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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Meias-verdades e deturpações ao serviço da mentira manipuladora, por Luís Garcia

 

 

Desespero Mediático 22

DESESPERO MEDIÁTICO - venezuela.jpg

 

Luís Garcia  POLITICA   

 

 

Em modos de introdução

Tinha prometido, na última vez que escrevi um artigo sobre a Venezuela por estas paragens, que tão depressa não escreveria nada mais, dada a infinita clareza da questão, corroborada com milhares de vídeos, fotografias, depoimentos, documentação legal e literatura séria sobre o tema. A Venezuela sofre desde 2001, mas sobretudo desde 2013, uma muito agressiva e vergonhosa agressão gringa a vários níveis, sobretudo na sabotagem económica e no apoio e financiamento de terrorismo. Não há espaço neste artigo para viajar no tempo até, por exemplo, o golpe de estado em 2002 organizado pela oligarquia de tiques vassalo-coloniais do Império da Guerra (aka EUA). Nem do golpe nem de inúmeros temas de enorme relevância para a compreensão do bullying imperial de que é vítima a Venezuela. Se estiver interessado em perceber os antecedentes históricos desta infinita agressão, pegue caro leitor no artigo da hiperligação abaixo no qual encontrará ligações para (quase) tudo o que precisa de saber e ruminar antes de poder formar uma opinião objectiva e válida sobre as acções e reacções que ocorrem na Venezuela desde o início do muito positivo período Chávez-Maduro.

 

Ainda assim, perante a descida infinita dos média nacionais a esse poço sem fundo de mentira, engano, manipulação, deturpação, má fé, cinismo e falta de escrúpulos que levam a maioria alienada (da complexa realidade do conflito Venezuela vs capitalismo bélico) a acreditar ser verdade o preciso contrário daquilo que de facto é verdade, perante a infinita frustração de me deparar com este pesadelo de distopia orwelliana que já ultrapassou e muito todas as características que faziam 1984 parecer uma longínqua e futurista maldição, não dá para ficar quieto a observar. É de um profundo mau gosto o serviço que TODOS os média portugueses de alcance nacional realizam no intuito de nos fazer crer que a democracia é ditadura, que votar é negativo, que matar pessoas a tiro é um acto de protesto pacífico, que criminosos detidos por matar ou mandar mandar seres humanos são prisioneiros políticos, etc e por aí fora que até me vêm os ácidos do estômago à goela!

 

Descubra as diferenças

  

O desespero mediático do dia - Expresso

Andava entre o "escrevo ou não escrevo um artigo sobre as eleições de Domingo passado na Venezuela até que, após vários lixos jornalistas portugueses lidos, dei de caras com este supra-lixo Porque é surrealista a votação deste domingo na Venezuela e decidi-me pelo "escrevo". Antes de o desmontar ponto por ponto, proponho ao leitor que o leia na íntegra:

 

"Oposição afastada, pressões sobre funcionários e pensionistas e possibilidade de se votar duas vezes. Eis o retrato das eleições para a Assembleia Constituinte venezuelana que decorreu este domingo, marcada por incidentes nas ruas que, para já, causaram nove mortos

Há algo de realismo mágico nestas eleições venezuelanas que um Garcia Marquez não teria desdenhado como tema. De facto, na votação para a Assembleia Constituinte, convocada para este domingo pelo presidente Nicolás Maduro, só há uma possibilidade de escolha, já que a oposição se recusou a participar. A votação é electrónica mas as máquinas não estão programadas para aceitar o voto branco. E cada eleitor pode, em plena legalidade, votar duas vezes…

Esta votação peculiar serve, para além de reforçar os poderes de Maduro, que perdeu as eleições legislativas de Dezembro de 2015, também para medir forças com a oposição que, a 16 de Julho e com a cobertura da Assembleia Nacional, promoveu um referendo à margem do chavismo no qual votaram 7,1 milhões de pessoas (comparáveis à votação nas eleições legislativas de 2015: 7,7 milhões para a oposição e 5,7 para o chavismo).

Embora realizado em condições precárias, o referendo oposicionista teve uma participação que inevitavelmente será comparada com a deste domingo. A 17 de Julho, a oposição, além de instalar mesas de voto em toda a Venezuela, mesmo em regiões de maioria chavista, alargou a votação à diáspora venezuelana promovendo-a em 559 cidades de 101 países, incluindo as principais capitais da Europa e de toda a América Latina, mas também em Maputo (Moçambique), Durban (África do Sul) e Arequipa (Peru).

EM BUSCA DO PODER PERDIDO
Maduro, que está em minoria na Assembleia Nacional, quer substituí-la por uma Assembleia Constituinte com poderes para rever, não só a lei fundamental (datada de 1999 ainda do tempo de Hugo Chavez), como o funcionamento de todas as instituições e da economia do país. “Será o grande poder de que precisamos para meter a Venezuela na ordem. Precisamos de um poder acima dos que sabotam o desenvolvimento do país” e esse voto, garantiu o presidente, “será directo, universal e secreto”. Sê-lo-á?

PARTIDOS NÃO ENTRAM… SE FOREM DA OPOSIÇÃO
A nova assembleia eleita este domingo tem 545 membros que deverão tomar posse a 2 de Agosto, substituindo os deputados eleitos nas legislativas de Dezembro de 2015. A duração do seu mandato não está definida. Só 6 120 dos 50 000 candidatos foram aceites, isto porque as regras fixadas por Maduro e aplicadas pela comissão eleitoral proibiram candidatos ligados a partidos. No entanto não faltam elementos do PSUV (partido do poder) desde o deputado Diosdado a Adan Chavez, irmão do falecido Hugo Chavez.

