorismo de estado norte-americano? (EXTRA), por Luís Garcia

Desespero Mediático 24

RTP e Andreia Martins, apologistas do terrorismo d

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE   

 

Quem não deve não teme, que é o meu caso.

 

Quem cala consente, que é o caso da "jornalista" sem escrúpulos nem profissionalismo da RTP, a senhora Andreia Martins!

 

A "jornalista" Andreia Martins escreveu "Aliança liderada pelos Estados Unidos ataca forças pró-regime na Síria", uma ignóbil lista de mentiras disparatadas, inverdades, insinuações, difamações e deturpações saídas da típica e orwelliana linguagem de propaganda bélica do império norte-americano.

 

Em resposta a esta vergonhosa colecção de tudo o que NÃO é jornalismo, escrevi este contra-artigo: "RTP e Andreia Martins, apologistas do terrorismo de estado norte-americano?".

 

Depois de o fazer, contactei a aparente jornalista aparentemente possuidora de um mestrado em Relações Internacionais (imagine-se!), através do seu email pessoal e da sua conta twitter. Reacção? SILÊNCIO

 

Comentei o seu próprio tuite onde partilhou a sua vergonhosa peça de propaganda acima criticada. SILÊNCIO. Citei-a de novo em artigos relacionados com o tema, inclusive hoje, convidando-a a ler este excelente artigo de Vanessa Beeley: "LAST MEN IN ALEPPO: al-Qaeda apresentada enquanto ‘White Helmets’ para a Nomeação Anual de 'Óscar' Terrorista". SILÊNCIO.

 

O melhor que tive, como resposta indirecta, foi ter Andreia Martins decidido seguir a minha conta twitter (@lgnomada) durante algumas horas do dia de hoje, para em seguida, bloquear-me sem qualquer explicação nem resposta formal ao ataque argumentado e documentado que fiz à sua ignóbil peça de propaganda imperial. Querem ver?

 

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Pois é, é assim, caro leitor, que muita gente, imbuída de uma profunda má-vontade e falta de dignidade necessária para enfrentar a realidade real, se comporta enquanto é paga com o dinheiro dos nossos impostos. Mentem em artigos, recusam responder a quem lhes paga o salário, recusam responder a argumentos coerentes baseados em factos comprovados, e bloqueiam alguém como eu que, primeiro, os convida a ler contra-artigos e, segundo, partilha com essa gente artigos de outros com conteúdo relevante à discussão (a uma voz) em curso.

 

Porque sim, Andreia Martins, a senhora "jornalista" mentiu, objectivamente mentiu várias vezes no seu artigo. Esta não é uma ofensa ou uma acusação! Não, esta é uma constatação de um contribuinte muito bem informado sobre o tema tratado na sua peça de propaganda.

 

Porque sim, a senhor mentiu, objectivamente mentiu quando, por exemplo, falou sobre um período de 7 anos de bombardeamentos russos na Síria, quando é facto sabido e consensual que a Rússia entrou no conflito no dia 30 de Setembro de 2015. Estamos em 2018! É só fazer as contas!

 

Viva Che! Viva Chávez!

Luís Garcia, 12.02.2017, Ribamar, Portugal

Leia a 1ª aqui

 

 

 

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LAST MEN IN ALEPPO: al-Qaeda apresentada enquanto ‘White Helmets’ para a Nomeação Anual de 'Óscar' Terrorista - PARTE 1/3, por Vanessa Beeley

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Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE 

 

 

“Um leão da Jabhat Al Nusra (al-Qaeda na Síria) morreu hoje e foi para o paraíso. Rezo a Deus que aceite a sua alma."

 

Não, esta não é uma citação de um membro de um grupo terrorista presente na Síria. Esta é uma declaração tirada da págína facebook de Hasan Kattan, o director assistente do último blockbuster de promoção dos White Helmets, o documentário Last Men in Aleppo. Pouco depois, este post de facebook foi denunciado, e Kattan começou a remover esta e todas as outras imagens incriminatórias da sua página, ou tornou-as privadas/invisíveis para o público em geral. O discurso integral atribuído a este militante da al-Qaeda, escrito em 2014, é ainda mais emocionantemente poético:

"Seus belos sorrisos que iluminavam seu rosto ainda existem na minha cansada memória. Ele não era como qualquer outro Mujahid (combatente). Ele adorava lutar e morrer sob a bandeira islâmica e já o fez. Ele era, entre outros, o mais pristino e religioso, tinha piedade e setido de humor. Um leão da Frente al-Nusra morreu hoje e foi ao Paraíso. Rezo a Deus que aceite a sua alma ".

 

Abaixo, pode-se ver a imagem do post de facebook do "Leão da Frente al-Nusra". E também ver um comentário de Fadi Al-Halabi, o realizador de Last Men in Aleppo. No comentário de Halabi pode-se ler:

“Este é Jaloud. Morreu, e foi para o paraíso.” 

 


Post de Hasan Kattan no facebook, que inclui o comentário de Fadi Al-Halabi, o realizador de Last Men in Aleppo.

 

Kattan é descrito, pela CNN, como sendo "director executivo" do Aleppo Media Centre (AMC), um meio de comunicação em grande parte criado e subsidiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da França, que produziu muita da narrativa mediática ocidental durante a ocupação de Aleppo Leste pela Frente al-Nusra, que durou quase cinco anos. Um meio de comunicação que, como muitos outros, trabalhou incorporado [embedded] em várias facções de militantes extremistas e terroristas, que nunca foi além dos "exclusivos" ao estilo dos propagandistas de guerra sempre autorizados pela Frente al-Nusra (também conhecido por al-Qaeda), a qual sempre lhes dava luz verde para produções cinematográficas nas áreas sobre o seu controlo.

 

Kattan foi o responsável pela icónica fotografia de Omran Daqneesh, produzida pela AMC. A famosa imagem de um Omran despenteado e empoeirado quase mudou o curso da guerra na Síria em favor do terror de procuração [proxy terror] da coligação norte-americana, visto que a ONU esteve à beira de se dicidir por uma Zona de Exclusão Aérea e consequente intervenção pseudo-humanitária sob o pretexto de resgatar mais Omrans da "brutalidade do regime sírio" e seus aliados, sobretudo a Rússia.  

 

Apenas após a libertação de todos os distritos de Aleppo Oriental do controlo de terroristas, em dezembro de 2016, é que descobrimos a verdade por detrás da estória de Omran, um produção habilmente manipualda pela AMC, os White Helmets e diversos outros meios de comunicação do mundo inteiro alinhados à retórica da NATO. Kattan produziu toda esta embrulhada de mentiras como se fosse uma "verdade incontestável" de forma a poder, uma vez mais, virar a opinião pública contra o governo sírio, o Exército Árabe Sírio e os seus aliados. E quase o conseguiram, até que a família de Omran Daqneesh veio em 2017 a público falar contra a bélica manipulação de crianças, um tema recorrente na guerra de informação realizada contra a Sìria pelos coloniais meios de comunicação do Ocidente e dos Estados do Golfo. 

 

 

Mesmo depois da clarificação, a página facebook de Kattan continua mostrando a sua fidelidade à "revolução" síria e os entretanto expostos "moderados extremistas do Exército de Libertação Sírio (ELS). Será que o público do Last Men in Aleppo simplesmente esqueceu que já foram comprovadas as ligações entre o ELS e outras facções mais extremistas dentro da Síria, como por exemplo a Frente al-Nusra, e que comete diariamente horrendos crimes contra o povo sírio? E terão também se esquecido da reivindicação dos White Helmets de serem imparciais e neutrais? E a sua afirmação de "aderirem a ideologia apolítica dentro da Síria"? 

 

 

Várias cenas do filme Last Men in Aleppo mostram os "heróis" dos White Helmets comemorando e protestando efusivamente na companhia de apoiantes da "revolução" em Aleppo Oriental. Esses "apoiantes" da falsa "revolução", encarceraram e brutalizaram civis sírios enquanto reinou o controlo terrorista desses distritos. Estes não trouxeram nada mais que pobreza, sofrimento, destruição e miséria, de acordo com os civis sírios que entranto voltaram para as suas casas, desde que o exército sírio libertou essas áreas e que os White Helmets partiram (em Dezembro de 2016) em autocarros verdes na companhia de membros da Frente al-Nusra rumo a Idlib.

 

 

(  apelida os avanços do exército sírio em  de "desastre humanitário". Os refugiados de   que fugiram da  e de outros extremistas "moderados" não podem esperar que as suas casas sejam libertadas da ocupação terrorista... GRANDE diferença entre a narrativa dos apoiantes da NATO e a realidade)

 

Idlib é a derradeira linha de frente terrorista, e os White Helmets retomaram o seu papel de escudos humanos e de produtores de narrativas do estilo "último hospital" de forma a desencadear a choradeira de "desastre humanitário" da BBC, da ONU e de outros. Kareem Shaheen, do The Guardian, citou inclusive o auto-proclamado apoiante de terrorismo e líder dos White Helmets em Khan Sheikhoun, Mustafa Al Haj Yusef, na sua ânsia de promover o ponto de vista terrorista de Idlib enquanto que, uma vez mais, condena o povo sírio a um prolongado sofrimento nessa província ocupada pela Frente al-Nusra.

 

As ênfases foram adicionadas para demonstrar a indiscriminada hipérbole usada por esses jornalistas dos White Helmets:

"Os bombardeamentos são constantes. Não diariamente mas sim hora à hora, em toda a região, e parece serem realizados de forma completamente aleatória," disse Mustafa al-Haj Youssef, um socorrista dos White Helmets encarregado da cidade de Idlib. "Aquilo que nos mais fere são os double-tap strikes [ataques de 2ª grau], quando o regime bombardeia uma determinada área, e nós deslocamo-nos até lá após termos recebido chamadas de emergência, e depois bombardeiam-nos outra vez. O deslocamento [de refugiados], por norma, é feito sem a garantia de que não sofram bombardeamentos indiscriminados," afirmou este.

 

 

(#Whitehelmets desmascarando “The Last Men in Aleppo” - Relações públicas dos terroristas da ELS e a campanha propagandista para a nomeação para um óscar https://t.co/hg5h0LxjRG #LastMenInAleppo #Syria - WhiteHelmets Desmascardos (@WhiteHelmetsEXP) 26 de Janeiro de 2018)

 

Portanto, e para completar o capítulo sobre Kattan. Este mais não é que um funcionário de relações públicas do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, financiado pela banca, que louvou a morte de um terrorista da al-Qaeda na Síria. Kattan já havia produzido uma das mais memoráveis mentiras do conflito que dura há 7 anos na Síria (Omran Daqneesh) e, mal acabado de festejar este seu efémero "triunfo" propagandista, já está envolvido num segundo blockbuster de exaltação aos White Helmets (afiliados à Frente al-Nusra). 

 

CONTINUA

Vanessa Beeley, 20.01.2018

 

Leia a 2ª parte aqui

Leia a 3ª parte aqui

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: LAST MEN IN ALEPPO: Al Qaeda Presented as ‘White Helmets’ for the Annual Terrorist ‘Oscar’ Nomination

 

 
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Uma resposta pessoal às difamações infundadas dos branqueadores de terrorismo do Channel 4, do Snopes e de La Presse (3/3), por Eva Bartlett

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Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

Jornalista sensacionalista canadiana

Seguindo os passos do Snopes e do Channel 4, uma escritora dos meios de comunicação corporativos, produziu também uma medíocre tentativa de desacreditar-me. Estou me a referir a este patético artigo de difamação porque Agnès Gruda defendeu os terroristas que destruíram a Líbia, e silenciou informação honesta sobre o Iraque.  

 

Em Janeiro de 2017 em Montreal (Canadá), participei num debate sobre a Síria. Durante o debate a várias vozes, falei durante meia hora e destaquei a necessidade de se questionar a veracidade das reportagens dos meios de comunicação e dos vídeos produzidos pelos White Helmets afiliados à al-Qaeda, assim como a outra fontes pouco fiáveis financiadas pelo ocidente e com presença exclusiva em áreas ocupadas por terroristas.  

 

Após o período de perguntas, os jornalistas canadianos abordaram me pedindo entrevistas, com as câmaras a filmar. Uma das jornalistas, Alexandra Szacka da Radio Canada, havia andado a mandar-me mensagens durante as duas últimas semanas, expressando o que ela afirmava ser um interesse em ouvir o meu ponto de vista sobre a Síria. Uma olhadela ao seu Twitter bastou para perceber os seus verdadeiros interesses e lealdades: promover a narrativa ocidental sobre Síria.

 

alexandra and agnes while i mention carla del ponte and rebels sarin khan al assal

Agnès Gruda e Alexandra Szacka olhando para mim enquanto eu me respondia aos comentários de 

Carla del Ponte sobre a cumplicidade de "rebeldes" no ataque com armas químicas a Khan al Assal.

 

No entanto, devido ao pedido vindo de uma troca de mensagens a esse respeito, decidi conceder-lhe uma entrevista. Antes de concordar em dar a entrevista a Szacka e à irmã Gruda (da La Presse), relembrei-lhe que na hora anterior havia dado numerosos exemplos de invenções, mentiras e encobrimentos. Prometeram não fazer o mesmo. Gruda não cumpriu. 

 

Dado que uma grande parte do conteúdo do artigo de Gruda é, para não variar, quase idêntico a anteriores difamações, eu irei abordar aqui apenas pontos ainda não analisados. Também nada surpreendente é o facto de Gruda não ter abordado nenhum dos numerosos pontos que eu expus durante essa conferência de Janeiro. 

 

Quanto à conferência de Dezembro de 2016 na ONU, Gruda, na sua tentativa de manchar o evento, escreveu que "de facto, realizou-se dentro dos escritórios da delegação síria da ONU".

 

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Printscreen de um artigo de Gruda

 

Mentira. A conferência teve lugar numa sala oficial de imprensa na sede das Nações Unidas, num edíficio completamente distinto (separado por dois blocos) do edifício onde se encontra a missão síria na ONU. 

 

UN press room location

 

No entanto, ela disse a verdade quando afirmou nunca ter posto os pés no lado "rebelde"... "Não  me agrada a ideia de ser decapitada". Até o veterano jornalista Patrick Cockburn disse:

"Eles só lá não estão pela muito boa razão de que o ISIS prende e decapita estrangeiros, enquanto que a Jabhat al-Nusra (até há pouco tempo o ramo sírio da al-Qaeda) é um pouquinho menos sanguinária e no geral rapta gente para as trocar por dinheiro.  ... todas as provas indicam que só é possível trabalhar no lado leste de Aleppo se for sob licensa de grupos como a al-Qaeda."

 

De qualquer modo, quando este Gruda na Síria...?

 

Com este tipo de comentários do género "nunca meti os pés" no lado dos terroristas, os propagandistas de guerra como Gruda negam o muito real sofrimento de sírios das áreas protegidas pelo governo e que são alvos de morteiros, roquetes, carros-bombaatentados suicidas e muito mais. É errado insinuar que visitar muitas e vastas zonas protegidas pelo governo na Síria não chega para uma pessoa ter uma ideia precisa sobre a vontade do povo sírio e sobre as suas experiências.

 

Visitando áreas habitacionais como Damasco, Lataquia, Tartus e Homs, uma pessoa encontra sírios provenientes de todas as partes do país, crentes de todas as religiões (veja exemplos das minhas extensas viagens no verão de 2016), alguns dos pelo menos 7 milhões de refugiados internos.

 

Só em Lataquia, há mais de 1 milhão de refugiados internos, incluindo muitos  que vieram de áreas da região de Aleppo anteriormente ocupadas por militantes e terroristas. É possível ouvir os seus testemunhos visitando campos de refugiados, ou encontrando estes deslocados em zonas comerciais. Muitos destes refugiados internos deixaram tudo para trás, fugindo do terror "rebeldes" patrocinado pelo ocidente, para as zonas protegidas pelo governo. 

 

Quanto às minhas 4 visitas a Aleppo, em 2016, as áreas e rotas que percorremos implicavam uma pessoa expor-se com frequência ao potencial fogo ou bombardeamentos de franco-atiradores terroristas "rebeldes". 

