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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Se eu fosse conservador do Registo Civil, por Ricardo Lopes

 

 

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RICARDO MINI copy  SOCIEDADE  

 

Se eu fosse conservador do Registo Civil, e a lei que o governo, o BE e o PAN querem fazer passar, que permite às pessoas mudar de sexo e nome aos 16 anos, a primeira pessoa que me aparecesse para mudar o sexo nessa idade e que parecesse completamente do sexo com que nasceu e não tivesse feito nada para parecer do sexo para o qual queria mudar, a conversa entre mim e a pessoa decorreria da seguinte maneira:

 

Tranny (com voz efeminada): Bom dia!

 

Eu: (Olha a fava que me veio calhar logo pela manhã.) Bom dia, meu senhor, o que deseja?

 

Tranny: Senhor? Nem sequer perguntou se eu sou homem ou mulher?

 

Eu: Está a ver o meu tio?

 

Tranny: Não, porquê?

 

Eu: Pois, ele também não está aqui, como é que o havia de ver? Mas acha que eu me viro para o meu tio e lhe pergunto se ele se identifica com uma mulher?

 

Tranny: Não.

 

Eu: Então, você parece-se com o meu tio, porque é que eu havia de o tratar de maneira diferente? Tem a mania que é mais do que os outros?

 

Tranny (confuso): Bem, okay, eu vim mudar de sexo.

 

Eu: Você acha que o sexo é biológico ou é a sociedade que impõe?

 

Tranny: É a sociedade que impõe.

 

Eu: Então para que é que quer mudar de sexo? Não são todos iguais?

 

Tranny: Mas eu sinto-me mulher, sua besta asquerosa!

 

Eu: Eu não digo que não. Aliás, eu às vezes também me sinto mulher?

 

Tranny: Ah, sim?! Desculpe! Não tinha percebido que também era trans.

 

Eu: Não, às vezes sinto-me mulher quando tenho sonhos molhados com atrizes porno. Como tudo acontece na minha cabeça, eu sou ao mesmo tempo a atriz porno.

 

Tranny: Ah, seu estúpido hediondo! Vou fazer queixa de si!

 

Eu: Tenha calma. Deixe-me só continuar o raciocínio. Então, porque é que diz que se sente mulher?

 

Tranny: Porque me sinto mulher?

 

Eu: No corpo de um homem?

 

Tranny: Sim.

 

Eu: Então, existem homens e mulheres, certo? É algo biológico, e que não é imposto pela sociedade, certo?

 

Tranny: Não, é pela sociedade, porque há mulheres com pila e homens com vagina.

 

Eu: Ah, então deve ser por isso que uma vez apanhámos o meu tio a levar no cu do Fernando e ele disse que não queria dizer que ele fosse gay. Às tantas tem uma vagina. Se calhar é como o senhor, e por isso é que é tão parecido.

 

Tranny: Ah, seu ser odioso!

 

Eu: Calma! Então se é a sociedade que inventa e impõe tudo, porque é que diz que se sente mulher?

 

Tranny: Porque me sinto mulher, é assim que eu sou.

 

Eu: Então se é assim que é, nasceu assim?

 

Tranny: Sim!

 

Eu: Então quer dizer que nasceu a sentir-se mulher, e por isso é uma mulher biológica, certo?

 

Tranny: Não! Não sabe que eu me desenvolvi livremente, e acabei por me desenvolver como uma mulher? Você é um ignorante!

 

Eu: Calma! Então se não é biológico, porque não nasceu assim, então foi você que decidiu que era mulher, certo?

 

Tranny: Claro! Porque nós somos livres para decidir isto! Ninguém nos impõe!

 

Eu: Então, quer dizer que inventou que é mulher.

 

Tranny: Não, não inventei que sou mulher! Eu sou mulher!

 

Eu: Mas então, para ser mulher, é porque nasceu mulher, certo? Tal como os gays dizem que nasceram gays…

 

Tranny: Não!

 

Eu: Então, mas não soube sempre que era uma mulher?

 

Tranny: Sim!

 

Eu: Então, se soube sempre, é porque nasceu mulher, certo?

 

Tranny: Sim!

 

Eu: Então, é porque homem e mulher são categorias biológicas, e não são inventadas pela sociedade, certo?

 

Tranny: Não! Seu estúpido desmiolado! Não percebe nada! Já me está a ofender!

 

Eu: Não, eu estou só a fazer o meu trabalho. Disse que vinha mudar de sexo, e eu quero perceber que me está a dizer a verdade sobre sentir-se do sexo oposto. Então, sempre se sentiu assim ou não?

 

Tranny: Sim, já disse que sim!

 

Eu: Então, é porque nasceu mulher.

 

Tranny: Sim, nasci mulher, toda eu sou mulher, da cabeça aos pés, do olho do cu à cabeça da pila!

 

Eu: Pronto, não se exalte. Agora, uma última pergunta, que volto a fazer. Então, há pessoas que nascem naturalmente mulheres ou homens, certo?

 

Tranny: Sim!