UMA ESTRANHA FORMA DE ELEIÇÃO
Dos referidos 545 elementos, 364 representam os municípios, à razão de um eleito por cada, excepto nas capitais dos estados federados que elegem dois, independentemente da sua população. 173 representam as “organizações sociais” (trabalhadores, estudantes, reformados, deficientes, chefes de empresa, etc) e oito as comunidades indígenas. Neste sistema, decalcado do corporativismo, cada eleitor pode votar duas vezes: uma no seu círculo eleitoral (município) e outra pela corporação a que pertence…

O voto será electrónico mas as máquinas não estão programadas para lidar com o voto branco. E junto às mesas de voto, representantes das ditas corporações anotam quem foi e não foi votar, o que pode implicar retaliações sobre funcionários públicos, pessoas dependentes da distribuição de ajudas alimentares estatais, etc.

OPOSIÇÃO BOICOTA ELEIÇÕES
Perante tudo isto a oposição diz não estarem reunidas condições mínimas de democraticidade e apelou ao boicote, marcado por incidentes que fizeram nove mortos. E lembra que a convocação de eleições constituintes – que estas objectivamente são – teria que ter sido precedida por um referendo, coisa que não foi. De resto, nem as eleições para governadores de estado previstas para o ano passado, nem as eleições municipais deste ano se realizaram, entre outras coisas porque o governo sabe que se tornou minoritário no eleitorado nacional. Se puder, Maduro também tentará adiar as eleições presidenciais previstas para o ano que vem…" 

RUI CARDOSO, Expresso, 30.07.2017 às 22h20

Líde

Comecemos a desmontagem pelo início, pelo lide do artigo. Não, a oposição não foi afastada, a oposição afastou-se ou, para ser mais preciso, auto-excluiu-se de uma eleição democrática conforme a constituição do país porque, como sempre, e por temer a derrota nas urnas, prefere o apelo ilegal à violência em detrimento de actos eleitorais. Boatos de pressões sobre funcionários, como são acusações extraordinárias, requerem provas extraordinárias. Como as provas sobre as supostas pressões por enquanto resumem-se a zero, não há ponta por onde pegar. Quanto a votar 2 vezes, sim em forma de meia-verdade manipuladora, mas já lá vamos. Incidentes na rua, sim da criminosa oposição, e não, não são incidentes, pois atentados à bomba e polícias e cidadãos pró-governo mortos a tiro não são incidentes, são actos de terrorismo ou crimes de enorme gravidade. Matar candidatos é crime, queimar casas de candidatos é crime, queimar salas e equipamento de voto é crime, sabotar eleições é crime. Agora, "incidentes", a sério? Terá noção da gravidade daquilo que profere este jornalista? Mas também já lá vamos. 

 

1º parágrafo

Dispensava-se as bacocas e parvas alusões a realismo mágico de um Garcia Márquez ("Márquez" com acento no "á" e não "Marquez" como escreveu o autor que não faz verificação de factos) que sem dúvida teria dito o preciso contrário do que foi dito neste artigo do Expresso, mas enfim, respeitemos a liberdade de expressão do senhor, deixemo-lo babosar. Agora dizer que só havia uma opção de votação é pura e simplesmente mentira. Aliás, a prova de que mente descaradamente vem pouco abaixo no mesmo texto quando o jornalista diz que havia 6120 candidatos para 545 lugares, ou seja, não 1 mas sim uma média de 11,2 "possibilidades de escolha". E depois, aí está, mais auto-desmentidos. Se o jornalista diz que a "oposição se recusou a participar", então, por seguimento lógico, conclui-se que, mesmo que só houvesse um "possibilidade de escolha", tal escassez dever-se-ia à auto-exclusão da oposição a que se referia e não ao suposto carácter "ditatorial" do governo.

 

Agora começa a aquecer. "Cada eleitor pode, em plena legalidade, votar duas vezes". Sim podia, mas há que tomar atenção às maquiavélicas reticências de quem de forma mal intencionada lá as colocou no lugar onde deveria vir o esclarecimento desta meia-verdade que induz propositadamente o leitor ao erro e, quiçá, comentar "epá, que pouca vergonha, então aquele bandido do Maduro afinal é mesmo uma porra de um ditador que deixa os seus apoiantes fazem o que querem". E já está, resultado atingido. Mas não, tudo isto é um perfeito e facilmente desmontável disparate. Sim, podia se votar 2 vezes, mas não no mesmo candidato, fundamental informação intencionalmente omitida. Podia-se sim, votar zero vezes (bastava ficar em casa quieto), uma vez no seu candidato preferido do seu município, uma vez no seu candidato preferido da sua categoria social (pensionista, estudante, etc) ou votar para os 2, pois sim, cada cidadão pode escolher 2 representantes para a assembleia constituinte. E? Eu quando voto para as eleições legislativas em Portugal não voto num só candidato mas sim em vários cuja quantidade depende do peso demográfico do distrito onde estou registado. E depois? Vota-se em 2 representantes mas, claro, votando uma só vez em cada candidato. Onde está o espanto? Quanto ao conteúdo deste primeiro parágrafo, mais não é que meia-verdade e deturpação grosseira ao serviço da mentira, do engano e da manipulação, para que o leitor final compreenda o contrário daquilo que de facto se passou!

 

2º parágrafo

Dizer que a "votação peculiar" reforça os poderes de alguém é um perfeito disparate além de um fútil exercício de futurologia de eventos altamente improváveis. A votação na eleição constituinte serve para escolher de forma democrática, e de acordo com a legítima constituição venezuelana, os representantes (do povo venezuelano) que os representarão (aí está, pois não dá para discutir nada a 32 milhões de vozes e que daí mesmo em Portugal o sistema político seja apelidado de "representativo") para o processo de revisão constitucional que levará meses a discutir. Após a discussão e a criação de um projecto de nova constituição, esta ainda terá de ser aprovada com maioria qualificada num referendo popular, ao contrário do muito menos democrático processo de revisão constitucional português. Portanto, poderá um candidato pró-Maduro propor uma alteração da constituição que possibilite a permanência de Maduro na presidência até à sua morte? Sim, pode, mas muito provavelmente nem passará sequer na primeira de muitas fases de discussão. Depois, mesmo que passe todas e entre no projecto final de nova constituição, esta ainda tem de ser aprovada em referendo como ainda agora dizia. Mais, relembremos que em Dezembro 2007 a proposta de revisão constitucional apoiada por Chávez propunha o fim do limite de 2 mandatos presidenciais por pessoa, alteração que permitiria Chávez candidatar-se as vezes que quisesse (candidatar-te e submeter-se ao voto democrático, não confundir com balelas de ditadura por decreto) à presidência da República. E o que aconteceu? A proposta foi recusada em referendo e Chávez respeitou, pois claro, a vontade popular democraticamente exercida, ora essa!