 

Se Gruda tivesse estado presente na visita de 2 de Novembro a zonas extremamente perigosas, nalguns casos a menos de 100 e a menos de 50 metros de franco-atiradores da al-Qaeda, teria escutado os pomposos jornalistas corporativos (que mais viria a distorcer a verdade sobre a sua visita) queixando-se de que não se sentiam em conforto visitando aquelas áreas. Áreas nas quais estávamos assistindo em primeira mão aos efeitos dos atentados terroristas de bombas sobre civis, e nas quais conversámos com destemidos sírios que se recusaram partir, expondo assim as suas vidas a franco-atiradores terroristas.

 

Gruda escreveu que o meu discurso dependia em grande medida desta específica viagem com (sobretudo) jornalistas corporativos (eu estava interessada em ver até que ponto alterariam os factos nas suas reportagens) quando eu falava de Aleppo. De facto, eu falei da minha própria visita em Julho e que foi completamente independente, da posterior visita independente em Agosto e da minha outra visita independente em Novembro. E regressei à cidade mais ou menos uma semana depois de ali ter estado com a delegação de jornalistas.

 

aleppo visits discussed in montreal talk

Printscreen da pasta que usei na minha apresentação de Janeiro

 

Finalmente, e mais uma vez de forma previsível, Gruda tentou insinuar que eu sou financiada pela Rússia ou pela Síria, mostrando-se céptica que leitores que gostam do meu trabalho me façam doações. E por falar nisso, por favor, siga-me no Patreon e ajude-me através do Paypal. É isto que de facto me permite sobreviver enquanto dedico todo o meu tempo à luta anti-guerra, à luta anti-ocupação e aos esforços anti-destruição nuclear da RPDC.  

 

Em contrapartida, Yves Engler, jornalista e escritora canadiana, questiona-se sobre Gruda e o seu empregador:

Será que Gruda se descreve a si mesma como uma empregada da multimilionária família Desmarais que se encontra  fortemente involvida na política canadiana e na política de outros países? Como descreve Gruda os jornalistas que têm escrito para a al-Jazeera, propriedade de um monarca do Qatar que tem apoiado a oposição armada contra Assad? E o que dizer da BBC, a CBC e outros meios de comunicação propriedade de governos?

 

Ou, será que ela se refere às ligações de jornalistas quando estes trabalham de forma independente para a Radio Canada International, uma "arma de propaganda do governo canadiano"? Inicialmente focada nos países do bloco de leste, a RCI iniciou as suas emissões internacionais em 1945 como parte da "guerra psicológica contra o comunismo", segundo o ex-ministro dos negócios estrangeiros Lester Pearson. Logo desde o início, o Ministério dos Negócios Estrangeiros havia recebido uma cópia com os guiões utilizados pelos comentadores, os quais tinham como tema o criticismo às políticas internacionais canadianas. Durante os anos 90, o financiamento da RCI provinha directamente do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Focar a atenção de uma audiência canadiana sobre o "sistema de propaganda" da Rússia sem mencionar a que há no seu país, só prova que é uma jornalista ignorante ou que faz parte dessa mesma propaganda.

 

Eu aposto na segunda opção.

 

Gruda e o seu historial de apoio ao terrorismo

Embora falhando na categoria "ética", pelo menos Gruda é coerente: também aplaudiu a destruição da Líbia, e a anterior destruição do Iraque, idealizando os militantes na Líbia como "rebeldes", pousando inclusive com um deles enquanto segurava uma arma

 

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Agnès a Jiadista, no seu artigo, fez barulho por causa de me ter visto com uma bracelete com bandeiras da Síria.

 

Mas aposto que Gruda pousando em Brega (Líbia) com uma arma de fogo junto a um terrorista "rebelde" é algo completamente professional. 

 

 
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Uma muito neutral e profissional Agnès Gruda na Líbia em 2011.

 

De forma ainda mais reveladora, Jooneed Khan, uma jornalista especialista em assuntos internacionais que trabalhou durante 40 anos para o La Presse, falou-me da censura de Gruda contra a sua honestidade informativa.

"Passei 3 meses do ano de 2003 no Iraque, durante e depois dos bombardeamentos e da ocupação. Estive em Bagdade em Abril de 2013 como repórter de La Presse. No dia seguinte ao derrube da estátua de Saddam na Praça Firdaus, escrevi um artigo de 1400 palavras no qual dizia que os iraquianos não davam as boas-vindas aos soldados norte-americanos como se esses fossem "libertadores", que se erguiam postos de controlo por toda a cidade, e que a tensão crescia. Ela e outros mais, massacraram o meu texto, reduzindo-o a apenas 400 palavras, fazendo-o dizer o contrário daquilo que anteriormente dizia, e publicado com a minha assinatura. Em 40 anos de carreira, este foi o pior caso de censura que sofri por parte dos meus patrões.

 

 

A tendência sectária de Gruda 

Caso quisesse Gruda falar com sírios de Aleppo, eu ofereci-me para a por em contacto com médicos acreditados que trabalham em Alpepo, assim como com sunitas desta cidade. No entanto, Gruda parece preferir abordar a sua "análise jornalística" a partir de um perspectiva sectária e apenas desejava falar com cristãos que participaram no evento de Janeiro em Montreal, apesar de nesse evento terem estado também presentes sunitas sírios.  

 

Bossalinie Armanazi, que assistiu à minha conferência, enviou-me posteriormente uma mensagem para me dizer que, ainda que Gruda tenha o incitado (a ele, um sunita) a conceder-lhe uma entrevista, de um momento para outro Gruda disse-lhe que afinal não teria tempo o entrevistar. Armanazi escreveu-me

"Ela tinha uma estória pré-concebida para contar, e precisava do elenco certo que encaixasse nessa estória. Pelos vistos, fui desqualificado porque a minha crença religiosa e as minhas opiniões políticas não encaixavam na estória que ela queria contar.

Eu faço parte dos muçulmanos sunitas que não apoiam a chamada "revolução" e que apoiam as posições do estado sírio em relação à forma como lidar e resolver este conflito. Eu, tal como muitos outros, não vi nenhuma mudança positiva trazida pelos chamados rebeldes, que mais não são que grupos de bárbaros radicalizados provenientes do mundo inteiro, aos quais foi dado apoio político, logístico, financeiro e militar para lutarem em nome de outro grupo de estados/reinos que não ofereceram mais nada além de destruição. 

 

De facto, os organizadores da conferência afirmaram que encorajaram, quer Agnès Gruda, quer a sua irmã Alexandra Szacka, a entrevistar os muitos sunitas presentes nesse dia. Não estavam interessadas em fazê-lo.

 

O que Gruda, Channel 4, Snopes e outros autores de difamações têm feito, é criar do nada artigos que negam todos os pontos válidos que tenho apresentado, numa tentativa de me desacreditar a mim e a outros mais que se deslocaram à Síria e que partilharam as vozes e as realidades de sírios.

 

Quando algum destes sírios comete um erro, ou mente (e sim, fazem-no), qual é a desculpa que dão? Um simples recuo de passem que poucos notarão, de qualquer das maneiras. A sério, recordemos que a BBC declarou que uma fotografia tirada no Iraque retratava Houla, na Síria. Quando o fotógrafo autor dessa imagem chamou à atenção sobre o sucedido, a BBC voltou atrás e argumentou ter avisado que a foto não podia ser verificada de forma independente. Robert Stuart 

 

Recordemos também que a BBC chegou a estar a filmar numa zona controlada por extremistas, incluíndo al-Qaeda e ISIS, e que em Dezembro de 2013 normalizou o grupo terrorista ao apelidá-lo de grupo "rebelde sírio". Robert Stuart  desmascarou as mentiras da BBC no artigo “Fabrication in BBC Panorama ‘Saving Syria’s Children'”. Estes não são casos isolados, senão exemplos de sistemática propaganda de guerra

 

Quando fui inundada com mais de 1000 mensagens/emails em Dezembro de 2016, pelo menos consegui ver e comentar o correio electrónico de um escritor da Buzzfeed residente em Toronto. O seu ataque difamatório foi um perfeito exemplo daquilo com que fui atingida.

 

Mais virão, seguindo obedientemente o memorando da CIA e outras tácticas de difamação. Mas, depois desta refutação, terei coisas mais importantes para fazer.

 

Desconstruindo os apologistas dos White Helmets

Em relação ao tema tão seguido por estes vários autores (White Helmets, os socorristas da al-Qaeda), gostava de fazer referência agora a uma série de excelentes artigos que desacreditam a recente estória do The Guardian. [artigos em inglês]

 

-Ridiculous Guardian Smear Piece Results In Epic Satire, Dec 19, 2017, Brandon Turbeville, Activist Post
-What The Guardian Is Afraid Of When Attacking Honest Syria Reporters?, Dec 20, 2017, Adam Garrie, Oriental Review
-The Guardian’s Attempt to Save the White Helmets, Dec 20, 2017, John Wight, Sputnik
-Understanding The Guardian’s Latest ‘Russia-White Helmets’ Conspiracy Theory, Dec 20, 2017, 21st Century Wire
-UK Column Deconstructs Olivia Solon’s ‘Russia-White Helmets Conspiracy’ Guardian Article, Dec 21, 2017, 21st Century Wire

 

O consagrado jornalista John Pilger descreveu os White Helmets como "uma completa construção propagandista".  

 

A 30 de Novembro de 2016, Gareth Porter escreveu sobre os White Helmets, focando-se num incidente em particular que deitou por terra a credibilidade do grupo:

"(...) O papel altamente político desempenhado pelos White Helmets em relação à cobertura noticiosa estrangeira ficou sem dúvida demonstrado após o ataque a um comboio de camiões da Cruz Vermelha Síria numa zona rebelde, em Urum al-Kubra, oeste de Aleppo, no dia 19 de Setembro. O assalto teve lugar imediatamente depois de um cessar fogo acordado entre Rússia, EUA e o governo sírio ter sido destruído por um mortífero ataque aéreo dos EUA contra as forças armadas sírias que lutavam contra o ISIS nos arredores da cidade de Der-ez-zor, no dia 17 de Setembro.

(...) Nos dias que se seguiram ao ataque, a cobertura dos meios de comunicação baseou-se, em grande parte, nas declarações dos White Helmets. O director da organização em Aleppo, Ammar Al-Selmo, disponibilizou-se para partilhar um versão pessoal no terreno. Como se veio a saber, a versão de Selmo estava repleta de falsidades; ainda assim, muitos jornalistas abordaram o relato sem nenhum tipo de cepticismo, e continuam fazendo conta com ele como fonte de informação sobre o conflito em curso nos arredores de Aleppo.

 

Porter prosseguiu, detalhando as contraditórias afirmações de Selmo, assim como as declarações contraditórias de outros membros dos White Helmets, como as de Hussein Badawi, chefe dos White Helmets em Urum al-Kubra, cujas próprias palavras contradizem as afirmações de Selmo

 

Mais recentemente Porter, numa entrevista concedida à RT, afirmou:

"Os White Helmets têm sido idealizados pelos meios de comunicação e tratados como simplemente heróis da guerra síria. Não tem sido permitido criticar os White Helmets nos meios de comunicação, na medida em que outros tipos de coisas por eles realizadas são menos atractivas. Foi-lhe incumbida a tarefa de serem, basicamente, o braço de propaganda dessas autoridades (al-Qaeda). (...) Este tema é de domínio público. Ninguém nega que esta organização recebe financiamento de dezenas de milhares de dólares dos EUA e do Reino Unido, 

 

Num artigo seu de Novembro de 2016, Porter chamou a atenção para:

"A confiança acrítica nas alegações dos White Helmets, sem nenhum esforço de investigar a credibilidade destes, é mais um revelador exemplo da negligência jornalística de meios de comunicação já com um longo historial de desvios nas suas coberturas de conflitos, sempre em prol de narrativas intervencionistas." 

 

O The Guardian, o Channel 4, o Snopes, e Agnès Gruda são, de facto, culpados de negligência jornalística e da mais hedionda propaganda de guerra.

 

Eva Bartlett, 20.01.2018

 

Leia aqui a 1ª parte: Uma resposta pessoal às difamações infundadas dos branqueadores de terrorismo do Channel 4, do Snopes e de La Presse (1/3) 

Leia aqui a 2ª parte: Uma resposta pessoal às difamações infundadas dos branqueadores de terrorismo do Channel 4, do Snopes e de La Presse (2/3)

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: A PERSONAL REPLY TO THE FACT-CHALLENGED SMEARS OF TERRORIST-WHITEWASHING CHANNEL 4, SNOPES AND LA PRESSE

 

 
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RTP e Andreia Martins, apologistas do terrorismo de estado norte-americano?, por Luís Garcia

Desespero Mediático 23

RTP e Andreia Martins, apologistas do terrorismo d

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE   

 

Eu dei a notícia ontem à noite na minha página de facebook. Media honestos (que vocês RTP e companhia apelidam de produtores de fake news) como a RT, a HispanTV e a Sputnik também noticiaram ontem à noite este obsceno crime internacional norte-americano. Vocês, RTP e Andreia Martins, esperam pela 13.11 da tarde do dia seguinte, provavelmente esperando ordens e indicações do patrão gringo, para começaram a emitir descarada desinformação. Não pode ser coincidência que os prostituídos meios de comunicação corporativos em língua inglesa e francesa também tenham esperado sensivelmente até à mesma hora que vocês esperaram para começarem a vomitar disparates, mentiras, difamação e propaganda de terrorismo no intuito de manipular a opinião pública em favor do terrorismo de estado dos EUA e seus criminosos estado vassalos. 

 

Às 13.11 de hoje, e assinado por Andreia Martins, o sítio da RTP publicou esta repreensível colecção de mentiras e deturpações: Aliança liderada pelos Estados Unidos ataca forças pró-regime na Síria.

 

Só pelo título e o lide escritos, umas pessoa é obrigada a perguntar-se se a jornalista Andreia Martins terá a mínima noção daquilo que significa "direito internacional". Esta jornalista refere-se a uma "aliança liderada pelos Estados Unidos " e a uma "coligação internacional" como se tais expressões implicassem o que quer fosse de legalidade internacional e/ou colectiva, quando não, são apenas orwellianos eufemismos para "bruta lei do mais forte" que, precisamente, viola de forma flagrante (facto omitido pela jornalista) o direito internacional. Perante tamanha falta de profissionalismo baseado em obscurantismo facilmente desmontável, uma pessoa é também levada a perguntar-se como é que é possível que a jornalista em questão tenha um diploma em Comunicação Social e um mestrado em Relações Internacionais! Ahhh, explicação fácil, obteve-os, claro está, na Universidade Nova de Lisboa, ninho de pós-modernistas da política internacional russófobos e putinófobos como o senhor Bernardo Pires de Lima.

 

Título e lide

Não cara Andreia Martins, não, objectiva e factualmente não! Os EUA não atacaram "forças pró-regime na Síria". Não, não eram "forças leais ao regime de Bashar al-Assad". Os EUA de forma ilegal e criminosa, de acordo com o direito internacional, atacaram, a partir de território sírio ilegalmente ocupado, e de forma premeditada, posições das Forças Armadas da Síria matando pelo menos 100 militares de cidadania síria em território sírio. Qual é a dúvida? Diga-me cara Andreia Martins, que entretanto já recebeu uma mensagem electrónica na sua conta de email contendo este artigo, diga-me, responda-me na forma de comentário a este artigo se tiver um mínimo de dignidade intelectual, diga-me onde está a sua dúvida acerca deste ponto? E, já agora, porque razão se perde em eufemísticas divagações? Por amor ao não-jornalismo, será?

 

E já agora, poderia explicar aos leitores da RTP que lhe pagam o seu imerecido salário com os seus impostos, o que significam "Aliança liderada pelos Estados Unidos" e "coligação internacional"? E de onde provém (se o tivessem) o direito dessa aliança para estacionar tropas na Síria e atacar as Forças Armadas da Síria a partir de bases militares instaladas na Síria? Mais, a organização terrorista NATO que ocupa ilegalmente parte da Síria, a qual realizou o criminoso ataque de ontem, é composta por 29 membros. A ONU tem 193 estados membros e 2 estados observadores. A título de comparação, o Movimento dos Países Não Alinhados (presidido pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro) tem 120 estados membros e 17 estados observadores. De forma enganosa a jornalista utiliza o termo "internacional" de forma a dar uma roupagem de legitimidade àquilo que objectivamente não tem legitimidade. Se quisesse ser rigorosa, em vez de referi-se a "coligação internacional", deveria, em todo o rigor, referir-se ao "conjunto de países ocidentais que não respeitam o direito internacional". Porque desrespeitam de facto o direito internacional e porque, se alguma organização pode ser chamada de internacional, é o Movimento dos Países Não Alinhados que agrupa mais de metade dos estados soberanos deste planeta. E não, não me venha com chauvinistas explicações do género "a vontade e a força bélica de 29 estados brancos contam mais que a mistura racial e o comportamento legal de outros 137 estados".