 

Eu: Certo, obrigado então por ter confirmado que o sexo é biológico, e que não é inventado pela sociedade, porque se fosse ou alguém lhe tinha imposto o sexo feminino, que ninguém impôs, porque toda a gente sempre o tratou como homem, ou então você tinha inventado isto tudo. Ainda quer voltar atrás, negar que nasceu mulher e dizer que alguma destas últimas duas coisas que eu disse é verdade?

 

Tranny (a bufar por todos os lados): Não, é isso, eu nasci mulher!

 

Eu: Ah, bom! Agora diga-me só outra coisa, faz tenção de mudar fisicamente para parecer uma mulher e não uma versão homossexual do Zezé Camarinha?

 

Tranny: Ah, seu asqueroso de merda! Não, não vou mudar! Já lhe disse que há mulheres com pila!

 

Eu: Então, faz tenção de andar a foder os cornos a toda a gente que não o tratar como mulher, apesar de parecer o meu tio?

 

Tranny: Ah, sua besta quadrada! Nem tenho palavras!

 

Eu: Ainda bem que não tem, assim não me chateia mais. Andor!

 

Ricardo Lopes

 

A ver sobre o tema:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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O problema da Eurovisão… ou o problema das Capazes?, por Ricardo Lopes

 

 

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RICARDO MINI copy  SOCIEDADE  

 

A sumidade intelectual Rita Ferro Rodrigues fez, ontem, uma observação bastante pertinente acerca da composição do painel de apresentadoras da Eurovisão 2018. São todas mulheres brancas. Onde é que estão as mulheres de cor? 


Mesmo assim, acho que foi pouco ambiciosa na sua exigência.
Eu levaria a coisa muito mais longe.


Onde é que está a mulher lésbica? Não está.
Onde é que está a mulher paraplégica? Não está.
Onde é que está a mulher com pila? Não está.
Onde é que está a mulher com pila que tem menstruação? Não está.
Onde é que está a mulher ucraniana? Não está.
Onde é que está a mulher chinesa? Não está.
Onde é que está a mulher índia da tribo Pirahã do Brasil? Não está.


E, mais importante que tudo isso, onde é que está a mulher lésbia paraplégica com pila que tem menstruação ucraniana chinesa índia da tribo Pirahã do Brasil? Não está. 


Não existe? Meus amigos, não interessa. Até porque se não existe é porque a discriminação no mundo é tão absurdamente grande que com tanta mobilidade que há na aldeia global ainda não aconteceu surgir uma mulher lésbica paraplégica com pila que tem menstruação ucraniaca chinesa índia da tribo Pirahã do Brasil.


Mas, enfim, tendo já feito o meu virtue signaling do dia, vamos passar a coisas sérias.


Algo com que a senhora Rita Ferro Rodrigues se deveria preocupar é a extrema falta de diversidade que existe na sua própria associação.


Quer dizer, vai-se à página das cronistas (https://capazes.pt/cronistas/), e o que é que se observa? 100% de mulheres tias de Cascais, ou que quer fazer-se passar por tia de Cascais, ou armadas em alternativas mas que no fundo querem ser tias de Cascais armadas em modernas.


Mais, desde quando uma amostra de mulheres em que praticamente todas são visualmente repulsivas é representativa da população portuguesa no geral? Onde é que está pelo menos uma boa metade de mulheres bonitas? Não está.
E mulheres com QI superior a 83? Isso já é exigir demais.


E, preparem os foguetes para celebrar a máxima expressão de hipocrisia possível: 0 MULHERES DE COR. Repito: 0 MULHERES DE COR na página de cronistas do site das Capazes. 


Ma, também se percebe. Vá, não vamos já lançados a acusar a Rita de racismo. Não é que ela não se esforce por tentar angariar uns 10% de cronistas de cor. Não existem é mulheres de cor interessadas em serem cronistas das Capazes. Porquê? Várias razões. Primeira, têm problemas sérios e reais na vida delas, e, portanto, não têm tempo para andar a redigir textos sobre problemas inexistentes. Segunda, não são narcisistas, e por isso não teriam nunca o desplante de andar a redigir textos que se baseiam puramente em sentimentos, e nunca em factos. Só narcisistas redigem sobre sentimentos, porque cada um apenas pode falar dos seus próprios, ou usar os seus próprios para se reportar aos dos outros. Terceira, nunca conseguiriam sentir-se bem, por não conseguirem criar uma relação de identidade com um grupo de mulheres do tipo dondoca da linha de Cascais, que em nada as representa.


Agora, por outro lado, também não é difícil perceber porque é que as Capazes, com a senhora Rita à cabeça, não são capazes (lol) de mais do que debitar cartilha da Nova Esquerda de forma acrítica, e com toda a certeza que desconhecem o trabalho de grandes feministas como Christina Hoff Sommers, Camille Paglia ou Laura Kipnis, ou outras grandes figuras intelectuais, como Karen Straughan, Cassie Jaye, Janice Fiamengo, Helen Smith, Jordan Peterson, Jonathan Haidt e Gad Saad, entre outros. É preciso não esquecer que os hábitos alimentares de senhoras da classe média-alta incluem várias minirrefeições de saquetas de bolachas de água e sal e iogurtes líquidos. Ora, quem é que gosta muito de bolachas? Os papagaios. E, para além disso, que cérebro, que já de si pouca informação consegue processar devido ao baixo QI, funciona com bolachas de água e sal? Pois é, a semi-anorexia não é propriamente compatível com a vida, ou pelo menos com um cérebro operacional. Vida dura a de viver exclusivamente da imagem, até mesmo ao nível moral.

