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Pensamentos Nómadas

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Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 1, por Luís Garcia

 

Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 1

 

Luís Garcia  POLITICA    

 

Ontem disse a um amigo sírio que os mais recentes desenvolvimentos na Síria, relacionados com a traição curda e com a força aérea dos EUA protegendo o ISIS ao bombardear forças sírias que combatem o ISIS a caminho de Raqqa, empurram a Rússia e o mundo inteiro para um impasse de terrível resolução. Ou aceita-se a vontade gringa de roubar um terço do território da Síria onde criará por fim o NATO-Curdistão que tanto deseja, ou teremos um conflito global. Perguntei-lhe que cenário preferiria. Meio a sério, meio a brincar, e com o desespero de um sírio que assiste durante 6 anos ao barbarismo gringo que passa em completa impunidade, respondeu-me: "prefiro a segunda opção"...

 

"Extermínio nuclear, sim por favor" mas não sou eu quem o pede, atenção! São os chefes da ditadura económica mundial encabeçada pela EUA quem o pede. Vou explicar, por partes.

 

Regresso definitivo ao Plano B de John Kerry

Quem leu o meu artigo "Terrorismo-colonização da Síria" e a continuação "Terrorismo-colonização da Síria (continuação)", sabe a minha opinião sobre o Plano B de que falava John Kerry há cerca de um ano atrás. Quem não o fez, aconselho que leia antes de continuar a leitura deste artigo, para que perceba por completo o sentido daquilo que é dito neste. Quanto ao artigo que escrevi em consequência,  "O Plano C para a Síria", admito desde já que me equivoquei quase completamente na minha análise, por ter dado demasiada importância aos acontecimentos e actores relacionados com aquilo a que chamei de Plano C. Não há Plano C dos EUA na sua agressão criminosa e ilegal à Síria. Aquilo que chamei de Plano C mais não eram, afinal, que jogadas secundárias necessárias (do ponto de vista do agressor norte-americona) com vista a assegurar o êxito completo do Plano B que, muitíssimo resumidamente é a estratégia de criar um absurdo Curdistão no nordeste a Síria (onde se encontra o gás e o petróleo sírios), usando para o efeito a farsa de conquistas militares das Forças Democráticas Sírias (FDS) contra o ISIS, ao mesmo tempo impedindo por todos os meios a Síria de conquistar território sírio ao ISIS, e impedindo o acesso por terra ao território sírio às forças militares iranianas e iraquianas (UMP) dispostas a apoiar o governo legítimo, legal e democrático de Bashar al-Assad. E podemos começar por aí mesmo, pela tentativa de barrar acesso a iraquianos e iranianos ao território sírio, até porque foi precisamente nesse ponto que me equivoquei por completo.

 

No início do mês passado (Maio 2017), os EUA por fim reconheceram, mais ou menos, e através do seu site oficial U.S. Central Command, o que andavam a fazer desde há uns tempos na fronteira sul da Síria com o Iraque e a Jordânia. Os EUA, depois de criarem um grupo armado ao qual denominaram de New Syrian Army, composto por tropas norte-americonas, britânicas, norueguesas e jordanas, decidiram por fim pô-lo em acção, invadindo o sul da Síria. Ao seu ilegal acto os EUA apelidam de "apoio da coligação aos rebeldes sírios". Mas não, não é verdade, e não é verdade porque não existem "rebeldes sírios", porque não estão a apoiá-los mas sim a tentar impedir a Síria de conquistar território ao ISIS, e porque não são uma coligação reconhecida legalmente por absolutamente nenhum órgão internacional legítimo, ONU incluída. O que os EUA fizeram, ao entrar no sul da Síria e ocupar ilegal e militarmente o posto fronteiriço sírio de al-Tanf, por onde passa a auto-estrada que liga Damascos a Bagdade e a Teerão, foi dar início a um plano de criação de uma "zona tampão" (palavras do U.S. Central Command) ao longo da fronteira sírio-iraquiana, com o objectivo de impedir a entrada em território sírio de 2 importantes actores. Um são as Popular Mobilization Units (PMU), um novo exército iraquiano aliado do Irão e da Síria e independente da ingerência norte-americona que ocupa o Iraque, exército esse que ofereceu oficialmente ajuda militar ao governo de Bashar al-Assad na luta contra o ISIS e que apenas espera o pedido oficial sírio para, de forma legal, entrar na Síria. O outro é o Irão, país que tem apoiado militarmente a Síria através do fornecimento de armamento, da partilha de informação da sua intelligentsia militar, do fornecimento de conselheiros militares de alta patente às forças armadas sírias e do envio de dois grupos militares que lutam lado a lado com as Forças Armadas Sírias (SAA), nomeadamente a Liwa Zainebiyoun e a Liwa Fatemiyoun.