 

Não cara Andreia Martins, não, objectiva e factualmente não! A NATO atacando ilegalmente a Síria a partir de bases ilegalmente instaladas na Síria fruto de uma ilegal ocupação de território sírio não poderá nunca entrar na categoria de acção de "legítima defesa". Nem é preciso explicar-lhe porquê, certo?

 

E não, não me diga tampouco que é "apenas uma citação", pois deve estar mais do que ciente (ou deveria estar, dado o diploma que tem) que a função de um jornalista íntegro não é o de ler de forma cega e obediente os comunicados de imprensa das Forças Armadas dos EUA. A função de um jornalista íntegro é de, utilizando os termos correctos da língua portuguesa, informar o público acerca de um determinado evento. E o evento, em português correcto, classifica-se objectivamente de "acto de agressão ilegal". Depois, se quiser ser bem profissional, claro que pode completar os seus artigos objectivos com as declarações de ambas as partes, incluindo a parte agressora.

 

Quer ver um exemplo de como se faz? É tão fácil: leia aqui o comunicado de imprensa das Forças Armadas dos EUA acerca deste evento: Unprovoked attack by Syrian pro-regime forces prompts Coalition defensive strikes.

 

1º parágrafo

Não, não eram "elementos das forças do pró-regime". Esse "regime" é um estado soberano e, como deveria saber a mestrada em Relações Internacionais, uma estado soberano não é dependente nem deve se submeter a nenhum outro estado, o que implica poder poder possuir e possuir os meios físicos de o garantir caso um segundo estado não aceite respeitar os direitos do primeiro de uma forma pacífica.

 

Num artigo (Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria) no qual crítica o The Guardian pelo seu comportamento desinformador bem semelhante ao analisado aqui, Eva Bartlett escreveu:

- Os soldados que o The Guardian chama de "combatentes pró-Assad" são na realidade membros das Forças Armadas Sírias. O léxico é importante e, ao denegrir membros das forças armadas do país, o The Guardian põe-se a jogar um muito velhinho e pouco imaginativo jogo: sacar da cartada lexical por norma utilizada por países membros da ONU que violam o protocolo desta organização e, na sede desta, apelidam o governo sírio de "regime" (algo que Solon também faz...) em fez de "governo".

 

Outro erro primário é referir-se a algo sem sentido sem explicar que esse algo não faz sentido nenhum, as "Forças Democráticas da Síria". Mas já lá iremos, mais abaixo no artigo.   

 

Mais, "uma autoridade militar norte-americana" tem nome e chama-se U.S. Central Command comunicando na forma... deste comunicado de imprensa! Irra, que amadorismo!

 

2º parágrafo

Não, não é "ataque raro em solo sírio". Pura mentira facilmente desmentível por quem se dá ao trabalho de seguir de forma quotidiana os factos sobre esta criminosa agressão ocidental contra Síria. É um muito comum ataque. A jornalista de serviço parece cair no erro pré-infantil de acreditar que aquilo que não se vê, não existe. Quando se esconde um brinquedo de um bebé de 2 anos, para este o brinquedo deixou de existir, até que lhe seja de novo mostrado. O bebé equivoca-se, pois claro, mas a sua forma de percepcionar a realidade é absolutamente normal nessa idade. O que não é normal é que uma jornalista adulta cometa o mesmo tipo de erros, ao assumir que factos não noticiados pelos meios corporativos ocidentais, por não serem noticiados, serão não-factos. É no que dá perder o tempo noticiando não-factos, como o novo hipotético ataque químico noticiado há 3 dias pela RTP, baseando-se em suposições corroboradas por zero factos e por afirmações no condicional proferidas por membros do governo menos credível do mundo na matéria (EUA).

 

É um muito comum ataque sim, e o pior exemplo ocorreu a 17 de Setembro de 2016, quando os EUA, "por erro", bombardearam durante 3 horas a base militar síria Der-ez-zor, em sincronia com um avanço por terra do ISIS que capturou metade da cidade graças ao apoio aéreo "acidental" norte-americano. Os EUA nesse dia tinham avisado a Rússia que iriam bombardear um alvo do ISIS 9 km a sul de Der-ez-zor. Espanto dos espantos, deveriam ter os GPS's desligados e foram acertar 9km a cima, precisamente na base militar síria dentro da única cidade controlada pelas forças sírias naquela zona (e 100% cercada pelo ISIS). Espanto que as linhas de telefone de emergência entre os EUA e Rússia tenham ficado "acidentalmente" desligadas (do lado gringo) durante as mesmas 3 horas. Espanto que jornalistas como a Andreia Martins não tenham nunca sequer ouvido falar do que acabei de escrever, apesar de, segundo ela, ser uma jornalista "interessada em assuntos internacionais". Já agora, nesse dia também mataram mais de 100 militares sírios e destruíram vários caças de guerra sírios. 

 

17 de setembro de 2016.jpg

 

Mas voltando à propaganda do 2ª parágrafo, sim, os EUA têm optado por algo, algo que é ilegal mas que a mestrada em relações internacionais insiste em omitir! Agora, quanto à natureza da opção norte-americana, não, nada disso. Os EUA apoiam forças curdas que os EUA considera de "terroristas" na Turquia (PKK) e de aliados de estórias sem sentido na Síria (YPG, FDS e outras balelas, mas já lá iremos). Os EUA não apoiam forças árabes e, se andasse informada esta jornalista, deveria saber que a fantochada de batalhão de meia-dúzia de mercenários árabes ao serviço das assim chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS) desertaram já lá vão meses (verão 2017), e juntaram-se às únicas forças legítimas no terreno: as Forças Armadas da Síria.

 

E mais, o "regime" não se opõe a esses mercenários terroristas das FDS "de forma a assegurar a sua sobrevivência", não! Fazem-no porque são os únicos representantes legais do estado soberano da Síria, e únicos com o direito (internacionalmente reconhecido) de defender a integridade territorial do seu país! Enfim, o bê-á-bá das relações internacionais cara mestrada!

 

E mais, os EUA não optaram nunca por apoiar o que quer que fosse. Os EUA criaram as SDF e, em total desrespeito pela integridade territorial da Síria e pelo direito internacional, invadiram o norte da Síria onde instalaram (em parceria com outros estados terroristas como o Reino Unido e a França) bases militares permanentes e aí estacionaram milhares de tropas da NATO, incluindo milhares de norte-americanos (de acordo com o próprio secretário de estado Rex Tillerson)

 

Bases militares terroristas da NATO

(as 13 bases militares ilegais dos EUA, RU e França na Síria) 

 

O objectivo dos EUA não foi nunca o de retirar o ISIS da Síria, não fosse o ISIS uma mais que comprovada criação dos EUA, como extensivamente tem sido denunciado (com provas) neste e noutros sítios independentes. O objectivo da criação das FDS foi aquilo que o senhor John Kerry apelidou de Plano B. Não vale a pena me repetir. Convido a quem não leu, ler os artigos onde explico como e porquê os EUA utilizaram a sua ferramenta "ISIS" no seu plano de conquista indirecta da Síria utilizando a sua outra ferramenta "FDS":

  1. Terrorismo-colonização da Síria
  2. Terrorismo-colonização da Síria (continuação)
  3. Terrorismo ISIS-curdo-americano na Síria (1/2)
  4. Terrorismo ISIS-curdo-americano na Síria (2/2) 

 

Leia, no 3º e 4º artigo, cara Andreia, como e porquê os EUA e as FDS não conquistaram coisíssima nenhuma durante muito tempo e, depois, quando se aproximavam as forças legítimas sírias da cidade síria de Raqqa, os EUA (que segundo você raramente ataca na Síria!) abateram de forma ilegal (18 de Junho de 2017) um caça sírio que bombardeava de forma legítima posições do ISIS. Leia como os EUA se preocuparam apenas em cercar Raqqa e impedir que as forças sírias entrassem nessa cidade! E explique-me a total destruição de Raqqa e a limpeza étnica aí ocorrida às mãos das FDS e da NATO. Uma cidade de 250.000 habitantes, 95% dos quais árabes, e agora é suposto ser uma cidade curda! Explique-me, cara Andreia, a predisposição da RTP para apoiar crimes humanitários como esta limpeza étnica, visto que, a crer na sua conta no LinkedIn, também se interessa pelo tema de "direitos humanos"

 

Como a jornalista Andreia Martins parece não estar a par de absolutamente nada relativo a este assunto, aconselho-a vivamente a ler os artigos acima e, se tiver preguiça, dar pelo menos uma olhadela nesta série de mapas (e depois diga-me quem combateu/conquistou o quê): 

 

4 months 2017.jpg

 

3º parágrafo

Enfim, só obrigado a citar este parágrafo na sua totalidade pois é um obsceno conjunto de flagrantes mentiras:

Bastante mais interventiva tem sido a Rússia, que nos quase sete anos de guerra civil tem desencadeado vários ataques contra o Estado Islâmico em defesa do aliado alauita. 

 

Primeiro, a Rússia não tem desencadeado ataques nos últimos 7 anos. A Rússia iniciou a sua legal participação no conflito a 30 de Setembro de 2015, há 2 anos e 4 meses! Que vergonha de jornalismo! E, de qualquer modo, como uma mestrada em relações internacionais deveria ter a obrigação de saber, fê-lo recorrendo a uma das únicas 2 formas de o fazer de forma legal: por convite do governo legal do estado soberano em questão!

 

Segundo, o governo sírio ("aliado") não é alauita. O governo sírio, tal como o país, e tal como as forças armadas (maioritariamente sunitas), é multi-étnico e multi-religioso. Desafio-a provar-me que os membros do governo aqui listados sejam todos alauitas. Porque, efectivamente, não são! Faça o trabalho de casa e constate que o governo sírio contém árabes, curdos e membros de outros grupos étnicos. Faça o trabalho de casa e constate que o governo sírio contém sunitas, xiitas, alauitas, cristãos e membros de outras comunidades religiosas. 

 

Mentira primária e vergonhosa.

 

4º parágrafo

Porque raio a senhora Andreia Martins escreve "agressão" com aspas, citando a agência síria SANA? Porque não concordará com a opinião oficial do governo sírio? Será? Então diga-me, se um ataque aéreo dos EUA na Síria que matou 100 militares desse país não é uma agressão, então o que é?

 

Não, apesar de terem o direito de o fazer, as Forças Armadas Sírias, por enquanto, não combatem as forças terroristas das FDS/NATO. Dizer que o fazem é mentira. Negar o direito de o fazer é disparate. 

 

Neste momento a Síria limpa o que sobra do ISIS; combate a NATOniana al-Qaeda (e seus afiliados) em Idlib; enfrenta uma ilegal intervenção turca que já ocupa uma parte do país a norte: enfrenta a ocupação do terrorista estado de Israel nos Montes Golã, o qual de forma constante realiza ilegais e criminosos ataques aéreos contra a Síria que a RTP da Andreia Martins adora omitir. Ainda há 3 dias Israel realizou um ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Damasco. E, se tiver interessada em aprender algo sobre o conflito, convido-a a dar uma olha nesta imensa mas não exaustiva lista das ilegais e criminosas agressões israelitas contra a Síria nos últimos tempos:

 

5º parágrafo

Explique-me, cara mestrada em relações internacionais, como é que, um contra-ataque ilegal dos EUA em resposta a um ataque sírio (se for verdade, pois você não indica provas nenhumas que corroborem a alegação feita) a tropas de um segundo país ou a uma ilegal organização terrorista (FDS) financiada e armada por terceiros países pode ser denominado de "legítima defesa"? Por favor, explique-me o seu raciocínio! Ou a sua falta de raciocínio!

 

Quartel general? Qual quartel general? O de uma organização terrorista ilegalmente presente na Síria e armada pelos EUA? E onde está esse quartel-general, na recém-conquistada zona junto ao Eufrates, entre campos agrícolas e deserto? Mais um flagrante mentira sem nenhuma sustentação física. Eu vou pôr aqui o mapa com a localização (de acordo com os EUA)  do suposto ataque sírio, e a Andreia Martins vai me indicar onde fica o tal quimérico quartel-general:

 

quartel-general.jpg

 

6º parágrafo

Pelos vistos a fonte da RTP não é o comunicado de imprensa oficial. Que divertido. E quem é afinal essa fonte, hein? Ahhh, "um responsável norte-americano" que o afirmou o conteúdo deste parágrafo "sob condição de anonimato". Mmmmm, muito credível, sem dúvida. 

 

7º parágrafo

"Contra os agressores”? Ora essa, os sírios na Síria são os "agressores". Lindo.

 

9º parágrafo

“Suspeitamos que as forças do regime sírio estavam"? Suspeitavam? Como assim, suspeitavam? O melhor que arranjam são vagas "suspeitas" e não provas concretas? Lindo

 

Sim, sim, por uma vez concordo. Sim, as muito mal apelidadas "Forças Democráticas da Síria" conquistaram terreno ao ISIS em 2017. Sim, mas onde? Não foi na Síria? E com direito? Nenhum, absolutamente nenhum! A Síria é um estado soberano reconhecido pela ONU e membro de pleno direito dessa organização. Como uma mestrada em relações internacionais deveria saber, Só a Síria tem direito o direito de controlar militarmente o território sírio. Todo e qualquer país ou organização que o fizer, desrespeita o direito internacional! E se os mais de 1 milhão de curdos da Alemanha se decidirem ocupar militarmente uma parte da Alemanha, a nossa mestrada em relações internacionais também achará bem? Diga-me, por favor, também achará bem?

 

10º parágrafo

Insisto, não são forças "forças pró-regime", são as legítimas Forças Armadas Sírias. 

 

Não ocorreu coisíssima nenhuma nessa linha de demarcação pois essa "linha de demarcação" só existe nas cabecinhas de pessoas que repetem flagrante propaganda do governo dos EUA sem fazerem a tão na moda verificação de factos. Então, Andreia Martins, fact checking, não? Como essa linha não existe oficial ou legalmente, desafio-a a provar-me o contrário. E não, comunicados oficiais do Pentágono contendo afirmações absurdas e que implicam o desrespeito da lei internacional não contam! A única linha que existe é a linha de fronteira internacionais da Síria que separa oficialmente o território deste país dos territórios dos seus países vizinhos.

 

Aquilo a que esta jornalista se refere é à ilegal ameaça norte-americana de contra-atacar toda e qualquer força síria ou russa (legalmente presente no país) de passar a norte do Eufrates. A própria ameaça, e dado que os EUA ocupam ilegalmente o território a norte do Eufrates, é uma agressão enquadrada no direito internacional. Esta jornalista parece ter pavor a direito internacional!

 

E já agora, se fosse mesmo verdade que existisse essa "linha de demarcação fixada entre a Rússia e os Estados Unidos ao longo do rio Eufrates", como é que me explica, cara Andreia Martins, a existência de uma base militar ocupada ilegalmente por tropas norte-americanas em al-Tabka, a sul do Eufrates? E, já agora, de que lado do rio Eufrates se encontra a região de Manbij ocupada ilegalmente por forças das FDS e da NATO? Hein, hehehe, que risada!

 

eufrates 2.jpg

 

eufrates 1.jpg

 

13º parágrafo

Vou ter de citar de novo um parágrafo na íntegra:

"A mesma fonte refere que os Estados Unidos não descartaram a hipótese de envolvimento de combatentes apoiados por forças iranianas neste ataque.  
 

Sim, pois claro, não descartam. E depois? E se não descartassem "a hipótese de envolvimento de combatentes apoiados" pelo Pai Natal ou pela Abelha Maia, que teria isso a ver com o assunto? Desde quando afirmações provenientes de fontes anónimas contendo apenas especulações sem sentido merecem sequer ser citadas num artigo de um meio de comunicação que se pretende minimamente sério?

 

E depois, se "combatentes apoiados por forças iranianas" supostamente tivessem realizado uma agressão contra forças ilegalmente estacionadas em território sírio, qual seria a sua objecção? As forças iranianas, ao contrário das norte-americanas, não se encontram de forma legal no país? Sim, encontram-se em situação legal, pois foram convidadas pelo governo legítimo desse estado soberano.  E então, qual era a piada deste parágrafo?