 

Leia também: (In)Capazes de perceber o que é importante para o feminismo

 

Ricardo Lopes

 

 
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Inquérito telefónico para o Expresso, por Ricardo Lopes

 

 

 

ou

Aquele dia em que me arrependi de não ter uma app no telemóvel para gravar chamadas

 

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RICARDO MINI copy  SOCIEDADE  

 

Menina do inquérito (MI): Boa tarde, estou a falar com o senhor Ricardo Lopes?

Eu: (Porra, ao Bocaje até pelo cu conheciam, ao gajo do Porsky’s até pela pila conheciam, a mim até pelo número de telemóvel conhecem) Sim, sim.

MI: Olá, senhor Ricardo Lopes, como tem passado?

Eu: (Como a vitela em Bragança) Bem, obrigado.

MI: Isso é que é preciso. Eu estou a contactá-lo da parte do grupo Imprensa, nomeadamente do jornal Expresso, e gostaria de lhe perguntar se estaria disposto a participar num inquérito.

Eu: Sim, sim.

MI: Muito obrigado. Em primeiro lugar, lê o Expresso todos os dias?

Eu: Todos os dias, sim senhor. Em versão impressa e digital.

MI: Muito bem. Podia pedir-lhe, então, para dar uma nota de 1 a 10 em termos de qualidade?

Eu (No imediato segundo): 0.

Silêncio durante 10 segundos.

MI: Ah, desculpe, mas a classificação é de 1 a 10.

Eu: Ah, é de 1 a 10. Ok, 1.

Mais 10 segundos de silêncio.

MI: Mas, então, o senhor lê o jornal todos os dias e só dá 1.

Eu: De lés-a-lés, não falho uma notícia. Até os classificados leio.

MI: Ah, então mas compra o jornal e não gosta?

Eu: Quem falou em comprar? Eu roubo, todos os dias do mesmo quiosque.

Mais 10 segundos de silêncio.

MI: Ah, obrigada, gostava só de lhe falar de uma promoção que estamos a fazer dos 45 anos do Expresso.

Eu: Sim, sim, tudo bem.

Nesta fase, entrei no modo “mãe ao telefone”, em que ou deixo o telemóvel em alta voz e fico a fazer outra coisa qualquer ou continuo com o telemóvel junto ao ouvido mas desligo completamente do que estão a dizer.

MI: …está interessado nesta promoção?

Eu (no mesmo segundo): Não.

Mais 10 segundos se silêncio.

MI: Ah, então, mas porquê?

Eu: Então, não vou gastar dinheiro num jornal a que dou 1, de 1 a 10.

MI: Então, mas disse que lia o jornal todos os dias.

Eu: E leio. Onde é que está a dúvida?

MI: Mas se lê, gasta dinheiro.

Eu: Não. Saco da net, e roubo do quiosque.

Mais 10 segundos se silêncio.

MI: Então, mas se não gosta do jornal qual a sua motivação para o ler?

Eu: Ter mais do que falar mal.

MI: Então, não está mesmo interessado em aderir a esta promoção?

Eu: Então mas já não respondi a essa pergunta?!

MI: E pode indicar-me a razão?

Eu: Já lhe disse, não vou gastar dinheiro em jornalismo da qualidade do jornalismo que se praticava na Burkina Faso no século XXV a.C..

Mais 10 segundos de silêncio, e finalmente lá decide ela terminar a fantochada com a voz um bocado tremida: Ah, agradeço a sua participação (blá, blá, blá) e desejo-lhe uma boa tarde.

Eu: Boa tarde.

 

Foram uns 5 minutos bem reinados.

Ricardo Lopes

 

 
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SIC mentindo sobre o Irão, por Luís Garcia

 

 

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Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE Fake News  

 

Exemplo perfeito e bronco de Fake News à tuga:

As 22 mortes nos "protestos" no Irão ocorreram quase todas num só lugar, uma esquadra da polícia iraniana assaltada por um grupo de "manifestantes pacíficos" que tentaram sem sucesso roubar armas do depósito dessa esquadra. Quase todos os assaltantes foram mortos, assim como alguns dos polícias de serviço que frustraram o assalto.

Portanto não, não, a "repressão da Guarda Revolucionária" NÃO "fez 22 mortos". Não! Aliás, a Guarda Revolucionária nem tem nada a ver com o assunto. 

Ao jornalista da SIC que escreveu esta mérdica mentira desejo-lhe uma morte infeliz resultante de um assalto armado aos estúdios da SIC por parte de um grupo de "manifestantes pacíficos". 

Irra, tanta imbecilidade neste país de merda submisso e beija-cus, impregnado de obscurantismo e de ignorância arrogante!

 

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Outro exemplo perfeito e bronco de Fake News à tuga:

Quanto a esta, enfim, exemplo perfeito de Fake News no sentido estrito da expressão: falsa notícia!

