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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Vozes Insubmissas - Abby Martin

 

 

Abby Martin

 

Luís GarciaVozes Insubmissas 

 

Abby Martin é uma jornalista de investigação de nacionalidade norte-americana, conhecida pela seu antigo programa Breaking The Set da RT e pelo sua programa actual Empire Files do canal internacional de informação venezuelano Telesur. Devido aos temas tratados e às suas análises objectivas e pertinentes nas quais chama as coisas pelos nomes como sempre deveria ser o caso em médias de "informação", nenhuma canal nacional compra os direitos de transmissão do seu trabalho. Nem pensar! Para quê, para depois mostrarem às suas ovelhas submissas que, por exemplo, foi durante o regime de Obama que mais imigrantes ilegais foram expulsos dos EUA, que mais quilómetros de muro EUA-México foram construídos, que mais prisões privadas foram criadas, que mais pretos, sim pretos como o Obama, foram presos nos EUA de forma a alimentar a neo-escravatura industrial-prisional, que mais pessoas foram mortas em execuções extrajudiciais utilizando-se para o criminoso efeito drones militares, que os EUA bateram o recorde de orçamento militar anual, etc... Uíííí, impossível! Neste nosso lusitano estado vassalo dos EUA, segundo a versão oficial, Obama é um santo, Trump é um monstro por ter prometido menos do mesmo terror que Obama efectivamente levou a cabo! Portanto sim, para remar contra a corrente,  há que assistir aos documentários de investigação jornalística de Abby Martin, sim!

 

Para calar muita ovelhada que tem medo que Trump expulse imigrantes ilegais mas que, paradoxalmente, nunca piou sequer sobre os 2,5 milhões expulsos por Obama, ou condenados a encher prisões privadas com os seus "sub-humanos" corpos, resultado de farsas de julgamentos sem direito a tradutor nem defesa que duram uma média de 10 segundos, etc, e por aí fora, assistam a um dos mais relevantes episódios de Empire Files:

 

The Empire's War on the Border - Full Documentary

 

Voltando a Abby Martin, os seus principais temas de investigação são o imperialismo norte-americano, o terrorismo de estado norte-americano, o complexo industrial-militar norte-americano, o terrorismo de estado do ilegal estado de Israel, os inúmeros problemas sociais dos EUA, entre outros. Para assistir ao seu trabalho sobre todos estes temas, visite os canais youtube das suas duas séries de jornalismo de investigação e entrevistas inconvenientes:

 

Abby Martin, além de colaborar com vários média de informação daqueles completamente censurados e/ou ignorados pela lobotimizante TV portuguesa, faz também parte do quadro de direcção da organização de investigação jornalística Project Censored, conhecida por realizar anualmente uma lista das 25 notícias importantes menos noticiadas ou, se preferirem, mais censuradas pelos médias ocidentais mainstream. Aqui fica a hiperligação:

 

Se ficou interessado, siga Abby Martin:

Luís Garcia, 28.05.2017, Boavista, Portugal

 

 
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Méééééééééééééé, por Luís Garcia

 

 

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Luís Garcia  POLITICA 

 

BANDEIRAS DO ISIS E DOS "REBELDES" TERRORISTAS JUNTAS, ONTEM, EM IDLIB

Mais uma de inúmeras provas para calar os trogloditas deficientes mentais fundamentalistas parvos dogmáticos que acreditam na propaganda anti-Síria/anti-Rússia da TV, e que se recusam a seguir médias que desmascaram esta vergonhosa guerra de procuração dos EUA e companhia contra a Síria.

Andou por aí toda a ovelhada chorando o ataque do ISIS a Manchester, no entanto toda a gente aceita que o Reino Unido forneça apoio militar aos "rebeldes" terroristas. E depois, vezes sem conta, "rebeldes" terroristas e ISIS saem à rua juntos, pois sim, porque estão juntos, porque são ambos terroristas, porque não há diferença nenhuma entre uma coisa e outra... e a ovelhada não repara!

E depois é olhar para o que se tem passado estes dias no sul da Síria: perante o avanço acelerado das forças sírias contra o ISIS, os EUA e seus vassalos (Reino Unido, Noruega, Jordânia) invadiram ilegalmente um parte dessa região sul onde oficialmente vieram "para combater o "ISIS", mas que na realidade vieram apenas fazer uma zona tampão entre sírios e ISIS, de forma a travar a derrota do ISIS face aos sírios.

E pior, em vez de atacar ISIS, os EUA e seus vassalos, atacaram as forças sírias e as forças iraquianas que combatem o ISIS na região. E nem sequer o desmentem! Pelo contrário, o próprio departamento de estado dos EUA reconheceu os ataques aéreos contra sírios e iraquianos e, que luxo, vão avisando que poderão vir a realizar mais ataques aéreos "em legitima defesa" se "as forças de coligação se sentirem ameaçadas"!

 


Mas qual coligação qual caralho! São 4 países que ilegalmente entraram na Síria pelo sul, no mês passado, para proteger o ISIS! Mas qual legítima defesa qual caralho! Que fazem norte-americonas, ingleses, noruegueses e jordanos no deserto do sul da Síria?

Vá, ovelhada, daquele tipo que eu conheço online, e que também conheço pessoalmente, inclusive na minha aldeia, vá, respondam com lógica e factos a esta minha provocação, irra! Cambada de lixo humano que por aí anda arrastando os pés feitos zombies, com os seus sorrisos amarelos parvos, as suas provocações toscas sem pés nem cabeça, a sua recusa de assistir a provas e factos, a sua cegueira dogmática pela nova religião chamada "anti-Assadismo"... e a sua infinita ignorância sobre a história contemporânea, história repleta de exemplos concretos e precisos que mostram como a falsa guerra civil da Síria é só mais uma entre inúmeras ingerências terroristas do EUA por esse mundo fora.

 

A toda essa ovelhada, e para falar numa linguagem que entendem, "méééééééééééééééééé"!

 

Luís Garcia, 27.05.2017, Ribamar, Portugal


 

 
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Desespero Mediático por omissão de notícias positivas, por Luís Garcia

 

 Desespero Mediático 20

DESESPERO MEDIÁTICO 15  

Luís Garcia  POLITICA 

 

Partindo do princípio que a derrota do ISIS é unanimemente vista como algo de positivo, muitíssimo positivo, sem dúvida que a total ausência de notícias sobre as enormes conquistas das Forças Armadas da Síria (e seus aliados) contra o ISIS nesta última semana prova bem que os média ocidentais não são fiáveis, portugueses incluídos. RTP, SIC, TVI, Lusa, JN, DN, etc... nenhum noticia a boa-nova! A não ser que, para os prostituídos média portugueses, derrotas do ISIS não sejam boa-nova, ahahahah. Mas nesse caso, para quê tanta lamechice em torno do ataque terrorista de Manchester supostamente orquestrado pelo ISIS? Ahhh, deixem-me rir...

 

Mas bom, como uma imagem, diz-se por aí, vale mais que 1000 palavras, a sequência seguinte valerá umas 8000 mil. Pela comparação dos mapas datados e legendados poderá ter uma ideia precisa dos avanços sírios contra o ISIS, assim como contra o novo inimigo sírio sobre qual escrevi o artigo intitulado O Plano C. Para quem não leu o artigo, esse novo inimigo, embora composto por forças armadas dos EUA, Reino Unido, Noruega e Jordânia que entraram ilegalmente em território sírio há poucas semanas atrás, dá pelo orwelliano nome de Novo Exército Sírio! Hehehe! Ah, e para aumentar a sua credibilidade, opera em colaboração com a organização terrorista internacional Maghawir Al-Thawra. Enfim! Aqui ficam os mapas:

 

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Para quem quiser comparar as mudanças nos mapas de forma mais intuitiva, aqui estão de novo os mesmos mapas, agora em slideshow. Basta clicar nas setas brancas, dentro das imagens, para trás e para frente!

 

 

E as boas notícias para a Síria e para o multi-étnico povo sírio não ficam por aqui. Foram obtidos enormes ganhos contra aquilo que os média portugueses chamam de "rebeldes" e que gente honesta e bem-informada chama de al-Qaeda e companhia. Os ganhos de maior destaque foram realizados em Damasco onde o bairro de al-Qabun foi totalmente libertado, assim como em Homs no bairro de al-Waar, igualmente libertado na sua totalidade. No primeiro caso, uma forte ofensiva armada levou à rendição dos "rebeldes" terroristas que foram removidos de autocarro, de forma pacífica, rumo à região de Idlib. No segundo caso, apenas houve a rendição total e pacífica dos "rebeldes" terroristas, igualmente removidos de autocarro rumo à região de Idlib.

 

Outros 2 grandes ganhos sírios nos últimos dias ocorreram no sul da região de Idlib contra os "rebeldes" terroristas, e no nordeste da região de Aleppo contra o ISIS. Estes últimos ganhos serão o tema do artigo de amanhã.

 

Para os mais curiosos fica aqui ainda um vídeo das Forças Armadas da Síria onde se pode ver o bombardeamento aéreo contra uma enorme quantidade de veículos do ISIS em fuga da zona conquista hoje (ver oitavo mapa).

 

 

E um outro sobre o avanço por terra na mesma zona:

 

Obrigado pela atenção!

 

Luís Garcia, 25.05.2017, Ribamar, Portugal

 leia mais artigos de Desespero Mediático aqui

 

extras:

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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Terrorisme-colonisation en Syrie, par Luís Garcia

  

Terrorismo-colonização da Síria

 

Luís Garcia  POLITICA  en français   

D’où vient Daesh ?

 

Je viens de terminer un article de désespoir médiatique par omission. Cette même omission, énorme et scandaleuse, est le thème de cet article : le terrorisme-colonisation en Syrie par l’Empire de la Guerre (aka les Etats-Unis d’Amérique [EUA]). Ce plan de balkanisation de le Syrie a commencé à être mis en œuvre de manière définitive en juin 2014, lors de l’apparition de 30.000 mercenaires en Syrie, venus d’Iraq par le désert qui sépare les 2 pays, armés d’équipement états-unien neuf et moderne, volé en une demi-douzaine de jours aux nouvelles troupes de l’armée régulière iraquienne du nord de l’Iraq qui venait de recevoir ces nouveaux équipements et avait été lâchée subitement par les troupes américaines quelques jours auparavant. Le plan était simple et a fonctionné à la perfection. Les EUA, après avoir transformé les policiers et militaires iraquiens renvoyés au temps de W. Bush en mercenaires de guerre, ces mercenaires sont désormais, au temps d’Obama (2014), intégrés dans une nouvelle organisation terroriste étatsunienne: Daesh. De l’entraînement oui, livraison massive et effrontée d’équipement moderne étatsunien non. Alors, pour maquiller cette effronterie, les EUA armèrent massivement et de étrangement les troupes régulières de l’armée iraquienne, et les abandonnèrent de manière tout aussi étrange dans le nord du pays. Résultat: en quelques jours l’armée iraquienne perdit presque toute la région nord au profit du nouveau-né Daesh, presque sans résistance, ce qui a permis à Daesh d’acquérir un équipement moderne capable de soutenir une armée moderne. A partir de cet évènement, ce qui avait l’air bizarre devint logique.

 

Si les EUA avaient eu la moindre intention d’arrêter le course à l’armement de Daesh et par conséquent, l’établissement d’une puissante armée terroriste, et vu qu’il se trouvait encore des dizaines de milliers de militaires états-uniens au sud de l’Iraq, Obama aurait pu autoriser la destruction de l’armée de Daesh dans sa phase embryonnaire. Si Obama avait voulu éviter la fuite de 30.000 membres de Daesh pour la Syrie, il aurait pu avoir autorisé l’évidente destruction de Daesh, pendant les 2 ou 3 jours qu’ils passèrent à traverser le désert syro-iraquien, période pendant laquelle cette armée terroriste se trouvait être une cible ridiculement facile pour un bombardement aérien massif qui aurait traité le mal à la racine sans mettre en danger la vie de civils innocents. Mais non, Obama est resté là sifflotant à regarder la caravane passer. Les EUA disposaient de  tous les moyens pour le faire et avaient l’obligation morale de le faire, puisque ce fût par la faute de leur erreur absurde d’organisation qu’ils permirent à Daesh de s’armer et de partir armés pour la Syrie. Le fait que les EUA n’aient pas réagit prouve quelque chose très simple à comprendre: les EUA souhaitaient l’invasion de la Syrie par Daesh, et par conséquent, les évènements du nord de l’Iraq qui ont mené à la création de l’armée de Daesh n’auraient finalement pas été une erreur d’organisation étatsunienne, mais au contraire, un succès de l’organisation étatsunienne.

 

Plan A et Plan B 

 

Ce succès dans la création et l’armement indirect de Daech pourrait devenir important en ce qui concerne les ambitions coloniales des EUA en Syrie, au cas où l’agression étatsunienne déguisée en guerre civile n’atteindrait pas son objectif fondamental, la destruction de l’Etat laïque d’al-Assad. Comme on le sait, c’est vraiment ce qui s’est passé, les EUA et leurs alliés occidentaux n’ont pas réussi et ne réussiront jamais à abattre l’Etat syrien, cela dû en grande partie aux soutiens essentiels du Hezbollah, de l’Iran et de la Russie.

 

Donc, l’occupation de la moitié de la Syrie par Daech aura quand-même été valable pour les EUA, puisque c’est seulement avec cette occupation que la 2e phase de l’agression de la Syrie a eu lieu, phase qui plus tard sera qualifiée de «Plan B» par John Kerry lui-même (en 2016). C’est que les EUA sont gouvernés par des gens très professionnels dans l’art de la barbarie, de la souffrance et de la mort, mais extrêmement mauvais dans l’art de bien s’exprimer. Quand on parle d’un plan B, cela sous-entend l’existence d’un plan A, non? Si les EUA avaient un plan A, alors ils avaient alors au moins un «plan» antérieur pour la Syrie, n’est-ce pas? Mais oui, et le plan c’était de détruire le gouvernement légitime de Syrie. Si le plan venait des EUA et s’appelait plan A, ce plan ne pouvait donc venir d’aucune opposition civile syrienne, comme on a toujours voulu nous faire croire! D’ailleurs il suffit de voir de quelle manière bien armée et militarisée ont commencé les manifestations «civiles» et «pacifiques» en 2011 à Daraa pour comprendre où et comment a commencé le plan A. Ce plan a commencé dans une mosquée de Daraa contrôlée par les Frères Musulmans anglo-saoudiens, à quelques kilomètres de la frontière avec la Jordanie, où de l’armement étranger a été stocké pendant les semaines qui ont suivi la signature de l’accord de construction d’un gazoduc en Syrie en partenariat avec l’Iran, en début 2011, gazoduc qui devait  apporter du gaz iranien jusqu’au marché de l’Union Européenne. Les EUA mettaient la pression au gouvernement syrien depuis 2001 pour accepter leur projet, en partenariat avec l’Arabie Saoudite, qui devait apporter du gaz Qatari  au marché européen. Comme Al-Assad s’est mal conduit, vraiment mal, après les armes qui emplissaient la mosquée jusqu’au toit sont arrivés les mercenaires étrangers qui, sur nos chaînes de télévision abrutissantes, seront dépeints de «civils syriens protestant».

 

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A part la misère et la mort répandue sur des millions de gens, on sait que le Plan A étatsuniens n’a rien donné, ils n’ont pas atteint l’objectif final, bien que les organisations  «rebelles» terroristes du Plan A se trouvent encore en Syrie, organisations comme l’Armée de Libération Syrienne, Al-Qaïda/Al-Nousra et une immense liste de celles-ci que j’ai déjà cité tant de fois dans ce blog. Le fait qu’ils ne soient parvenus à rien ne signifie pourtant pas qu’ils aient perdu toute utilité pour les EUA. Non, bien au contraire. Mais nous y viendrons.