 

É que, por muito que lhe custe, depois da lobotimização que por certo terá sofrido na Universidade Nova de Lisboa, o Irão não é um estado pária. Os EUA é! O Irão é um estado que respeita o direito internacional, e a sua diplomacia, ao contrário da norte-americana, é aí está, diplomática! E respeita a ordem legal:

O Irão sairá de imediato da Síria se Damasco o pedir.

 

14º parágrafo

Não entendo como a senhora Andreia Martins não entenda a diferença entre ameaças gratuitas e "tensão". Não, não há tensão nenhuma. Há constante agressão!

 

E que "novos ataques com recurso a armas químicas", tem provas? Não! Então não especule, pois especular é tudo menos jornalismo! Veja lá se são armas químicas como as que não existiram em Khan Shaykhun no dia 4 de Abril de 2017, farsa à qual se seguiu um ilegal ataque norte-americano contra a base aérea de Shayrat, de onde partiam na altura os caças sírios que combatiam o ISIS na região de Tadmur (Palmira). Ora, e aí está mais um exemplo de agressão gringa que, na ilógica opinião de Andreia Martins, ser algo "raro, certo?  

 

Sim, sim, ao contrário das mentiras vergonhosamente espalhadas pela sua RTP, não existiu ataque químico nenhum em Khan Shaykhun. Se acha que sim, leia o meu artigo abaixo e depois contra-argumente (com provas se possível):

 

Agora se quer falar de armas químicas, escreva notícias sobre as montanhas de provas que a delegação síria na ONU tem apresentado de forma constante nessa organização e que o lápis azul da PIDE RTPiana convenientemente sempre elimina!

 

15º parágrafo

"As Forças Democráticas da Síria, uma coligação com mais de 50 mil homens, entre combatentes árabes e curdos". É, será mesmo? Vejamos quem criou as orwellianas "Forças Democráticas da Síria" e por que razão chamaram "Forças Democráticas da Síria" a uma organização militar estrangeira (criada a pela NATO) que não é nem síria nem democrática:

 

(o vídeo integral, para os interessados, por ser assistido aqui)

 

16º parágrafo

"Ao longo de quase sete anos de guerra civil na Síria, os Estados Unidos apenas desencadearam ataques diretos a forças pró-regime por duas vezes, em junho e em abril do ano passado."

 

Mentira! Para o provar já está aí encima o exemplo de 17 de Setembro de 2016, que risada!

 

Em modo de conclusão

Se ainda não tiver desistido de viver, e espero que não o tenha feito cara Andreia Martins, responda-me, honestamente, perante tudo isto (neste artigo e em todos os outros mencionados), se me consegue explicar onde se encontra então a parte "civil" daquilo que a RTP chama de "guerra civil síria". 

 

E já agora, terá alguma palavra de apreço pelos 100 militares sírios mortos de forma selvagem pelos criminosos EUA? Precisamente os militares heróis do fim do cerco a Der-ez-zor (de 5 de Setembro de 2017) imposto pelo ISIS e que durava há quase 3 anos?

 

Luís Garcia, 08.02.2017, Ribamar, Portugal

Leia a 2ª aqui

 

 

 

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Um exemplo da podridão jornalística do The Guardian, por Ricardo Lopes

um exemplo da podridão jornalistica do The Guardi

 

RICARDO MINI copy   SOCIEDADE

 

Bem, o Jordan Peterson está a colocar de pernas para o ar este media de merda. Cada vez que fazem uma peça sobre ele, fica-se a saber imediatamente quem é íntegro e quem é capaz de recorrer às mais asquerosas mentiras para fazer uma peça jornalística apoiada na popularidade que alguém extremamente competente atingiu e tentar fazer dinheiro por via do clickbait nessa base.


Os media que o defendem, e por ser tão difícil defendê-lo sem conhecer meticulosamente o seu trabalho, mostram a sua competência. 


Os media que o atacam são imediatamente enxovalhados, porque o Jordan Peterson tem uma legião colossal se fãs que conhecem o seu trabalho de trás para a frente e de dentro para fora, e a sua joga suja vira-se contra eles.


Os novos media em que ele participa, nomeadamente podcasts de áudio e do YouTube, que muitos deles já têm milhões de seguidores e subscritores, mostram ainda mais o poder que têm, e a forma estrondosa como são capazes de bater completamente os media mainstream em termos de qualidade e rigor do conteúdo. 

 

How dangerous is Jordan B Peterson, the rightwing professor who 'hit a hornets' nest'?

 

Os meninos da rádio tradicional queixam-se de cada vez terem menos ouvintes, porque, uh, já ninguém se interessa em ouvir rádio? Sim, minhas vitimazinhas? Então, e o Joe Rogan, que tem o podcast mais ouvido do mundo, com 2 biliões de downloads por ano, e que faz podcasts de 2 ou 3 horas? E o Dan Carlin, que tem também um dos maiores podcasts do mundo, e ainda por cima sobre História! (quem, quem é que quer saber de história, só querem saber de treta sensacionalista, não é?!), e faz podcasts de 3, 4, 6 horas?! E o podcast do Sam Harris, que também tem normalmente pelo menos 1 hora e pouco? E o podcast do Jocko Willink, que tem sempre mais de 2 horas e que está a crescer imenso? 


Não, meus amigos, o problema não é e estupidez das pessoas! Não, meus amigos, não vale a pena tentarem justificar a vossa miserável incompetência e a entrega ao clickbait, às fake news e ao sensacionalismo barato com a "demanda do mercado", com o que é viral nas redes sociais! Não vale a pena! Essa falácia já não pega! 


As pessoas querem conteúdo! Quando o têm, quando o encontram, ligam-se a ele, e já não largam, e querem mais e mais! Só quem não sabe que tal existe é que continua a consumir o lixo servido pelos media mainstream. Não todos, atenção, mas no geral é isto que acontece. Há excelentes exceções, mas infelizmente não são a regra.


As pessoas ouvem e veem programas de 2, 3, 4 horas, ou até mais, se o conteúdo for produzido com o máximo de qualidade, com o máximo de rigor e...ainda mais importante do que isso... com honestidade! Sem artificialidade! 

 

Percebem, meus anjolas?! Ou é assim tão complicado?! 


Sim, o jornalismo tradicional vai morrer! Sim, os media mainstream vão morrer! Mas a informação não vai morrer, porque há gente que produz conteúdo para levar informação às pessoas, e já se adaptou aos novos tempos da forma mais saudável possível. 


Os outros que pereçam, que é o que merecem, por tentarem justificar incompetência e corrupção com algo que não existe, ou que é um fenómeno muito mais pequeno e menos importante do que aquilo que dizem, que é a estupidez do público.


Não, o público não é estúpido. O público, na pior das hipóteses, é ignorante, e não sabe onde está o bom conteúdo. Mas, assim que sabe, já não o larga, e pune severamente quem insiste em manter modelos obsoletos, apenas porque não quer aprender, não quer evoluir, não quer adaptar-se, é um comodista corrupto, que perecerá certamente nessa podridão.

 

Ricardo Lopes

 

 

 

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Uma resposta pessoal às difamações infundadas dos branqueadores de terrorismo do Channel 4, do Snopes e de La Presse (2/3), por Eva Bartlett

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Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

Grupos afiliados a terroristas não são fontes credíveis, incluindo a Reuters

Mais lá para a frente no artigo, a Channel 4 refere-se a "um fotógrafo da Reuters no terreno, que presenciou um incidente, e que se mostrou satisfeito pelo facto dos eventos que gravou serem genuínos". Dado que o fotófrafo em questão, Abdalrhman Ismail: se infiltrou em zonas da al-Qaeda, enche o seu Facebook com carradas de posts pró-"rebeldes" e propaganda anti-Assad; e que tem selfies com pelo menos um membro do grupo terrorista Nour al-Din al-Zenki que decapitou um rapaz palestiniano em 2016; ... a sua credibilidade e a sua imparcialidade estão mortas, literalmente. 

 

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Abdalrhman Ismail à esquerda, decapitador de crianças do grupo Nour al-Din al-Zenki no centro.

 

 

Abdalrhman Ismail participou também na propaganda sobre o hospital de al-Quds, em Aleppo, supostamente destruído po ataques aéreos, o que não foi o caso. 

 

O Channel 4 citou-me dizendo que os White Helmets podem ser vistos transportando armas e pousando com os pés por cima de cadáveres de soldados sírios, mas não analizaram estes temas, nem tampouco o curioso caso da obscena quantidade de dinheiro que estes "voluntários" têm recebido. Que estranhas omissões. E o Channel 4 tampouco abordou o meu ponto sobre os refugiados internos que fugiram, não de Assad como dizem os media corporativos, mas sim dos próprios terroristas, nem sobre a forma como o governo lhes providenciou casa, comida, educação e cuidados médicos. Não são importantes estas questões?

 

Claramente, o Channel 4 apenas informa sobre aquilo que corrobora a narrativa dos "rebeldes" e da " revolução", incubrindo o terrorismo não só de extremistas como também o de governos que os financiam e os apoiam, e incubrindo que os governos em questão impõem sanções à Síria.

 

Só por caso, o Channel 4 (tal como escrevi) produziu uma reportagem com o grupo Nour al-Din al-Zinki, o qual é considerado "moderado" por este canal, embora no anterior mês de Junho tenham decapitado Abdullah Issa de forma selvática. Ao início não foi problema para o Channel 4 mas, entretanto, acabaram por retirar o vídeo incriminatório. E este é o mesmo Channel 4 cujo repórter, quando regressou a Aleppo depois da libertação desta cidade, se negou a "entrar na história" das suas mentiras e da propaganda bélica. Por outras palavras: Krishnan Guru Murthy do Channel 4 mentiu durante todo o ano de 2016 e, quando se viu confrontado com a realidade, nem sequer teve a dignidade e a integridade de admitir que esta errado. 

 

Snopes: factualmente desafiado

Em Dezembro de 2016, Snopes, o auto-proclamado "verificador de factos", produziu um artigo de difamação cheio de falácias sobre mim. De forma interessante, se não o tivessem feito, eu poderia não ter dado pelo seu artigo de branqueamento dos socorristas da al-Qaeda. 

 

Bethania Palma, do Snopes, iniciou o seu artigo com estas linhas:

"A ideia de que as vítimas das massivas tragédias são "recicladas" é um tema comum por entre os teóricos das conspirações, mas existem reportagens internacionais e material em vídeo sobre o ataque ao Hospital de al-Quds." 

 

Para além da pouca original utilização da expressão "teóricos das conspirações",  duas questões diferentes são confundidas: a de que se estará utilizando pessoas em encenações em filmadas, e a de que terá ocorrido o "ataque" ao Hospital Al Quds.  A conclusão que vem depois do "mas", não têm absolutamente nada a ver com a primeira parte da frase. Mais, é um típico exemplo da falácia do espantalho, utilizada no intuito de enganar.  

 

O Snopes continuou ainda com coisas do género "Afirmações estranhas" e que eu acredito que "os media de comunicação internacionais estão conspirando para fabricar histórias de atentados a hospitais", e que eu me refiro a "todas as facções que lutam contra as forças do presidente Bashar al Assad como sendo terroristas". 

 

 

Mas, pelos vistos, as minhas estranhas afirmações eram verdadeiras. O Hospital de al-Quds não foi "destruído", o tema dos "últimos médicos" foi um estratagema propagandista, acima como o foi "o último pediatra de Aleppo" e muitas outras artimanhas. De facto, sim, os meios de comunicação conspiram para fabricar estórias coma a do Omran Daqneesh ou da Bana al-Abed

 

Os meios de comunicação internacionais conspiraram para afirmar que Assad estava matando à fome os civis de Aleppo, conspiração que foi abandonada quando os media começaram a falar com civis (e não com porta-vozes terroristas) depois da libertação de Aleppo.

 

Os meios de conspiração internacionais também conspiraram, e do mesmo modo, em relação a Madaya. Fui a Madaya este Junho e aprendi sobre as mais sórdidas realidades (fome, tortura, encarceramento) que os civis sofreram em Alepo, devido à al-Qaeda e outros grupos extremistas afiliados. Os meios de comunicação internacionais continuam conspirando com as suas mesmas gastas afirmações.

 

O Snopes declarou, a respeito da eleição presidencial na Síria em 2014: "a votação nessa eleição só se realizou em territórios controlados pelo governo".

 

Falso. Também se votou no vizinho Líbano, onde presenciei o primeiro de dois dias de massiva participação síria na votação. Alguns sírios em países como o Canadá, que fecharam as embaixadas sírias. voaram até ao aeroporto de Damasco apenas para exercerem o seu direito de voto.

 

O Snopes também esqueceu de mencionar que, nos seus esforços para trazer a "democracia" à Síria, os "moderados" bombardearam mesas de voto em toda a Síria, no dia 3 de Junho, disparando 151 projécteis só em Damasco, matando pelo menos 5 pessoas e mutilando 33 outras nessa cidade, tal como eu havia escrito em 2014

 

Quanto a se as forças que combatem contra o exército sírio e civis serão terroristas, eu já ouvi repetidamente dos próprios civis na Síria, como este civil de Alepo a Junho de 2017. Seja o ELS, a al-Qaeda, al-Zenki ou outro qualquer grupo extremista, todos cometem actos de terrorismo contra civis sírios. 

 

E mais, o Snopes estranhamente assinalou o seguinte, como se eu depois a viesse refutar: "Bartlett declarou isto no seu próprio site:

'Eu apoio a Síria contra uma guerra "civil" financiada, armada e planeada por potências ocidentais e os seus aliados regionais, no intuito de limpar toda a resistência contra o imperialismo no Médio-Oriente...'."

 

De facto, eu tinha esta frase no meu blog, e ainda é possível vê-lo por entre as minhas fotos de capa no Facebook. Obrigado Snopes por compartilhar tudo isto! Até o ex-primeiro ministro do Qatar o admitiu, quando admitiu que o Catar, a Arábia Saudita e a Turquia haviam coordenado com os EUA o enviou de armas a militantes desde o início do conflito em 2011. Que maldito conspiracionista é  o ex-primeiro ministro do Qatar! Quase tão conspiracionista como o ex-ministro francês dos negócios estrangeiros, Roland Dumas, quem assinalou (vídeo aqui):

"Estive na Inglaterra 2 anos antes da violência na Síria tratando de outros assuntos. Reuni-me com altos funcionários britânicos, que me confessaram que estavam preparando algo na Síria.

"Isto passou-se na Grã-Bretanha, não nos EUA. A Grã-Bretanha estava organizando uma invasão da Síria com rebeldes. E perguntaram-me, inclusive, sabendo que já não era ministro dos negócios estrangeiros, se queria participar.

Como é óbvio, recusei, disse que era francês e que não aquilo não me interessava... Esta operação remonta muito no tempo. Foi preparada, pré-concebida e planeada.

 

Voltando ao assunto, nas suas "verificação de factos" o Snopes repetiu os mesmos pontos que já havia tratado, incluindo o do Hospital de al-Quds, sobre o qual se esqueceram de mencionar que a MSF havia afirmado que tinha sido "destruído". Assim sendo, a explicação de que, de algum modo, o hospital se terá levantado dos escombros e voltado a funcionar em Setembro, é simplesmente absurda. É que havia sido "destruída", lembram-se? Reduzida a escombros segundo a MSF!

 

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Quão neutral é o Snopes?

Snopes evitou por completo investigar a minha afirmação de que os White Helmets "podem ser encontrados transportando armas e pousando com os pés encima de cadáveres de soldados sírios", apesar de me ter citado por eu ter dito isto.

 

Logo no início do artigo, Palma, que trabalha para o Snopes, mencionou que eu tinha sido acusada de ser uma "jornalista independente canadiana", para logo de seguida dizer que "ela é também colaboradora da RT, um site de notícias financiado pelo governo russo.". 

 

Como assinalado na primeira parte (e também no meu blog), eu contribuo para uma série de sites. A RT é só um deles, e faço-o precisamente porque estes sites independentes, e também a RT, me permitem escrever exactamente aquilo que penso, sem nenhum tipo de censura

De qualquer modo, será o Snopes assim tão independente, neutral e apolítico como afirma ser e como de facto um imparcial grupo de verificação de factos deve ser?

 

Um artigo de Junho de 2016 (ainda que publicado pelo Daily Caller) analisou a conduta de alguns dos "verificadores de factos" do Snopes, e concluiu que a "verificadores de factos" do Snopes mais não é que uma jogada de defesa de destacadas figuras Democratas como a Hillary Clinton.