Não, ninguém proibiu o ensino do inglês no Irão. Esta palhaçada foi publicada na net por uns trolls brincalhões (e não, não foram russos nem trabalham para a RT). É do mais imbecil exemplo de falsa notícia facilmente desmontável. Mas aí está, esta macacada "jornalista" não faz fact checking (verificação de factos), não fez, nem nunca fará! E enquanto isso, continuam e continuarão a acusar a RT de produzir e propagar fake news quando não, ao contrário dos jornalistas-palhaços beija-cus prostituídos escravos dos media mainstream ocidentais, os jornalistas da RT fazem cruzamento de dados e emitem as provas necessárias para fundamentar aquilo que dizem!

Mééééééééé!

Só mais um ponto. Ao contrário do que foi dito nesta peça, as autoridades iranianas não precisam de banir o ensino de inglês como medida para abrandar a influência dos maus valores ocidentais no Irão. Não. A revolução islâmica ocorreu em 1979 e não ontem, e o inglês sempre foi ensinado nas escolas iranianas desde então. Se quisessem banir o inglês, com todo o poder que têm mais todo o que lhes é erradamente atribuído pelos trogloditas jornalistas-merda ocidentais, nunca sequer teriam implementado o ensino do inglês no Irão. Malta que, como eu, já viajou pelo Irão, sabe bem que numa cidade iraniana aleatoriamente escolhida, 1 em cada 2 pessoas fala fluentemente inglês, algo dificílimo de encontrar mesmo em país europeus, com a excepção de Noruega, Holanda e mais um ou 2.

 

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Diferença entre os 2 tipos de protestos

Para variar, ou não, o que houve foram protestos implementados de forma não genuína sobre razões económicas genuínas. Sim, os elevadíssimos preços e a elevada taxa de desemprego são problemas graves, mas não se resolvem assaltando esquadras e bases militares. Sim, iranianos têm de ter e têm direito a protestar pacificamente. Mais, quem, como eu, já visitou o Irão, saberá por certo que a maioria dos iranianos têm perfeito conhecimento da origem dos problemas económicos recentes: o ilegal e criminoso embargo que os EUA e seus vassalos impuseram ao Irão desde 2012.

 

Portanto sim, razões legítimas para protestar haviam, mas não foram organizadas de forma genuína. Mais uma vez a flagrante receita de "revoluções coloridas" a la Gene Sharp foi tentada. De forma infantil e grotesca acrescentaria eu. E pois claro, falhou, já ninguém a engole (à excepção da ovelhada zombie-progressista ocidental), e além do mais o Irão, felizmente, não é a Líbia ou as Honduras. 

 

E depois, não me façam rir, que protestos económicos se transformam em absurdidades contra amigos e aliados do Irão? Como Assim? Como explicar os cânticos entoados como "saiam da Síria, preocupem-se connosco", "deixem a Rússia, preocupem-se connosco", "Gaza não é problema nosso", "saiam do Iraque, preocupem-se connosco", "deixem o Líbano, preocupem-se connosco", "fim ao apoio ao Ezbolá, etc. Como assim? Desde quando o povo iraniano se manifestaria contra a amizade com a Rússia que lhes garante segurança e estabilidade? Desde quando o povo iraniano se queixaria de ter influência política nos países seus vizinhos e de combater o terrorismo islâmico (criado pelos EUA) na sua vizinhança? E cúmulo dos cúmulos, como fazer o povo iraniano cantar protestos anti-Palestina quando são precisamente o povo mais comprometido e envolvido na defesa dos direitos dos palestinianos e na denúncia dos crimes do estado sionista?

 

E que dizer de protestos com cânticos pró-curdos, hehehe, esses curdos que fazem atentados terroristas no Irão e que neste momento ocupam e combatem dois estados aliados do Irão: Iraque e sobretudo Síria? Mas anda toda a gente com merda nos olhos?

 

E que dizer dos absurdos protestos contra um dos heróis nacionais, o general Qassem Soleimani, um dos cérebros da reconquista do leste da Síria contra o ISIS (https://twitter.com/IranWireEng.../status/947175820937846784)? 

 

E que dizer, no sentido contrário, dos protestos pacíficos pró-governo que mobilizaram milhões de pessoas de forma pacífica, o preciso oposto dos protestos anti-governo, criminosos e violentíssimos, seguidos por uns milhares de indivíduos? Deste nada, certo? Irra!

 

Constatemos a diferença:

Protesto pró-governo 

 

 

Protesto anti-governo 

 

E que dizer da vergonhoso comportamento dos media ocidentais que nunca noticiam os protestos no Barém  contra o seu regime despota patrocinado pelo ocidente, e que depois utilizam um vídeo de uma gigantesca manifestação de bareinitas como exemplo (falso) de protestos no Irão? Sim, que dizer? Simples: fake news! Basta um olhar atento para detectar que no vídeo não se vê nenhuma bandeira do Irão e sim milhares de bandeira do Barém! Irra!