 

Liwa Zainebiyoun    Liwa Fatemiyoun

 

De modo a que uns combatam dentro da Síria e que outros possam abastecer as SAA em grande escala, é primeiro preciso retirar o ISIS da fronteira sírio-iraquiana. E é precisamente para evitar que tal aconteça, apesar da completa legalidade e legitimidade das acções desejadas por aqueles 2 que, os EUA, este sim de forma ilegal, ocuparam al-Tanf e passaram a ameaçar de forma escandalosa quer as forças sírias quer as PMU iraquianas. Ao exército sírio atacou-o os EUA no início deste mês perto de al-Tanf, quando sírios avançavam contra o ISIS e contra a organização terrorista Maghawir Al-Thawra que os EUA inclui também no seu tresloucado New Syrian Army. O resultado foi a morte de 6 soldados sírios e a destruição de vário equipamento militar. Quanto ao iraquiano PMU, exército de um país oficialmente aliado dos EUA, os EUA ameaçaram de os atacar se estes (iraquianos) não parassem de imediato de conquistar território iraquiano ao ISIS, junto à fronteira com a Síria! Imagine-se! Tudo isto publicado oficialmente no site do U.S. Central Command acima citado! Declaradamente os EUA não querem que nem as SAA nem as PMU conquistem território dos seus países contra o ISIS, desejo que até se pode compreender, de um ponto de vista estratégico, mas que é completamente absurdo de acordo com a lei internacional, para não falar da completa falta de legitimidade dos EUA dentro deste assunto. Tudo isto por dois motivos. Por um lado, impedir que as forças sírias se reforcem e recebam apoio militar estrangeiro que permita acelerar a reconquista de território ao ISIS. Por outro, maximizar o território a ser teatralmente conquistado pelas SDF (curdos vendidos + NATO) ao ISIS, com vista à criação do maior Curdistão possível, o tal Plano B de John Kerry!

 

MAPA DO EXTERMINIO NUCLEAR copy.jpg

 

Felizmente, as SAA evitaram pragmaticamente o convite de confronto com os EUA, congelando temporariamente o avanço rumo ao posto fronteiriço de al-Tanf, apesar da legitimidade que têm os sírios para reconquistar território sírio ocupado por grupos terroristas patrocinados pelo ocidente e ilegalmente por forças armadas dos EUA, Reino Unido e Noruega! Felizmente, as SAA conquistaram uma faixa de terra ao ISIS até a fronteira com o Iraque, uns quilómetros a norte, bloqueando a criação da zona tampão gringa desejada pelos EUA e permitindo por fim o acesso por terra aos iraquianos e iranianos que esperam para poder vir ajudar as forças legítimas sírias. Felizmente também, as PMU iraquianas cagaram para a ameaça norte-americona e avançaram imenso nestas últimas semanas com a conquista de território ao ISIS na fronteira sírio-iraquiana, a partir do norte. Precisamente nessa zona norte, e de forma inexplicável, as FDS (curdos vendidos + NATO) perderam sem combate (ler "cederam") uma faixa de território para o ISIS! Ahhh, se dúvidas houvessem de que SDF e ISIS mais não são que cara e coroa do plano norte-americona de partição da Síria, o tal Plano B. 

 

Voltando às ameaças, dos gringos, contínua o despotismo e a escandalosa ilegalidade. As forças armadas norte-americonas vão avisando que os sírios não devem se atrever a continuar rumo ao SEU posto fronteiriço pois os EUA, se se sentiram ameaçados, voltarão a atacar! Ameaçados os EUA? Que fazem no deserto da Síria ocupando um posto fronteiriço sírio (al-Tanf) onde, de forma escandalosa, estão a construir uma base militar? Não há limites para o imperialismo criminoso desse infame país! Até se deram ao luxo de deitar panfletos a partir do ar, em árabe, avisando os sírios (donos daquela terra) para não se aproximarem de al-Tanf! E que diz o Pentágono e os seus imperialistas panfletos? Dizem que aquela zona (deserta, vazia!) é uma "zona de desconflito" como outras mais! Ahhh, puta de riso! Esta é mesmo para a ovelhada adormecida, e ainda assim também não passa nas ovelhizantes RTP, Globo e companhia!

 

