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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Um incrível dia em Tbilisi, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 30

Um incrível dia em Tbilisi

 

bw  Luís Garcia  VIAGENS 

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

16.06.2014

Num apartamento minúsculo e muito velho, sem água corrente e muito más infra-estruturas, foi com enorme espanto que descobrimos que tinham ligação de internet por fibra óptica de 100 mb/s! É o tudo ou nada por estas bandas! Quanto ao prédio, nos corredores e por fora, completamente arrasado, sujo, esburacado e com dezenas de cabos de todos os géneros formando teias pelos corredor sombrios. Uma sovietice de topo! De facto o prédio era suposto estar abandonado mas muita gente veio procurar nele um lugar abrigado onde viver sem grandes despesas, sobretudo no período a seguir à guerra da Abecásia de 2008 e que provocou uma enchente de refugiados dentro da Geórgia. A família de Tamuna é um exemplo disso mesmo, oriundos de uma cidade perto da capita abecázia, viram-se em 2008 obrigados a procurar refúgio numa outra cidade no lado geórgio. Tamuna e os 2 irmãos vivem na capital devido aos estudos e à maior oferta de trabalho.

 

De manhã bem cedo Tamuna partiu para Stepantsminda. Nós ficamos com os 2 irmãos, Gio e David. A meio da manhã David foi tratar do seu ganha-pão: passear cães de gente rica. Gio, eu, Claire e Diogo ficámos na moleza a manhã toda, comendo, conversando e tocando guitarra. A única saída foi para encontrar um loja no 9º andar do bloco B, imagine-se, num labirinto soviético impossível de descrever e onde é quase certo uma pessoa se perder. Felizmente éramos 2, eu e Claire, conseguimos  comprar café e voltar sãos e salvos à casa dos nossos hóspedes, de onde partimos todos já por volta da hora de almoço quando David regressou. Que moleza! A primeira etapa do dia foi a zona soviética em redor onde vivem e onde existem 4 atracções principais: os prédios em ruínas, uma velha ponte, um teleférico abandonado deste o colapso da URSS e uma grande universidade bastante degradada. 

 

Dá que pensar esta resistência do teleférico soviético (ver capa) assim como muitas outras obras desse período. Neste caso, um teleférico parado a meio do percurso há pelo menos 23 anos, não apresenta nenhum tipo de degradação, provando que foi feito para durar! Até a tinta está como nova. Compare-se com a produção ocidental que segue um modelo declarado de obsolescência programada, de forma a que tudo dure pouco e el pueblo consuma muito e… aí está, façam-se as óbvias conclusões. E não adianta falar de outras sovietices em mau estado presentes nas minhas próprias fotos, pois o problema com essa herança soviética está no mau uso dado pela a Geórgia independente e não na qualidade dos produtos. Ao ficar a meio do caminho, protegido do contacto com humanos, este teleférico não se transformou em mais uma sovietice enferrujada, antes passou a ser uma peça de museu congelada no tempo! MADE IN USSR! 

 

Depois da viagem no tempo pelo bairro, apanhámos os 5 um autocarro para o centro, onde reencontrámos o velhinho fluente em francês que nos ajudara uns dias antes. Que alegria poder revê-lo! Também no centro fomos nos encontrar com um amigo de Gio e David, que durante o resto do dia seria o nosso guia turístico oficioso. Das 13h30 às 21h30 fez-nos andar que nem loucos, subir e descer ruas a pique, sempre debaixo de temperaturas escaldantes. Parecíamos estar num treino de forças especiais! Mas ainda bem, em poucas horas ficámos a conhecer Tbilisi melhor que a maior parte dos geórgios (ver os álbuns abaixo, ao fundo)! Ah, mas ouve direito a pausa a meio da tarde: os irmãos de Tamuna (imensamente hospitaleiros) levaram-nos a almoçar soberbas especiarias nacionais (Ratchapuri e Ringali) acompanhadas com boa cerveja local! Que regalo, quando saí do restaurante mal podia me mexer, hehe! 

 

Tbilisi

 

À noite em casa de David e Gio, comemos muita melancia, trocámos ideias de política, de cinema, de música, cantámos e tocámos guitarra… vida boa, simples, interessante e tranquila...

 

Álbuns de fotografia

 

Luís Garcia, 21.05.2017, Ribamar, Portugal

 

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