 

Fake News ocidental 

 

Se quiser mais, tenho aqui 2 bons feeds sobre o tema:

conta facebook

conta Twitter de Michael A. Horowitz

 

Luís Garcia, 08.01.2018, Ribamar, Portugal

 
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Crítica ao Black Mirror - Hang the DJ, por Ricardo Lopes

 

 

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RICARDO MINI copy     TECNOLOGIA  SOCIEDADE 

 

Black Mirror - Temporada 4

Episódio 4 - Hang the DJ

 

Ora bem, episódio 4, e acho que encontro um excelente exemplo daquilo a que o Jordan Peterson se refere quando diz que a criação artística é uma forma de expressão ainda pré-consciente e, portanto, os artistas não compreendem completamente as suas criações.


E, como se pode sempre recorrer a conhecimento empiricamente validado para tentar articular essas verdades obscuras e fugidias que a mente processa, vou tentar fazer aqui um exercício engraçado de análise deste episódio.

 

Começando pelo mais fácil, é curioso verificar como o autor constrói toda uma narrativa que apresenta como sendo antissistema, mas que acaba por criticar as atitudes modernas antissistema. Isto porque, e mesmo tratando-se de uma realidade simulada, e portanto moralmente neutra, a tecnologia faz com que as pessoas experimentem múltiplas relações ocasionais, mas isso é o que já acontece de qualquer maneira no mundo atual, por isso até se fica sem perceber se isto é mais uma manifestação de tecnofobia ou se é uma crítica social. O que quero dizer com isto é o seguinte. Acham mesmo que foi o Tinder ou qualquer outra aplicação de encontros que esteve na origem do aumento nas relações ocasionais ou de curta duração? Está bem está. O Tinder e demais aplicações vieram simplesmente facilitar e responder a uma demanda de mercado que ainda estava por satisfazer desde os anos 60. Foi a tecnologia a causar uma viragem cultural, e a fazer com que as pessoas deixassem de atribuir a extrema importância que antes tinham as relações de longo prazo? Um redondo não!

 

Outro reparo. Quando, a certa altura, um dos personagens faz referência ao conceito de "option paralysis", que faz todo o sentido que o Charlie Brooker conheça, já que foi cunhado por Barry Schwartz, aquele que terá de ser um dos ídolos dos tecnofóbicos, não se aplica a relações interpessoais, mas sim a produtos de consumo. "Uh, mas é uma metáfora". Não, é treta, porque as pessoas não tratam naturalmente outras pessoas como tratam produtos de consumo, ponto.


Em todo o caso, e quando um gajo ainda não fazia ideia que a história era uma simulação, e mesmo depois de ter ocorrido a cena em que a Amy faz uma manobra (e ainda por cima mal feita) para fazer o Frank expelir um objeto estranho que ele ainda não tinha aspirado porque ainda estava a tossir (não, não façam isto em casa, criançada, porque é completamente estúpido), a coisa até estava a ir bem. Isto até acontecer uma mulher muito bonita (Amy) apaixonar-se se apaixonar por um inepto social, ao invés de um gajo bem parecido, que faz bom sexo (incluindo sexo oral!), e com aptidões sociais ao máximo, e isto só porque o gajo tem um tique nervoso medianamente irritante. Vá, está bem, vou dar o braço a torcer e dizer que até percebo que ela tenha acabado por se fartar dele, porque afinal, pelo menos pelo que foi mostrado, ele não era uma pessoa propriamente afetiva, e nem mostrava sinais de ser fiel a longo prazo. Mas era a porra do padre dos Vikings. Caraças, pá, as mulheres não sabem mesmo aproveitar um bom partido! Enfim, não faz sentido, de qualquer maneira. Ok, ok, vou dar o braço a torcer outra vez, e, sim, uma mulher é capaz de escolher um inepto social se ele tiver outras qualidades, como fazê-la rir, ser minimamente inteligente, e, enfim, o gajo até fazia exercício físico regularmente, e mostrar fidelidade e dedicação. Ok, tudo bem, vou-me deixar de cinismos. 


E o pormenor de ter de dar o consentimento no dispositivo para se poder fazer sexo com a outra pessoa? Essa foi outra de partir a rir de crítica à hiperpaternalização exigida pelos SJWs hoje em dia. Qual é o mal, afinal?


Também não se vê um mundo de gente no evento do serviço, por isso também não é que se tenha espalhado mais do que o que seria normal na sociedade. Aliás, se calhar até se espalhou de menos, porque as pessoas que mais facilmente seriam atraídas pelo serviço seriam aquelas que mais dificuldade têm em assentar em relações, e que são bastantes.

 

Outra situação linda no episódio foi quando o Frank simulado quis ver o tempo que lhe sobrava para estar com a Amy e o sistema começou a dizer-lhe que tudo acontece por uma razão, e não é que a porra da inteligência artificial tinha razão? Afinal de contas, se as coisas lhe correram mal depois disso foi porque ele contribuiu pata que a confiança erodisse, ao falhar com uma promessa muito importante. Portanto, o problema nem sequer foi provocado nem facilitado pela tecnologia. Não é o sistema que é tirano, mas sim o facto de o gajo ter arruinado algo que é essencial para desenvolver e manter uma relação. Genius!