 

Outro artigo analizou  o "foco sobre (Hillary) Clinton dado pelo Snopes", assim como as ocasiões nas quais o Snopes claramente mentiu.

 

A revista forbes publicou um artigo interessante sobre o tema, no qual examinou o sensacionalista desmascaramento que o Daily Mail fez acerca de um dos fundadores do Snopes que "desviou 98000 dólares de dinheiro da companhia e os gastou 'consigo próprio e em prostitutas'. Embora inicialmente céptico (o jornalista da Forbes) em relação ao artigo do Daily Mail, depois de trocar correspondência com o fundador do Snopes, David Mikkelson, passou a ser céptico acerca da transparência do site e da competência dos seus verificadores de factos. 

 

O mito de um Snopes confiável, neutro e verificador de factos está tão morto como o mito dos White Helmets serem neutros, voluntários e socorristas na Síria.

 

CONTINUA

 

Eva Bartlett, 20.01.2018

 

Leia a 1ª parte aqui: Uma resposta pessoal às difamações infundadas dos branqueadores de terrorismo do Channel 4, do Snopes e de La Presse (1/3)

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: A PERSONAL REPLY TO THE FACT-CHALLENGED SMEARS OF TERRORIST-WHITEWASHING CHANNEL 4, SNOPES AND LA PRESSE

 

 

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Uma resposta pessoal às difamações infundadas dos branqueadores de terrorismo do Channel 4, do Snopes e de La Presse (1/3), por Eva Bartlett


 

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Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

Na parte 1 (aquiaquiaqui e aqui) escrevi sobre a pouco original e russofóbica estória do The Guardian de apologia aos socorristas da al-Qaeda, os White Helmets. Nesta segunda parte, irei expôr outros infractores (alguns crónicos) culpados de desinformação sobre os White Helmets e de propaganda de guerra na Síria em níveis que faria inveja a Goebbels. E mais, são também culpados de ignorar os sentimentos da esmagadora maioria dos sírios que chamam as coisas pelos nomes.

 

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E que tal se os "verificadores de factos" e seus apologistas examinassem as razões pelas quais os White Helmets reciclaram uma imagem que alegam mostrar vítimas de "ataques aéreos russos" depois de já terem utlizado a mesma imagem numa data anterior ao início dos bombardeamentos russos contra o ISIS na Síria.

 

A cartada "verificadores de factos" do Channel 4

No artigo do The Guardian em questão, o autor começa por fazer referência a uma peça de difamação da Channel 4 sobre mim que não tinha nada a ver com o tópico referido (o de saber se o grupo teria ou não ligações com a al-Qaeda), e que tinha sido publicada um ano antes com o único objectivo de pegar palavras minhas fora de contexto para me desacreditar. Este tipo de argumentos non sequitur são comummente utilizados por aqueles que não conseguem corroborar as suas afirmações com factos e que preferem, portanto, enganar e fugir ao assunto.

 

Tivesse o The Guardian tido honestas intenções no artigo sobre o White Helmets, e talvez tivessem acacado por efectivamente investigar os inúmeros membros dos White Helmets com ligações à al-Qaeda e outros grupos extremistas. Aqui está (apenas) um exemplo demostrando a lealdade de mais de 60 membros dos White Helmets à al-Qaeda e outras organizações terroristas.

 

Quanto à calúnia do Channel 4, aquela a que o artigo do The Guardian també faz referência, também ela apareceu depois da minha intervenção na conferência de Dezembro de 2016 (de mais de 50 minutos, com um período para perguntas), com outras três pessoas, entre elas um advogado e o director do US Peace Council, numa sala de imprensa da ONU.

 

Nessa conferência falámos de muitas questões importantes, entre elas: a ilegalidade desta guerra contra a Síria; a necessidade de levantar as devastadoras sanções contra Síria; a declaração de unidade entre mais de 200 organizações norte-americanas e internacionais em solidariedade com a luta do governo sírio contra a intervenção estrangeira; o movimento de reconciliação sírio; e, os atrozes actos cometidos contra civis sírios por terroristas do Exército de Libertação Sírio, do Nour al-Deen al-Zenki, do ISIS e de outras organizações.

 

Falei durante 13 minutos, assinalando que as minhas viagens à sido foram auto-financiadas, e que viajei muito, interagindo pessoalmente com sírios, e visto um amplo apoio deles ao exército e ao governo. 

 

Ressaltei o facto de mais de 1,5 milhões de habitantes de Aleppo terem sofrido assédio e ataques de grupos terroristas, que mataram quase 11000 civis no fim de 2016, e assinalei que eu estava presente quando, a 3 de Novembro de 2016, se produziram ataques terroristas contra Aleppo que causaram 18 mortos e mais de 200 feridos. Mencionei ainda que estive presente durante os ataques de morteiro de 4 de Novembro por parte de facções extremistas num dos corredores humanitários.

 

 

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Foto de Eva Bartlett, Julho 2017, arredores de Aleppo. Veja o meu trabalho fotográfico em Aleppo e nos seus arredores.

 

Outros ponto por mim tratados foram:

  • As palavras de sírios que em Outubro de 2016 escaparam do domínio de terroristas na zona oriental de Aleppo, assinalando que os "moderados" os privaram de alimentos e lhes impuseram uma ideologia extremista. 
  • A unidade que vi em Aleppo, entre muçulmanos sunitas e cristãos, que rejeitam o sectarismo externo externo e a narrativa dos media corporativos de que os sunitas da Síria estão contra Bashar al-Assad. E o apoio dos civis ao seu exército.
  • O hospital de al-Quds, que não foi "destrído", nem reduzido a "escombros", como dizem os Médicos sem Fronteiras (MSF) e como é repetido na maioria dos meios de comunicação corporativos. É certo que utilizei as palavras erradas ao ter declarado que o hospital de al-Quds não tinha sido atacado: não posso provar que nunca tenha sido atacado de forma ligeira ou de outro modo. As palavras certas deveriam ter sido "não destruído" e, entretanto, este Junho confirmei que o hospital de al-Quds permanece de pé, tão intacto como quando o mencionei na conferência de Dezembro de 2016. 

 

Porém, como afirmei em Dezembro, o hospital-maternidade de Dabeet em Aleppo foi internamente destruído por um ataque terrorista, perante o silêncio da maioria dos meios de comunicação. Desloquei-me ao local e falei com o director, quem me confirmou que 3 mulheres morreram no ataque no qual uns "libertadores" dispararam um míssil que caiu num carro estacionado junto ao hospital, fazendo-o explodir. O director assinalou também que, uma semana mais tarde, morteiros lançados por  terroristas atingiram o telhado do hospital, destruindo-o e ferindo alguns operários de construção. 

 

Durante a conferência mencionei também o Hospital de Kindi, que foi destruído pela al-Nusra com ataques à bomba usando camiões, um acontecimento muito significativo, dado que se tratava do maior hospital para o tratamento de cancro na região do Médio-Oriente. [De forma acidental, encontrei-me com o antigo director do Hospital de Kindi a Novembro de 2016, o qual me falou do silêncio internacional perante a destruição do seu hospital. Enquanto conversávamos, um morteiro disparado por terroristas atacou nas imediações do hospital universitário no qual nos encontrávamos.]

 

Apresentei as palavras do director da Associação Médica de Aleppo, o qual me confessou que, em contraste com as afirmações dos media corporativos sobre "os últimos médicos" e "os últimos pediatras", haviam mais de 4100 médicos registados e no activo em Aleppo, incluindo mais de 800 especialistas, dos quais 180 eram pediatras.

 

Cricitismo selectivo, branqueamento de crimes

Dessa extensa conferência de Dezembro de 2016, o único ponto que a Channel 4 escolheu foi uma observação que fiz durante o período de perguntas que se seguiu, sobre a questão da exploração de crianças e a propaganda belicista (ou, de uma forma mais específica, se uma menina teria sido ou não utilizada repetidamente)


Quero salientar que, ainda que não possa provar de forma definitiva que sequer uma das meninas que mencionei (ou aquelas que o artigo do Channel 4 supôs que me referi) tenha sido utilizada em encenações filmadas, é totalmente viável que eles/elas e outras crianças tenham sido utilizadas, questão sobre a qual definitivamente valeria a pena realizar uma séria investigação, sobretudo pelo facto das fontes serem financiadas pelo ocidente e estarem afiliadas a grupos terroristas. 

 

Por exemplo, sobre o tema das encenações mediáticas, escrevi, em Junho de 2017, que: (a ênfase é minha):

"Em Dezembro de 2016, produtores de cinema no Egipto foram presos enquanto encenavam um vídeo de Aleppo utilizando 2 criançasa menina devia parecer ferida, e o menino deveria vilipendiar a Rússia e a Síria."

 

O meu artigo detalha o uso indevido de uma cena de um videoclip músical libanês noticiado como se fosse de Aleppo. E também a confirmação da BBC de que o vídeo (de Novembro de 2014) sobre uma 'heróica criança síria' provinha sem dúvida da Síria, "provavelmente da linha frente do regime", embora tivesse sido filmada em Malta por realizadores noruegueses."

 

A Junho de 2017, escrevi também sobre um famoso menino, o "menino da ambulância", utilizado inclusive pela Channel 4 News e pelo The Guardian. Quando em Junho desse ano fui a Aleppo e conheci o menino e o seu pai, este último confirmou-me que a estória dos media corporativos era falsa, e que os meios de comunicação se aproveitaram do seu filho. Na verdade, Mohammad Daqneesh apoia o exército sírio, e ficou enojado com a exploração do seu filhos  pelos meios de comunicação e por terroristas. 

 

Além do mais há aquele vídeo dos White Helmets no qual os "socorristas" parecem simular o resgate de crianças, empregando práticas que os matariam, como sublinhou o professor Marcello Ferrada de Noli, director dos Médicos Suecos pelos Direitos Humanos (SWEDHR). O seu artigo de Março de 2017 destaca as opiniões de médicos suecos e outros especialistas que afirmam que:

"os procedimentos para salvar vidas que se podem ver na gravação são errados e aparentemente falsos. De facto, põem em risco as suas vidas.Isto inclui técnicas de reanimação simuladas, aplicadas a crianças aparentemente já sem vida. 

 

Citando um especialista em pediatria:

"Depois de examinar o conteúdo do vídeo, descobri que as medidas infligidas naquelas crianças, algumas dela já mortas, são bizarras, não são procedimentos médicos e não servem para salvar vidas. Mais, são contraproducentes no que diz respeito ao propósito de salvar as vidas daquelas crianças". 

 

 E um médico de família e de clínica-geral sueco afirmou:

"Se não estivesse já morto, esta injecção tê-lo-ia morto!"

 

O seu relatório destaca:

"Os novos achados (...) demonstram que o principal procedimento apresentado como "salvador da vida" da criança que aparece no segundo vídeo é falso. Ou seja, não foi injectada nenhuma substância (por exemplo, adrenalina) no menino enquanto o médico introduziu uma seringa numa simulada manobra de injecção intra-cardíaca. 

 

Recordemos a estória dos bebés de incubadora, contada aos soluços pela falsa enfermeira e filha do embaixador do Kuwait nos EUA  (aprovada e propagada pela Amnistia Internacional), que precedeu e desempenhou um papel na influência da opinião pública antes da guerra de 1991 dos EUA e Reino Unido contra o Iraque. Quanto ao vídeo dos White Helmets em questão, de Noli sublinhou que este foi:

"apresentado no Conselho de Segurança da ONU a 16 de Abril de 2015. Depois desta reunião, a embaixadora norte-americana Samantha Power declarou: "Não vi ninguém na sala sem lágrimas. Se havia algum olho seco na sala, eu não o vi".

Subsequentemente, e apenas 4 dias depois, a 20 de abril de 2015, a CNN emitiu um noticiário reproduzindo excertos destes mesmo vídeos, difundidos com o propósito de promover a campanha dos "médicos sírios" por  uma zona de exclusão aérea.

Este horripilante exemplo de crianças picadas com seringas, e os incidentes de montagens cinematográficas usadas na propaganda bélica acima mencionada, são razões mais do que suficientes para justificar investigações sérias sobre os vídeos produzidos pelos White Helmets (e sobre os dos "media da oposição" financiados pelo ocidente na Síria, incluindo o Aleppo Media Centre [AMC])

 

A equipa do Channel 4 conspurcando factos

Em relação à "verificação de factos" do Channel 4", Patrick Worrall equivoca-se logo na segunda frase quando diz que:

"Ela escreve um blog para a Russia Today, um media russo financiado pelo governo". 

 

Infelizmente, a equipa da Channel 4 não realizou a mais elementar investigação para ver exactamente onde se encontrava o meu  suposto "blog" na RT. Se o Channel 4 tivesse clicado na hiperligação, teria encontrado uma secção de artigos de opinião denominada "Op Edge", na qual actualmente contribuem 19 autores, muitos dos quais também contribuem para inúmeras outras publicações. Muitos jornais têm secções de opinião, incluindo o The Guardian, que descreve as suas entradas como "artigos de opinião" e não como "entradas de blogs".

 

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O Channel 4 descreveu também a conferência da ONU como "tendo sido organizada pela missão síria na ONU". De Facto, fui eu que iniciei o contacto com a missão síria para pedir que fizera o que havia anteriormente sido feito pelo US Peace Council em Agosto de 2016:  apresentar parte do que vi e ouvi na Síria. A missão síria conseguiu arranjar habitação conforme o meu pedido. Das palavras de Worral depreende-se que eu apenas tinha sido convidada para falar, enquanto que na realidade eu pedi para falar, visto que os media corporativos não dão, a gente como eu, plataformas justas onde se exprimir. 

 

Numa tentativa de legitimar a narrativa dos White Helmets resgatando bebés e pessoas dos escombros, o Channel 4 escreveu que eu havia noticiado um caso no qual alguém havia sido enterrado vivo em 2009 em Gaza (escrito umas semanas depois do acidente) e que saiu dos escombros com "apenas uma ferida na sua sobrancelha esquerda". 

 

No entanto, o meu artigo de 2009 descreve claramente um homem com sangue espesso escorrendo pela cara, o qual (como me explico em pessoa) não podia caminhar por sua própria conta e que, segundo ele, desmaiou e acordou já no hospital.  Em contraste, a menina em questão (a 2ª no artigo do Channel 4), supostamente soterrada, pelos vistos não tem sangue à mostra na casa e, apesar de ter sido puxada pelo seu rabo de cavalo depois de ter estado enterrada debaixo de escombros, está bem alerta e consciente. Não é uma comparação assim tão adequada Channel 4! De facto, a questão que se coloca é a de quão ferida estaria ela. 

 

Sobre a 2ª menina, o Channel 4 escreveu:

"Alguém teria de ter tido enterrado uma criança aos gritos, até ao peito, com escombros, e cuidadosamente preparar uma grande quantidade de ruínas ao seu redor e por cima dela..." 

 

Exactamente. É divertido constatar como os White Helmets fizeram exactamente isso no seu vídeo para o “mannequin challenge”, extraindo dos escombros um homem aparentemente incapaz de caminhar... mais tarde, apareceram fotografias mostrando o actor de com os seus "socorristas".

 

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Além do mais, o vídeo apresentado pelo Channel 4 sobre a menina de rabo de cavalo não mostra de modo algum "uma grande quantidade de pesadas ruínas ao seu redor e por cima dela". Pelo contrário, mostra uma menina enterrada nos escombros até à cintura, enquanto que os "socorristas" limpam os escombros aqui e ali e, por fim, aparece a menina já libertada (o vídeo estranhamente corta o momento em que é libertada, por que raio?), e logo o socorrista correndo rumo à ambulância (ali à espera) e para além desta
 

Desafio o Channel 4 a encontrar um verdadeiro médico ou socorrista que consiga puxar pelo rabo de cavalo uma menina supostamente enterrada em escombros, sabendo que qualquer dano à coluna vertebral pode ser fatal ou deixar a vítima paralisada

 

CONTÍNUA

 

Eva Bartlett, 20.01.2018

 

leia aqui a 2ª parte: Uma resposta pessoal às difamações infundadas dos branqueadores de terrorismo do Channel 4, do Snopes e de La Presse (2/3)

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: A PERSONAL REPLY TO THE FACT-CHALLENGED SMEARS OF TERRORIST-WHITEWASHING CHANNEL 4, SNOPES AND LA PRESSE

 

 
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Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (4/4), por Eva Bartlett


Parte 4/4

 

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Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

O The Guardian Branqueia a imagem dos White Helmets

Que temas poderiam ter sido investigados pelo The Guardian, caso a estória de Solon não estivesse pré-determinada e caso ela tivesse abordado o tema de forma honesta com o intuito de deveras investigar os White Helmets?