 

Pour en revenir au Plan B, ne laissons pas flotter l’idée que celui-ci fût imaginé par l’Etat Islamique (Daesh), au sens du terme «Etat». Non. Le Plan B de John Kerry, comme il l’a affirmé lui-même, est de créer un Etat kurde dans les zones riches en pétrole et en gaz de Syrie et pauvres en pourcentage de population kurde. Oui, un Kurdistan syrien dans un pays avec peu de kurdes, dans une région de ce pays où les kurdes sont ridiculement minoritaires. Etrange? Bah, ça s’appelle de l’ingénierie étatique, c’est un art qui sert à inventer des pays comme le Koweït, Brunei, le Soudan du Sud, le Kosovo, et tant d’autres! Et pour en finir avec ce sujet de minorités kurdes, j’aimerais rappeler au lecteur que non seulement les kurdes syriens sont minoritaires aussi bien dans la Syrie entière que dans cette zone spécifique du nord-Est de la Syrie, mais en plus l’écrasante majorité des kurdes syriens est issue de la persécution des kurdes en Turquie experte en nettoyages ethniques. Et ces kurdes ont eu la chance de vivre à côté de l’Etat syrien multi-ethnique et multiconfessionnel, avec une longue tradition d’accueil et d’assimilation de persécutés et de réfugiés. En accord avec cette magnifique tradition ancestrale syrienne, au XXIe siècle et par décision d’Al-Assad, cette population kurde réfugiée en Syrie a obtenu la pleine nationalité syrienne. Donc, même si, en conséquence de cette politique d’accueil et de nationalisation de réfugiés, la Syrie s’était retrouvée avec une région habitée majoritairement par des kurdes (ce qui n’est pas le cas), il n’y aurait pas d’argument possible qui justifie la création d’un Etat kurde indépendant en territoire syrien. Faites-le en Turquie où en vivent plus de 15 millions, ou au nord de l’Iraq. Mais en Syrie, sérieusement?

 

Stratégie d’exécution du Plan

 

- a) Daesh conquit des terres à la Syrie ;

- b) On médiatise le caractère diabolique de Daesh ;

- c) Une certaine entité conquit des terres à Daesh ;

- d) La Syrie ne tente pas de récupérer ces terres à cette entité puisqu’elle doit combattre les «rebelles» terroristes d’un côté et Daesh de l’autre.

- e) Cette entité se déclare tôt ou tard indépendante, se maintenant sous occupation militaire étatsunienne, et voilà, un Etat vassal des Etats-Unis.

 

Tous ces points parce que le plan A, la guerre par procuration (proxy war), c’est-à-dire, guerre d’agression des Etats-Unis et leurs alliés contre la Syrie, déguisée en guerre civile, a échoué. Et aussi parce que pour autant que la machine de propagande des EUA et de leurs alliés nous vende des images de «rebelles» terroristes gentils, ils ne peuvent obtenir le soutien des populations étatsuniennes et européennes pour encore une guerre conventionnelle de conquête et de subjugation d’un Etat, dans ce cas la Syrie. Au contraire, la lutte contre l’incarnation finale du mal sur la terre pourrait, avec beaucoup d’habileté et d’effets spéciaux conduire ces mêmes populations à accepter ou du moins à fermer les yeux sur une intervention militaire directe en Syrie qui aurait pour objectif final la destruction de cette incarnation du mal.

 

Bien-sûr que, avant de ce faire, il faudrait médiatiser et bien, les faits grotesques de Daesh, l’incarnation du mal choisie à cet effet. D’où toute la pornographie programmée des journalistes et otages occidentaux vêtus d’orange se faisant brûler vifs ou décapités par des membres de Daesh. Pour ceux qui essaient de trouver l’information qu’ils cherchent, en opposition à ceux qui acceptent de manière irréfléchie ce qu’ils pensent être de l’information produite par les médias globaux, l’existence d’un plan objectif des EUA derrière toute cette pornographie sanglante est évidente. Pourquoi ? Parce que les images et les vidéos de torture et d’exécutions de civils syriens et soldats syriens par Daesh et aussi par les «rebelles» terroristes ne manquent pas en ligne. En une recherche sur youtube, on peut trouver, par exemple, des vidéos de corps de soldats syriens vivants se faisant couper ou démembrer ; ou décapiter ; ou exécutés par dizaines ou par centaines en une seule fois. L’horreur Daeshienne ne manque donc pas. Autour de 2015, la médiatisation les bleus de travail oranges hollywoodiens, certains possiblement mis-en scène, démontrait la nécessité de l’Empire de la Guerre de diaboliser le plus possible Daesh avant de pouvoir déclarer la guerre sainte contre Daesh, c’est-à dire, la colonisation du territoire syrien occupé par Daesh.

 

En parallèle de cette diabolisation médiatisée de Daesh, on implantait définitivement les Forces Démocratiques Syriennes, les croisés du XXIe siècle chargés de «détruire Daesh», soi-disant.

 

Forces Démocratiques Syriennes

 

Qui sont les FDS? Qui sont les Forces Démocratiques Syriennes, ou plutôt qui ne sont-elles pas? Les Forces démocratiques Syriennes ne sont ni démocratiques ni syriennes. Au contraire c’est un assemblage d’organisations armées sans organisation politique, et donc, sans aucune relation avec le concept de «démocratie», elles ne peuvent simplement pas être démocratiques. En plus, cet assemblage n’a rien de syrien! Un mélange illégalement organisé et mis en place par les EUA, Etat agresseur, comprenant les Etats-Unis, l’OTAN, les Peshmergas (kurdes iraquiens soumis à Israël), kurdes turques (PKK), et kurdes turques naturalisés syriens (YPG), désolé mais ce n’est une organisation syrienne sous aucune forme. Je ne doute pas des bonnes intentions d’une bonne partie des membres du PKK et du YPG quant à la volonté de libérer la Syrie de la terreur occidentale mais, cependant, on sait bien que d’autre part, surtout dans des positions hiérarchiques supérieures, certains d’entre eux ont été achetés par les EUA en l’échange de la promesse d’un futur Etat kurde sur des terres volées a la Syrie. C’est une question délicate et il est vrai que des informations contradictoires sortent constamment. Si au début du conflit le PKK et YPG combattaient sans aucun doute aux côtés du gouvernement d’Al-Assad, aujourd’hui il est certain qu’au moins une partie de ces kurdes syro-turques, avec ces voleurs de peshmergas, l’OTAN et les étatsuniens, sont fermement engagés dans la création de ce Kurdistan.

 

Quand sont apparus les SDF – Bien que je ne puisse pas citer de noms ici, je sais de source sure que depuis au moins 2013 des troupes de l’OTAN de plusieurs pays (au moins de Pologne, France et EUA) se trouvaient déjà secrètement au nord de la Syrie, à l’époque de la grande offensive de Daesh venu du nord de l’Iraq sur la Syrie. Ce qui prouve encore une fois le lien indirect entre Daesh et l’EUA puisque ceux-ci préparaient déjà secrètement les SDF qui seraient plus tard le vaccin contre le mal (Daesh) qui ne s’était pas encore propagé sur sa victime (la Syrie).

 

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Drapeau des FDS

 

Le drapeau- Je sais bien que la ligne bleue qui traverse la carte de la Syrie en diagonale représente le fleuve Euphrate, oui. Mais elle représente quelque chose de plus. Elle représentait, quand elle a été créée, le territoire que les EUA projetaient de voler à la Syrie et elle représente aujourd’hui rigoureusement  presque tout le territoire effectivement volé, ou occupé, ou colonisé, comme vous voulez. Ceux qui en doutent peuvent regarder l’image ci-dessous :

 

zona SDF

 

Function des FDS d’une perspective étatsunienne – Remplir 2 des points de la liste au-dessus, le c) à moyen-terme et le e) à long-terme.

  • c) une entité conquit les terres de Daesh ;
  • e) cette entité se déclare, tôt ou tard, indépendante, se maintenant sous occupation militaire des EUA, ce qui en fait un Etat vassal des EUA.

Précisément pour vouloir remplir les 2 points ci-dessus, les SDF possèdent 2 caractéristiques bien particulières. La première est un mystère (ou pas). C’est un mystère qui, quand ça leur prend, et après avoir passé des mois de voisinage en joyeuse communion avec Daesh, les SDF ont réussi à conquérir des terres à Daesh à un rythme qui porte à croire qu’ils combattent des fantômes dans un désert. Ils effectuent parfois des dizaines de kilomètres en 1 seul jour, peu ou pas de pertes, destruction minimum. Puis tout retourne à un calme prolongé. Un adepte des théories du complot, haha, serait capable d’affirmer que Daesh recule sous les ordres de quelqu’un, vous ne trouvez pas?

 

La deuxième caractéristique particulière n’est en rien un mystère et elle est bien documentée. Aussi étrange que cela puisse paraitre à ceux qui ne sont pas familiers du sujet, les FDS n’ont pas pour objectif de détruire Daesh au contraire de ce que croit ce pauvre abruti de Trump. Non, les FDS ont pour seul objectif de créer un Etat kurde sur un territoire prédéfini par les Etats-Unis. Le territoire syrien occupé par Daesh en Syrie en dehors de cette zone prédéfinie, même lorsqu’il fait frontière avec le future Etat kurde des FDS, ne semble poser aucun problème pour les FDS. Attitude bien particulière pour une organisation qui, selon les médias occidentaux, est à l’avant-garde de la lutte du «monde libre» contre le «terrorisme islamique», ahahah ! Laissez-moi rire !

 

Complicité entre «rebelles» et Daesh

 

Le Plan B de création d’un Etat kurde grâce aux FDS n’aurait jamais été possible sans l’existence de Daesh. Mais il y a plus à analyser. Voyons maintenant le point d) La Syrie ne tente pas de récupérer ces terres à cette entité puisqu’elle doit combattre les «rebelles» terroristes d’un côté et Daesh de l’autre. La Syrie n’a pas les moyens physiques, ni logistiques ni humains pour faire face aux avancées et aux ambitions des FDS sans s’être auparavant débarrassée des «rebelles» terroristes et de Daesh. Donc, le séjour prolongé de ces derniers est un problème pour l’armée syrienne, fait évident qui ne requière pas  de grande analyse. Une analyse plus intéressante à faire, à mon avis, serait celle de l’interaction/complicité entre les rebelles terroristes et Daesh, et les conséquences positives qu’elles ont pour les ambitions des FDS, c’est-à dire des États-Unis en Syrie.

 

On pourrait parler des innombrables cas de mercenaires étrangers qui ont changé d’employeur à maintes reprises, d’un côté à l’autre, entre «forces rebelles», toutes les variations d’Al-Qaïda et de Daesh, mais ça n’en vaut pas la peine,  puisque ce sont des faits bien documentés, il suffit de chercher en ligne ces faits facilement accessibles. Je prends tout-de-même un exemple:

 

 

Ce qui m’intéresse pour cet article, c’est d’analyser les réactions et, à ce sujet, deux types de réaction sautent aux yeux après une analyse de l’évolution de la carte du conflit syrien sur un long intervalle de temps. D’abord, il existe plusieurs zones frontalières entre les «rebelles» terroristes et Daesh qui se maintiennent stables sur la durée et où rien ne se passe. Ensuite, les attaques/conquêtes de l’armée syrienne contre l’un de ces groupes («rebelles» terroristes ou Daesh) sont le plus souvent suivies d’attaques presque synchronisées de l’autre groupe sur l’armée syrienne. Sachant que la couverture syrienne n’est pas sans fin et qu’elle ne peut recouvrir toutes les parties du corps en même temps, l’une de ces parties va inévitablement avoir froid, non?

 

Vous voulez des exemples graphiques de voisinage et cohabitation pacifique entre les «rebelles» et Daesh au fil du temps ? Voyez les cartes ci-dessous :

 

arredores de Damasco

Banlieue de Damas

 

sul da Síria

Sud de la Syrie

 

centro da Síria

 Centre de la Syrie

 

nordeste da Síria

Nord-est de la Syrie

 

Et maintenant, vous voulez des exemples de la simultanéité entre «rebelles» et Daesh dans l’agression à l’Etat syrien? Voici 2 exemples parfaits et récents, dont l’un d’eux est bien connu. Je commence par le bien connu. Devant la grande offensive syrienne contre les «rebelles» terroristes à Alep-est en décembre dernier, qui a obligé les syriens à mobiliser une grande partie de leur armée au nord du pays, Daesh en a profité pour reconquérir Palmyre au centre du pays. A l’inverse, la semaine dernière, devant l’avancée rapide de l’armée syrienne contre Daesh dans la province d’Alep, en direction de la ville de Raqqa, les «rebelles» terroristes ont réalisé une grande quantité d’attaques et d’attentats terroristes dans les zones de Damas et de Hama, qui ont donné lieu à l’arrêt des attaques de l’armée syrienne contre Daesh pendant 2 jours. Cependant les syriens ont repris le rythme qui leur permet de conquérir plusieurs villages par jour dans la zone de l’autoroute Alep-Raqqa.

 

La création de l’«Etat Plan B» et la destruction de la Syrie

Analysons enfin et concrètement le point e) cette entité se déclare, tôt ou tard, indépendante, se maintenant sous occupation militaire des EUA, ce qui en fait un Etat vassal des EUA.

 

Déjà, à part la ville de Raqqa et le triangle presque totalement désert à côté de la frontière iraquienne, le mélange FDS (inventé par les EUA pour servir de force motrice à la création d’encore un Etat vassal de l’Empire) contrôle déjà presque la totalité du territoire prévu pour le futur état kurdo-gringo au nord-est de la Syrie. Voyez la carte ci-dessous, dans laquelle FDS apparaît en jaune, et comparez-la avec le drapeau des FDS au-dessus :

 

FDS

 

Ensuite, à en juger par la carte blanche de Trump à son armée pour faire ce qu’elle veut en Syrie sans sa supervision présidentielle, tout est prêt pour que les EUA essaient au moins la colonisation définitive du nord-Est de la Syrie. Je sais que cela ne passe pas dans ce pays en bord de mer et en mort cérébrale qu’est le Portugal*, mais ce sont des faits vérifiés, y compris annoncés par le Pentagone que, ces 3 dernières semaines, 5000 troupes américaines sont arrivées dans la zone contrôlées par les FDS ainsi qu’un escadron de bombardiers B-52. Objectif officiel : conquérir la grande ville de Raqqa à Daesh qui, selon les mots du ministre des Affaires étrangères de l’Etat terroriste français, Jean-Marc Ayrault, une fois conquise, ne sera pas rendue à son propriétaire légitime, la Syrie.

*L’auteur est portugais

 

 

Et pire, en mettant la charrue avant les bœufs, la toute nouvelle proclamée Administration Autonome du Nord de la Syrie, c’est-à dire le FDS sans armes, a averti il y a 3 jours qu’elle ouvrirait dès que possible des représentations diplomatiques…devinez où… aux EUA et au Royaume-Uni, bien-sûr!

Mais rembobinons un peu les évènements et voyons comment le jeu d’échecs du Terrorisme-colonisation de la Syrie a été joué par les EUA, et quels ont été les derniers coups bas les plus importants des EUA en route vers leur nouvelle création impérialiste. Pour ce faire, il faut, en premier lieu, analyser sur la carte ci-dessous ce que j’appelle «la route de Daesh» ou, si vous préférez, le système sanguin de Daesh sans lequel celui-ci n’aurait jamais pu bénéficier d’une existence si prolongée :

 

a "estrada do ISIS"

 

La «route de Daesh» suit le parcours de l’Euphrate et s’étend depuis le frontière iraquienne jusqu’à la frontière avec la Turquie, ce qui a longtemps permis le mouvement de mercenaires de Daesh entre la Turquie, la Syrie et l’Iraq, tout comme l’entrée en territoire syrien d’équipement militaire de l’Otan pour Daesh transitant par la Turquie et dans le sens inverse, le pillage par Daesh du pétrole syrien transporté en camions citernes jusqu’à la ville turque d’Adana. Bien qu’il contrôle encore la quasi-totalité de cette route, Daesh a perdu le 3 septembre 2016 la connexion par terre à la Turquie (voire ici) et, plus important, il a perdu la connexion au territoire syrien occupé par l’Etat terroriste turc il y a un mois, le 26 février (voire ici). Ce changement donne lieu à la fin de l’approvisionnement en armes par terre, mais il continue par air, comme le montrent les nombreuses informations documentées de livraisons étatsuniennes par parachutes, informations qui persistent à ne pas apparaître dans nos médias en langue portugaise (et française).

 

Un autre motif stratégique de cette «route de Daesh» est de coïncider avec la localisation d’une bonne partie  des réserves énergétiques syriennes, ce qui a permis de soutenir économiquement Daesh pendant tout ce temps.