 

Agora, adentrando-me mais na ciência por detrás das relações amorosas humanas. Meus amigos, eu sei que isto tudo pode soar altamente horrível e cínico, mas a verdade é que nunca ninguém sabe porque é que se apaixonou ou gosta muito de outra pessoa. Estudos já mostraram que tanto homens como mulheres têm uma tendência natural para se sentirem mais atraídos por pessoas que têm um sistema imunitário diferente do delas, uma vez que um dos componentes do sistema imunitário (o complexo de histocompatibilidade major, ou MHC) é causa de um certo odor corporal, que processamos de forma inconsciente. Estudos já mostraram que as preferências físicas de homens e mulheres no sexo oposto são culturalmente universais. Para mulheres, homens com ombros largos, queixo quadrado, corpo e face simétrica, sem sinais de doença expressos cutaneamente. Para homens, mulheres com bochechas altas e rosadas, face e corpo simétrico, rácio peito/ancas de cerca de 0,7, e feições neoténicas (ou seja, ter uma cara mais semelhante à de uma criança). Estudos já mostraram que as mulheres preferem homens inteligentes, com bom sentido de humor, com status socioeconómico, fiéis e materialmente ambiciosos, e preferencialmente mais velhos. No caso dos homens, mulheres mais novas, com as características de beleza universal já descritas, e pouco mais, ahah. 


Por isso, meus caros, dizer que não é preciso praticamente tempo nenhum para alguém se apaixonar não é ser cínico, mas sim ser realista, porque em menos de nada já todos estes instintos operaram, juntamente com tudo o que se tiver recebido especificamente de cada cultura, que também passa a operar automaticamente com o hábito, e, a partir daí, tudo aquilo que se apresente como justificação para se estar apaixonado por determinada pessoa não é muito mais que racionalização post hoc. Sim, as qualidade que se detetam e confirmam na pessoa podem ser todas elas reais, mas psoso garantir que não foi nenhuma dessas observações conscientes que conduziram nem mantiveram a paixão.

 

Para finalizar, o Charlie Brooker bem que quis dar a entender que para uma relação ser frutífera tem de se quebrar com o sistema, como colocou os dois pombinhos simulados a fazer, mas, no fim, a verdade é que nem a aplicação que as pessoas estavam a usar era maléfica, nem ninguém escapa ao sistema, que na verdade é a natureza humana, como eu a descrevi aqui, embora não de uma forma exaustiva.

 

Ricardo Lopes

 

 
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Crítica ao Black Mirror - Crocodile, por Ricardo Lopes

 

 

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RICARDO MINI copy     TECNOLOGIA  SOCIEDADE 

 

Black Mirror - Temporada 4

Episódio 3 - Crocodile

 

Neste terceiro episódio, Charlie Brooker volta com força à tonalidade mais negra que costuma atribuir aos episódios da série.


Começando pela questão humana, penso que mais uma vez não falha, e é bastante profunda e perspicaz a observação de que alguém que se considera incapaz de fazer mal e que é movido pela crença de que tudo o que faz é com vista a obter o melhor resultado possível para o mundo em termos morais, é a pessoa que mais facilmente não liga a meios para atingir os fins e comete mais atrocidades do que aquelas que seriam cometidas se se tivesse deixado o sistema vigente seguir o seu curso normal. 


E, sim, falo de sistema, até porque as críticas aos chamados SJWs (Social Justice Warriors, ou, em português, qualquer coisa como Guerreiros da Justiça Social) são mais do que muitas.
Mia escolhe um filme pornográfico feminista da Erika Lust, ao mesmo tempo que procura criar uma distração com tal para eliminar o cadáver da pessoa que acabou de matar. 


Mia elimina o cadáver numa fábrica em cuja entrada se lê "affordable living for all", e portanto é a uma empresa com tal slogan a que ela recorre para resolver os seus problemas (ahah!). 


Mia até é dona de um faqueiro Matdoft da IKEA, uma das lojas prediletas dos millennials. 


Portanto, é tudo uma questão de "virtue signaling", e afinal o amigo dela segue o caminho de um Rodion Raskolnikov do Crime e Castigo, e chega a um ponto em que a culpa é tão intolerável que está praticamente disposto a entregar-se às autoridades, ao passo que ela não vacila em tornar-se uma completa besta sanguinária imparável, que começa por tentar dissuadir o amigo de escrever à viúva por causa de ser mãe e acaba a matar um bebé cego. 
Mesmo delicioso o humor negro deste episódio. 


Para dar ainda mais força ao tempero irónico, ainda há que notar que a nossa cara SJW feminista, consumidora de produtos da IKEA e cliente de uma empresa com uma ética social forte, ainda consegue a proeza de matar uma mulher de cor muçulmana, um homem preto, um bebé preto deficiente, e só não mata um animal senciente porque nem lhe passou pela cabeça que o pudessem usar para extrair memórias. Ou isso, ou o sortudo do bicho teve a sensatez de não fazer barulho. 