Primeiro, as "zonas de desconflito" são 4, sim QUATRO: a região de Idlib e as cidades de Hama, Homs e Damascos. Segundo, foram criadas precisamente para que cesse o conflito em áreas urbanas de elevada densidade populacional. Terceiro, foram criadas com o objectivo sírio e russo de resolver a questão das zonas "rebeldes" terroristas espalhadas em ilhas pelo território sírio sem que haja, se possível, troca de tiros, mas sim reunião de ambas as partes e renúncia por parte dos "rebeldes" à luta armada. Bravo al-Assad, bravo Putin, pela vossa perícia diplomática! Pró caralho RTP's e companhia que os apelidam, infundadamente, de "carniceiros" e "genocidas", e que censuram por completo factos tão importantes como este das zonas de desconflito. E a verdade é que, desde que foi oficialmente implementada esta medida, os "rebeldes" de cerca de 50 localidades já largaram as armas e juntaram-se pacificamente às forças legítimas do país. Quarto, as zonas de desconflito foram criadas na Cimeira de Astana, organizada pela Rússia, Irão e Turquia, em que NÃO participaram os EUA! Portanto, os EUA não têm nada a ver com o assunto das zonas de desconflito, e ainda bem, pois sempre que cimeiras de "paz" envolvem os EUA, delas nunca saem paz, mas o seu preciso contrário! Quem não se lembra das hediondas consequências (para os Palestinianos, claro) dos Acordos de Oslo, por exemplo? Quinto, em Astana criou-se o conceito de "zonas de desconflito" com o objectivo de, aí está, reduzir o conflito. Ora, os EUA, ao entrarem ilegalmente no sul da Síria, ao ocuparem ilegalmente o posto fronteiriço de al-Tanf, ao construirem ilegalmente um base militar nesse local, ao atacarem ilegalmente forças sírias na Síria perto desse local, ao ameaçarem ilegalmente de repetir a ilegal dose se sírios se aproximarem demasiado desse posto fronteiriço sírio... santa paciência, o que estão a criar não é uma legal zona de desconflito mas sim, o seu preciso contrário ao quadrado, uma ilegal zona de conflito, completamente desnecessária pois ali não vive ninguém! Pegai no seu equipamento e nos seus militares terroristas e saiam do deserto sírio onde nunca deveriam ter entrado desavergonhados invasores! Se o fizerem, aquele pedaço de deserto desértico será por certo a mais tranquila zona do país, sem conflito nenhum, aí está! Irra! 

 

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Uma notícia não confirmada e que, por isso mesmo, vale o que vale, indica que os EUA estarão a trasladar forças das SDF para al-Tanf, de forma a que estas substituam a inventada New Syrian Army nesse posto fronteiriço e que, agora,  segundo os EUA, mais não são que "forças rebeldes sírias". Reflicta o leitor neste ponto. Então, como se explica que no norte do país as "forças rebeldes sírias" (al-Qaeda e companhia) continuem activamente atacando as curdas SDF, com o apoio turco, e ao mesmo tempo as SDF venham substituir as "forças rebeldes sírias" no posto fronteiriço de al-Tanf? Simples, as SDF não mandam nada! Aliás, os curdos das SDF não mandam nada, quem manda são os EUA. ora essa, que inocência! Curdos (sírios, turcos e também iraquianos) são peões parvos e vendidos nas mãos dos EUA, peões parvos que cavam a sua própria sepultura ao assinar pactos com o diabo, como esta parceria ilegal com os EUA, ou com a parceria que agora dizem querer fazer com a Arábia Saudita, sim, essa Arábia Saudita que criou e financiou os "rebeldes" terroristas e o ISIS que, supostamente, os curdos andam a combater! E mais, que raio de curdos organizados na forma de um partido laico, libertário, socialista (PKK) e que agora, risada das risadas, querem juntar esforços ao estado medieval bárbaro da Arábia Saudita!?!?!?!?! Mas bom, este tópico fica para uma das próximas partes.

 

Uma outra notícia, esta sim confirmada pelo próprio Pentágono, indica, imagine-se, que os EUA deslocaram de forma ilegal, criminosa e sim, perigosa, muito perigosa, vários veículos que transportam o seu sistema de mísseis de longo alcance HIMARS (High Mobility Artillery Rocket System) para o posto fronteiriço sírio de al-Tanf. Já não tenho adjectivos para qualificar afrontas destas mas, pelo menos, caro leitor, espero que esteja de acordo comigo quando afirmo e insisto que não existe "guerra civil síria" mas sim "invasão dos EUA à Síria". Quem dizer o contrário, perante esta informação do Pentágono, por certo terá problemas com o raciocínio lógico. Voltando ao HIMARS, e deixando momentaneamente de parte a óbvia ilegalidade desta palhaçada de mau gosto, como é que o sistema de mísseis de longo alcance colocado dentro do território sírio pode servir para "desconflitar" o que quer que seja? Não pode! Pelo contrário! É um claro pedido, mais um entre as dezenas que os EUA fizeram à Rússia nos últimos 3 anos, para que a Rússia aceite despoletar o início de um conflito global, nuclear claro está! É que os EUA não o podem usar (ao sistema HIMARS) pois os russos terão de reagir e, sim, despoleta-se a tal carnificina nuclear global. Ou, de forma mais subtil, os russos, visto que se encontram legalmente na Síria (ao contrário dos EUA), poderiam destruir esse sistema ou autorizar os sírios a fazê-lo e, com isso, despoletar a tal carnificina nuclear global. A presença do sistema de mísseis norte-americona em al-Tanf não serve portanto à protecção da falsa zona de desconflito desértica. Serve sim ao seu preciso contrário! Por hoje é tudo! Obrigado pela leitura!

 

CONTÍNUA

 

 

Luís Garcia, 22.06.2017, Ribamar, Portugal

 

 

leia aqui: Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 2

leia aqui: Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 3

leia aqui: Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 4

leia aqui: Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 5

leia aqui: Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 6

leia aqui: Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 7

leia aqui: Extermínio nuclear, sim por favor! - parte 8

leia mais artigos sobre a Síria aqui

 

 
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