 

Les syriens ne se sont jamais approchés de la « route de Daesh » durant ces 2 dernières années, pour des raisons évidentes. La Syrie est un petit Etat aux ressources limitées, combattant simultanément plusieurs agressions et invasions venues d’Israël, de la Turquie, des «rebelles» terroristes sponsorisés par l’occident, de l’OTAN, des FDS (comme vous préférez), il y a longtemps qu’ils auraient pu étrangler Daesh en coupant leur route en un ou plusieurs point vitaux. Si ils l’avaient fait, il y a longtemps que Daesh aurait arrêté de pouvoir faire circuler des armes, antiquités volées, pétrole et argent, et sans rien de tout ça, il n’aurait pas résisté aux avancées de l’armée syrienne par le sud.

 

Mais voilà, précisément pour empêcher le gouvernement syrien de reconquérir son propre territoire à Daesh, ayant pour conséquence la libération  de moyens et d’hommes sur d’autres fronts plus anciens contre les «rebelles» terroristes, et peut-être de nouveaux fronts contre les FDS, les EUA n’attaqueront jamais Daesh au sud de l’Euphrate, à cette frontière naturelle choisie par les EUA pour désigner le futur « Kurdistan-gringo » de la Syrie. Au contraire, comme vous vous le rappelez peut-être, les EUA ont attaqué pendant 3 heures sans arrêter l’enclave militaire syrienne de Deir Ezzor, la seule partie de la «route de Daesh» contrôlée par l’Etat syrien. Malgré les innombrables avertissements de la Russie, et malgré qu’il soit connu que Deir Ezzor est contrôlée par les syriens depuis longtemps, bien que les EUA aient les meilleurs satellites de cartographie du monde, les EUA ont détruit une partie des tanks et des avions syriens stationnés là et ont tués plus de 100 soldats syriens. Résultat: Daesh a reconquit une partie de Deir Ezzor aux syriens encore une preuve indirecte des liens entre les EUA et Daesh. Autre résultat: avec l’affaiblissement des syriens à Deir Ezzor, Daesh a pu descendre jusqu’à Palmyre et conquérir à nouveau cette ville historique où ils en ont profité pour démolir ce qu’ils n’avaient pas eu le temps la première fois. Merci les EUA !

 

Vu l’infini pouvoir militaire des EUA se trouvant là juste à côté, au nord du fleuve, dans la zone des FDS, s’il y avait vraiment volonté des EUA d’étouffer Daesh, ils auraient facilement pu le faire en peu de jours, sans aucun besoin de tuer de civils vu que la route est déserte en grande partie. S’ils ne l’ont pas fait, j’insiste, c’est parce que le sud de l’Euphrate ne fait pas partie du projet de «Kurdistan-gringo», et parce que plus de syriens meurent, mieux c’est (pour les EUA, bien-sûr).

 

Les plus observateurs doivent avoir remarqué que sur la carte se trouve une zone jaune (EUA/kurdes/OTAN) au sud de l’Euphrate, mais, non, il n’y a là aucune contradiction de ma part, bien au contraire. Cette partie jaune au Sud de l’Euphrate a été conquise la semaine dernière, en un seul jour, ce qui prouve que j’ai raison quand je dis qu’il est extrêmement facile pour les EUA d’étouffer Daesh s’ils le veulent et, très important, ça n’est pas l’exemple d’un étouffement de Daesh, ni de l’expansion  des FDS au sud de l’Euphrate. C’est une troisième explication machiavéliquement simple. Mais avant l’explication, il faut comparer ces 2 cartes :

 

avanço Síria contra ISIS, Março 2017

 

L’armée syrienne a reconquit beaucoup de territoire à Daesh depuis le début de l’année, à un rythme de plusieurs kilomètres et plusieurs villages par jour. En continuant à ce rythme, en quelques semaines l’armée syrienne arrivera aux portes de Raqqa. C’est pour cette raison que la machine de guerre des EUA a activé la semaine dernière des attaques contre des syriens à Damas et Hama, de manière à freiner, comme je l’ai dit au-dessus, cette rapide avancée syrienne contre Daesh. Et c’est ici qu’arrive l’explication de la traversée de l’Euphrate par les FDS/OTAN/EUA : les EUA ont décidé de saboter l’avancée syrienne contre Daesh. Simple. Vous en voulez des preuves ? En voici, plusieurs, ordonnées chronologiquement et précédées par des cartes illustratrices:

 

22-03-2017

 

Le 22 de ce mois, il y a une semaine, et avec une grande facilité, les EUA et compagnie sont passés au sud de l’Euphrate et ont conquis un morceau de route Alep-Raqqa, avec pour résultat stratégique de couper l’accès à Raqqa aux syriens venant d’Alep, précisément la route sur laquelle ils avaient avancé rapidement ces dernières semaines.

 

23-03-2017

 

Le lendemain, 23 mars, les EUA ont bombardé et détruit un pont au sud de Maskanah (point bleu), ce qui a eu pour résultat pratique le sabotage de la route d’avancée de l’armée syrienne qui aujourd’hui, 28 mars, est arrivée à ce village de Maskanah où ils combattent en ce moment les mercenaires de Daesh.

 

25-03-2017

 

Deux jours après, le 25 mars, les États-Unis et compagnie avançaient 5 km de plus à l’est, jusqu’au croisement qui connecte  la route Alep-Raqqa à la route Hama-Raqqa. Objectif: couper la seconde route par laquelle pourrait avancer l’armée syrienne vers Raqqa, venant du sud.

 

Durant ces derniers jours il y a eu une pluie d’attaque des «rebelles» terroristes à Hama et Damas qui, par conséquent, ont paralysé temporairement les avancées syriennes contre Daesh sur la route Alep-Raqqa. Ces avancées ont repris hier.

 

26-03-2017

 

Avant-hier les EUA et compagnie ont avancé d’un kilomètre à l’Est pour occuper Tabqa, une grande base militaire de la Syrie (petit carré orange à l’est du croisement, dans la zone jaune, en bas de al-Thawrah), agissement ne laissant aucun doute quant à l’intention des EUA d’empêcher que l’armée syrienne s’approche de Raqqa. Je parie que dans les prochains jours ils étendront encore un peu plus leur zone de contrôle à l’est du croisement et de la base, juste pour garantir le blocage  de l’armée syrienne. Et de cette manière, il ne reste que la troisième route Deir Ezzor-Raqqa, option sans intérêt puisqu’elle correspond à la «route de Daesh» et qu’il ne sera pas possible de l’emprunter de sitôt. Avant ça, il faudrait reconquérir l’étendue Palmyre-Deir Ezzor, ce qui n’est pas prévu pour l’instant, dû à la présence massive de Daesh à l’est de Palmyre. Donc, l’accès de l’armée d’al-Assad à Raqqa est techniquement coupé, à moins que dans les semaines qui viennent, quand l’armée syrienne arrivera au croisement fatidique volé par les américains, ceux-là se décident à attaquer ceux-ci. Et ils auraient les raisons et le droit de le faire mais, problème important, cette attaque signifierait une confrontation directe entre les militaires russes et les militaires étatsuniens. Vous voyez ce que ça donnerait, n’est-ce pas?

 

Et vous voyez de quelle façon perverse se déroule le terrorisme-colonisation en Syrie? Et vous voyez comment, pour les EUA, il est plus important d’empêcher que les syriens s’approchent de Raqqa que de libérer la population de Raqqa des mains de Daesh? Ahhhh, quelle libération? Quels principes humanistes? Quel altruisme? Quels droits de l’Homme? Quelle lutte contre le terrorisme? Bref…

 

Si par malheur l’impérialisme militaire des EUA réussit et qu’a lieu la création d’un Etat vassal étatsunien au nord-est syrien où se trouvent une bonne partie des réserves de gaz et de pétrole syriens, je propose ce drapeau pour cet infâme Etat fantoche en couverture de cet article:

 

Futura Bandeira do Estado Plano (aka Curdistão Sírio, aka Rojava, aka Mais 1 Estado dos EUA)

 

Luís Garcia, 28.03.2017, Chengdu, China

(Traduit par Claire Fighiera)

 Lisez plus d’articles sur la Syrie ici

 

 
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Um incrível dia em Tbilisi, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 30

Um incrível dia em Tbilisi

 

bw  Luís Garcia  VIAGENS 

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

16.06.2014

Num apartamento minúsculo e muito velho, sem água corrente e muito más infra-estruturas, foi com enorme espanto que descobrimos que tinham ligação de internet por fibra óptica de 100 mb/s! É o tudo ou nada por estas bandas! Quanto ao prédio, nos corredores e por fora, completamente arrasado, sujo, esburacado e com dezenas de cabos de todos os géneros formando teias pelos corredor sombrios. Uma sovietice de topo! De facto o prédio era suposto estar abandonado mas muita gente veio procurar nele um lugar abrigado onde viver sem grandes despesas, sobretudo no período a seguir à guerra da Abecásia de 2008 e que provocou uma enchente de refugiados dentro da Geórgia. A família de Tamuna é um exemplo disso mesmo, oriundos de uma cidade perto da capita abecázia, viram-se em 2008 obrigados a procurar refúgio numa outra cidade no lado geórgio. Tamuna e os 2 irmãos vivem na capital devido aos estudos e à maior oferta de trabalho.

 

De manhã bem cedo Tamuna partiu para Stepantsminda. Nós ficamos com os 2 irmãos, Gio e David. A meio da manhã David foi tratar do seu ganha-pão: passear cães de gente rica. Gio, eu, Claire e Diogo ficámos na moleza a manhã toda, comendo, conversando e tocando guitarra. A única saída foi para encontrar um loja no 9º andar do bloco B, imagine-se, num labirinto soviético impossível de descrever e onde é quase certo uma pessoa se perder. Felizmente éramos 2, eu e Claire, conseguimos  comprar café e voltar sãos e salvos à casa dos nossos hóspedes, de onde partimos todos já por volta da hora de almoço quando David regressou. Que moleza! A primeira etapa do dia foi a zona soviética em redor onde vivem e onde existem 4 atracções principais: os prédios em ruínas, uma velha ponte, um teleférico abandonado deste o colapso da URSS e uma grande universidade bastante degradada. 

 

Dá que pensar esta resistência do teleférico soviético (ver capa) assim como muitas outras obras desse período. Neste caso, um teleférico parado a meio do percurso há pelo menos 23 anos, não apresenta nenhum tipo de degradação, provando que foi feito para durar! Até a tinta está como nova. Compare-se com a produção ocidental que segue um modelo declarado de obsolescência programada, de forma a que tudo dure pouco e el pueblo consuma muito e… aí está, façam-se as óbvias conclusões. E não adianta falar de outras sovietices em mau estado presentes nas minhas próprias fotos, pois o problema com essa herança soviética está no mau uso dado pela a Geórgia independente e não na qualidade dos produtos. Ao ficar a meio do caminho, protegido do contacto com humanos, este teleférico não se transformou em mais uma sovietice enferrujada, antes passou a ser uma peça de museu congelada no tempo! MADE IN USSR! 

 

Depois da viagem no tempo pelo bairro, apanhámos os 5 um autocarro para o centro, onde reencontrámos o velhinho fluente em francês que nos ajudara uns dias antes. Que alegria poder revê-lo! Também no centro fomos nos encontrar com um amigo de Gio e David, que durante o resto do dia seria o nosso guia turístico oficioso. Das 13h30 às 21h30 fez-nos andar que nem loucos, subir e descer ruas a pique, sempre debaixo de temperaturas escaldantes. Parecíamos estar num treino de forças especiais! Mas ainda bem, em poucas horas ficámos a conhecer Tbilisi melhor que a maior parte dos geórgios (ver os álbuns abaixo, ao fundo)! Ah, mas ouve direito a pausa a meio da tarde: os irmãos de Tamuna (imensamente hospitaleiros) levaram-nos a almoçar soberbas especiarias nacionais (Ratchapuri e Ringali) acompanhadas com boa cerveja local! Que regalo, quando saí do restaurante mal podia me mexer, hehe! 

 

Tbilisi

 

À noite em casa de David e Gio, comemos muita melancia, trocámos ideias de política, de cinema, de música, cantámos e tocámos guitarra… vida boa, simples, interessante e tranquila...

 

Álbuns de fotografia

 

Luís Garcia, 21.05.2017, Ribamar, Portugal

 

Se quiser ler mais estórias desta viajem clique em:

 

 

 
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White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 3, por Luís Garcia

 

 

White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 3

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE Fake News  

 

Depois de lidas a primeira e segunda parte de White Helmets, humanistas ou terroristas?, aconselho-vos a assistir aos vídeos das duas listas abaixo, sobretudo ao primeiro, no qual são explicados por Vanessa Beeley, de forma exaustiva, a origem dos White Helmets, o seu financiamento e as pessoas/países/corporações por detrás deste órgão de propaganda terrorista.

 

White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 1   White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 2

 

Documentários sobre os White Helmets

 

The White Helmet exposed, by Vanessa Beeley

 

UK Column - Syria White Helmets: Humanitarians or Executioners

 

White Helmets, humanist-terrorism

 

CROSS TALK - Vanessa Beeley, Eva Bartlett & Patrick Henningsen expose the White Helmets

 

 This ISIS video proves White Helmets work for ISIS

 

 Tapestry of terror, White Helmets exposed as FSA terrorists linked with ISIS

 

Vídeos interessantes sobre os White Helmets

 

White Helmets assistem a uma execução em público na Síria (de hoje, 19.05.2017)

 

Error of judgment’ White Helmets apologize for bizarre mannequin challenge video

 

 

Netflix and the White Helmets, hand in hand with al-Qaeda

 

 

The White Helmets, a Western ONG Terrorist Organization

 

Who are the White Helmets

 

Marcus Papadopoulos exposing British government and the White Helmets on the BBC

 

Struggling for peace, ‘White Helmets’ Nobel Prize nomination sparks controversy 

 

White Helmets - Faked rescue vs Mannequin Challenge

 

Who are the White Helmets 

 

White Helmets Meeting Directly Links Fake Aid Organization to FSA Terrorist Groups

 

Luís Garcia, 19.05.2017, Ribamar, Portugal

 

 
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A incrível estória de Sighnaghi, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 29 

A incrível estória de Sighnaghi

 

bw  Luís Garcia  VIAGENS 

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

14/15.06.2014

A aventura começou de forma humilde, comendo massa ao pequeno-almoço e lavando a loiça antes de partir. De malas às costas descemos a pé até ao centro da cidadezinha de Stepanstminda e começámos a pedir boleia. A primeira apareceu de imediato mas avançou-nos apenas 8 km. A segunda levou mais tempo a aparecer e acabou por nos levar longe demais. Eu explico.

 

A boleia foi-nos dada por um condutor de táxis de longa distância que vinha da Rússia com a carrinha vazia e dirigia-se ao seu país, o Azerbaijão. A língua turca e azeri são quase idênticas mas por mais que tentássemos explicar em turco o nosso trajecto e perguntar-lhe o dele, o homem nunca conseguia perceber nada. Além do mais não sabia nenhuns nomes de cidades geórgias além de Tbilisi, o que não é normal para um TAXISTA oriundo do PAÍS VIZINHO. Enfim, atravessámos com ele o sinuoso e lento percurso que liga Stepanstminda a Tbilisi sem stress nem mais problemas (além da impossibilidade de comunicar). Só a partir de Tbilisi a estória se complicou pois o taxista que insistia estar a dirigir-se para o Azerbaijão não nos conseguia dizer por que rota ira passar: por sul, que não nos interessava, ou pelo leste que passaria por Sighnaghi (nossa próxima etapa)! Como sabem o trânsito é sempre complicado e as rotas nadas evidentes dentro de uma capital, muito menos em Tbilisi por onde têm de passar 100% daqueles que tentem ir não importa onde na Geórgia. Quando o vimos entrar numa estrada na qual um painel indicava “Aeroporto” ficámos tranquilos, visto que o aeroporto fica 15 km a leste de Tbilisi. Para nosso descontentamento, pouco quilómetros depois começámos a perceber que não nos deslocávamos para leste mas sim para sul. Entre tentar analisar a estrada e explicar que não deveríamos ir por ali, quando conseguimos fazer parar a viatura já estávamos às portas da cidade soviética de Rustavi, bastante a sul de Tbilisi. Que filme! À nossa volta só relíquias do período soviético enferrujadas, bombas de combustíveis perdidas no tempo e imensos campos abandonados...