Bem, dou ainda mais pontos ao argumentista já que evitou, pelo menos por enquanto, induzir mais uma histeria em redor da tecnologia por ter deixado o acidente com o carro automático por resolver, e portanto com veredicto ambíguo. Afinal de contas, a culpa era completamente do tipo que se meteu feito estúpido na estrada, sendo que se fosse um ser humano a conduzir o veículo com certeza que o desfecho teria sido o mesmo. Vá lá, Charlie, não metas essas paranóias na cabeça das pessoas, até porque as estatísticas de acidentes automóveis causados por humanos são abismais. 


Quanto ao fulcro da tecnologia deste episódio, temos o, digamos assim, extrator e gravador de memórias que, desta vez, e mesmo que me conseguissem convencer com boa ciência que seria possível obter imagens com tal acuidade a partir de memórias de pessoas, foi elaborado de uma forma absolutamente escabrosa, do ponto de vista científico.


Nunca memórias seriam gravadas cerebralmente com tal fidelidade, quer visuais quer auditivas. É verdade que a componente emocional permite gravar memórias com mais detalhes, mas nunca uma memória em que fosse possível ter uma imagem detalhada do rosto de alguém ou até do restante cenário, no qual se conseguia até ver carros e a rua bem delineados e com detalhes finos. A acrescentar a isso, há ainda a questão da possibilidade de induzir as memórias falsas, por introduzir sugestões, neste caso o odor da cerveja e a música.

 

Assim sendo, este episódio encontra bastantes paralelismos com o primeiro desta temporada, no sentido em que do ponto de vista humano está bastante bem construído, mas do ponto de vista tecnológico é paupérrimo. 


Deixo, ainda assim, um ponto de bónus final pelo facto de, mais uma vez, não me ter parecido que a tecnologia em si tenha sido demonizada, uma vez que ao longo de todo o episódio a única situação em que é feito uma utilização abusiva da mesma é quando Mia extrai memórias de Shazia para poder matar o seu marido.

 

Ricardo Lopes

 

 
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Crítica ao Black Mirror - Arkangel, por Ricardo Lopes

 

 

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RICARDO MINI copy     TECNOLOGIA  SOCIEDADE 

 

Black Mirror - Temporada 4

Episódio 2 - Arkangel

 

Este episódio já foi mais equilibrado, do ponto de vista tecnológico, do que o primeiro.


Por um lado, é preciso parabenizar Charlie Brooker por ter conseguido algo que não aconteceu em praticamente nenhum outro episódio de Black Mirror até à data, que é o facto de ter personalizado os aspetos negativos da tecnologia em questão, ao invés de ter tornado a tecnologia numa espécie de praga digna de pesadelos a cuja influência ninguém consegue escapar.


Desta vez, é mais do que claro que o problema está na mãe (Marie) e não na tecnologia em si. As evidências disso são várias:


1 - É a tecnologia que permite salvar o avô de uma morte precoce.


2 - A conceptualização da tecnologia, assim como a sua finalidade primordial, é positiva.


3 - Pelo facto de, muito provavelmente, as pessoas terem começado a utilizá-la de uma forma abusiva, foi banida progressivamente no mundo inteiro. E, portanto, é colocado um forte ênfase na capacidade das pessoas, enquanto coletivo, terem sido capazes de exercer controlo sobre a tecnologia, e não o oposto, algo que também é muito raro de se verificar no Black Mirror.


4 - Na cena na aula de Filosofia, e apesar de a determinado momento já não se conseguir perceber o que a professora diz, é feita referencia a Édipo, numa alusão clara ao Complexo de Édipo de que Sara é vítima da parte da mãe. Portanto, mais uma vez, personaliza-se o problema, ao invés de generalizar. 


5 - Na escola, e desde os anos mais precoces, se perceber que Sara é uma exceção em relação ao colegas, e não aparece mais nenhum, pelo menos que se saiba, que tenha o mesmo tipo de monitorização parental.

 

Mais uma vez, em termos de exploração da natureza humana, o autor não falha, até porque também não generaliza o tipo de parentalidade que aborda neste episódio, que é característico de determinadas pessoas, principalmente mulheres, mas não da maioria das outras. 


E também não me parece que tenha recorrido à provocação barata de medo para criar sensacionalismo, tal como já aconteceu noutros episódios, e por isso digo que a série no geral peca muito por "fearmongering" em redor das consequências negativas da tecnologia. 


Teria sido extremamente fácil que o ataque violento de Sara tivesse resultado na morte da mãe, mas não é isso que acontece. 


Saliento também, de forma positiva, o facto de o autor não ter aberto qualquer tipo de condescendência em relação ao mais mínimo controlo parental, que é algo que, nos países ocidentais e a partir de cerca dos anos 80, se tem normalizado culturalmente. 


A juntar a isso ainda, o facto de ter mostrado como não é o facto de as crianças e adolescentes se colocarem em situações mais arriscadas ou até terem contacto com conteúdos desagradáveis (no caso, vídeos violentos e pornografia) que contribui para uma psicologia disfuncional. Aliás, antes pelo contrário, é precisamente isso que permite a emancipação final de Sara. 


Do ponto de vista tecnológico, e colocando de parte o meu ceticismo em relação à possibilidade de produzir imagens com tal acuracidade a partir do processamento de estímulos visuais por parte do cérebro, o episódio contém uma falha grave, que é o facto de apresentar a pílula do dia seguinte como um contracetivo abortivo, que não é.