 

"Medir forças com a oposição" também não porque, primeiro, a eleição constituinte para a possível revisão constitucional é para todos os cidadãos e nada tem a ver com partidos. Segundo, porque é objectivamente estúpido comparar um eleição constitucional normal e na qual todos podem participar quer como candidatos quer como eleitores, com uma parvalheira ilegítima organizada e convocada por um partido da oposição. Sim, sim, parvalheira, isso mesmo, objectivamente parvo aquilo que fizeram, tecnicamente parvo aquilo que fizeram há duas semanas. Porquê? Uiii, vamos por partes, aliás algumas apenas pois as partes parvas da parvalheira são mais que muitas:

  1. A farsa de eleição não foi convocada por quem tem o direito legal de o fazer. Oposição em parte nenhuma convoca eleições! Onde já viram isso, onde, em Portugal, nos EUA, na França? Digam-me, onde? Só na Venezuela mesmo onde tudo é permitido em prol da paz social e ainda assim se acusa o democrático e tolerante governo de ser um "regime ditatorial";
  2. A farsa de eleição não foi organizada pelo único órgão competente que, segundo a constituição, o poderia fazer, e que é a Comissão Nacional Eleições (CNE), tal como acontece em todos os sistemas democráticos conhecidos, Portugal incluído;
  3. Não havendo organização da CNE, ninguém pode, de for legal e até mesmo funcional, verificar se houve ou não, por exemplo, quem votasse 2 vezes (aqui sim) ou 3 ou 7 como aliás ficou provado por imagens em vídeo. E os exemplos do que pode correr mal em plebiscitos não organizados pelos órgãos competentes são inúmeros, nem vale a pena ir por aí.
  4. O resultado dessa farsa de eleições foi duplamente um não resultado. Primeiro porque foi apenas apresentado o objectivamente nada fiável número de 7,1 milhões de votantes, mas não as percentagens de quem votou no quê! Nada, apenas ficámos a saber que supostamente 7,1 milhões teriam votando em algo. Segundo, porque não só não contaram os votos daquela farsa como ainda se lembraram de os queimar em fogueiras nas ruas, e filmaram-no contentíssimos enquanto entoavam risíveis cânticos com alusões a "democracia". E pior, depois partilharam os vídeos nas redes sociais para que ninguém ficasse com a mínima dúvida que de facto a oposição queimou os votos não contados da sua farsa de eleição! Nem Orwell ou Huxley se lembrariam duma destas!
  5. Não participou nestas parvas eleições ilegítimas nenhum observador internacional credenciado. Uí, depois "ditador" é o democraticamente eleito Maduro, pois sim! Eleito numa votação cujo processo foi observado por dezenas de organizações, boa parte delas provenientes dos EUA e União Europeia, os quais detectaram zero problemas durante a votação. Até o The Carter Center de um ex-presidente dos EUA participou como observador internacional nessas eleições de 2012!
  6. Para esta farsa podia-se por exemplo, votar numa clínica dentária no Algarve ou num Starbucks em Praga, República Checa e em várias centenas mais de insólitas localizações espalhadas por esse planeta fora. Sim, pode parecer mas não é troça minha, e já vêm aí as provas. Aliás, a lista de anedóticos lugares é imensa, convido-o a constatar com os seus próprios olhos que era possível, por exemplo, votar no Erasmus Bar, Rua de José Falcão, N° 4, Porto, Portugal! As fontes são (eram) duas, o site oficial da coligação de oposição MUD que precisamente havia convocado esta farsa e uma conta facebook de um membro da MUD. Ora, e invertendo o provérbio, quem deve, teme, e portanto elimina da internet páginas que serviam de prova à parvalheira que havia feito, daí que as duas fontes que eu me referia já não estejam disponíveis, como pode constatar aqui e aqui. Ou sim, pois esta gente que esconde o que fez, visto que sabe bem que não faz sentido aquilo que fez, é, no entanto, muitíssimo amadora e esquece-se que existe uma coisa chamada webcache, ferramenta com a qual se pode aceder ao conteúdo passado de páginas entretanto eliminadas. Daí que, das duas eliminadas, posso felizmente vos apresentar o conteúdo existente há 2 semanas atrás: clique aqui.
  7. As 3 perguntas do parvo plebiscito, e deixando de parte o facto deste não ser de forma alguma válido, propunham acções inconstitucionais e que representam crimes perante a lei do país caso fossem levadas a cabo. Leia caro leitor o que diz o boletim abaixo, antes de continuar com a explicação:

    preguntas-2-5b20e (1).jpg

    Analisemos as 3 perguntas. Primeiro, "recusa e renega a realização de uma constituinte proposta por Maduro sem a aprovação prévia do povo venezuelano"? Essa aprovação prévia não é requerida e, bem pior, não faz sentido convocar uma ilegítima votação para perguntar ao povo se quer ou não votar para uma assembleia constituinte. Sentido faz, isso sim, que a oposição (supostamente maioritária) vote nos seus candidatos à assembleia constituinte, os quais posteriormente proporão mudança nenhuma na constituição e que, por fim, a suposta maioria opositora ratifique em referendo a vontade de não mudar nada na constituição! Simples, democrático e eficaz. Quem não deve não teme e quem tem (supostamente) a maioria não deve temer eleições democráticas. 
    Segunda, "exigência às forças armadas nacionais e a todo o funcionário público de obedecer e defender a constituição de 1999 e apoiar as decisões da Assembleia nacional [parlamento]". Ora, a exigência é estúpida pois aqueles em questão já o fazem. Apoiar as decisões da Assembleia Nacional (de maioria opositora, prova evidente de que na Venezuela há democracia) é que não, caso estejam a referir-se à ilegítima e ilegal exigência para que Maduro se demita antes do fim do mandato contra a sua vontade, assim como a decisão ilegal e inconstitucional de tentar formar um "governo paralelo". Tal decisão, essa sim, seria exemplo escandaloso de desobediência e ataque à constituição de 1999 e mereceria da parte das forças armas e funcionários públicos a total condenação! E não o contrário!
    Terceira, "aprova que se proceda à renovação dos poderes públicos de acordo com o estabelecido na constituição e a realização de eleições livres e transparentes, assim como a formação de um Governo de União Nacional para restituir a ordem constitucional". Ah, tantas meias-afirmações! Não há que aprovar renovações nenhumas, há que esperar para as eleições presidenciais do ano que vem (2018) e votar nelas. Não, a constituição não estabelece que o povo vote em ilegítimos plebiscitos que acabam em queima de votos como forma de antecipar eleições, ora essa! Eleições livres e transparente sim, vão haver em 2018 para a presidência da república, só há que esperar uns meses. Não, qual formação de "Governo de União Nacional", flagrante sinónimo de ditadura carmoniana por decreto como a que aconteceu no golpe de estado falhado em 2002 contra Hugo Chávez. É que não dá para esquecer que as pessoas que organizaram este ilegítimo plebiscito no qual pedem a criação de um Governo de União Nacional, foram as mesmíssimas que de forma directa e indirecta participaram no inconstitucional golpe de estado e que na manhã seguinte, sem perguntar coisíssima nenhuma ao povo venezuelano, já haviam alterado 49 artigos da constituição do país! Para quem não está dentro do assunto, aconselho que se informe pelo menos através das hiperligações seguintes: 
    Abril golpe adentro, Guerra contra a DemocraciaA revolução não será televisionadaPonte Llaguno - As chaves de um massacre e Asedio a una Embajada. E relembro mais, que o mesmo Leopoldo López de novo detido, foi o mesmo que afirmou que ""não estamos para esperar 6 anos para que ocorra uma mudança na Venezuela", em consequência da derrota eleitoral de 2012. Se não acredita que Leopoldo López proferiu tal barbaridade, oiça aqui as suas palavras. Se ouviu, diga-me como se pode defender alguém que renega de forma tão escandalosa a decisão popular! Pelos vistos a RTP pode e fá-lo, ao ponto de chamar "prisioneiro político" a este criminoso e terrorista bombista. Irra!

  8. E, para acabar com esta lista que já vai longa, não poderia deixar de relembrar as palavras que Freddy Guevara (membro da opositora MUD) proferiu em 2014 a propósito da possibilidade de ser convocada uma eleição constituinte (sim, isso, uma eleição como esta de anteontem criticado no artigo do Expresso) num contexto considerado (erradamente, por ele,) como sendo propício à organização do dito evento. A prova de que estava errado veio quando o próprio abandonou-a, então possivelmente já ao corrente da necessidade (irrealizável) de ter o apoio de 2/3 dos votantes para que pudesse ser aprovada a sua visão ditatorial de concentração de poderes que pode ler na imagem abaixo. Claro que tresloucadas ideias nunca passariam em referendo de ratificação de nova constituição! Só a ignorância da lei e a efusividade pós-vitória da oposição nas eleições de 2014 para a Assembleia Nacional onde se ganha sem maioria qualificada é que poderão ter levado o senhor a proferir tamanhas barbaridades. E por falar nisso, já viram quão estranha é a "ditadura" venezuelana, na qual a oposição ganha eleições democráticas para a Assembleia Nacional e o "ditador" de serviço acata a escolha democrática do povo! Sim, eis a imagem prometida:

    guevara-corina-1024x439 tttttttttttttttt.jpg

Perante os números apresentados no parágrafo em análise, apenas quero acrescentar números bem mais pertinentes. Sim, mesmo que fosse possível provar que a farsa de dia 16 de Julho tenha recebido 7,1 milhões de votos que não foram nem poderão ser contados pois foram queimados, mesmo aceitando que todos os votantes tenham colocado cruzes dizendo sim aos 3 apelos inconstitucionais, ainda assim, 7,1 milhões de votos num país cuja população é de 32 milhões da qual 19,5 milhóes se encontraram em idade de votar, os supostos votantes anti-Maduro não representam "uma clara maioria de opositores descontentes com o trabalho de Maduro" como tive a oportunidade de ouvir em directo da boca de um analista político da RTP há dias atrás. Porquê? Porque 7,1 é menos de metade de 19,5, ora essa!

 

3º parágrafo

Não, as condições da farsa de plebiscito convocadas pela oposição no dia 16 de Julho não foram "precárias", como aqui já foi demonstrado, mas sim parvas, insisto. Depois, no 2º parágrafo o jornalista do Expresso referia-se e bem a dia "16 de Julho". Agora, neste parágrafo refere-se e mal a dia "17 de Julho". Tire o leitor as condições que por bem achar a propósito da seriedade deste trabalho jornalístico. E não, diga o que quiser o senhor Rui Cardoso sobre a farsa de eleição opositora de dia 16 de Julho e o que quiser sobre a legítima eleição constituinte de dia 30 de Julho convocada pelos órgãos competentes, tudo bem, mas não me compare por favor parvalheira infantil com legitimidade e legalidade constitucional, senão também quero vê-lo a defender as eleições constituintes de Portugal que vou organizar para semana aqui no meu sótão com a malta do bairro com as que por norma são organizadas pela nossa comissão nacional de eleições!