 

à boleia com mafiosos…

Por sorte um carro parou perto de nós e aproveitámos para pedir boleia. Outro filme. Entrámos num carro blindado de 2 mafiosos! Ao carro faltava-lhe quase todo o interior e o esqueleto mais os componentes electrónicos estavam todos expostos. Impossível baixar o vidro ou abrir a porta por dentro. Claramente, o processo ilegal de blindagem do bólide ainda estava em curso. Os 2 homens eram muito sinistros, sobretudo o condutor, gigante, muito gordo, com fios de ouro e suando por todos os lados. Pareciam muito ocupados com telefonemas e não nos prestavam muita atenção. Mas quando o faziam eram simpáticos! Enfim, com tantas fotografias de nossas senhoras e meninos jesus no carro, dava para perceber que eram mafiosos com uma parte fraca e que, tal como no filme O Padrinho, quem rouba e mata sem escrúpulos também é capaz de genuínos actos de generosidade. Quanto ao carro, que aventura, desligava-se sozinho de 5 em 5 minutos, tendo o condutor de desligar e ligar a chave mesmo em andamento… mmm, um Mercedes de luxo roubado ainda há pouco, com o sistema anti-roubo ainda por desactivar, não? Para provar que queriam mesmo nos ajudar, deixaram-nos na entrada sul da cidade num cruzamento onde uma placa indicava “Aeroporto” e “Sighnaghi”! Ah, que alívio...

 

Tbilisi

Desse cruzamento andámos a pé uns 3 km até não poder mais. Decidimos encontrar um autocarro urbano que nos levasse até ao fim da cidade para podermos fazer boleia. Pedimos ajuda a uns velhinhos que nos explicaram como ir de bus até ao centro e daí de metro até à estação com autocarros para Sighnaghi. No entanto, teimámos em seguir para leste por aquela estrada, com um bus urbano, sobretudo depois de encontrarmos mais uma placa indicando o aeroporto. E assim foi, fomos até ao fim da linha para descobrir que o bus não se dirigia para a saída leste de Tbilisi mas sim para um caótico e enferrujado barro soviético. Fizemo-nos (ainda mais) de parvos, perguntámos pelo centro e o simpático condutor convidou-nos a seguir agora no sentido contrário sem pagar novo bilhete. Assim poupámos 0,20 € cada! Com novas e contraditórias informações sobre a localização da estação de autocarros, atravessámos o centro a pé e subimos ao monte central da capital onde pudemos apanhar o metro, ainda sem saber se sairíamos na 2ª ou na 3ª paragem, conforme nos tinha dito antes o velhinho ou agora um jovem. Apostámos na versão do mais velho e sábio e fizemos bem. Estávamos no sítio certo, sem sabermos, mas foi preciso um outro enorme filme para confirmarmos este facto!

 

A “estação” era uma rua comercial cheia de lojas de telemóveis e fast-food. Autocarros nem vê-los! Apenas um enxame de táxis e uns cabrões de taxistas piores que abutres de volta de nós gritando e tentando vender os seus absurdamente caros serviços. Humanismo nem pensar! Uma pessoa pergunta-lhes onde estão autocarros e estes seres abestalhados metem-se a fazer troça e a dizer javardices em russo enquanto nos viram as costas todos contentes! E por incrível que pareça, ninguém (todos excepto os taxistas que sabiam mas não queriam dizer) sabia nos dizer onde encontrar UM autocarro nesta enorme estação de autocarros! Parecia estar a visitar uma realidade paralela, hehe! Desistimos e fomos embora, a caminho da outra paragem de metro. Na estrada principal, logo no início do caminho encontrámos um local que dizia ter a certeza de haver autocarros para Sighnaghi na estação donde acabáramos de sair,  não sabendo porém dizer em que parte! Ok, voltámos para trás. Atravessámos toda a estação a pé, a subir, e no fim da rua da estação perguntámos pelos autocarros a uma jovem senhora: fugiu de nós. Perguntámos a um jovem casal, a rapariga queria nos mostrar mas o rapaz não. Com insistência lá vieram connosco, avançámos 15 metros para além de um cruzamento por detrás do qual se encontravam escondidos um monte de mini-autocarros! Que palhaçada!

 

Não havia nenhum autocarro directo para Sighnaghi, apenas para Tsnori, uma cidade 7 km ao lado. Para nós tudo bem, aliás sabíamos que teríamos de passar por Tsnori, o problema foi explicar ao jovem casal e aos condutores de autocarros que nós sabíamos onde era Tsnori e que realmente queríamos apanhar aquele autocarro! Ah, que cansativos. Enfim, lá conseguimos nos entender. Dentro do autocarro fomos encontrar, para nosso espanto, e a chorar, a jovem que minutos antes fugira de nós quando perguntámos por este mesmíssimo autocarro! Ah, mundo louco. Infelizmente para ela, poucos minutos depois apareceu a razão pela qual chorava. Um turco marialva e bruto que lhe gritava (em turco), apertava-lhe o braço e quase lhe batia em frente a toda a gente. Não entendo relações assim, que faz esta jovem com um psicopata destes! Que horror!

 

Mesmo no momento da partida entrou mais um passageiro que se foi sentar no único assento disponível, ao nosso lado. Era guia turístico, falava um pouco inglês e era fluente em turco. Por decisão dele a conversa desenrolou-se em turco. Completamente autista mas bom rapaz, não parou de nos bombardear com perguntas, sem ter a necessária empatia para perceber que não tínhamos conhecimento de turco para seguir o seu discurso à velocidade da luz, nem tampouco empatia para esperar pelas respostas. Só queria falar e não ouvir. Para aquecer o ambiente o marialva turco entrou na conversa de forma arrogante e bruta discordando do geórgio porque sim, apenas para poder por em acção a sua pilha de testosterona! O pobre autista geórgio era demasiado autista para perceber a provocação gratuita do turco e decidiu responder. O guia geórgio, imagine-se, era tão chato e tão autista que até o macho-man turco desistiu de falar e voltou a virar-se para a frente. Que viagem surreal!

 

Muitas horas depois, já noite, chegámos a Tsnori, uma terra improvável onde só há farmácias e bancos (2 coisas que nunca encontrámos viajando pelo interior da Geórgia). Este país é de extremos, ou tudo ou nada. o que rimos quando vimos aquela fila toda de farmácias numa vila assim tão pequena. Muito bom mesmo.

 

Como era noite tivemos de deixar a ida a Sighnaghi para o dia seguinte e procurar um local para pôr a tenda. A terra é pequena e em poucos minutos fomos da estrada principal (num extremo da vila) até ao posto de polícia no outro extremo. Pelo caminho havíamos visto um parque e aí voltámos para montar a tenda, pese embora a enorme quantidade de locais bebendo e fazendo barulho. Uma boa parte deles estava sentado em frente a uma tela assistindo gratuitamente a cinema ao ar livre. Que sorte para eles que percebem geórgio! 

 

Nós instalámo-nos o mais confortavelmente possível com a tenda por cima de erva seca e abrigada por enormes árvores, acreditando ingénuos que a aventura do dia iria acabar por ali. Qual quê! À 1h da manhã acordámos assustados com gritos e rugidos de dois gajos malucos pedindo cigarros! Durante 10 minutos gritaram, ameaçaram, acenderam o isqueiro à volta da tenda, atiraram pedras até que um mandou um pontapé na tenda e aí saímos da tenda a gritar e com vontade de matar alguém! Fugiram mas ficaram perto, nós voltámos para junto da tenda apreensivos. Com tanta confusão apareceram 2 vizinhos do parque em cuecas e com cara de quem teria sido acordado com o barulho. Os bandidos explicaram a versão deles, nós chamámos-lhes de mentirosos em russo e explicámos aos vizinhos do parque que apenas queríamos dormir em paz, tudo isto com 7 ou 8 palavras em russo e muitos gestos. Pelo estado de alcoolismo dos 2 bandidos não foi difícil ao vizinhos perceber quem tinha razão. Ralharam com os dois bêbados e foram dormir descansados. Nós é que não, ficámos a vê-los atirar pedras e partir árvores a 20 metros de nós junto aos postes de luz. Nós viamo-los muito bem, eles a nós nem por isso. Tomámos uma decisão drástica, Claire iria sair do parque por detrás das árvores à escura, indo procurar a polícia ali mesmo ao lado. Nós ficaríamos ao escuro no parque entre o caminho para Claire sair, a tenda e os 2 bandidos, e seguiríamos atrás deles de faca nas mãos se eles vissem e seguissem Claire. Não viram. Ficámos atentos aos seus movimentos, a uma distância segura. Assim que se movimentaram, minutos depois, rumo à entrada do parque, respirámos fundo e fomos atrás deles, receando que Claire estivesse a entrar sozinha no parque. Mas não, tudo correra na perfeição e aquelas duas estúpidas criaturas estavam agora entaladas entre mim e Diogo num lado e Claire na companhia de 2 polícias do outro lado. Como os polícias só falavam geórgio e russo, começaram por ouvir os agressores e não os agredidos, mas eram muito boas pessoas e muito civilizados. Com calma tentámos explicar que estavam a mentir, que nós estávamos a dormir e não queríamos problemas com ninguém, mostrámos as pedras e as árvores partidas e imitámos o acto de tentar pôr fogo à tenda com isqueiros. Se dúvidas houvessem, os vizinhos apareceram de novo em cuecas e confirmaram a nossa versão. Infelizmente os geórgios ADORAM discutir e por isso ficámos ali mais uma hora a ouvi-los ralhar e discutir. Por fim desejaram-nos uma boa noite, disseram-nos para ficarmos tranquilos que nada de mal nos aconteceria de novo e levaram os dois bêbados com eles para esquadra. Pelo caminho os 2 ainda acenderam cigarros e puseram-se a fumar, provando que nem sequer teriam vindo pedir cigarros a nós, apenas tinham vindo “fazer merda” gratuíta…

 

Tsnori

De manhã acordámos todos sonolentos, depois da noite de stress mal dormida. Ainda assim despachamo-nos e ganhámos coragem para voltar à estrada. Faltavam apenas 7 km para chegar à famosa cidade histórica de Sighnaghi. Ao contrário do resto da Geórgia, a boleia prece não funcionar em Tsnori, de forma que tivemos de desistir e negociar (muito) um táxi. Os primeiros pediam 10 laris (4,16 euros) mas com paciência conseguimos um por 4 laris (1,66 euros). Pelo caminho fomos presenteados com a formidável vista de pomares de romãs, essa fruta tão exótica para nós mas tão comum por estas terras.

 

Em Sighnaghi fomos pedir a bebida mais barata que havia num restaurante/hotel de luxo (Coca-cola a 41 cêntimos) e aproveitámos para usar as casas de banho e pedir para nos guardarem as malas. Com toda a gentileza apareceram 3 empregados do hotel que levaram as 3 malas para lugar seguro nas arrecadações! Incrível. Estávamos por fim livres para explorar a cidade histórica e as longas muralhas ao lado que, embora enormes, parecem uma miniatura bem feita da Muralha da China. Passámos umas boas horas entretidos a passear, a tirar fotos, a brincar com as ruínas soviéticas e até a falar com locais (uma senhora fala espanhol melhor que eu!).  Sem dúvida um dia bem passado.

 

A meio da tarde fomos buscar as malas ao hotel de luxo e fomos almoçar uma pizza num local mais em conta, o WineWorld Bar, onde não falta sequer um poster grande do Vinho do Porto Ramos-Pinto. Aí aproveitámos para ligar aos nossos contactos de Tbilisi. Tamuna, a jovem simpática que conhecêramos em Stepanstminda não atendia o telefone. Tentámos então Irakli, um businessman que conheceremos semanas antes em Istambul. Com muita entusiasmo disse-nos que nos esperava em Tbilisi! Ah, que satisfação! Pagámos a conta e fomos para a estação de autocarros. A caminho da estação passou por nós de moto-quatro um dos polícias que nos ajudara no dia anterior. Parou para nos cumprimentar sorridente e seguiu à sua vida.

 

Horas depois, já em Tbilisi, ligámos de novo para Irakli. Para nosso desgosto informou-nos a sua secretária que tinha partido de emergência para Istambul! Tentámos de novo ligar a Tamuna e tivemos sucesso. Tamuna deu-nos as coordenadas todas e por acaso estávamos na estação de comboios, o local certo para apanhar o autocarro urbano para o bairro dela. Tivemos sorte porque quando apanhámos o autocarro urbano à chegada a Tbilisi, o plano era sair no centro; como são muito confusas as linhas de autocarros urbanos fomos para à estação de comboios. Ainda bem, até porque apanhámos o último autocarro urbano do dia que seguia até junto da casa de Tamuna. Se tivéssemos saído no centro teria sido um filme para ir ter com ela.

 

na casa de Tamuna

Na última paragem da linha 9 de autocarros ali estava Tamuna esperando por nós com sacos de compras nas mãos. Fomos com ela até ao prédio soviético em ruínas onde vive com os seus 2 irmãos quando não está a trabalhar em Stepantsminda. O serão foi muito interessante, conversámos, tocámos guitarra e comemos um prato tradicional preparado por Tamuna: o Elarji. Para nosso espanto, quando dissemos que estávamos cansados, os 3 irmãos foram dormir no chão da cozinha e ofereceram-nos o seu quarto com 3 camas! Que gente boa, demasiado boa!

 

Álbuns de fotografia

 

Luís Garcia, 18.05.2017, Ribamar, Portugal

 

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De Ananuri a Stepantsminda, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 28 

De Ananuri a Stepantsminda

 

bw  Luís Garcia  VIAGENS 

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

12/13.06.2014

O dia à beira-lago começou com banhos e muita moleza. A meio da manhã por fim ganhámos coragem para preparar um pequeno almoço e depois ainda houve tempo para um longo jogo de xadrez antes de partir. Por fim sentíamos deveras o prazer de viajar, tranquilos e felizes por o fazer…  Era já 1 da tarde quando pegámos as malas e nos pusemos a andar, 15 minutos a pé até à estrada principal e em seguida 15 minutos à espera para apanhar boleia. Que sorte incrível, logo à primeira encontrámos o carro que nos levaria a Stepantsminda. O condutor e o seu filho de 10 anos, arménios, estavam de viajem rumo a Rostov na Rússia. Stepantsminda fica a apenas 15 km da fronteira da Geórgia com a região russa da Tchétchénia! Por que caminhos foram se meter, hehe!

 

Logo ao início ofereceram 2 pêssegos a cada, mostrando a sua sincera hospitalidade. Como a paisagem é linda, o simpático senhor fez umas pausas estratégicas nas quais fizemos fotos magníficas, não só da natureza mas também de todas as relíquias soviéticas espalhadas pelo percurso. Fizemos uma outra paragem estratégica para encher as garrafas com água gelada e mais à frente uma paragem para almoçar os produtos caseiros que traziam na bagagem: ovos, queijo, pão, mel, galinha cozida, legumes, vodka e vinho! Que regalo. Poucos quilómetros à frente parámos num indescritível e belo miradouro soviético onde bebemos uns cafés oferecidos pelo condutor. Uns quilómetros antes do nosso destino houve tempo para uma última paragem numa fonte de água com gás que parece um mini-Pamukkale versão cor-de-laranja.

 

À chegada a Stepantsminda veio o momento mais difícil: como se separar de gente tão boa e querida, ainda mais com o miúdo arménio abraçado a nós quase a chorar! Que sufoco, mas enfim, fazem parte da viagem estas separações dolorosas. Fica a memória destas pessoas adoráveis que tão bem nos trataram e que encheram este dia passado nas montanhas da Geórgia.