 

Em suma, é um episódio muito equilibrado, tanto em termos do tratamento da natureza humana, como, e ainda muito mais importante por ser raro nesta série, no tratamento da tecnologia. 


Mais uma vez, sou obrigado a deixar uma observação relativamente à premissa, uma vez que se esta for, de facto, a de mostrar os efeitos negativos que a tecnologia pode ter sobre as pessoas, então, e para manter o que já é costume, o episódio falha. Aliás, se a premissa fosse a de mostrar os efeitos negativos que uma determinada psicologia humana poderia ter sobre o desenvolvimento tecnológico e o aproveitamento da tecnologia ao serviço de determinados fins perversos, então não só este episódio teria sido praticamente perfeito, como toda a restante série estaria muito perto disso. 


E, a meu ver, deveria ser exatamente essa a premissa, como é nas distopias mais aclamadas, como 1984 e Admirável Mundo Novo.

 

Ricardo Lopes

 

 
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Crítica ao Black Mirror - USS Callister, por Ricardo Lopes

 

 

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RICARDO MINI copy     TECNOLOGIA

 

 

Bem, e visto que finalmente hoje me dispus a dedicar algum tempo para começar a ver a mais recente temporada de Black Mirror, vou aproveitar para tomar isto como uma boa desculpa para retomar a escrita e, então, vou publicar uma crítica a cada um dos episódios individualmente, à medida que os for terminando.

 

Black Mirror - Temporada 4

Episódio 1 - USS Callister

 

Do ponto de vista tecnológico, este episódio foi um absoluto desastre. 


Como é que seria possível converter uma amostra de ADN numa cópia digital senciente de alguém? Não é, e provavelmente nunca será. Aliás, ainda seria mais difícil do que tentar fazer um upload da mente para um computador. Isto porque, para se poder fazer o upload da mente, seja lá isso o que for neste contexto, teria de se decidir o que é que realmente que fazia parte da mente iria ser incluído no upload. 


Um exemplo ilustrativo deste problema é um dado pelo Jordan Peterson. Imaginando que se quereria fazer o upload da consciência (que não representa a totalidade da mente).


Para reconstituir a consciência de alguém digitalmente, ter-se-ia de decidir o que comporia a consciência. A totalidade das memórias da pessoa? A capacidade de experimentar dor? A capacidade de processar emoções e sentimentos? E como é que se conseguiria isso de uma forma completamente digital, na ausência de um corpo e de input? Já peritos em IA como Rodney Brooks, Rolf Pfeifer e Hans Movarec demonstraram, de uma forma bastante convincente e cientificamente bem fundamentada que não é possível existir cognição na ausência de um corpo. 


A juntar a todo este problema incomensurável, haveria ainda a questão de como seria possível traduzir toda a altamente complexa mente humana, com o cérebro como suporte primário mais todas as suas absurdamente complexas operações, para código e criar uma cópia de alguém que se pudesse considerar uma pessoa. 


Mas, enfim, nem me vou adentrar mais neste assunto, uma vez que a tecnologia apresentada neste episódio ainda é conceptualmente mais absurda do que aquilo que acabei de tratar de uma forma muito sucinta. 


Alguém, com conhecimentos suficientes sobre o assunto, que é altamente interdisciplinar e muito complexo, me explica como é que seria sequer concebível extrair uma mente de ADN? Resposta curta: é impossível. Resposta longa: bem, quem quiser que me peça para elaborar a resposta.

 

Do ponto de vista humano, sim, tenho de admitir que me parece que acertou na mouche. O tipo aparentemente inofensivo é apresentado como deveriam ser todos os tipos aparentemente inofensivos: um fraco. E os fracos, principalmente os homens fracos, são as pessoas mais perigosas de todas, e isso traduz-se perfeitamente no seu comportamento doentio. E a cereja no topo do bolo foi o facto de o tipo que é inicialmente apresentado como sendo um idiota, devido à atitude que tem perante o "coitadinho" e a rapariga, no final ter mostrado o quão melhor pessoa era do que ele.

 

Portanto, e nesta muito curta crítica deste episódio, o meu veredicto final é o de que, tal como já aconteceu com outros episódios, Charlie Brooker falha redondamente em cumprir com a premissa, que é a de mostrar os efeitos negativos que a tecnologia moderna (ou projeções hiperbólicas que ele faz de conceções futuristas da mesma) tem sobre as pessoas. Não, não consegue de todo aquilo a que se propõe, uma vez que a tecnologia que conceptualiza é cientificamente implausível. Para além disso, aquilo em que acerta no tratamento que faz da natureza humana ainda mais lhe destrói a premissa, uma vez que não se trata, de todo, de um problema tecnológico, mas sim de um problema psicológico da parte do protagonista e, então, não é uma questão de a tecnologia ser a causa, mas sim de ser explorada por alguém doente mental para os seus fins perversos.


Em suma, muita boa exploração da natureza humana, mas com uma premissa completamente errada e fazendo recurso a um meio irrealista, e, assim sendo, um episódio falhado.

 

Ricardo Lopes

 

 
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