 

- Solon foi muito infeliz na sua escolha de sublinhar o vídeo "mannequin challenge" dos White Helmets, escrevendo que o vídeo tinha sido "tirado do seu contexto". E qual era o contexto? Que os White Helmets, supostamente, de forma frenética trabalham a tempo inteiro resgatando civis sob constantes bombardeamentos e que ainda assim têm tempo para realizar um vídeo encenando um heróico resgate? Este vídeo revela o mais que óbvio facto de que os White Helmets podem claramente produzir muito convincentes vídeos de "resgates". Mas Solon ignora este facto, visto que este não encaixa na sua russofóbica estória baseada em vazio. Mais, eu não consigo imaginar os socorristas palestinianos com quem trabalhei desperdiçando precioso tempo produzindo tão absurdo vídeo. 

 

- Apesar do lema dos White Helmets ser: "salvar uma vida é salvar a humanidade inteira", membros desta organização participaram de forma voluntária na execução de civis. Quanto a Solon, esta escreveu que os membros dos White Helmets apanhados com armas na mão ou pousando sobre cadáveres ou entoando cânticos da al-Qaeda  eram casos "isolados" e "malvados", apesar da esmagadora quantidade de provas no sentido contrário. E a melhor parte? Não foi a Rússia que os fotografou, as fotos vêm das suas próprias contas de redes sociais, nas quais eles expuseram, muito orgulhosos, a sua lealdade aos grupos terroristas

 

- Na sua tentativa de explicar a acusação de "malvados", Solon trás à conversa Raed Saleh, o líder dos White Helmets, mas não informa que Raeh Saleh viu negado o seu pedido de entrada em território norte-americano em Abril de 2016 e que, Mark Toner, porta-voz do departamento de estado dos EUA, afirmou que aquele tem ligações a extremistas

 

Aqui está um exemplo bem perturbante de um "malvado" actor com ligações à liderança dos White Helmets: 

"Muawiya Hassan Agha estava presente em Rashideen, e mais tarde ficou conhecido pela sua infame participação na execução de dois prisioneiros de guerra em Aleppo. Devido ao seu excepcionalmente mau comportamento,  Agha foi supostamente despedido dos White Helmets, embora depois tenha voltado a ser fotografado na companhia de membros dos White Helmets. Agha foi também fotografado comemorando a "vitória" da Frente al-Nusra em Idlib ".

 

- Os soldados que o The Guardian chama de "combatentes pró-Assad" são na realidade membros das Forças Armadas Sírias. O léxico é importante e, ao denegrir membros das forças armadas do país, o The Guardian põe-se a jogar um muito velhinho e pouco imaginativo jogo: sacar da cartada lexical por norma utilizada por países membros da ONU que violam o protocolo desta organização e, na sede desta, apelidam o governo sírio de "regime" (algo que Solon também faz...) em fez de "governo".

 

- Não é a totalidade do Conselho de Segurança da ONU que acredita que a Síria cometeu os crimes oas quais Solon se refere, mas sim uma parte desses membros que têm um admitido interesse em derrubar o governo sírio.

 

A cartada química

Numa tentativa de legitimar os White Helmets e de deslegitimar aqueles que os põem em questão, o artigo do The Guardian apresenta como se fossem factos as alegações de que o governo sírio teria usado armas químicas contra o seu povo em Khan Shaykhoun a Abril de 2017, e acrescenta que os White Helmets apresentaram provas válidas sobre o facto e que eu e Vanessa Beeley somos umas das "vozes cépticas mais ruidosas" contra a narrativa oficial.

 

Artigo relacionado: O ataque químico que NÃO aconteceu em Khan Shaykhun, por Luís garcia

 

 

De forma divertida, de acordo com o artigo do canal al-Jazeera do Catar que o The Guardian forneceu para respaldar a afirmação de culpabilidade do governo sírio (em vez de fornecer o Relatório da ONU de Setembro de 2017, em si mesmo questionável, e uma leitura bem mais longa para Solon): (destacado a negrito por mim) 

"Todas as provas disponíveis levam a Comissão a concluir que existem bases razoáveis para acreditar que as forças sírias largaram uma bomba que dispersou gás sarin sobre Khan Shaykhoun."

 

Bases razoáveis para acreditar não é exactamente uma confirmação de prova, é apenas uma crença.

 

O mesmo artigo realça que os investigadores não se deslocaram até à Síria e que "as suas conclusões baseiam-se em fotografias de fragmentos das bomba, imagens de satélite e testemunhos."

 

Testemunhos vindos de uma zona controlada pela al-Qaeda? Muito credível. Mustafa al-Haj Yussef, o líder dos White Helmets em Khan Shaykhoun, é um extremista que não esconde o seu apoio às acções da al-Qaeda. Como escreveu Vanessa Beeley:

"Yussef apelou ao bombardeamento de civis, à execução de todos os que não jejuarem durante o Ramadão, à execução de todos os que forem considerados Shabihas, ao assassínio de soldados sírios e à pilhagem dos seus pertences... Ele claramente apoia a Frente al-Nusra, uma organização internacionalmente considerada ser terrorista, e apoia o Ahrar Al Sham… Yussef está muito longe de ser neutral, imparcial ou humanitário."

 

Na sua análise inicial à declaração de Abril de 2017 da Casa Branca a propósito de Khan Shaykhoun, Theodore Postol,  Professor Emérito de Ciência, de Tecnologia e de Política de Segurança Nacional no MIT, chegou à conclusão que: (destacado a negrito por mim) 

"Acredito que pode ser demonstrado, sem nenhuma margem de dúvidas, que o documento não fornece nenhum tipo de prova de que o governo dos EUA tenha conhecimento concreto de que o governo sírio seja responsável pelo ataque químico de Khan Shaykhun (na Síria, entre as 6 e as 7 da manhã do dia 4 de April de 2017).

 

As análises de Postol levam a concluir que as supostas provas

"apontam para um ataque que foi executado por indíviduos no solo, e não a partir de um avião, ma manhã de 4 de Abril", e realçam que "o relatório não tem absolutamente nenhuma prova de que este ataque tenha sido o resultado de uma bomba lançada do ar."

 

O jornalista de investigação Seymour Hersh analisou também as acusações oficiais, e reparou que as alegações realizadas pela MSF contradizem a versão oficial que acusa o governo sírio de ter bombardeado a área com gás sarin. Hersh escreveu: (destacado a negrito por mim) 

"Uma equipa dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), tratando vítimas do ataque de Khan Sheikhoun numa clínica 60 km a norte, relatou que 'oito pacientes mostravam sintomas de pupilas contraídas, espasmos musculares e defecação involuntária, típicas reacções à exposição a um agente neurotóxico como o gás sarin e compostos similares'. A MSF visitou também outros hospitais que tinham recebido vítimas e descobriu que alguns pacientes 'cheiravam a lexívia', sugerindo que estes tinham sido expostos ao cloro.' Ou seja, os factos sugerem que houve mais do que um químico responsável pelos sintomas observados, o que não teria sido o caso se de facto tivesse sido a Força Aérea Síria a largar uma bomba com gás sarin (tal como insistem alguns activistas da oposição), visto que uma bomba com gás sarin não tem percussão ou poder de ignição para desencadear uma explosão secundária. A gama de sintomas é, no entanto, consistente com a libertação de uma mistura de produtos químicos, incluindo cloro e organofosforados utilizados em muitos fertilizantes, os quais podem causar efeitos neurotóxicos semelhantes aos do gás sarin ".

 

O segundo artigo ao qual Solon faz referência é um artigo do New York Times que classifica o relatório de "investigação politicamente independente". Isto deve levar os leitores a fazer uma pausa para darem uma gargalhada, já que o mecanismo de investigação incluiu a OPAQ, que é financiada de forma bem questionável, e que, por entre os entrevistados nesta investigação, havia socorristas da al-Qaeda.

 

Em relação ao relatório em questão, o Professor Marcello Ferrada de Noli (fundador e presidente da Swedish Professors and Doctors for Human Rights ), em Novembro de 2017, refutou-o e classificou-o de "impreciso" e de "politicamente parcial". Aqui ficam algumas das suas afirmações:  (destacado a negrito por mim)

- O mesmo autor do Mecanismo de Investigação Conjunta reconhece que os rebeldes de Khan Shaykhun entretanto destruíram provas ao encher a "cratera" de impacto com cimento. Por que é que os "rebeldes" o fizeram e que consequências tiveram esta sabotagem sobre as investigações, são questões que não foram levantadas pelo relatório." 

- "Ao reconhecer que Khan Shaykhun estava na altura sob controle de al-Nusra, o relatório do Mecanismo de Investigação Conjunta demonstra outra contradição metodológica: a de que a al-Nusra e os seus aliados jihadistas, ao controlar a área, controlavam também a informação "oficial" vinda de Khan Shaykhun sobre o alegado incidente. E isto exigiria um interrogatório sobre a confiabilidade/credibilidade (parcialidade) das principais fontes que o comité usou nas suas alegações ".

 

@Syricide pegou numa das mais alarmantes irregularidades alegadas pelo Mecanismo de Investigação Conjunta [JIM, em inglês], tuitando:

 

Syricide

(TRADUÇÃO: 57 "pacientes" chegaram a 5 hospitais para serem tratados ANTES do incidente ter ocorrido em Khan Shaykhun)

 

Até o The Nation publicou em Abril de 2017 um artigo insistindo na necessidade de se fazer uma verdadeira investigação sobre as reivindicações de uso de armas químicas, fazendo referência à investigação de Postol e pondo em relevo o seguinte ponto: (destacado a negrito por mim)

"Philip Giraldium antigo funcionário da CIA e dos serviços de informação do exército, disse no dia 6 de Abril a um apresentador de rádio (Scott Horton) que esteve ouvindo o que têm a dizer fontes no terreno no Médio Oriente, pessoas que estão intimamente familiarizadas com as informações disponíveis, pessoas essas que afirmam que a base da narrativa que temos ouvido sobre sírios e russos usando armas químicas é uma fraude."

 

Giraldi salientou também que 'membros da agência [da CIA] e alguns militares a par das informações disponíveis estão enlouquecendo devido a isto, pois, basicamente, o que Trump fez foi desvirtuar aquilo que de facto aconteceu em Khan Shaykhun. Giraldi informa que estas fontes dentro das foras armadas e dos serviços de inteligência "estão espantadas com a forma com que esta invenção tem  sido tratada pela administração norte-americana e os media do país."

 

O mesmo artigo inclui as palavras do ex-embaixador do Reino Unido na Síria, Peter Ford, quem afirmou:

"isto desafia a crença de que ele não teria levantado esta questão se não fosse por uma razão de vantagem militar." Ford afirma acreditar que as acusações contra a Síria "simplesmente não são credíveis."

 

Portanto, de facto não, alguns dos mais bem informados e ruidosos cépticos não eram nem eu nem Beeley, mas sim Theodore Postol (professor emérito do MIT), o jornalista de investigação Seymour Hersh, o ex-embaixador do Reino Unido Peter Ford, e o ex-funcionário da CIA e dos serviços de informação do exército Philip Girldi, que não são propriamente exemplos de vozes "marginais". 

 

O jornalista de investigação Robert Parry, em Abril de 2017, escreveu sobre a táctica de deflexão do New Iorque Times (também empregue por Solo): (destacado a negrito por mim)

"Em vez de se focar na dificuldade em avaliar o que aconteceu de facto em Khan Sheikhoun, cidade sobre controlo da al-Qaeda da Síria e donde, portanto, toda e qualquer informação daí proveniente deva ser considerada altamente suspeita, Rutenberg apenas argumentou que a sabedoria tradicional ocidental só pode estar certa.

Para desacreditar possíveis cépticos, Rutenberg associa-os a uma das personalidades de rádio mais excêntricas e adepta de "teorias da conspiração", o senhor Alex Jones, o que mais não é que o exemplo mais recente da dependência do Times por McCartistas falácias, utilizando não apenas a culpa por associação, mas refutando também o razoável cepticismo de alguém associando-o a alguém de outro que, num contexto completamente diferente, expressou algum tipo de cepticismo irracional."

 

E isto soa familiar. Vejam o que escreveu Solon:

"Beeley com muita frequência crítica os White Helmets na qualidade de editor do site 21st Century Wire, site criado por Patrick Henningsen que é também editor do Infowars.com.”

 

Infowars é o site de Alex Joens, e Henningsen há muitos anos que deixou de trabalhar para o Infowars.

 

Solon continuou este tópico utilizando outro argumento non sequitur sobre Beeley e o encontro do US Peace Council com o presidente sírio em 2016, factos irrelevantes quer para o tema dos White Helmets quer para o tema dos alegados ataques químicos. Mas irrelevância é o que os media corporativos fazem de melhor hoje em dia. 

 

A escritora de estórias do The Guardian não realizou trabalho de investigação absolutamente nenhum sobre as falácias que ela apresenta como sendo factos. 

 

Fontes desprovidas de integridade citadas por Solon 

Além das já referidas, é interessante dar uma vista de olhos pelas outras fontes que Solon utilizou na sua aveludada estória:

Scott Lucas, cuja fidelidade aos Imperialistas é evidente no feed do seu twitter, uma colecção de russofobia e iranianofobia. Lucas contou com as palavras de um apoiante de terroristas como Mustafa al-Haj Youssef para escrever o seu artigo de Agosto sobre os White Helmets (aparentemente plagiado por Solon). Solon contou com as difamações de Lucas para descredibilizar o trabalho e ferir a integridade daqueles que Solon ataca. Isso e o facto de Lucas ser um professor (de forma a incluir uma tentativa de legitimidade ao artigo), foram as únicas razões para a inclusão deste na estória do The Guardian.

 

-Amnistia Internacional, o assim chamado grupo de direitos humanos que, como Tony Cartalucci sublinhou em Agosto de 2012, é o "Departamento de Propaganda do Estado Norte-Americano", e recebe de facto dinheiro de governos e de interesses corporativo-financeiros, incluindo George Soros da Open Society, um "criminoso financeiro condenado":

 

Não são apenas "conspiracionistas como Cartalucci que têm escrito sobre o lado negro da Amnistia Internacional. Ann Wright, que serviu 29 anos como coronel das Forças Armadas e das Reservas dos EUA e 16 como diplomata norte-americana em vários países, incluindo o Afeganistão, e que "renunciou em 2003 em protesto contra a guerra do Iraque", e que "retornou ao Afeganistão entre 2007 e 2010 em missões de recolha de provas", também escreve sobre o tema. A sua co-autora foi Coleen Rowley, "agente especial do FBI durante quase 24 anos", conselheira legal do FBI Field Office em Minneapolis entre 1990 e 2003, e uma denunciante "de algumas das falhas do FBI pré-9/11". Juntas escreveram, em Junho de 2012, sobre "o fascínio da Amnistia Internacional (AI) pelas guerras dos EUA". 

 

Francis Boyle, um professor de direito internacional que chegou a ser membro do quadro norte-americano da AI, escreveu sobre o papel da organização no incitamento à guerra. Em Outubro de 2012, escreveu sobre o belicismo da AI em relação ao Iraque (quando apoiou a estória da morte de bebés em incubadoras inventada pela filha do embaixador do Kuwait), e sobre as suas próprias tentativas de informar a AI de que "esse relatório não deveria ser publicado visto que não estava correcto." Francis Boyle salientou:

"Essa guerra genocida levada a cabo pelos EUA, o Reino Unido e a França, já agora, matou durante os meses de Janeiro e Fevereiro de 1991 pelo menos 200.000 iraquianos, metade dos quais eram civis. A AI terá para sempre o sangue do povo iraquiano nas suas mãos!"

 

As palavras de despedida de Boyle incluem:

"... com base nos meus mais de dezasseis anos de experiência lidando com a AI Londres e a AI USA ao nível mais alto, é para mim claro que ambas as organizações manifestam um padrão consistente e uma prática de seguir as linhas daS políticas estrangeiras dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e de Israel. ... Efectivamente, a Amnistia Internacional e a AI USA funcionam como ferramentas do imperialismo, do colonialismo e do comportamento genocida dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e de Israel."