 

Em Stepantsminda fomos dar com frio. Se no planalto central da Geórgia de onde saíramos pela manhã fazia mais de 35 graus, aqui, dada à elevada altitude, a temperatura era de 22 graus. De dia, porque de noite então era mesmo gelado! Como passámos quase o dia inteiro na estrada, à chegada a Stepantsminda era já hora de organizar sítio para dormir. O plano inicial era montar a tenda, mas com tanto frio e ameaça de chuva, decidimos dar uma volta pelos bairros mais pobres e “soviéticos” da “cidade” em busca de alguém para nos ajudar. O primeiro grupo de pessoas que falámos nem sequer perceberam o que queríamos. À segunda falámos com uma dona-de-casa que nem sequer deixava por a tenda no seu jardim! À terceira vimos espantados um adolescente passar (numa zona onde só se avistavam velhos) e pedimos ajuda. Falava um inglês excelente, chamava-se Tornike e 2 minutos depois já estávamos confortavelmente sentados na mesa da cozinha da casa que partilhava com outros colegas de trabalho (todos adolescentes, trabalhando num hotel de luxo ao lado, durante o verão). Uns minutos antes não sabíamos que fazer da vida nesta montanhas gigantes de clima ameaçador, agora tínhamos casa para 2 noites, jantar, banho quente, internet wifi, companhia divertida e inteligente e uma cama para cada um! Que luxuosa hospitalidade!

 

O nosso novo amigo Tornike não parava de nos surpreender com o seu nível de inglês e de cultura. Aos 19 anos tem já um conhecimento formidável de geografia, história, toca piano e clarinete, interessa-se por uma miríade de assuntos e consegue até dizer de cor os nomes de todas as equipas da 2º divisão portuguesa! Uma enciclopédia falante este rapaz! E não se calava um segundo, falava tão rápido que até se engasgava, eufórico, ansionso de contar mais e mais histórias e fazer-nos perguntas sem cessar! Que encanto! 

 

Além de Tornike, uma outra adolescente nos chamou a atenção pela sua extrema delicadeza, simpatia e altruísmo: Tamuna, uma jovem geórgia com origens na Abecázia e que também trabalha no restaurante de luxo. Apesar do manifesto cansaço, nunca nos deixou fazer nada, sempre pronta para nos ajudar e servir, teimosa em fazer valer a famosa hospitalidade geórgia (a vida dá muitas voltas e, hoje, os seus 2 irmãos e a sua mãe são amigos nossos, com quem mantemos contar regular via internet, mas isso é outra estória, um episódio ainda por vir deste Dos Balcãs ao Cáucaso)! 

 

Entre muita conversa e alegria a casa foi se enchendo de amigos deles e a noite avançou ao sabor de rabanadas (feitas com kefir na falta de leite) e de cerveja. Para o final uma das colegas de trabalho, Maya, até me fez o favor de cozer a recém-comprada bandeira da Geórgia na minha mochila de viagem! Enfim, um dia que deu para tudo… 

 

Pansheti

 

No dia seguinte de manhã pegámos em todo o equipamento fotográfico e fomos os 3 (eu, Claire e Diogo) caminhar 5 km pelo leito seco do rio, entre Stepantsminda e a aldeia de Pansheti onde ainda se encontram algumas casas antigas, em forma de torres e construídas exclusivamente em pedra. Foi uma caminhada de várias horas muito interessante, na qual podemos observar as magníficas montanhas em redor (a mais alta chama-se Kazbek e tem 5037 metros de altitude), as vacas de montanha pastado em precipícios, as relíquias do período soviético espalhadas um pouco por todo o lado e, claro, o elevado dinamismo do clima que pode mudar de um calor abrasador para chuva torrencial gelada em poucos minutos. Foi precisamente por esse tipo de chuva que nos vimos forçados a parar o passeio e correr para debaixo de uma ponte. Da ponte só saímos para apanhar uma boleia de um monge mudo que nos levou de volta ao centro de Stepantsminda. Com o tempo sempre a piorar não tivemos outra alternativa senão abrigarmo-nos na casa dos nossos hóspedes o resto da tarde onde comemos e descansámos. Ao lado da “nossa” casa havia uma pequeno casarote em ruínas e em remodelação, obra de 3 bêbados paranóicos. Sem darmos por ela, 2 deles entraram na “nossa” casa e “raptaram” o Diogo para o “obrigar” a beber vodka caseira. Quando voltou para contar a aventura, decidi ir lá eu, não para provar a terrível vodka mas sim para pedir pão. Consegui o pão, aliás, 4 pães velhos e secos mas gratuitos. Infelizmente tive de provar também da terrível vodka, não bebendo mais porque a garrafa estava no fim. Na sua primitivo-paranóica e ébria hospitalidade já não me queriam deixar sair, convidando-me a descansar numa das fétidas camas espalhadas pela caótica tentativa falhada de casa. Mas não, por entre abraços e baboseiras em russo lá consegui fugir a correr com os pães nas mãos! Ah, que alívio, longe da “malucada” e com pão para o almoço! Quando voltaram do trabalho os nossos hóspedes, juntámo-nos todos num tranquilo convívio que durou o resto do dia…

 

Stepantsminda

 

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Luís Garcia, 17.05.2017, Ribamar, Portugal

 

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De Metskheta a Ananuri, Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 27 

De Metskheta a Ananuri

 

bw  Luís Garcia  VIAGENS 

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

10/11.06.2014

Diogo chegou às 4h30 da manhã ao aeroporto internacional de Tbilisi. Eu e Claire estávamos a dormir no chão com os saco-camas, esperando por ele. Às 4h20 fui esperar Diogo nas chegadas; foi um dos últimos a sair, muito tranquilo. Como ainda era cedo, abriu o seu saco-cama e tentou também dormir no chão do aeroporto. Não durou muito. Pouco depois começou a ficar dia e cada vez havia mais gente e mais barulho. Às 6 da manhã desistimos da dormida impossível e pegámos um autocarro de 20 cêntimos para a estação central de comboios de Tiblisi, perto do centro da cidade e a 15 km de distância do aeroporto.

 

Estávamos os 3 muito cansados, sem energia, de modos que fizemos tudo em câmara lenta: comprar uns cafés e algo para comer, procurar o autocarro urbano com o qual ir até à estação da qual partem os mini-autocarros para Metskheta, fazer compras para o dia, etc.


Em Metskheta, um vila histórica protegida pela UNESCO e antiga capital da Geórgia, assim que saímos do mini-autocarro (era já hora de almoço), pusemo-nos a caminhar em direcção ao grande sonho do dia: o rio, onde queríamos lavar-nos bem e refrescar-nos o mais possível. Pelo caminho, para nosso espanto, adoptámos um cão, ou melhor, ele adoptou-nos a nós, seguindo-nos o resto do dia, descansando onde descansávamos mostrando-nos por vezes o caminho certo por entre a floresta que levámos uma hora a atravessar. Perto do rio fizemos o nosso acampamento e saltámos para dentro de água com sabão e champô nas mãos.

 

Álbum de Mtskheta

 

Já a cheirar a lavado e descontraídos, eu e Diogo fomos visitar o castelo e umas “ruínas soviéticas” muito interessantes. O cão, claro, veio connosco. Ah, que bela vista panorâmica de Metskheta se obtém do topo do castelo!

 

Quando saímos do castelo, mais pela brincadeira que pela necessidade, esticámos os braços a pedir boleia. Poucos segundos depois o segundo carro a passar parou e avançou-nos 1 km até à igreja que queríamos visitar. O cão, coitado ficou para trás, sozinho, mas não por muito tempo. Quando saímos da dita igreja lá estava ele de novo pacientemente esperando por nós e saltando de alegria por nos reencontrar. E Assim fomos os 3 todos contentes descendo a rua principal da cidade até ao complexo património da UNESCO onde se encontra uma das mais antigas igrejas do país. O cão não entrou, corrido a pontapé por um estúpido deficiente que espancou o pobre animal de tal forma que este fugiu a correr e nunca mais o vimos! Que nojo de gente!

 

À porta mais gente pouco aconselhável: um grupo de beatas vestidas de negro a falar pelos cotovelos e rindo, parando só para chatear os visitantes com os seus braços esticados e falsas lamentações nada convincentes. E mais, vendo o ar de desprezo dos visitantes, apontavam para um pobre paralítico mantido vergonhosamente ali em cativeiro ao calor por estas bruxas que em vez de tomar conta dele em casa o trazem para uma macabra exibição com fins lucrativos. Nojenta beatice!

 

Para compensar encontrámos uma simpática senhora, guia profissional em língua inglesa. Fui muito honesto com ela e expliquei-lhe que o preço do seu interessante serviço era completamente incompatível com o nosso orçamento de viagem. Tudo bem, não nos fez uma visita guiada gratuita mas ainda assim fez o favor de nos explicar um pouco da história do lugar e o significado dos símbolos pagãos tão abundantes dentro e fora da igreja central. Ah, e finalmente fiquei a perceber por chamamos Geórgia à Geórgia (é que em geórgio o nome é Sakartvelo, nada a ver): no tempo da Grécia Antiga esta região era famosa no mundo helénico pela fertilidade do solo e bom clima que combinados resultavam numa abundante produção de bem agrícolas. Ora “geo” em grego significa terra (Geologia: estudo da terra), e Geórgia é portanto o local com terra (boa para cultivo).

 

Graças às explicações da guia pudemos apreciar melhor os segredos contidos neste belo lugar, pelo menos do lado de fora da igreja e no jardim, porque dentro da igreja mal tivemos tempo para entrar. Uma vez mais a razão do contratempo foi gente estúpida. Um gajo paranóico, um dos “padres de serviço” veio embirrar comigo por ter um lenço árabe na cabeça e correu comigo da igreja para fora. Que estupidez, as mulheres são obrigadas a por lenço na cabeça se querem entrar nas igrejas geórgias, eu não posso entrar COM um lenço porque este tem um padrão de losangos pretos e brancos! Ah, que doença o fanatismo religioso!

 

Contentes pelo grande e interessante passeio, voltámos à beira-rio. Claire foi dar o seu passeio por Metskheta e nós fomos a banhos uma vez mais. Ao fim da tarde voltámos ao centro vagarosamente e entrámos num café. Para nossa alegria o filho da dona do café-hostel foi buscar uma garrafa de vinho caseiro e convidou-no a beber com ele. E mais, em inglês ajudou-nos imenso com dicas sobre como viajar na Geórgia! Nós que comprámos a bebida mais barata que havia só para poder permanecer ali esperando por Claire usando internet, acabámos por ser tratados com uma enorme hospitalidade! Ah, que gente boa desta vez! Mais tarde na viagem acabámos por concluir ser esta a norma na Geórgia! :)

 

O filme do dia aconteceu quando eu e o Diogo fomos para o relvado do campo de futebol local montar a tenda. Claire ficou para trás, no bar, usando internet. Quando tentou juntar-se a nós era já noite e perdeu-se. Ah, que filme, andámos os 3 a gritar e a usar lanternas pela cidade fora… Que barracada, nós que queríamos passar despercebidos com a tenda montada no campo de futebol e acabámos por chamar a atenção de toda a vizinhança. Bom, até foi divertido (talvez menos para Claire que apanhou um “susto do carago”! Eheh)

 

Álbum de Uplistsikhe

 

Na manhã seguinte, como de costume fizemos um cafezinho para os 3 com o nosso mini-fogão, desmontámos a tenda e voltámos à estrada, rumo às famosas grutas de Uplistsikhe, um dos primeiros centros urbanos do antigo Reino de Kartli (Geórgia clássica). Num ritmo alucinante apanhámos 3 boleias, pelas quais esperámos 2 minutos cada, e que nos avançaram alguns quilómetros. Só à 4ª boleia começámos por fim a aproximar-se de Uplistsikhe. A boleia até ia para o caminho certo rumo a Uplistsikhe mas o pobre homem confuso e sem saber bem por onde nos levar, deixou-nos num cruzamento no meio do nada do interior geórgio. Com a ajuda de uns locais que ali passavam, ficámos a saber que a estrada certa era aquela por onde seguira a boleia anterior! Que falhanço. Estávamos seguros que passaríamos o resto do dia ali no meio do nada, mas não, poucos minutos depois apanhámos boleia de um judoca que nos levou até ao cruzamento que dá para a vila de Uplistsikhe. Faltavam apenas fazer 7 km de novo no meio do nada, onde não passam carros nenhuns! No problem, ao virar da esquina estava um polícia muito simpático dentro de um luxuoso bólide de vidros fumados. Nem ousámos se aproximar da viatura, foi ele quem nos chamou e gentilmente nos levou até à entrada das ruínas! 

 

Uplistsikhe é de facto um lugar soberbo, dos melhores que já vi em tantas viagens. A atracção principal é o complexo de grutas de todas as formas e tamanhos, construídas para diferentes fins numa sociedade que deveria ser muito organizada, eficiente e limpa. Nas paredes de pedra esculpida não faltam sequer prateleiras. Por todas as ruas se encontram escadarias e regos para a água. Nos caves principais os baixos-relevos nos tectos imitam na perfeição as formas que se encontravam nos palácios de impérios como o Persa. Inclusive há tectos esculpidos na rocha imitando complexas estruturas de madeira! Que maravilha! Além de toda esta riqueza histórica e arquitectónica, a paisagem de vales em volta é de cortar a respiração e de um dos lados vê-se ruínas de uma outra época (mais recente creio)! A todos aqueles que planeiem visitar um dia a Geórgia, aconselho-vos vivamente a visitar Uplistsikhe!

 

Para sair de Uplistsikhe foi um grande problema, dos poucos carros que passaram nenhum parou nos levar. Tivemos que optar pelo mais duro, caminhar. Andámos cerca de 5 km sob um calor insuportável de malas às costas, até que por fim nos apareceu a boleia do dia. Um táxi geórgio com um cliente neozelandês que nos levou até à cidade de Gori (para entrar na auto-estrada), e daí mais umas dezenas de quilómetros até ao cruzamento com a auto-estrada rumo ao norte. O calor era cada vez mais, já nem parados aguentávamos o calor. Felizmente não levámos muito tempo a apanhar boleia de um bólide conduzindo pelo neto de um antigo jogador do Dínamo de Tbilisi que ganhou a Taça UEFA em 1981 e que jogou pela selecção da URSS contra Portugal, defrontando por uma vez Eusébio! Com mais uma boleia avançámos até à cidade quasi-fantasma de Jinvali. Que filme, uma vila de 2000 pessoas (onde estão não sei) na qual o melhor que se encontra são mini-mercados na rua principal sem electricidade nem gente a atender e com os produtos a apodrecer. Surreal, no mínimo… De tantas voltas e conversas absurdas com bêbados e com A Tradutora da vila, acabámos por encontrar boleia para o lago Jinvali sem voltar à estrada principal. Parecia que estávamos em mais um filme Kusturiciano!

 

Álbum de Ananuri

Finalmente em Ananuri, um vilarejo histórico ao lado do lago, largámos as malas e saltámos para dentro de água! Que lago e paisagem maravilhosa. Infelizmente já era quase noite e não deu para aproveitar muito. Fomos pedir aos donos de uma casa ao lado se nos deixavam usar a relva do jardim e, além da resposta positiva, recebemos peixe assado, peixe acabado de ser pescado no lago, legumes e um fogão emprestado para cozinhar. Mesmo em frente a nós no parque do lago fui encontrar um checo reparando a sua mota a quem pedi fita-adesiva para reparar a nossa tenda. Como é de adivinhar, o checo e um amigo seu acabaram por vir jantar connosco e trouxeram-nos cerveja com a qual acabámos o dia em bem…

 

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Luís Garcia, 14.05.2017, Ribamar, Portugal

 

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Pornografia para intelectuais

 

 

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RICARDO MINI copy   Enciclopédia Portuguesa dos Bons Costumes    

Prefácio  A - B - C - D - E - F - G - H - I - J - K - L

- MN - O - P - K- R - S - T - U - V - W - X - Y - Z

 

Ainda aguardo pelo dia em que comecem a fazer pornografia para intelectuais.

Qualquer coisa como uma rapariga/senhora esbelta ir sussurrar ao ouvido de um gajo “Neste momento, sinais visuais processados no teu lobo occipital estão a ser dirigidos para o sistema límbico, o qual está a ordenar o aumento da produção de dopamina, que terá como alvo os recetores no teu córtex pré-frontal, assim como o hipotálamo ordenará a produção de mais testosterona para te provocar uma ereção e competir com a oxitocina que as memórias de ligação emocional da tua mulher estão a tentar fazer que prevaleça. Vais passar por um curto conflito, mas assim que eu expuser os meus seios [abre a camisa], regiões subcorticais do teu cérebro vão identificar claros sinais de fertilidade, e já não vais querer saber de mais nada. Mas, não te preocupes, porque como dizia o Piaget a memória processual que instalaste na tua mente depois de várias relações extraconjugais vai facilitar a decisão de desapertares o cinto. A memória representativa vem depois, e vais ter muito tempo para inventar uma desculpa para o facto de teres mandado vir uma canalizadora com corpo de modelo para resolver um problema…da tua canalização.”

