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Visita à embaixada da Síria em Beirute, por Luís Garcia

 

 

 Cartas da Síria - 2

Visita à embaixada da Síria em Beirute

 

Luís Garcia  POLITICA  SOCIEDADE 

 

Ah, no artigo anterior esqueci-me de mencionar a nova amizade com um divertidíssimo libanês do Brasil que nos oferece cafés na sua lojinha e com quem temos tido alucinantes conversas para desanuviar um pouco! Fica aqui a emenda. 

 

07-08-2017

Depois de por fim termos dormido umas horas decentes de sono desde que partiramos de Portugal, tomámos o pequeno-almoço no ninho de new-agers (Meshmosh Hostel) e partimos rumo à embaixada da Síria em Damascos, que se encontra a quase 10km de distância de Beirute Central. Apesar do imenso controlo militar e dos vários checkpoints e revistas necessárias passar antes de alcançar o edifício da embaixada, a visita é fácil de realizar, bem fácil diria até. Ao contrário das filas intermináveis de refugiados sírios esperando para tratar de papelada, na rua, sob um calor intenso pois dentro da embaixada não cabem todos ao mesmo tempo, nós fomos gentilmente convidados a avançar até ao último controlo e entrar. Não porque haja tratamento desigual, mas apenas porque não viemos para o mesmo e estrangeiros na embaixada síria é uma raridade. Já dentro do edifício e em processo de revista às malas e roupa, começaram os inconfundíveis sorrisos sírios de simpatia e acolhimento... "welcome my friend, welcome". Por isso tenho afirmado estes últimos dias que, apesar de muito apreciar a simpatia libanesa, na embaixada síria sentia-me deveras em casa!

 

Finda a visita, voltamos ao centro no táxi de um jovem muito simpático que além de ter nos feito um verdadeiro desconto, cantou-nos com a sua bela voz canções árabes. Como por aqui faz mesmo muito calor, ficamos uma boa parte da tarde em casa, antes de partirmos finalmente à descoberta de Beirute. 

 

Álbum 2

02 - Beirut 1

 

Beirute é uma cidade apertada entre mar e montes, antiga, com demasiada gente e sem espaço por onde construir mais. Portanto, cada milímetro está tomado, mesmo que seja por casas abandonadas que tanto jeito dariam aos 2 milhões de refugiados sírios. E quando se vê uma nova construção, é porque primeiro houve uma demolição. Incrível. 

 

Depois não é só a falta de espaço. Acumulação de lixo, má organização, resquícios das agressões israelitas, controlos militares em todo o lado, zonas de acesso interdito que obrigam a enormes desvios, trânsito infernal, muito calor e ar húmido e muito poluído. Ainda assim, não há como nos convencer a voltar para trás quando decidimos ir dar umas voltas de máquina na mão. O nosso plano era bastante simples, ir da pousada até à costa oeste de Beirute, desse por onde desse, e assim fizemos. Pena que, uma vez chegado à costa, numa bela praia ainda antes do pôr-do-sol, não tenhamos tomado um banho no Mediterrâneo para refrescar. Bem que apetecia, e nós somos suficientemente malucos para tomar um banho em água relativamente poluída assim uma vez por acaso, mas naquela praia, uí, nem pensar. A ETAR junto à minha casa em Portugal cheira bem melhor,  não exagero! Enfim, há problemas bem mais graves que este em Beirute, e realidades mais chocantes, como a quantidade de Porches e Ferraris num país com milhões de refugiados sírios e palestinianos tentando apenas sobreviver dia após dia...

 

Luís Garcia, 12.08.2017, Minyara, Líbano

 

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