 

4º parágrafo

"Maduro, que está em minoria na Assembleia Nacional, quer substituí-la por uma Assembleia Constituinte"! Ui, mas onde é que este senhor foi buscar tamanha barbaridade? Maduro não está em minoria na Assembleia Nacional, quem está nessa situação é o partido do qual Maduro é membro. Maduro é o presidente eleito da Venezuela e como tal exerce a chefia do poder executivo, enquanto que a Assembleia Nacional exerce o poder legislativo. Este senhor escreve num jornal para a elite de direita abastada nacional e no entanto nem sequer domina os mais básicos conceitos políticos necessários para se poder analisar o tema! Que lástima! E por isso mistura conceitos que nada têm a ver uns com os outros, pois Assembleia Constituinte é um órgão temporário e previsto pela constituição que tem como função realizar revisões à constituição. Assembleia Nacional, apesar de conter uma palavra em comum, é o nome do parlamento venezuelano eleito para um determinado período de tempo findo o qual se realizarão novas eleições das quais resultarão a formação de uma nova Assembleia Nacional igualmente a prazo (como em Portugal). Portanto não há substituição de coisíssima nenhuma, nem poderia haver, nem nunca Maduro propôs tal barbaridade, nem tampouco poderia fazê-lo se fosse esse o seu desejo! Aqui estamos no capítulo da divagação imbecil!

 

Sim, o processo de revisão constitucional serve precisamente para isso, para rever a constituição ou, como diz o senhor, "a lei fundamental". Não, Maduro não substituiu coisas incompatíveis! O governo legítimo e democraticamente eleito convocou, de acordo com o que prevê a constituição em vigor, uma revisão constitucional. Sim, no limite, caso seja proposto pelos membros da assembleia constituinte democraticamente eleitos no dia 30 de Julho, poderá ser proposta a alteração do "funcionamento de todas as instituições e da economia do país" mas, primeiro Maduro não tem competência para o fazer pois tal competência está nas mãos dos 545 membros da assembleia constituinte e, segundo, o que quer que seja que apareça na proposta final de revisão constitucional não entra em vigor sem antes ser referendado e aprovado com uma maioria qualificada dos votos dos venezuelanos. Portanto, quanto mais extraordinárias forem as propostas de revisão, menor será a possibilidade dessas serem aceites pelo povo no tal referendo. E mais, se 2/3 do povo a aprovarem (como exige a constituição), que problema encontra este senhor (português) no acto de aprovação de uma nova constituição da Venezuela através de escolha popular de venezuelanos? Quem, afinal, apresenta aqui comportamento de ditador, Maduro ou o jornalista do Expresso?

 

Jornalista que em seguida oferece citações de Maduro para ver se o faz passar por ditador, mas não pega! Sim a Venezuela precisa de ordem para que acabem os atentados à bomba, a morte de polícias a tiro, os linchamentos de cidadãos pró-governo, o chantagear com morte ou destruição comerciantes que tem o direito de recusar participar em "greves gerais" das quais quase ninguém participa, etc, daí que faça sentido a ideia/proposta de passar a ser proibido aos venezuelanos manifestarem-se de cara tapada. Manifestações sim mas de cara destapada para que, quando alguém se lembrar de lançar um roquete ou abater um transeunte a tiro, se possa ver ou filmar a cara do criminoso que, mesmo que fuja  no meio da trupe de opositores terroristas, possa posteriormente ser detido e levado a julgamento. Isto é só uma ideia de alteração a propor na revisão constitucional. Convém lembrar que todas as propostas têm de ser aprovadas e por fim ratificadas pelo povo através de referendo. Outra proposta muito interessante, a propósito da segunda citação do 4º parágrafo, é a de acabar com a imunidade dos deputados, de forma a que todos eles possam ser julgados pelos crimes que entretanto cometerem. Sim todos, não como li há dias num artigo da RTP onde era afirmado que Maduro pretendia remover a imunidade dos deputados da oposição! Imagine-se! Num país no qual a oposição em plena assembleia apela a crimes económicos, assassínios, destruição e sabotagem, seria salutar tal medida, caso esta passasse nos vários passos de revisão constitucional Eu, ao contrário do jornalista da RTP que divagava à parva, gostaria que o mesmo fosse aprovado em Portugal! Sim, acabe-se com a imunidade dessa malta, o quanto antes! Ah, é verdade, não dá, pois quem revê constituições em Portugal são os próprios deputados em questão! Ahahahah, deixem-me rir!

 

Mas eu sei o que queria este senhor subentender de forma mal-intencionada. Durante a revisão constitucional é interrompido o poder legislativo (Assembleia Nacional na Venezuela, Parlamento em Portugal) pois não faz sentido que se produzam leis segundo os princípios de uma lei fundamental (constituição) que esteja em processo de revisão nesse momento. Sabendo que é possível parar temporariamente os trabalhos legislativos de forma legal e constitucional (o exemplo agora dado), o governo presidido por Maduro decidiu convocar a discutida revisão constitucional. Os meus parabéns ao senhor Maduro e aos seus colegas do governo por terem optado por um mecanismo legal e pacífico como ferramenta pragmática de tentativa de congelamento temporário da ingerência e do terrorismo da oposição. Compreenderia que o senhor Rui Cardoso tivesse explicado o que agora expliquei, e depois seguisse criticando a decisão pragmática ou maquiavélica do governo de Maduro para, por fim, analisar o porquê. Mas nada. O porquê é a guerra económica, a sabotagem económica, a ingerência internacional e o terrorismo de "opositores pacíficos" apoiados pelos EUA e UE. Ora, no meu ver, os criminosos porquês são mais do que suficientes e violentos para receberem uma resposta legal e pacífica vinda do governo, como é o caso da revisão constitucional convocada. Este senhor Rui Cardoso não critica a destruição de toneladas de comida, a hiper-inflação aplicada artificialmente pelo sector privado, os atentados à bomba, a morte de dezenas civis neutrais ou pró-governo, a morte de policiais, a destruição de universidades, de linhas de metro, de autocarros, a invasão de edifícios públicos, os linchamentos nas ruas, etc. Tudo bem, tem o direito de fechar os olhos e não criticar nada disto, mas depois, por favor, não critique quem de forma legal e pacífica tenta abrandar o nível de terrorismo, criminalidade e sabotagem imposta à Venezuela!