 

- Eliot Higgins, sobre quem o premiado jornalista de investigação Gareth Porter escreveu:

"Eliot Higgins é um membro não residente do militantemente anti-russo Atlantic Council financiado pelo departamento de estado, e não possui conhecimentos técnicos em munições."

 

O jornalista britânico Graham Phillips escreveu sobre Eliot Higgins em Fevereiro de 2016. Respondendo à sua questão sobre quem é Eliot Higgins, Phillips afirmou:

"Ele nunca acabou a universidade, tendo abandonado o Southampton Institute of Higher Education. Quando interrogado acerca dos seus estudos universitários, a sua resposta foi 'jornalismo...julgo eu'. ... Higgins sempre foi completamente honesto em relação à sua falta de conhecimentos técnicos.

 

A obsessão do The Guardian pela Rússia

A esta altura do campeonato já deveria ser bem claro que o objectivo da estória de Solon do dia 18 de Dezembro não era a análise das inúmeras questões (factos) sobre as ligações dos White Helmets a grupos terroristas na Síria, e já não deveria ser questionável o financiamento dos heróicos voluntários proveniente de fontes ocidentais interessadas em ver a Síria desestabilizada e o seu governo substituído. 

 

Mas, pelo contrário, o objectivo foi o de branquear o comportamento desse grupo de resgate, e o de demonizar aqueles que como nós dão nas vistas, e também o de acrescentar mais russofobia (apesar da intervenção militar russa na Síria ser legal, ao contrário da da coligação liderada pelos EUA, da qual o Reino Unido de Solon faz parte).

 

Desde a última troca de mensagens entre nós em Outubro até à publicação da muito esperada colecção de calúnias do The Guardian, Solon produziu (ou co-produziu) 24 estórias para este jornal, das quais 9 foram ataques anti-Rússia. Este género de estórias inclui palavreado como "operativos russos", "interferência russa", "trolls russos", "propagandistas russos" e "bots russos". 

 

Será, a Baronesa Cox (da Câmara dos Lordes britânica, e que recentemente se expressou em favor da [legal] intervenção russa na Síria), uma "conspiracionista" financiada pelo Kremlin? Leia o que disse ela: (destacado a negrito por mim)

"E o 4ª ponto que eu gostaria de referir, especificamente a vocês, é o muito real apreço sentido por toda a gente na Síria pelo apoio que a Rússia oferece na erradicação do ISIS e na erradicação de todos os outros grupos religiosos islâmicos." 

 

Cox, que visitou a Síria, certamente não é uma agente do Kremlin ou de Assad. Provavelmente, apenas terá ouvido as vozes de sírios na Síria, como o resto de nós propagandistas russos que se deram ao trabalham de se deslocar (repetidamente) até à Síria e aí conversar com civis sírios. 

 

Esta é a primeira parte de um grande artigo. A Parte 2 virá em breve.

 

Eva Bartlett, 06.01.2018

 

Leia a 1ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (1/4) 

Leia a 2ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (2/4) 

Leia a 3ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (3/4) 

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: How the Mainstream Media Whitewashed Al-Qaeda and the White Helmets in Syria

 

 
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Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (3/4), por Eva Bartlett


Parte 3/4

 

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Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

Credenciais, se faz favor: O que é o jornalismo?

Em relação à questão do The Guardian quanto à minha competência enquanto jornalista, gostaria de pôr em relevo o seguinte.

 

Eu comecei reportando a partir do terreno, na Palestina, em 2017, primeiro através do meu blog, e mais tarde publicando artigos em vários outros media online.

 

Em 2007, passei 8 meses na ocupada Cisjordânia da ocupada Palestina, numa das áreas mais perigosas, onde palestinianos são diariamente maltratados, raptados e mortos pelo exército israelita e por colonos judeus ilegais. Aí eu comeceu a blogar, documentando os crimes realizados utilizando testemunhos, entrevistas na primeira pessoa, as minhas próprias experiências, fotos e vídeos.

 

Depois de ter sido deportada da Palestina pelas autoridades israelitas a Dezembro de 2007, em 2008 viagei de barco de Chipre até Gaza e documentei não apenas os diários assaltos israelitas contra desarmados homens, mulheres, idosos e filhos de camponeses e de pescadores, mas também os efeitos do devastador cerco total de Gaza, os esporádicos bombardeamentos e incursões terrestres por parte de Israel e, pois claro, os dois grandes massacres de Dezembro 2008/Janeiro 2009 e de Novembro 2012

 

Na guerra de 2008/2009 contra civis palestinianos, eu estava no terreno ajudando socorristas no norte de Gaza (verdadeiros socorristas e não actores encenando) sob bombardeamentos e sob um fogo intenso de snipers. Eu estava também num piso do cimo de um edifício de media na cidade de Gaza que foi bombardeado enquanto eu lá estava presente. Senão, eu permaneci em Gaza depois da matança ter acabado, recolhendo horríveis testemunhos e documentando os crimes de guerra israelitas como os  assassínios de crianças, a massiva utilização de Fósforo Branco sobre civis, a utilização de civis com escudos humanos e o uso (e assassínio) de médicos como alvos de ataque.

 

Veja esta hiperligação para obter mais informação detalhada destes documentos, com muitos exemplos, e muito mais documentação recolhida durante o massacre israelita de palestinianos a Novembro de 2012, assim como relatos detalhados das minhas investigações resultantes de sete viagem pela Síria. 

 

Enquanto questionava as minhas credenciais enquanto jornalista de investigação sobre o Médio-Oriente, o The Guardian inadvertidamente atribuiu a produção da estória a uma jornalista de San Francisco especializada em peças de pelúcia, moda e análise Russofóbica, a qual tem visivelmente pouca ou nenhuma compreensão sobre o que está acontecendo na Síria.

 

Discursando sobre "a propaganda que é com frequência disfarçada de jornalismo", o galardoado jornalista e realizador John Pilger afirmou: (destacado a negrito por mim)

"Edward Bernays, o proclamado pai das relações públicas, escreveu sobre o governo invisível que é aquele que de facto governa um país. Referia-se ao jornalismo, aos media. Isto foi há quase 80 anos atrás, pouco depois do jornalismo corporativo ter sido inventado. É uma história que poucos jornalistas conhecem ou falam sobre, e teve o seu início com o advento da publicidade corporativa. 

À medida que as novas corporações foram tomando o lugar da imprensa, algo chamado de "jornalismo profissional" foi inventado. De forma a atrair grandes anunciantes, a nova imprensa tinha de transparecer ser respeitável, pilar do establishment, objectiva, imparcial, equilibrada. As primeiras escolas de jornalismo foram criadas, uma mitologia da neutralidade liberal foi criada ao redor dos jornalistas profissionais. O direito à liberdade de expressão passou a ser associada aos novos media. 

... Tudo isto não passava de um embuste. Aquilo de que o público não foi informado, foi que, de forma a poderem ser profissionais, os jornalistas tinham de assegurar que as suas notícias e opiniões fossem dominadas por fontes oficiais. E isto continua verdade até hoje. Vasculhe o New York Times num qualquer dia escolhido ao acaso, e verifique as fontes dos seus principais artigos de política interna e externa. Descobrirá então que todos esses artigos são dominados pelos interesses de governos e outros poderes. É esta a essência do jornalismo profissional."

 

Num post de Facebook público, o jornalista Stephen Kinzer escreveu:

"Acontece que concordo com a Eva em relação à Síria, mas, do ponto de vista de um jornalista, a verdadeira importância do que ela faz vai muito além do facto de produzir notícias a partir de um dado país. Ela desafia a narrativa estabelecida - e essa é a essência do jornalismo. Tudo o resto é a estenografia. Aspirantes a correspondentes estrangeiros,  tomem nota!!"

 

No difamatório artigo do The Guardian, Solon empregou a táctica de denegrir a credibilidade de um(a) jornalista de investigação catalogando-o(a) de mero(a) "bloggueiro(a)". Na sua estória, Solon utilizou o termo "blogueira" quatro vezes, três delas para referir-se a Vanessa Beeley (que contribui em artigos de análise para uma variedade de media online).

 

No último desses casos, ela citou James Sadri, director executivo da Purpose Inc (que opera o projecto de relações públicas do "Syrian Campaign), o qual afirmou a propósito de Beeley: 

"Uma blogueira de um site conspiracionista do 9/11 que apenas visitou a Síria pela primeira vez no ano passado não pode ser levada a sério como uma perita imparcial do conflicto."

 

Relembrem-me quando foi a última vez que Sadri ou Solon lá estiveram? Parece que foi em 2008 no caso de Sadri, e nunca no caso de Solon. Mas eles são "credíveis", enquanto que alguém como a Beeley que desde a sua primeira visita em 2016 já lá retornou em inúmeras ocasiões e em momentos críticos, como a libertação de Aleppo, e que falou com civis sírios do leste da cidade anteriormente ocupada pela al-Qaeda e seus parceiros extremistas, não é credível?

 

E quanto aos blogueiros, existem muitos escritores e investigadores perspicazes que publicam nos seus próprios blogs (por exemplo, este blog). Contudo, e deixando à parte esta questão, é divertido nota que Solon no seu perfil de LinkedIn apresenta como sua primeira habilidade: blogging. Será ela uma mera blogueira? 

 

oli blogging

 

Em relação ao uso que Solon faz do tema "conspiracionistas", será que ela o reciclou a partir de um artigo do Wired publicado há oito meses antrás? Não há dúvidas que o seu uso do termo "conspiracionistas" serve o propósito de caricaturar todos aqueles que investigam os White Helmets como sendo mais um Alex Jones. 

 

Será ela capaz de ser original? 

 

castello

4 de Novembro de 2016: A menos de 100 metros do local onde caiu o segundo de 2 morteiros disparados por facções terroristas a menos de 1 km da Estrada Castello. A estrada e o corredor humanitário foram atacados pelo menos 7 vezes nesse dia por essas facções terroristas. Muitos desses que trabalham para os media corporativos foram se esconder no autocarro, e foi lhes fornecido capacetes e coletes à prova de bala. Eu permaneci na estrada, sem luxos do género. Leia mais sobre este episódio aqui

 

O The Guardian usa a táctica da CIA de "Teorias da Conspiração"

Além de utilizar termos humilhantes, o The Guardian meteu-se no jogo da CIA de utilizar o mal-intencionado termo de "conspiracionistas".

 

Como afirmou Mark Crispin Miller (professor de comunicação social e escritor) perante uma comissão a Junho de 2017 :

"Teoria da conspiração não foi uma expressão muito utilizada por jornalistas até 1967 quando, de repente, começou a ser utilizada o tempo todo, e cada vez mais é utilizado. E a razão para tudo isto é que a CIA, naquela época, enviou um memorando aos chefes das suas representações em todo o mundo instando-os a usar as suas posições privilegiadas e os seus amigos dentro de meios de comunicação para desacreditarem o trabalho de Mark Lane ...  de escrever livros atacando o Relatório da Comissão Warren.  Mark Lane era um best-seller, e então a resposta da CIA foi a de enviar esse memorando exigindo um contra-ataque, esperando que lacaios obedientes à agência escrevessem críticas atacando este tipo de escritores com o rótulo de "conspiracionistas" e que utilizassem um ou mais dos cinco argumentos especificados no memorando. 

 

Aposto que Solon recebeu o memorando.

 

De forma mais aprofundada, o professor James Tracy afirmou:

"Teoria da Conspiração" é um termo que de uma assentada provoca medo e ansiedade nos corações da maior parte das figuras públicas, em particular jornalistas e académicos. Desde a década de 1960, este rótulo tornou-se um dispositivo disciplinar que tem sido incrivelmente efectivo na definição de certos eventos fora dos limites da pesquisa ou do debate. Sobretudo nos EUA, colocar legítimas questões sobre dúbias narrativas oficiais de forma a informar o público (e, consequentemente, o poder político), é visto como um crime que deve ser a todo o custo cauterizado da mentalidade colectiva."

 

Kevin Ryan, escritor e investigador,  notou que (destacado a negrito por mim):

"Nos 45 anos que precederam a publicação do memorando da CIA, a expressão 'teoria da conspiração apareceu apenas 50 vezes no Washington Post e no New York Times, ou seja, cerca de uma vez por ano. Nos 45 anos após a publicação do memorando da CIA, a expressão apareceu 2630 vezes, cerca de uma por semana."

"... e claro, cada vez que a expressão é utilizada, é sempre num contexto no qual o "conspiracionista" possa ser caracterizado de menos inteligente e menos racional que aqueles que de forma acrítica aceitam as explicações oficiais para a maioria dos eventos. O presidente George Bush e os seus colegas usam frequentemente a expressão "teoria da conspiração" de forma a deter possíveis questões sobre as suas actividades. 

 

No seu artigo para o The Guardian, Solon incluiu a falácia de que a Rússia está por detrás de tudo.

 

Em agosto de 2017, Scott Lucas (citado por Solon no seu próprio artigo) escreveu (destacado a negrito por mim):

"Media estatais russos tem levado a cabo uma campanha, sobretudo desde que, em Setembro de 2015, Moscovo interveio militarmente."

 

E no de Solon? (destacado a negrito por mim):

"A campanha para desacreditar os White Helmets começou ao mesmo tempo em que a Rússia, em Setembro de 2015, interveio militarmente..."

 

Mas tenho a certeza que é uma mera coincidência.

 

Investigações iniciais sobre os White Helmets precedem as da Rússia 

Como já afirmei anteriormente neste artigo, em 2014 e início de 2015, muito antes dos media russos terem pegado no assunto, Cory Morningstar e Rick Sterling já estavam confrontando a história oficial sobre os White Helmets. 

 

Morningstar, no dia 17 de  Setembro de 2014, escreveu:

"Purpose, uma empresa de relações públicas de Nova Iorque, criou pelo menos quatro ONG's/campanhas anti-Assad: os White Helmets, o Free Syrian Voices [3], o The Syria Campaign [4] e a March Campaign #withSyria. ... A mensagem é clara. A Purpose buscava luz verde para a intervenção militar na Síria coberta sob o pretexto de humanitarismo - o oxímero dos oxímeros ".

 

Foi então que os White Helmets entraram em cena.

 

No seu artigo do dia 9 de Abril de 2015, Rick Sterling opinou que os White Helmets seriam um projecto de relações públicas para uma posterior intervenção ocidental na Síria. Segundo ele  (destacado a negrito por mim):

"White Helmets é o novo recentemente cunhado nome para a 'Syrian Civil Defence'. Apesar do seu nome, a Syria Civil Defence não foi criada por sírios nem exerce funções na Síria. Pelo contrário, foi criada pelos EUA e o Reino Unido em 2013. Alguns civis de zonas controladas por rebeldes foram pagos para irem à Turquia e aí receber algum treino em operações de resgate. O programa era gerido por James Le Mesurier, um ex-militar britânico e um contratista privado cuja empresa tem sede no Dubai."

 

Depois de ter começado a investigar os White Helmets por volta de Setembro de 2015 e de ter, em Outubro, revelado os laços destes com criminosos assassinos na Síria, Vanessa Beeley tem de uma forma implacável perseguido esta organização, as suas mentiras e a sua propaganda e o seu financiamento de pelo menos 150 milhões de dólares (muito mais que o necessário para suprimentos médicos e equipamento de filmagem profissional)

 

Como salientou o 21st Century Wire (destacado a negrito por mim):

"Reparem que o The Guardian e Olivia Solon também afirmam que os White Helmets são apenas "voluntários", o que é uma fulcral deturpação de factos desenhada para gerar simpatia pelos seus funcionários. Uma pessoa pode pura e simplesmente chamar a isto uma escandalosa mentira, visto que os membros dos White Helmets recebem regularmente um salário (ao qual, de forma enganadora, o The Guardian chama de "mesada") que é bem mais elevado que o salário médio sírio, detalhe convenientemente ignorado nesta peça de propaganda do The Guardian que parece ter sido feito de encomenda para o Ministério de Negócios Estrangeiros britânico.

... jornalistas do The Guardian como a Solon não devem atrever-se a mencionar que o valor da "mesada" dos White Helmets é bem superior ao do salário padrão de um soldado do exército que, com sorte, leva para casa 60 ou 70 dólares por mês."