E pronto, é isto.

Ricardo Lopes

 
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A caminho de Tbilisi, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 26 

A caminho de Tbilisi.jpg

 

bw  Luís Garcia  VIAGENS 

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

08/09.06.2014

Batumi

Dia 8 de Julho: Começámos o dia com maldição vinda dos céus: após horas a chover durante a madrugada, saímos da tenda de manhã para descobri-la no meio de um rio de lama que escorria dos montes de terra à nossa volta, no estaleiro de uma estrada em construção. É no que dá por-se a montar a tenda em sítios que não lembram a ninguém.


Para compensar fazia sol e estávamos a apenas 20 metros do Mar Negro! Ainda estou para perceber por que razão todos os turcos que encontrámos nesta zona norte da Turquia nos falam maravilhas (mentira, antes hiper-capitalismo de dar vómitos) da cidade balnear de Batumi na Geórgia, quando tem milhares de quilómetros do MESMO Mar Negro em frente de casa. Bastaria fazer como os geórgios: trazer camiões carregados de seixos até à costa e criar praias no norte da Turquia. Ou melhor, fazer como os portugueses e trazer camiões de areia! Mas não, desde Trabzon até esta vila de Arhavi o melhor que vimos foram (em Arhavi) uns blocos de pedras espalhados na costa. Melhor que nada, metemos a tenda a secar sobre as pedras e fomos tomar banho no Mar Negro. Aliás, primeiro construi uma mini-piscina em pedra, só depois pegámos em sabão para desencascar os corpos colados de suor e cobertos por camadas de poluição urbana!


Depois de banho tomado e com a tenda limpa, refizemos as malas e começámos a boleia na estrada por detrás de nós, mesmo em frente a um túnel. Sim, sem dúvida que não é o melhor sítio para fazer boleia, sem espaço nenhum para parar um carro, mas tudo bem, minutos depois apanhámos boleia para a fronteira turco-geórgia.


A fronteira foi atravessada a pé, nas calmas. Antes do controlo de passaportes aproveitámos para gastar as últimas liras turcas e aprender as primeiras palavras em geórgio numa loja de um muito amável casal de geórgios.


Do outro lado da fronteira fomos dar com o esperado choque cultural: a poucos metros da fronteira, do lado turco, uma mesquita e rochas na costa; do lado geórgio, uma igreja e uma praia de seixos com mulheres de biquíni a curtir a vida… tão simples! Estivemos quase para fazer uma paragem para banhos ali ao lado da fronteira, em Sarpi, ainda mais com praia a sério, mas não, tínhamos de avançar pois faltavam ainda centenas de quilómetros para chegar a Tbilisi onde iríamos encontrar Diogo (um amigo que se juntava à nossa viagem durante 20 dias). Decidimos portanto recomeçar a boleia, e fizemos bem, minutos depois um casal de geórgios alucinados deu-nos boleia. O lado bom da boleia foi podermos conversar dado que os 2 falavam turco, o lado mal foi quase morrer de ataque cardíaco com a velocidade e condução arriscada do condutor. Em tom de brincadeira disse-nos que era o Schumacher da Geórgia, “não tenham medo, está tudo controlado” repetia ele! Sim, sim, até ao momento em que um Fórmula 1 avaria e lá dentro morre um Ayrton Senna… enfim…


O casal geórgio levou-nos até ao centro de Batumi, ou pelos menos assim disseram. E também disseram que estávamos ao lado da praia, ahh, a famosa praia! Crentes pusémo-nos a caminhar em direcção ao mar, numa caminhada infernal que nunca mais acabava. Pior, quando lá chegámos, percebemos que também não estávamos na zona central, faltavam ainda quilómetros para lá chegar. Uma vez mais, cansados, com fome e sob um sol tórrido andámos de malas às costas até por fim encontrar cafés e lojas! Ah, que alívio!


Não tivemos nem quisémos ter muito tempo para analisar Batumi, mas de qualquer modo não nos restam dúvidas que Batumi é um lugar horrível, artificial, feito para os novos-ricos milionários conspurcados, tão comuns na Europa de Leste e Caúcaso. Por todo o lado encontrámos hotéis, restaurantes e bares hiper caros e hiper chiques praticando preços impossíveis para a classe média europeia (muito menos a geórgia), cheios de gente bem vestida de nariz para o ar, carros topo de gama, por aí fora. Quanto a bares normais, com condições standard e preços correspondentes, não nada! Uma cidade tão grande, com tanta gente, e não há lugar com preços acessíveis junto à costa. Até na minha vila de Ribamar se encontram mais! Ainda assim, fugimos um pouco do orçamento e comprámos uma cerveja fresca e um néctar de pêssego no bar menos chique que podemos encontrar.


Do centro caminhámos ainda mais 2 quilómetros até à estação de comboio, para uma vez lá chegados descobrir que estava fechada. Pelo caminho passámos pelo porto de Batumi onde estava ancorado um enorme navio de guerra da Marinha Terrorista Francesa! No nosso russo rudimentar conseguimos conversar com um senhor que se ofereceu para nos ajudar, junto à estação abandonada, que nos explicou como chegar de mini-bus à estação de comboios nova que ficava a 5 km da cidade (em Makhinjauri). Não haja dúvidas, não se pode fazer caso de informações do googlemaps, senão acaba uma pessoa por ir parar a estações erradas que já nem sequer existem!

 

Para nosso desgosto o próximo comboio para Kutaisi só partiria na manhã seguinte. Kutaisi é uma das cidades mais interessantes de visitar na Geórgia e nós tínhamos planeado visitá-la no dia 9, partindo ao fim da tarde desse dia rumo a Tbilisi. Se apanhássemos o comboio para Kutaisi no dia seguinte seria muito difícil combinar as longas horas de comboio nos trajectos Batumi-Kutaisi e Kutaisi-Tbilisi com uma visita a Kutaisi pelo meio. Desistimos do plano e pedimos um bilhete nocturno para Tbilisi, de 8 para 9. Assim poderíamos visitar um pouco mais de Batumi antes de partir directo à capital, aproveitando para dormir a primeira noite da viagem a bordo de um comboio. Também não, os bilhetes estavam todos esgotados. Tivemos de aceitar a única opção possível, um comboio para Tbilisi que partiria uma hora mais tarde.

 

Do mal o menos, aproveitei a viagem de comboio para escrever no conforto dos sofás e mesas disponíveis. Mau mesmo foi chegar tão tarde a uma metrópole, às 23h30. Quando chegámos tentámos implementar o único plano de emergência de que dispúnhamos: montar a tenda num parque que sabíamos (de acordo com o googlemaps) encontrar-se um pouco a norte da estação de comboio. Como podem imaginar, no caos urbano quase não iluminado de um país desconhecido à meia-noite, não é muito fácil encontrar parques! E pois claro, não encontrámos, mas demos com um outro bem mais pequeno que teve de servir. À meia-noite e meia montámos a tenda por detrás de uns escorregas para crianças, silenciosamente, de forma a não despertar a atenção dos jovens que despejavam garrafões de cerveja ali mesmo ao lado…

 

Tbilisi

Dia 9 de Julho: Apesar do barulho dos carros rodando em alta velocidade na estrada ao lado do parque, a noite até foi bem passada, dormimos bem com ajuda de papel nos ouvidos e acordámos bem-dispostos. Sim, bem dispostos apesar das marotas das crianças que vieram espreitar por debaixo da cobertura da tenda e chamar por nós. Para nosso descanso havia avós e pais tomando conta delas que não as deixaram nos importunar muito. Com toda a calma sentámo-nos num banco junto à tenda e comemos uma sopa preparada no nosso mini-fogão, sob os olhares atónitos (ainda que simpáticos) das gentes da cidade.

 

Depois de tudo arrumado voltámos à estação de comboios onde fomos com muita dificuldade apanhar um autocarro para o centro de Tbilisi. Ninguém nos entendia e nós não tínhamos a mínima ideia se estávamos no autocarro certo nem em que estação sair. Tudo bem, saímos bem perto da cidade velha, para nossa alegria, e começámos de imediato à conversa com um muito velho velhinho que vendia livros mais antigos que ele e que falava um francês perfeito que aprendera na escola (soviética) há muitas dezenas de anos atrás! Espantoso só para quem desconhece as virtudes do sistema de ensino da antiga URSS. Além da interessante conversa, explicou-nos ainda o caminho para o centro do centro!

 

Como tínhamos malas (pesadas), voltámos à táctica de ficar um num café a tomar conta delas enquanto o outro passeava no centro histórico, trocando de papéis ao fim de um tempo. À primeira impressão, Tbilisi, na sua caótica mistura de muito antigo e ultra-moderno, é muito interessante. Vale a pena por lá passar! Nós ainda voltaríamos daí a uns dias…

 

A meio da tarde fomos para o aeroporto esperar por Diogo que chegaria à noite. Como tempo era coisa que não faltava, Claire voltou a apanhar um autocarro até uma zona urbana onde foi comprar comida para nós para o resto do dia. Eu fiquei no aeroporto com as malas. Horas depois chegou finalmente Diogo para se juntar durante 20 dias à nossa viagem!

 

Álbuns de fotografia

 

Luís Garcia, 06.05.2017, Ribamar, Portugal

 

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Em busca do visto iraniano, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 25 

Em busca do visto iraniano.jpg

 

bw  Luís Garcia  VIAGENS   POLITICA

 

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

06/07.06.2014

No dia 6, com muito esforço conseguimos nos levantar cedo e sair às 9 hora da manhã, como planeado. Tínhamos pela frente 600 km de boleia para fazer num dia, de Doğubeyazıt a Trabzon, de forma a poder tratar do visto para o Irão no dia seguinte de manhã (2ª-feira). Com 2 mini-boleias saímos da cidade, parados na estrada principal rumo ao ocidente turco. Tínhamos decidido não pedir boleias a camiões, apenas a carros, para podermos andar mais rápido, mas não deu para resistir. O condutor de um camião ao qual não pedimos boleia fez-nos sinais de luzes, apitou-nos e, vendo que não reagíamos, para mesmo a viatura e chamou-nos! Queria mesmo nos dar boleia o raio do homem!

 

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Ufuk, o Camionista-Pensador turco e eu

Chamava-se Ufuk (“horizonte” em turco, que fica bem a um condutor de camiões que passa o dia a olhar para ele), inteligente, irreverente, interessado em política… mais, um espírito livre que sonha refugiar-se isolado num monte longe deste caos de escravatura moderna, crises, políticos mafiosos e ditaduras económicas. Apesar do nosso fraco turco, deu para fazermos perceber uns aos outros que tínhamos muitas ideias e convicções em comum, coisa rara nesta Turquia de gente boa hiper-lobotimizada pelos media, ao ponto de nos convidar para fugirmos os 3 um dia para um monte isolado, com casa, jardim e animais de pasto (Casa no Campo, Elis Regina), auto-suficientes e livres da “máquina”… eu respondi que sim, de preferência numa ilha isolada da Indonés, hehe...  Ufuk foi o primeiro turco que encontrei a falar abertamente mal do senhor Erdoğan (primeiro-ministro turco), chamando-lhe inclusive de “big dictator”! Grande Ufuk, ao contrário da esmagadora maioria turca, crítica o apoio turco ao terrorismo na Síria, sabe e admite que o problema curdo foi começado pelos turcos a mando dos EUA, tem ódio e raiva aos EUA (que apelida de Satã), mete-lhe nojo que Israel possa matar 8 civis turcos sem sofrer represálias da Turquia, e por aí fora. Ufuk é um homem “sem papas na língua” num país em que quase toda a gente segue as lengalengas do governo e da imprensa. Uma raridade portanto!

 

 

Houve muita conversa pelo caminho mas também ao livre, mais de uma hora num banco de um restaurante fechado de uma estação de serviço a beber sumo (oferecido por Ufuk), e quase outra hora noutro restaurante aberto onde Ufuk nos pagou almoço e chás, pois claro! É verdade que com o ritmo lento e as paragens, passámos uma boa parte do dia com ele, em vez de avançar. Ainda assim, fizemos metade do percurso de uma só vez e ainda tínhamos umas horas de sol para chegar a Trabzon.

 

Na saída da auto-estrada para Yoncalik, onde nos deixou, tentámos boleia pela rota indicada uns dias antes no googlemaps. Disparate! Andámos até Yoncalik de camião para depois ficarmos parados no meio do nada. Parados porque ninguém parava para nos levar, e se abrandavam era para gozar não para ajudar (que raio de buraco negro da boleia esta zona)! No meio do nada porque de facto por ali não iríamos a lado nenhum. Quem confirmou a nossa suspeita foi um senhor que ia a Yoncalik para um tarefa de 1 minuto e voltar para trás, e que assim deu-nos boleia de regresso à estrada principal.

 

Voltámos à rota certa mas eram já 18h30 e estávamos super desiludidos, receosos de não chegar a Trabzon no mesmo dia. Felizmente um camião parou para nos avançar uns quilómetros até Askale, deixando-nos à entrada da estrada certa para Trabzon. Faltava o resto, 223 km, e começava a ser de facto tarde para realizar esta distância durante o dia… mas não, mais um milagre, quando o desespero começava a reinar, um camião de um curdo de Van com destino a TRABZON parou para nos dar boleia! Ah, que sorte!

 

Passámos a viagem a ouvir música curda, descontraídos, observando as belas montanhas da região. Que viagem tranquila. A meio do percurso, como manda a tradição, parámos num bar a 2500 metros de altitude, onde o condutor nos pagou uns chás. Enquanto bebíamos, os 4 locais eufóricos não paravam de nos fazer perguntas. Pareciam saber mais de futebol português que eu, um adorava o Rui Costa, outro o Tiago (do A. Madrid). E por falar de futebol, foi a segunda vez que falei com turcos que conheciam, além do Benfica e Porto, algumas equipas médias como o S. Braga ou o Guimarães, sem no entanto reconhecerem o nome Sporting C. P.! A sério! Hehe, sinais do tempo…

 

À noite, em Trabzon, mais um filme absurdo típico de camionistas turcos: no início da viagem convidou-nos para ficarmos na cama extra do camião, e até se ofereceu para pagar-nos um quarto de hotel (claro que recusámos, a cama do camião chegaria bem). Chegados a Trabzon pergunta-nos: “Então e agora, onde é que vão ficar hoje?” Ahhh, e já não se lembrava de ter proposto a cama extra! E além do mais foi dizer a outros 2 colegas no parque de estacionamento que “ali estavam 2 turistas meio perdidos”! Ah, discrição acima de tudo, não haja dúvida. Sem stress pegámos nas malas e afastámo-nos um meio quilómetro até encontrar um pequeno parque com árvores e erva, onde montámos a tenda e passámos uma noite tranquila no meio do caos urbano e podre de Trabzon. Difícil de acreditar mas sim, foi uma noite tranquila.

 

Dia 7 acordámos com o calor sufocante e com o ruído dos milhares de carros passando na via rápida 5 metros ao lado. Aproveitámos haver umas oficinas de carros mesmo por detrás do parque para usar a casa de banho de uma delas, desmontámos a tenda e pusémo-nos a caminho do centro de Trabzon. Para não variar, cheios de calor, suados, sob um tórrido sol e envoltos por um sufocante ar húmido e poluído. Fizemos meio caminho a pé em direcção à embaixada do Irão, a maior parte a subir, até que uma alma caridosa parou e nos levou até à porta principal da embaixada! Que luxo!