 

A terceira citação do 4ª parágrafo é uma divagação (referente ao voto do passado dia 30 de Julho) de fazer perder a esperança na espécie humana '“será directo, universal e secreto”. Sê-lo-á?' Simples, basta ver o que se passou! Sim, foi directo, universal e secreto, ao contrário dos votinhos queimados da parvalheira ilegítima de dia 16 de Julho. Este último não foi nem directo nem universal, talvez secreto para sempre visto que a oposição queimou os votos, hehe, mas ainda assim, não dá para supor mal-intencionadamente o que se apetece sobre um processo legal e constitucional se antes se elogiou uma infinita parvalheira! Coerência? Uí, que bixo é esse?

 

5º parágrafo

Sim, partidos da oposição não entraram nas eleições de membros para a assembleia porque, como já antes afirmou Rui Cardoso, não quiseram participar! Cada qual sabe de si! E, quem por medo de perder uma eleição democrática, prefere fazer birra e não participar nela, depois não tem moral para se queixar da falta de membros de partidos da oposição na Assembleia Constituinte! Mas será que este Rui Cardoso percebe sequer aquilo que escreve e que vezes sem conta contradiz-se naquilo que escreve?

 

Espantar-se com a duração indeterminada assembleia constituinte é como espantar com a duração indeterminada da vida de uma pessoa. Pois não, não dá para determinar Quando todas as propostas de revisão tiverem sido apresentadas e discutidas, chegará ao fim a assembleia constituinte. Sim, é isso, e quê? Que risada!

 

"Só 6 120 dos 50 000 candidatos foram aceites, isto porque as regras fixadas por Maduro e aplicadas pela comissão eleitoral proibiram candidatos ligados a partidos. No entanto não faltam elementos do PSUV (partido do poder)"! Ena, isto será mentira ou manipulação de meias-verdades? As duas, como veremos. Sim, das 50.000 propostas, apenas 6120 cumpriram as condições necessárias para se ser candidato a membro da assembleia constituinte. Mas porquê? Porque como esta eleição não se organiza em função de partidos mas sim de indivíduos, para que se possa ser um candidato, primeiro há que recolher o número mínimo de assinaturas estipulado por lei. O mesmo se passa em Portugal no processo de pré-candidatura à presidência do país, ora que espanto! Não, Maduro não fixou regras nenhumas, e quem o afirma mente descaradamente. Quem fixa regras eleitorais é a Comissão Nacional de Eleições (não "comissão eleitoral" como escreveu erradamente o jornalista) de acordo com o que diz a constituição e a CNE já as havia criado muito antes de Maduro ser presidente da Venezuela. Não valia a pena mentir sobre factos facilmente comprováveis, ora essa!

 

Não, ninguém proibiu candidatos ligados a partidos. As eleições não são realizadas por partidos mas sim por indivíduos. No entanto indivíduos podem se candidatar enquanto pessoas, ainda que pertençam a algum partido! Tal e qual como em Portugal, para as eleições presidenciais são apresentadas candidaturas pessoais e não partidárias, sem que no entanto se proíba essa pessoa de ter determinadas convicções políticas ou que faça(fizesse) parte de um determinado partido político. Isto é pura divagação para confundir! Imagine caro leitor se um jornalista venezuelano escrevesse isto mesmo a propósito das presidenciais portuguesas com o mesmo objectivo de confundir os leitores do seu país e denegrir as instituições democráticas do nosso país, teria alguma piada?

 

E portanto sim, pessoas afectas ao partido do governo candidataram-se a membros da assembleia constituinte, ora que raio de espanto! E sim, da coligação partidária da oposição (MUD) não houve candidatos (que eu tenha conhecimento). Porquê? Porque, como muito bem disse este senhor no início do seu artigo, a oposição decidiu não participar! Ora que tamanha incoerência! Insisto, caro leitor, não podiam participar partidos, mas pessoas membros de partidos sim, o que não é de todo a mesma coisa! E este senhor Rui Cardoso, no mesmo artigo, consegue, imagine-se, afirmar que a oposição decidiu não participar por não gostar das condições e, ao mesmo tempo, afirmar que a oposição não participou porque Maduro não deixou. Em que ficamos?

 

Ah, Adán Chávez (e não "Adan Chavez" como escreveu o jornalista), um irmão do falecido Hugo Chávez também candidatou-se! Sim, OK, e? Deixem-me rir! Bush pai foi presidente dos EUA, Bush filho também, e? Bill Clinton foi presidente dos EUA, Hillary Clinton foi candidata derrotada, e? Sim, deixem-me rir, pois nem sei o que dizer desta infra-falácia!

 

6º parágrafo

"Uma estranha forma de eleição" sim, concordo. É estranho para nós portugueses depararmo-nos com as características excepcionalmente democráticas desta eleição. Só posso lamentar que não tenhamos o direito à mesma qualidade democrática aqui neste cantinho lusitano.

 

Este senhor que no início, e de forma intencionalmente manipuladora, havia escrito "votar duas vezes" seguido de reticências, agora, num outro contexto, deixa fugir a boca para a verdade e explica de onde vinha afinal o "votar duas vezes". Duas vezes em candidatos diferentes, ora pois sim!