 

CONTINUA 

 

Eva Bartlett, 06.01.2018

 

Leia a 1ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (1/4) 

Leia a 2ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (2/4)

Leia a 4ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (4/4) 

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: How the Mainstream Media Whitewashed Al-Qaeda and the White Helmets in Syria

 

 
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Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (2/4), por Eva Bartlett


Parte 2/4

 

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Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

Resposta ao The Guardian

Em Outubro, uma jornalista de tecnologia (e por vezes de moda) do The Guardian estabelecida  em San Francisco de seu nome Olivia Solon (que constatadamente não compreende de todo a geopolítica do Médio-Oriente), enviou-me a mim e a Beeley dois emails praticamente idênticos repletos de assumpções para uma "estória" do The Guardian da qual nós haveríamos de ser o foco principal de atenção. Aqui fica a correspondência entre mim e a jornalista Olivia Solon do The Guardian:

 

E agora a minha breve análise aos emails de Solon, incluindo algumas das suas questões mais controversas desses emails:  

 

- Quem são os "nós" que Solon menciona? A sua referência a "nós" é indicativo de que esta estória não é uma ideia originalmente sua, nem tampouco pesquisada e escrita de forma independente. Partes do artigo, incluindo o título e alguns elementos que destacarei mais tarde no meu artigo, parecem ser reciclagens de partes de outros artigos anteriores, mas enfim, isto que fazes é jornalismo de copiar-colar. 

 

- Não é que apenas eu acredite que a narrativa dos media mainstream sobre os White Helmets esteja errada; esta narrativa tem sido desacreditada de forma redundante nos últimos anos. Em Setembro de 2014, Cory Morningstar, um jornalista independente canadiano, investigou as forças obscuras por detrás das pomposas Relações Públicas que entornam os White Helmets.  Em Abril de 2015, Rick Sterling, um jornalista independente norte-americano revelou que os White Helmets têm sido financiados por potências ocidentais e geridos por um ex-militar britânico, e salientou o papel destes "socorristas" nos pedidos de intervenção ocidental para a criação de uma zona de exclusão aérea na Síria (mais artigos sobre este abaixo). Tudo isto foi dito meses antes dos media russos terem começado a escrever sobre os White Helmets. 

 

Desde então, Vanessa Beeley produziu uma imensa pesquisa muito bem detalhada, realizando investigações no terreno (na Síria), inclusive recolhendo testemunhos de civis sírios que sofreram experiências (frequentemente horríveis) com os White Helmets; pôs em evidência que a Defesa Civil Síria existe e têm existido desde 1953, mas que não têm nada a ver com os White Helmets (os quais se apropriaram indevidamente daquele nome); estabeleceu que o órgão [socorrista] internacional, a organização International Civil Defence sedeada em Genebra, não reconhece os White Helmets como sendo a Defesa Civil Síria; provou que homens agora membros dos White Helmets roubaram veículos e equipamento da Defesa Civil Síria de Aleppo, assim como bens pertencentes a civis; e concluiu que os White Helmets partilharam com a al-Qaeda um edifício em Bab al-Bairab (Aleppo oriental) no qual presenciaram, entre outras situações, a tortura de civis. 

 

Custa a acreditar que no espaço de tempo de dois meses que passaram entre ter contactado Beeley e ter me contactado, Solon, no decurso das suar certamente exaustivas investigações, não tenha visto este vídeo, no qual é claramente visível membros dos White Helmets fardados na companhia de apoiantes do terrorista saudita Abdullah Muhaysini. Socorristas não tão "neutros" assim. Mas, no entanto, talvez o tenha feito. Olivia Solon estava disposta a escrever sobre a presença de membros dos White Helmets em locais de execuções, sobre o facto de pousarem com os pés por cima de corpos de soldados sírios, e empunhando armas, numa daqueles típicas divagações de excepções à regra.

 

- Quanto ao interesse do The Guardian em relação à minha relação com o governo sírio: Não, não recebi pagamento nenhum, nem presentes nem o que quer que seja de governo nenhum. Pelo contrário, gastei do meu próprio dinheiro para poder visitar a Síria (e organizei recolha de fundos, e tenho recebido com frequência doações via Paypal e de apoiantes no Patreon que apreciam o meu trabalho). Veja o meu artigo sobre este assunto.

 

Quanto à questão sobre como é que as minhas visitas à Síria e à Coreia do Norte tiveram lugar, esta mais não é que uma nova e óbvia tentativa de subentender que eu faço parte da folha de pagamento (ou que recebo algum outro tipo de recompensa) de um ou mais dos governos em questão.

 

Uma das questões do The Guardian tinha como tema a quantidade de seguidores que tenho: "Que você atrai uma vasta audiência online, amplificada por personalidades de direita de grande relevo e por aparições na televisão estatal russa." (destacado a negrito por mim)

 

O nível de seguidores que tenho teve início à precisamente um ano atrás, quando pedi para discursar perante uma comissão das Nações Unidas, algo que o US Peace Council também fez em Agosto de 2016. Foi graças a uma breve interecção (que se tornou viral) entre mim e um jornalista norueguês, que a minha audiência online disparou. Lamento que o que se tornou viral não tenha sido o conteúdo da exposição de mais de vinte minutos feita por mim e outros três convidados sobre a situação em Aleppo, cidade que na altura ainda era alvo diário de bombardeamentos e tiros de snipers por parte daqueles que o Ocidente considera de "moderados". 

 

Ainda assim, e dado que tantas pessoas reagiram de forma positiva à referida interacção com o jornalista norueguês (cujo tema foram as mentiras dos media corporativos e a sua falta de fontes), parece que o público vai começando a perceber que algo não bate certo com a forma com que os media corporativos retratam a questão síria. 

 

A primeira pessoa a editar e partilhar o vídeo em questão (no dia 10 de Dezembro, o dia a seguir à apresentação na comissão) foi o dono da conta Twitter @Walid970721. Viste que entretanto já tive a oportunidade de me encontrar pessoalmente com ele, posso confirmar que esta pessoa não é nem russa nem financiada pelo Kremlin ou qualquer outro governo, e que partilhou o vídeo em questão por achá-lo interessante. De qualquer modo, no dia 10 de Dezembro, e antes de qualquer outro grande media russo o fazer, a HispanTV havia já partilhado as minhas palavras. Mais, a partilha que obteve o maior número de visualizações foi a do media online indiano Scoop Whoop, a 15 de Dezembro. Que depois os media russos tenham partilhado o vídeo e noticiado o acontecimento, isso não é da minha responsabilidade. E obrigado media russos por fazerem aquilo que os media corporativos ocidentais nunca fazem.

 

 

- Quanto à questão de Solon no The Guardian sobre se eu julgo "que Assad tem sido demonizado pelos EUA de forma a provocar uma mudança de regime". Claro que julgo que sim, assim como fazem todos os analistas e jornalistas que não tenham sido cegados ou obrigados a sê-lo pela narrativa da NATO. Como escreveu Rick Sterling em Setembro de 2016:

“A desinformação e a propaganda sobre a Síria assumem 3 formas distintas. A primeira é a demonização da liderança síria. A segunda é a romantização da oposição. A terceira forma emplica atacar todos aqueles que ousem questionar as caracterizações anteriores."

 

Stephen Kinzer, autor e correspondente galardoado e contribuidor do Boston Globe, escreveu em Fevereiro de 2016: 

"Correspondentes surpreendentemente corajosos presentes na zona de guerra, incluindo norte-americanos, tentam contrariar a versão dirigida por Washington. Com grande risco para a sua própria segurança, esses repórteres tentam trazer à superfície a verdade sobre a guerra síria. As suas reportagens, com frequência, trazem nova luz que contraria a escuridão do reinante pensamento de manada. Ainda assim, para muitos consumidores de notícias, as suas vozes perdem-se por entre a cacofonia. Quem noticia a partir do terreno é normalmente ofuscado pelo consenso de Washington".

 

No esforço de contrariar as campanhas de demonização dos media corporativos, muitas vezes escrevi (incluindo as palavras de sírios vivendo na Síria, pormenor de suma importância) sobre o vasto apoio que o presidente sírio tem dentro e fora da Síria. 

 

No meu artigo de 7 de Março de 2016, fiz menção a um encontro que tive com membros internos e desarmados da oposição, incluindo o representante curdo Berwine Brahim, que declarou:

"Queremos que você transmita [ao mundo] que conspirações, terrorismo e a interferência de países ocidentais uniram apoiantes do governo e opositores no apoio ao presidente Bashar al-Assad".

 

Nesse mesmo artigo escrevi também: 

"Por todo o lado onde andei na Síria (assim como durante os muito meses que passei em várias partes do Líbano, onde me encontrei com sírios vindo de toda a Síria) encontrei imensas provas do extenso apoio que dão ao presidente al-Assad. O orgulho que eu vi que a maioria dos sírios sente pelo presidente é bem evidente nos cartazes pendurados em casas e lojas, nas canções patrióticas e nas bandeiras sírias durante celebrações, e foi também evidente nas conversas que tive com sírios comuns de todas as fés. A maioria dos sírios pede-me que eu diga exatamente aquilo que vi e que transmita a mensagem de que cabe aos sírios decidir o seu futuro, que eles apoiam o seu presidente e o seu exército, e que a única maneira de parar o derramamento de sangue é fazer com que as nações ocidentais e do Golfo parem de enviar terroristas para a Síria, com que a Turquia pare de atacar a Síria e com que o Ocidente pare com as suas conversas sem sentido sobre "liberdade" e "democracia" e deixe os sírios decidir o seu próprio futuro ".

 

No meu artigo de Maio escrito no Líbano, depois de ter observado de forma independente o primeiro dos dois dias durante os quais sírios faziam fila à porta da embaixada para votar nas eleições presidenciais, citei alguns dos muitos sírios com quem conversei (em árabe)  

"'Nós adoramo-lo. Eu sou sunita e não alauita' disse Walid, originário de Raqqa. 'Eles têm medo que as nossas vozes sejam ouvidas', acrescentou... 'Eu venho de Der-ez-Zor,' disse um votante. 'ISIS (Estado Islâmico do Iraque e da Síria) está presente na nossa zona. Nós queremos Bashar al-Assad. Ele é uma pessoa honesta,' continuou, enquanto fazia um gesto com a sua mão." 

 

E já agora, ninguém me escoltou até à embaixada num veículo do governo sírio. Não, eu apanhei um autocarro e depois caminhei os restantes quilómetros (a estrada estava tão entupida com veículos indo para a embaixada) com sírios que iam a caminho de votar.

 

Em Junho de 2014, uma semana depois das eleições na Síria, viajei de autocarro até Homs (outrora apelidada de "capital da revolução"), onde encontrei sírios celebrando os resultados eleitorais uma semana depois do evento ter ocorrido, e conversei com sírios que começavam entretanto a limpar e reconstruir casas danificadas pela ocupação terrorista do seu bairro.

 

Quando regressei a Homs, em Dezembro de 2015, lojas e restaurantes haviam reaberto onde há um ano e meio atrás só havia destruição. As pessoas preparavam-se para celebrar o Natal, algo que não puderem fazer sob o domínio de terroristas. Em Damasco, enquanto assistia a um concerto coral, ouvi por acaso pessoas se perguntando com entusiasmo se "ele" estaria ali. No dia anterior, o presidente Assad e a primeira-dama tinham aparecido num ensaio do coro, para surpresa e encanto dos seus membros. E, apesar da igreja se encontrar a uma distância alcançável pelos morteiros dos  "moderados" a oeste (e, na verdade, essa área tinha sido repetidamente atingida por morteiros), muitas pessoas arriscaram vir na esperança de poder haver uma nova visita do presidente.

 

Estes são apenas alguns dos muitos exemplos de apoio que o presidente da Síria vê, e as tentativas de vilipendear a ele e a outros membros da liderança síria. Até a Fox News reconheceu seu apoio, referindo-se às eleições de 2014:

"... ressaltou o apoio considerável que o presidente Bashar al-Assad ainda desfruta da população, incluindo muitos da maioritária comunidade muçulmana sunita. ... Sem o apoio sunita, no entanto, há muito que o governo de Assad teria colapsado".

 

Em relação aos crimes de guerra, a Síria está lutando uma guerra contra o terrorismo, mas os media corporativos continuam a fabricar falsas alegações e a repetir essas mesmas inventadas e infundadas acusações. Por exemplo, a repetida acusação de que o governo sírio mete civis a morrer de fome. Durante as minhas investigações no terreno, eu revelei a verdade por trás da fome (e dos hospitais destruídos e dos "últimos médicos") em Aleppo, em Madaya, em al-Waer, no centro histórico de Homs (2014). De qualquer maneira, a fome e a falta de assistência médica eram da exclusiva responsabilidade de grupos terroristas (incluindo a al-Qaeda) que armazenavam a comida (e os suprimentos médicos). Vanessa Beeley, em maior profundidade, expôs bem essas mentiras sobre Aleppo oriental.

 

Quanto às alegações sobre armas químicas, estas já foram há muito desmontadas pelas investigações de Seymour Hersh (sobre Guta 2013; sobre Khan Sheikhoun 2017) e pela própria Carla Del Ponte (das Nações Unidas) que afirmou que:

"... há suspeitas fortes e concretas mas não ainda provas incontestáveis do uso do gás sarin, tendo em conta a forma como as vítimas foram tratadas. Estas foram usadas por parte da oposição, os rebeldes, e não pelas autoridades governamentais".

 

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Em relação aos comboios supostamente bombardeados, veja este meu artigo sobre uma alegação do género

 

Sobre se os White Helmets fizeram ou não algum positivo trabalho de resgate de civis: eles apenas trabalham em áreas ocupadas pela al-Qaeda e outros terroristas a eles associados, de forma que ninguém pode provar se de facto realizaram algum resgate de civis. Contudo, temos inúmeros testemunhos no sentido contrário recolhidos no local, testemunhos sobre os White Helmets recusando cuidados médicos a civis não afiliados a grupos terroristas.  

 

Em Setembro de 2017, Murad Gazdiev (muito útil com as suas honestas reportagens a partir de Aleppo durante quase todo 2016) apresentou provas de que o quartel-general dos White Helmets em Bustan al-Qasr (Aleppo) estava repleto de Canhões do Inferno (usados para disparar bombas-botija-de-gás contra os civis e a infra-estrutura de Aleppo) e de restos de uma fábrica de bombas. O quartel-general estava localizado numa escola.

 

Os relatos de Gadiev foram precedidos pelos de Pierre le Corf, um cidadão francês vivendo há mais de um ano em Aleppo, que em Março de 2017 havia visitado essa sede dos White Helmets (e de novo em Abril), e que publicou a descoberta de bandeiras, logótipos e toda uma parafernália de objectos do ISIS e da al-Qaeda dentro da sede dos White Helmets instalada mesmo ao lado da sede da al-Qaeda (Jabhat al-Nusra). Le Corf escreveu também sobre os seus encontros com civis de Aleppo oriental e sobre a opinião destes em relação aos White Helmets:

"... as duas últimas famílias com quem me encontrei disseram me que eles ajudavam primeiro os terroristas feridos e às vezes deixaram os civis nos escombros. Quando as câmeras estavam a filmar, todos ficavam agitados, assim que as câmera eram desligadas, as vidas das pessoas sob o entulho perdiam importância... Todos os vídeos que você viu nos media vêm de um ou do outro. Os civis não podiam pagar para ter câmeras ou ligações 3G quando já era difícil comprar pão, apenas grupos armados e seus apoiantes o podiam fazer ".

 

Em Dezembro de 2016, quando a cidade de Aleppo foi libertada, Vanessa Beeley recolheu testemunhos de civis da zona leste até então ocupada pela al-Qaeda. Mais tarde escreveu:

“Quando lhes perguntei se tinham conhecimento da "defesa civil", responderam-me furiosos: "sim, sim, a defesa civil da frente al-Nusra". A maior parte deles quis aprofundar a questão e explicou-me que a defesa civil da frente al-Nusra nunca ajudam civis, e que apenas trabalham para grupos armados."

 

Beeley escreveu também sobre a cumplicidade dos White Helmets no massacre de civis (incluindo 116 crianças) em Foua e Kafraya em Abril de 2017.

 

CONTINUA

Eva Bartlett, 06.01.2018

 

Leia a 1ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (1/4)

Leia a 3ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (3/4) 

Leia a 4ª parte aqui: Como os media mainstream branqueiam a al-Qaeda e os White Helmets na Síria (4/4)

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: How the Mainstream Media Whitewashed Al-Qaeda and the White Helmets in Syria

 

 
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