 

À porta da embaixada fomos encontrar uma fila de espera de viajantes do Japão, França e Polónia. Esperámos pacientemente a nossa vez até sermos atendidos por gente rude e bruta que mal sabia falar inglês. Ainda assim conseguimos nos desenrascar, preenchemos a papelada, entregámos os passaportes e partimos com a informação contraditória de que poderíamos vir levantar os passaportes com os vistos às 4 e meia da tarde! Bizarro, muito bizarro, uma vez que o horário de atendimento da tarde era das 14h às 16h30. Insistimos imenso, perguntámos se não poderíamos vir logo às 14h, na reabertura, mas não, obtivemos sempre a mesma resposta: 16h30! Decidimos voltar por voltas das 16 horas, para não correr o risco de perder um dia em mal-entendidos. Antes de irmos embora, Claire teve de ir a um fotógrafo tirar novas fotos com lenço na cabeça, sem lenço “não dá para pôr no visto iraniano”! Enfim.

 

Com 4 horas e meia para gastar, fomos visitar o centro de Trabzon e almoçar no sítio mais em conta que encontrámos. Quando nos fartámos, voltámos ao parque mesmo em frente à embaixada, onde queimámos horas à espera dos vistos. Às 16h15 entrámos de novo na embaixada, onde nos esperava uma grande surpresa. O visto não era para pagar em espécie, mas sim numa conta bancária num banco específico turco no centro de Trabzon. O problema era que faltavam 13 minutos para a embaixada fechar, a distância para a rua dos bancos era grande, as ruas estavam apinhadas de gente andando em slow-motion e, sobretudo, as inclinações do terreno em Trabzon são elevadíssimas. Para piorar, não quiseram ficar com as nossas malas na embaixada. Felizmente encontrámos um polícia turco junto à embaixada que se encarregou de tomar conta delas! Ah, corremos feitos loucos atropelando gente e tropeçando em todo o lado, fazendo parar carros, etc… até que por fim demos com o banco. Passámos à frente de toda a gente e explicámos a situação a uma jovem muito simpática que tratou da transferência em menos de 2 minutos. Depois foi correr de volta a embaixada, subir inclinações de quase 45º em sprint e sim, às 14h29 estava dentro da embaixada entregando o recibo. Já nem queria saber do passaporte, apenas queria um banco para me sentar. As pernas tremiam e o corpo escorriam rios de suor. Por fim tínhamos os vistos para o Irão! Ah, que alegria… Um minuto depois saiu todo o pessoal da embaixada nos seus carrões de vidros fumados.

 

Afinal poderíamos ter levantado os passaportes às 14h e partir muito mais cedo para a Geórgia. Graças à estupidez do pessoal da embaixada, eram já 16h30 e nós tremíamos de cansaço no centro da enorme cidade de Trabzon, longe da saída onde tínhamos de ir procurar boleia. Que remédio senão caminhar lentamente até lá!

 

A primeira boleia foi de 3 jovens muito divertidos que nos avançaram alguns quilómetros até Yomra. A segunda foi a de um simpático mas tresloucado condutor de camiões que se pôs ao despique a alta velocidade com outros 2 camiões dentro de túneis apertados! Convém acrescentar que os 3 camiões transportavam combustível e que o nosso condutor fumava cigarros atrás de cigarros e mandava-os fora pela janela, inclusive dentro dos túneis! Que terror! Bom, pelo menos fizemos metade do caminho, até à cidade de Rise, terra natal do trafulha do primeiro-ministro turco Erdogan. De rir, além da universidade de Rise ter o nome do dito cujo, fomos encontrar centenas de retratos de Erdogan espalhados por toda a cidade! Depois venham me falar dos retratos e estátuas de Saddam Hussein, sim…

 

Antes de recomeçarmos a boleia em Rise, fomos a uma loja comprar pão e fruta. Como o dono era muito simpático, pedimos para lavar a uva e encher a nossa garrafa de água. Detalhe interessante: quando lhe dissemos que éramos os 2 portugueses, o senhor disse que não acreditava. Para ele Claire tinha cara e pele de portuguesa enquanto que eu não! Nem de propósito o contrário é verdade, eu português e ela francesa. A explicação é simples, para ele todos os europeus são branquinhos e a minha barba gigante e pele morena só pode ser de paquistanês ou algo parecido! Ahahahah!

 

A última boleia do dia foi-nos oferecida por 3 jovens malucos e manifestamente pedrados que nos levaram até Arhavi (já muito perto da fronteira com a Geórgia), onde jantámos tranquilamente no parque da cidade e montámos a tenda não muito longe, no meios das obras de uma nova estrada…

 

Álbuns de fotografia

 

Luís Garcia, 03.05.2017, Ribamar, Portugal

 

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L’attaque chimique qui n’a PAS eu lieu à Khan Shaykhoun, par Luís Garcia

 

 

O ataque químico que NÃO aconteceu em Khan Shaykhun

 

Luís Garcia POLITICA  en français 

 

 

Faits sur l’attaque
Le jour où les forces syro-russes ont admis avoir réalisé un raid aérien sur un dépôt d’armes à Khan Shaykhoun, les medias occidentaux nous ont  raconté une histoire à dormir debout comprenant 2 versions.  Dans la première (voire les images du diaporama en bas), les syriens ont réalisé une attaque chimique à Khan Shaykhun, malgré que l’arsenal chimique syrien ait été totalement détruit en 2014 sur invitation de la Russie, destruction officielle organisée légalement par l’ONU réalisée par des experts y-compris des États-Unis. Dans la deuxième version, l’attaque aérienne syro-russe sur le dépôt d’armes d’Al-Qaïda aurait eu pour conséquence de répandre un gaz toxique qui aurait causé la mort de dizaines de civils dans cette ville syrienne contrôlée par cette chère Al-Qaïda.

 

  

De graves problèmes de logique se posent dans la seconde théorie : la Syrie est-elle responsable de la mort de civils résultant de bombardements d’un dépôt d’armes d’une organisation terroriste illégalement implantée sur son territoire? La réponse me paraît trop évidente : NON! Ensuite, en ce qui concerne le gaz sarin, un produit chimique binaire (résultant de 2 produits chimiques qui doivent être mélangés pour créer un produit final létal), comment un bombardement syro-russe a réussi à inopinément mélanger correctement les produits chimiques du gaz sarin? On parle sérieusement là?

 

Pour revenir à la première théorie, celle d’une roquette de gaz sarin, les seules preuves publiques (lire ici une annexe du MIT  au rapport de la Maison Blanche !) indiquent clairement que la roquette est partie du sol et pas du ciel; le sol de Khan Shaykhoun est contrôlé, comme on l’a déjà dit, par Al-Qaïda; quel rapport y a-t-il entre le gouvernement syrien (non-détenteur d’armes chimiques) et cette attaque chimique d’une roquette lancée à partir du sol? Aucun, absolument aucun. Et ceux qui croient dogmatiquement qu’Al-Assad en est le responsable se doivent de présenter les preuves pour le justifier. Je dirais même que devant une accusation extraordinaire de ce genre, on se doit de montrer des preuves tout aussi extraordinaires. Mais non, au contraire, les preuves contradictoires et probablement mises en scène que nous montrent nos médias occidentaux sont aussi médiocres qu’elles ont pour source des gens qui pour 2 raisons ne sont pas crédibles: d’abord ils sont en partie engagés dans le sujet, partiaux par définition, donc pas aussi indépendants qu’ils devraient l’être; ensuite ils soutiennent, sponsorisent ou sont membres d’une organisation terroriste appelée Al-Qaïda et d’une organisation publique et de propagande appelée White Helmets (casques Blancs), filiale d’Al-Qaïda comme vous pouvez le découvrir dans les articles ci-dessous :

 

Autre problème, le gaz de l’attaque. Entre le 4 et le 7 avril, d’après les médias occidentaux ce serait du gaz sarin. En raison des gravissimes erreurs de logique des vidéos sur la soi-disant attaque rendues publiques par al-Qaïda/White Helmets et diffusées sur des chaînes-poubelle telle que la RTP[1], il serait impossible de défendre l’hypothèse du gaz sarin. Puis, du 7 au 11 avril, les mêmes médias abrutis se sont mis à parler de chlore. Nous nous pencherons sur l’analyse des incohérences sur les gaz. A partir du 11 avril et grâce à l’hyper amnésie manifeste de leurs lecteurs et téléspectateurs, les conteurs d’histoires à dormir debout sont revenus en arrière et ont opté définitivement pour la version qui inclut du gaz sarin. Ça sonne tout de même mieux!

 

Les gaz de l’attaque
Dans la version initiale des médias occidentaux sur cette mise-en scène, le gaz utilisé de façon accidentelle ou volontaire aurait été du sarin. Dû au manque de talent pour mentir et mettre en scène de fausses attaques chimiques de la part d’Al-Qaïda, que les médias occidentaux adorent tant, au point de les appeler «rebelles contrôlant la ville de Khan Shaykhoun», la version gaz sarin s’autodétruit de manière fulgurante. Pourquoi? Parce que les «rebelles» terroristes d’Al-Qaïda ont fait des déclarations à la presse sans aucun sens, disant qu’on sentait l’odeur du gaz sarin à plus de 500 mètres alors que le gaz sarin est inodore, ou qu’on pouvait voir des nuages de gaz jaunes, alors que le gaz sarin est incolore! Pour des gens qui viennent de recevoir un Oscar à Hollywood (Premier meilleur documentaire 2016), il faudrait un minimum de professionnalisme, non? Mais ces déclarations pathétiques sont loin d’être le pire! Le pire ce sont ces vidéos produites par l’AMC, l’agence d’information d’Al-Qaïda et des White Helmets, financée par le Ministère des Affaires Etrangères français.

 

Dans les vidéos publiées par l’AMC, par les White Helmets et par Al-Qaïda, et transmises par les chaînes de télévision occidentales, on peut voir que la mise-en scène n’a aucun sens. Les soi-disant saints-sauveurs White Helmets, bien qu’étant supposément en train de secourir  des victimes d’une attaque au gaz sarin, qui tue en quelques minutes si le gaz est absorbé par la peau (et pas par voie respiratoire), se rendent sur les lieux en claquettes, en short, en t-shirt, et même torse-nu, mais aussi avec un quelconque masque anti-pollution complètement inutile à cet effet. Ceux-ci ainsi que les soi-disant victimes adultes, se donnent le luxe d’enlever les foulards de leur tête, d’enlever leur pantalon ou leur t-shirt, et même de se promener complètement nus, oui, et c’est ainsi qu’ils ont survécu au gaz mortel sans le moindre malaise. Et ils sont restés là, tranquillement, à filmer cette grossière pitrerie, comme si rien ne se passait. Apparemment, seuls des enfants drogués au préalable (d’après les analyses des vidéos en question par l’organisation des Médecins Suédois pour les Droits de l’Homme) souffrent de quelque chose, et apparaissent avec les pupilles dilatées alors qu’un des symptômes les plus caractéristiques du gaz sarin est la contraction des pupilles. Et que dire de l’idée d’arroser les victimes avec de l’eau au lieu de les évacuer immédiatement? Et que dire des affiliés d’Al-Qaïda/ White Helmets qui le lendemain s’amusaient à recueillir des échantillons en claquettes et les bras nus? Mais bon-sang le gaz sarin met des semaines à se décomposer et pas une demi-journée! Quel amateurisme! Et quelle imbécilité de ceux qui gobent tout sans cligner de l’œil!

 

Um gajo recolhendo amostras de um gás que leva semanas a decompor-se usando sandálias! Bravo!

Um gars récoltant des échantillons de gaz, qui prend des semaines à se décomposer, en sandales, bravo!

 

Maintenant cher lecteur, comparez le comportement des équipes de sauvetage dans une attaque réelle au gaz sarin à Tokyo avec celui des équipes de sauvetage dans une attaque mise en scène à Khan Shaykhoun:

 

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Non, sérieusement, ceux qui ont mis cette blague en scène n’ont jamais entendu parler de l’attaque au gaz sarin dans le métro de Tokyo en 1995? Ah oui, je sais, comme disait un petit malin de mon village il y a quelques jours, le Japon est riche et la Syrie est pauvre, donc les moyens pour combattre une attaque chimique ne sont pas les mêmes. Ça n’est pas faux. La Syrie peut ne pas avoir les moyens, mais les «rebelles» terroristes d’Al-Qaïda de la région d’Idlib, eux oui ont les moyens, comme le prouve l’image du tweet ci-dessous, dans laquelle on voit comment les millions livrés illégalement par les Etats-Unis et compagnie à ces terroristes leur permettent d’être de fait préparés à ce type d’attaques:

 

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— maytham (@maytham956) April 4, 2017

 

Comme les photos ne suffisent pas, bien-sûr que non, j’invite le lecteur à assister à la vidéo produite par les AMC/WhiteHelmets/Al-Qaïda et qui, selon eux-mêmes et selon nos médias, est la meilleure preuve sur l’attaque chimique:

 

  

Tout commentaire serait vain, le remède contre le gaz sarin c’est d’arroser les victimes puis de les laisser sécher au soleil bien-sûr. Et, si l’on en croit cette vidéo, le gaz sarin est hautement sélectif, puisqu’il n’affecte pas le personnel des White Helmets bien que des parties de leur corps soit exposées au gaz de manière directe et ridicule. Quand je parle du personnel des White Helmets je ne me réfère pas seulement aux soi-disant sauveteurs, mais aussi aux acteurs-victimes d’habitude, comme ce monsieur assis par terre torse nu, tranquille, à absorber du gaz sarin comme un malade.  Je pourrais en prendre d’autres, comme ce petit vieux qui enlève son foulard de la tête, mais prenons celui-là au ventre distendu comme exemple : pour ceux qui  suivent avec attention  le conflit qui oppose la Syrie au terrorisme occidental, on ne compte plus les fois où les mêmes personnes apparaissent jouant le rôle de victime «du régime» dans des lieux différents et éloignés; on ne compte plus les fois où les mêmes personnes apparaissent, soit comme sauveteurs soit comme sauvés; dans un article antérieur de ce blog j’ai fait une analyse exhaustive  du sujet, j’aimerais maintenant vous montrer cet exemple directement en rapport avec le sujet. Regardez ce monsieur au gros ventre, victime dans cette attaque, mais sauveteur portant le logo des White Helmets dans d’autres situations. De ridicules coïncidences:

 

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Les médecins suédois
D’après l’organisation des Médecins Suédois pour les Droits de l’Homme (SWEDHR), féroces critiques de la farce des équipes de sauvetage des terroristes White Helmets, les enfants apparaissant dans la vidéo au-dessus auraient été préalablement drogués avec des opiacés, certains mortels, de manière à pouvoir être utilisés comme matériel dans la production de cette mise-en scène d’attaque chimique. Je ne m’étendrai pas sur ce point, je vous invite d’abord à lire ces articles montrant plusieurs arguments qui corroborent la version suédoise de la mise-en-scène:

 

Cependant, regardez cette video, également de l’AMC/al-Qaïda/WhiteHelmets:

 

 

L’équipe de l’AMC/al-Qaïda/WhiteHelmets affirme que ces images sont la preuve de l’attaque chimique et de la tentative de sauvetage de quelques victimes avec des injections d’adrénaline dans le cœur des enfants en question. Les médecins de la SWEDHR disent que non, que: d’abord on voit bien que le piston ne descend pas, donc rien n’est injecté; que la méthodologie est grotesquement mauvaise (voyez comme l’aiguille est manipulée, on croirait que l’objectif est de percer le cœur du bébé); que les bébés semblent drogués aux opiacés et pas empoisonnés au gaz sarin; etc. Lisez les articles au-dessus pour une analyse plus poussée, ça en vaut vraiment la peine. Un autre détail intéressant est que la traduction sous-titrée en anglais ne correspond pas à la version originale en arabe : pendant que les acteurs de la vidéo parlent de ranger les corps des victimes pour des effets télévisuels, la traduction anglaise livre des dialogues de nature médicale sur le soin des patients. Bref!