 

É subjectivo, compreendo, mas para mim a possibilidade de votar em 2 candidatos de 2 temas diferentes é muito positiva e interessante. Primeiro, pode-se votar no candidato preferido do nosso município que, supúnhamos, encarregar-se-á de questões de organização territorial ou de modernização da burocracia autárquica. E pode-se também votar no candidato preferido do grupo social no qual especificamente nos inserimos e que, no caso do grupo dos pensionistas, bater-se-á pelas reformas que tenham como objectivo melhorias na legislação referente à idade de reforma, descontos sociais ou valor das reformas. Onde está o problema deste sistema?

 

E bravo, mil vezes bravo à democratíssima Venezuela! Ao contrário do Brasil no qual ainda hoje indígenas são violados, torturados, mutilados, vendidos, escravizados e assassinados impunemente, na República Bolivariana da Venezuela onde é lei fundamental a invejável constituição de 1999, indígenas tem direito a fazer ouvir as suas vozes! Sim, têm, e para tal podem apresentar 8 membros para a assembleia constituinte escolhidos não por voto democrático secreto mas sim pela forma que bem entenderem, de acordo com os princípios de regulação das suas sociedades bem diferentes da ocidentalizada Venezuela urbana! Bravo, bravo, bravo, um milhão de vezes bravo! Pena que o destilador de ódio e funcionário do Expresso prefira inventar e deturpar, em vez de valorizar este interessante exemplo de honestidade e empatia política! Faz-me lembrar o direito que a comunidade judia no Irão tem de fazer-se representar por um deputado no parlamento iraniano, pese embora a percentagem populacional da minoria judia que, por ser diminuta, não lhes permitiria nunca obter esse tal deputado por eleição directa. Enfim, pormenores que não interessam à máquina de propaganda ocidental que se alimenta de ignorância e credulidade!

 

Depois, sim, uma "corporação" define-se enquanto "conjunto de pessoas com afinidades, nomeadamente profissionais ou ideológicas, que se unem ou organizam com vista a interesses comuns" de acordo, neste caso, com o dicionário Priberam. E qual é o problema? Nenhum, excepto a má-vontade e a divagação propositada do jornalista em torno do conceito de "corporativismo", assim como a sua manipuladora insistência em falar de "votar duas vezes" quando na realidade o que se podia fazer era votar uma vez em casa um dos 2 tipos de representantes. A escrita da expressão "votar duas vezes" deixa implícita a vontade deturpadora de fazer crer ao leitor que um venezuelano pró-Maduro poderia votar a dobrar num candidato pró-Maduro, o que é objectivamente falso!

 

7º parágrafo

"O voto será electrónico mas as máquinas não estão programadas para lidar com o voto branco." Sim, o voto foi electrónico. Não, não é verdade que as máquinas não estejam programadas para lidar com votos brancos. Para o confirmar, basta ler, por exemplo, este artigo de um média opositor no qual se ensina e se incentiva o leitor a utilizar 1 das 2 formas de votar em branco! 

 

Não, não havia representantes de "corporações" nenhumas fazendo coisíssima nenhuma "junto às mesas de voto". O que havia era representantes da CNE fazendo o trabalho para o qual estão legalmente creditados. Qual trabalho? Certificarem-se que ninguém vota, aí está, duas vezes ou mais. Em Portugal, quando voto, também "anotam" o meu nome na lista de pessoas que já votaram, de forma a evitar fraudes eleitorais. Na Venezuela, quando o mesmo acontece, e bem, o senhor Rui Cardoso conclui infundadamente (por tanto, invalidamente) que as referidas anotações implicariam "retaliações sobre funcionários públicos, pessoas dependentes da distribuição de ajudas alimentares estatais, etc." Prove que é esse o caso na Venezuela. Prove que não é esse o caso em Portugal. Ou cale-se! É que especulação futurológica pode ser feita até ao infinito sem que, pois claro, tal tenha o mínimo de relação com a realidade.

 

8º parágrafo

O partido de Maduro ganhou 18 das 20 eleições em que participou, portanto está duplamente provado que não receia derrotas eleitorais. Primeiro porque ganhou 90% das eleições em que participou, segundo porque respeitou democraticamente as 10% de derrotas que sofreu.

 

Informa Rui Cardoso que "a oposição diz não estarem reunidas condições mínimas de democraticidade e apelou ao boicote". Ah, sim, não havia condições para uma revisão constitucional de acordo com a lei a 30 de Julho!?! Então e no dia 16 de Julho havia condições para convocar um ilegítimo plebiscito no qual se perguntava precisamente se a oposição terrorista quereria ou não ter um eleição constituinte seguida de um referendo constituinte!?! Mas será possível não detectar a incoerência deste argumento?


E as condições de voto em Starbucks e Clínicas Dentárias foram boas? E a queima de votos no dia 16 foi realizada em boas condições (de higiene), hehe? Deixem-me rir!

 

Mais, o jornalista do Expresso, por um lado defende a recusa da oposição em participar numa eleição (constituinte) por achar também que não estão reunidas as condições mínimas de "democraticidade" (apesar de apresentar como supostos argumentos apenas interpretações mal-intencionadas de leis, acontecimentos e decisões) e, por outro, queixa-se das eleições previstas na Venezuela no ano passado e que não se realizaram (ainda) por manifesta falta de condições mínimas de democraticidade pois, com oposição queimando pessoas vivas ou atacando a polícia com roquetes, pois claro que as condições são fracas, fraquinhas. Pior, constate-se os crimes da oposição terrorista nas vésperas e no dia das eleições constituintes: assassínio de candidatos, destruição de casas de candidatos, impedimento violento da ida às urnas de eleitores pró-Maduro, destruição de centros de voto, destruição de equipamento de voto! Este Rui Cardoso deverá sofrer de uma profunda disfunção cognitiva para se perder em choradeiras baseadas em vazio enquanto se mostra indiferente a flagrantes e horrendos crimes!

 

Segundo o jornalista, o boicote (ler "as eleições constituintes") terá sido "marcado por incidentes que fizeram nove mortos". Sim nove mortos de polícias e civis pacíficos, vítimas de tiros de balas e atentados à bomba da oposição terrorista no dia 30 de Julho! Portanto, qual era então o seu argumento caro Rui Cardoso? Um género de profecia auto-realizável? A oposição diz não haver condições para votar porque a oposição mata votantes a tiro e ataca à bomba polícias que tentam manter a ordem necessária para o normal desenrolar desse preciso processo eleitoral? Como assim? Que vergonha!

 

"Se puder, Maduro também tentará adiar as eleições presidenciais previstas para o ano que vem…", hehehehe! A última sugestão mal-intencionada do trabalho não-jornalístico de Rui Cardoso, a quem faço um convite: critique quem não permite ou não permitiu a realização de actos eleitorais usando para o efeito força violenta e ilegítima, como na Arábia Saudita e tantos outros estados vassalos dos EUA. Não critique de forma especulativa Maduro por aquilo que ainda não fez nem que ninguém pode saber se tentará fazer. Futurologia não é argumento, é falácia das fracas! Pior, bem pior, se o jornalista Rui Cardoso tivesse feito o trabalho de pesquisa que lhe compete, teria por certo encontrado este artigo contendo um discurso de Maduro que, precisamente, desmente a sua falaciosa especulação:

 

 A ingerência norte-americana e europeia

Como os EUA impõem sanções a tudo o que se mexe, inclusive a si próprios, enfim, nem vou pegar muito nesse tema por demais risível. Só relembrar que, na minha modesta opinião, as sanções norte-americanas ao petróleo venezuelano poderão ter consequências contrárias às desejadas. Explico-me. Embargo às exportações petrolíferas venezuelanas terão como objectivo sabotar a economia desse país mas, esse mesmo embargo poderá fazer subir o preço do petróleo, aliviando dessa forma os efeitos dessa sabotagem económica e, com mercados energéticos como o Chinês e outros para onde escoar petróleo, por certo a Venezuela encontrará destinos para o seu produto entretanto revalorizado.

 

Quanto à União Europeia, cuja constituição não foi aprovada pela população europeia através de um referendo, esta exigia, imagine-se, que o governo de Maduro cancelasse as eleições constituintes! Ou seja, a UE, pela voz da sua alta representante para a política Externa, Federica Mogherini, basicamente diz "façam como nós, impinjam constituições sem referendo pois perguntar ao povo que constituição querem é coisa de gente parola"!  Na "ditadura" da Venezuela, convoca-se uma eleição constituinte, depois realiza-se a revisão constitucional dando voz aos constituintes eleitos e, por fim, referendia-se a nova constituição que só é ratificada se obtiver maioria qualificada! Querem algo mais democrático que isto? Na UE, pelo contrário, um Presidente da Comissão Europeia não eleito e os seus colegas também não eleitos da Comissão Europeia impingem sem voto popular uma constituição indesejada pelos concidadãos europeus e chamam a isto "democracia"? E depois temos que levar com governantes ditadores europeus exigindo que democráticos governantes venezuelanos cancelem o democrático acto de convidar o povo venezuelano a votar? Mas haverá mais flagrante exemplo de orwellianismo do que este? Este supera de longe os clássicos "branco é preto" ou "guerra é paz", não?

 

Terrorismo opositor

Antes de partilhar grotescas e escandalosas provas do terrorismo opositor, queria fazer 3 convites ao leitor. Primeiro, que pense nos exemplos diários de pessoas torturadas e mortas todos os dias, sem motivo nenhum, pelas forças da ordem dos EUA, Colômbia ou México. Se não está a par, uma rápida pesquisa no youtube ou no google elucidá-lo-á na perfeição. Mais, repita o processo sobre o mesmo tipo de violência contra manifestantes (pacíficos ou violentos, não importa). Segundo, procure, pesquise e, se encontrar, mostre-me as provas de um só exemplo que haja de violência gratuita das forças de ordem venezuelanas contra a "oposição pacífica" que eu apelido de "terroristas opositores". Terceiro, diga-me se é normal aquilo que vai assistir a baixo. Diga-me se incendiar infantários, atacar à bomba edifícios ministeriais, assaltar quartéis militares, queimar pessoas vivas, matar a tiro, lançar roquetes e granadas nas ruas, realizar atentados à bomba, cortar e queimar árvores, arder os estabelecimentos de quem se recusa a fazer greve à força, queimar toneladas de comida, fechar estradas com óleo que provocam acidentes mortais, colocar arames de um lado a outro da estrada que resultam na decapitação de condutores de motas, linchar ou matar quem vem limpar barricadas ilegais que os impedem de circular a caminho de casa ou do trabalho, e por aí fora, diga-me, perguntava eu, se são, estes, exemplos de "oposição pacífica" como afirmam os jornalistas da RTP, SIC, TVI, Globo e companhia! E diga-me se acharia possível que 1% disto fosse feito nas ruas de Lisboa sem que todos fossem presos. E diga-me se acharia bem que esses criminosos fossem rotulados de "prisioneiros políticos" pelo canal público venezuelano? E diga-me se, um governo e respectivas forças da ordem que demonstram tão infinita paciência perante tanto crime e tanto acto terrorista, merecem ser rotuladps de "opressores" como leio todos os dias na RTP e companhia. Assista a tudo o que vem abaixo e depois reflicta na tremenda realidade paralela matrixiana que lhe andam há anos a vender em TV's e jornais! 

 

Obrigado pela leitura e pela paciência!

 

 Hiperligações com as provas do terrorismo opositor

 

"Opositores pacíficos"

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Diputado español deja en ridiculo a Julio Borges

 

Luís Garcia, 02.09.2017, Ribamar, Portugal

 

 
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