 

Raed Saleh, la source initiale
Je juge être suffisamment décrédibilisant le fait que TOUTES les images et TOUTES les vidéos de la supposée attaque qui sont arrivées à nous grâce à nos médias de masse ont été produites et émises par al-Qaïda et leurs organes de propagande (AMC et les White Helmets dans ce cas). Il est scandaleux qu’on ne sache que trop bien que Khan Shaykhoun est entre les mains d’Al-Qaïda depuis plus de 3 ans. Et il est trop évident que, pour des raisons de sécurité, seuls des membres d’Al-Qaïda ou des membres de leur équipe de propagande aient accès à cet endroit. Et pourtant, j’insiste, et pourtant, RTP, France24, Le Monde, CNN, BBC, etc, considèrent comme des vérités absolues et crédibles les reportages, les témoignages, les images et les vidéos envoyés par Al-Qaïda depuis Khan Shaykoun jusqu’à nous! Franchement, ne vivons-nous pas dans une ère de totale et scandaleuse stupidité collective alimentée par les médias? On y est, oui! La faute à qui ? Des médias occidentaux ? Oui, mais aussi de ceux qui acceptent sans réfléchir toutes les conneries que les médias leurs injectent, tant et si bien que les journalistes occidentaux, tellement habitués à la paralysie mentale régnant en occident, ont non seulement perdu leur capacité de raisonnement mais ont aussi arrêté de croire qu’il existait encore des gens capables de penser logiquement et objectivement. Voilà pourquoi, lorsqu’ils se retrouvent face à un rare spécimen qui raisonne avec logique, comme c’est le cas de Maria Zakharova, porte-parole du ministère de la défense russe, ils font triste figure comme celle qu’on peut constater dans la vidéo ci-dessous:

 

 

Joli n’est-ce pas, de voir une journaliste de la CBS news américaine se faire humilier en publique par une fonctionnaire du gouvernement russe? Comme ça elle travaille pour un média qui insiste à qualifier les «rebelles» de la région d’Idlib modérés et gentils, et en complète contradiction elle affirme qu’il n’est pas possible pour les journalistes occidentaux de se déplacer sur les lieux parce que c’est trop dangereux? Comment ça? Et s’il n’est pas possible de se déplacer jusque-là, comment savent-ils ce qu’il s’y passe au point d’avoir la certitude que l’attaque a été réalisée par le gouvernement syrien? Comme ils s’avilissent ces gens, journalistes professionnels du dimanche…

 

Mais bon, comme si tout ce qui a été dit jusqu’ici n’était pas assez décrédibilisant, que dire de la personne qui a annoncé au monde entier l’attaque chimique de Khan Shaykoun, monsieur Rahed Saleh ? Vous n’avez pas remarqué le nom ou RTP et compagnie n’ont même pas cité ce nom ? Rien de grave, il est encore temps. Rahed Saleh a reçu il y a quelque temps le prix  Right Livelihood Award d’une ONG sponsorisée par l’OTAN. Le titre du prix sonne bien mais le nom du sponsor fait tout de suite tâche. Rahed Saleh est le leader de l’organisation terroriste White Helmets, filiale de relations publiques d’Al-Qaïda, récemment interdit d’entrée aux Etats-Unis puisque son nom apparaît dans la liste de suspects terroristes dressée par le  gouvernement américain, héhé.

 

 

Rahed Saleh est un ami personnel de Mustafa al-Haj Yussef, leader des White Helmets de Khan Shaykhoun, ville contrôlée à 100% par Al-Qaïda, qui en 2014, bien qu’appartenant à une organisation (White Helmets) se disant neutre, humanitaire et de sauvetage de civiles, a appelé publiquement au bombardement de Damas en réponse à la victoire d’Al-Assad aux élections de 2014. Et il y a pire, Mustafa al-Haj Yussef, sur son compte facebook, se déclare admirateur de Ibn Taymiyya, idéologue extrémiste de DAESH. Pire encore, Mustafa al-Haj Yussef défend la pratique du châtiment corporel sur qui ne pratique pas le jeûne du Ramadan, exécutions inclues! Ça se passe en Syrie, un Etat laïque, tolérant, multi-ethnique et multi-religieux. Pire encore, il défend l’exécution extra-judiciaire pour tous ceux qui ne suivent pas la doctrine islamique. Et pire encore, cet homme défend l’union de toutes les forces «rebelles» avec Daesh de manière à pouvoir vaincre le gouvernement d’al-Assad, tout comme l’exécution de ceux se montrant fidèles au gouvernement d’Al-Assad, c’est-à dire de presque la totalité de la population syrienne. Grand humaniste, hein? Et enfin, voici les amitiés de l’homme qui sert de source d’information à RTP, France24, CNN, AFP, etc.., sur ce qui s’est passé ou pas à Khan Shaykhoun!

 

Raed Saleh e Mustafa al-Haj Yussef em Idlib, acompanhados por um troglodita-mercenário-"rebelde"-terrorista da al-Qaeda

 Raed Saleh et Mustafa al-Haj Yussef à Idlib

 

Vous pouvez en savoir plus sur ces 2 humanistes-terroristes ici:

 

Donc, nous en sommes arrivés à un point où nos sources d’information sont les mêmes que nous soi-disant combattons depuis 15 ans de «guerre contre le terrorisme», héhé. Ou, comme diraient Peter Lavelle et  Mark Sleboda  dans le programme Cross Talk de Russia Today:

 

 

 

Les analyses turco-françaises, l’OIAC et le secrétisme américain
Les Etats-Unis disent avoir des preuves mais, comme toujours, pour d’hallucinantes raisons de sécurité, ils ne peuvent pas les montrer. Bravo! C’est bien-plus sécurisant de bombarder la base aérienne syrienne de Shayrat d’où partent les missions aériennes syriennes contre Daesh, et de tuer 5 enfants et 4 adultes civils dans l’opération, pendant que Donald Trump mange «le meilleur gâteau au chocolat du monde» en compagnie du président chinois. J’en reste ici pour les preuves « gringas » sur l’attaque chimique qui n’a pas eu lieu.

 

Les turcs, d’après nos médias occidentaux prostitués (pour qui légalité, légitimité, logique, méthode scientifique, rigueur, etc., sont des concepts inexistants) ont déjà prouvé que le gaz de l’attaque chimique mise en scène était «sans aucun doute» du sarin et que l’auteur en est Al-Assad, bien-sûr. Prenons un exemple de ma victime préférée, RTP:

 

Voici un article du Monde en français qui résume le processus d’analyse

 

D’après cet article de RTP, «Recep Akdag, ministre turque de la Santé, a révélé mardi dernier que les analyses réalisées sur plusieurs blessés confirment l’utilisation de l’agent neurotoxique dans l’attaque de la semaine dernière». Oui, et puis ? Un ministre de l’Etat terroriste turque qui vend des armes à Daesh, qui achète à Daesh du pétrole volé déclare que les «analyses» confirment quelque chose? Quelles analyses? Effectuées par qui? Echantillons recueillis  où et par qui? Quelle légitimité internationale de ceux qui ont recueilli les échantillons pour ce travail? Comment sont-ils entrés dans une ville contrôlée par al-Qaïda? Comment justifient-ils ce droit de passage? Où se trouve la copie du résultat des analyses du laboratoire turque, pour que je puisse voir ce document invalide de mes propres yeux? Mais continuons.

 

«Avec les analyses de sang et d’urine de plusieurs blessés traités en Turquie, les autorités d’Ankara ont conclu que ‘le gaz sarin a été utilisé’». Résultats d’analyse de sang de qui? Comment s’appellent-ils? Où ont-ils été contaminés? Pouvez-vous prouver comment et où ces personnes ont-elles été contaminées? Ces mêmes personnes étaient-elles présentes à Khan Shaykhoun pendant la mise-en-scène? Si oui, pouvez-vous le prouver? Comment sont-elles arrivées en sécurité en Turquie? Continuons.

 

«Ankara, en accord avec une grande partie des puissances occidentales, accuse le régime syrien de l’attaque chimique de la semaine dernière dans la province d’Idlib.» Oui, et puis? Et moi, en accord avec des personnages fictifs de mes rêves, j’accuse les gouvernements du Burkina Faso et de de Vanuatu, et alors? Pour prouver quelque chose d’aussi grave et d’aussi sérieux suffit-il de lancer un nom en l’air ou faut-il montrer des preuves? Mais bien-sûr qu’il faut montrer des preuves, enfin!

 

Et quelle légitimité possède la Turquie à ce sujet, pays occupant la partie nord de la Syrie en tout illégalité et qui a réalisé ces derniers mois des dizaines d’attaques de roquettes et d’avions de chasse contre le FDS (kurdes corrompus + OTAN), bien que la Turquie elle-même soit membre de l’OTAN? Et quelle légitimité a donc la Turquie, pays par lequel, depuis le début de l’agression occidentale envers la Syrie, on fait rentrer de l’armement et des mercenaires pour les forces «rebelles» terroristes et on fait sortir du pétrole et des antiquités volées par Daesh à la Syrie? Et que dire de la mémoire courte des journalistes occidentaux qui ont l’air de ne se rappeler de rien de tout ça? Et que dire de la paralysie mentale des journalistes occidentaux qui utilisent des données invalides du gouvernement terroriste turc et même d’inconnus turcs donnant des preuves de l’utilisation de gaz sarin à Khan Shaykhoun? Et que dire de la stupidité sans bornes des journalistes occidentaux pour, au vu de ces preuves non-vérifiées par des moyens légaux, donc invalides, conclure que l’attaque a été réalisée par le gouvernement d’Al-Assad? Comment passe-t-on d’un tube contenant du gaz sarin dans la main d’un turc, ou d’une soi-disant victime de l’attaque chimique de Khan Shaykhoun hospitalisée en Turquie, à la certitude de la culpabilité d’Al-Assad, si entre un point et l’autre  se trouve un énorme vide? Et, bon-sang, comment ces abrutis de journalistes occidentaux ne peuvent-ils pas se demander comment ont pu arriver en sécurité en Turquie les soi-disant victimes de la soi-disant attaque chimique qui a soi-disant eu lieu dans une ville à 100% contrôlée par Al-Qaïda depuis 3 ans? Et ainsi de suite…

 

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Les français, selon les mêmes sources merdiques occidentales, ont aussi prouvé la culpabilité d’Al Assad :

 

Voici une version français de ce qui est y est dit dans un article du Monde

 

Analysons aussi celui-ci, encore une fois de RTP, et qui commence mal, bien mal, avec une image des White Helmets, agence de relations publiques et de propagande d’Al-Qaïda en Syrie. Voici la première citation : «Les Services de Renseignement français ont conclu que les forces loyales au président Bashar Al-Assad ont utilisé du gaz sarin dans l’attaque sur la ville de Khan Shaykhoun.» Oui, ils l’ont conclu, mais comment? Une personne honnête et cohérente ne prend pas en compte les conclusions de gouvernements d’Etats terroristes sur quoi que ce soit. Elle considère seulement les preuves et les faits concrets, de préférence obtenus de manière légale, conforme aux lois internationales qui régissent l’ONU et qui furent mises en place par des pays comme…la France, justement! Les Services de Renseignement français ont le droit de conclure ce qui leur plaît, mais j’insiste, quel rapport avec le sujet? Aucun!

 

Continuons avec une autre citation: «Dans un document de 6 pages, auquel l’agence Reuters a eu accès, les Services de Renseignement français affirment que ‘’il n’y a que Bashar Al-Assad et quelques-uns de ses soutiens qui ont pu donner l’ordre d’utiliser des armes chimiques’’». Ah bon? Vous avez un document de 6 pages que vous avez montré à Reuters, agence dont il a été établi qu’elle a auparavant menti au point d’avoir la certitude de l’existence des inexistantes armes chimiques de Saddam Hussein? Et qu’est-ce que c’est que cette phrase? Quel était le message supposé qu’ils voulaient faire passer avec de telles ridicules affirmations? Rien, bien-sûr, comme d’habitude, ou bien ils voulaient dire que les médias occidentaux, par définition, sont les détenteurs de la vérité, avec ou sans preuves, c’est ça? Ils ne font que s’humilier ces prostitués de RTP! Et que dire du reste de la phrase? Seulement Al-Assad et ses proches? Comment savent-ils? Comment donc se mesure cette chose de «pouvoir donner l’ordre d’utiliser des armes chimiques? Ça se mesure en mètres par seconde ou en ampères ou en masse de stupidité au carré à la place du cerveau qu’ils n’ont pas? Franchement, objectivité zéro! «Il n’y a que» ne veut absolument rien dire, et même si ça voulait dire quelque chose… il manque les preuves! Quel néant intellectuel!

 

Continuons. «Les auteurs de ce rapport sont arrivés à cette conclusion après avoir analysé des échantillons de sang des victimes dans lesquels ont été trouvé des traces d’hexamine, un composé organique utilisé dans la production de gaz sarin.» Encore la même chose, mais en pire, maintenant ils nous disent avoir recueilli des échantillons! Quelle bêtise! Leur petites têtes vides n’ont pas pensé que les «auteurs du rapport», français, n’ont pas eu accès au lieu, ni aux victimes de la soi-disant attaque et que, donc, ils ne peuvent avoir réalisé de preuves que sur du vide, n’est-ce pas?

 

Puis: «Le document ajoute que les groupes djihadistes de la zone n’avaient pas les capacités de réaliser une attaque de ce genre et que l’Etat islamique ne se trouvait pas dans la région.» Ah non, et dans les jours qui ont suivi l’attaque, une des versions des médias occidentaux n’était-elle pas celle des «avions de chasse russes qui ont bombardé un dépôt d’armes de ‘’rebelles’’», donnant lieu à la libération du gaz sarin»? Comme ils changent d’avis ces gens! Et puis, qu’est-ce que j’ai à faire d’un rapport que personne ne peut lire, produit par des gens qui n’ont pas accès physique à l’endroit des faits? Rien! En parallèle, l’ambassadeur de la Syrie aux Nations Unies,  Bashar Jaafari, a officiellement remis à l’ONU des dizaines de fois durant ces dernières années, des documents incriminant ces «rebelles» terroristes dans la réalisation de dizaines d’attaques chimiques. Et maintenant? Les documents/preuves remis par la Syrie à l’ONU ne comptent pas et un rapport secret d’un seul pays (et pas de l’ONU) compte? Vous pouvez m’expliquer comment, avec quelle absurde logique, on arrive à une telle conclusion?

 

Et puis, que dire de la légitimité française, pays qui bombarde illégalement la Côte d’Ivoire, le Mali, la Lybie, ou même la Syrie? Pays dont des dizaines de militaires de son armée ont été capturés et emprisonnés en Syrie par l’armée du pays (D’«anciens» militaires français parmi les djihadistes de Daesh)? Pays natal de l’entreprise Lafarge, impliquée dans le commerce de millions dans la vente de ciment et de construction d’infrastructures de terroristes en Syrie ?

 

Pays de l’entreprise de télécommunication  qui assure la couverture de réseau mobile et internet du territoire occupé par Daesh en Syrie? Et ainsi de suite. Maintenant, le ministère des Affaires Etrangères français montre ZERO preuves incriminant Al-Assad dans l’attaque chimique dont personne n’a encore prouvé qu’elle avait eu lieu, et les abrutis de journalistes merdiques de RTP, Correio da Manhã[2] et compagnie concluent «définitivement» qu’Al-Assad est l’auteur de cette mise-en-scène d’attaque chimique. Oui, aujourd’hui, Correio da Manhã parlait même de «signature d’Al-Assad dans les attentats», héhé, quelle rigueur informative, quelle objectivité! Et les gens à la maison ou au café répondent quoi? Bêêêêêê !

 

L’OIAC, parce qu’elle croit de manière subjective et anti-scientifique une seule personne turque, nie la nécessité de réaliser une investigation légale, qui serait d’envoyer des fonctionnaires de l’ONU officiels et neutres sur les lieux, de manière à pouvoir enquêter, récolter des données, les analyser puis produire et présenter devant l’ONU un rapport donnant les conclusions finales. Allons bon, l’OIAC préfère croire un turc, dont personne ne sait où ni comment il s’est procuré «les preuves» et que, même si on savait tout ça, elles ne seraient pas valides au regard des procédures légales de l’ONU concernant la vérification de l’authenticité des échantillons récoltés, certification de l’origine des échantillons, preuve du déplacement des fonctionnaires de l’ONU à Khan Shaykhoun et pas aux Bahamas, et ainsi de suite. Mais enfin, tout ça n’intéresse personne, ni l’OIAC ni les gouvernements des pays occidentaux comme la France et les États-Unis qui ont créé les règles de l’ONU pour ces procédures, et beaucoup moins pour les médias occidentaux qui bien qu’ils idolâtrent cette institution, n’exigent jamais l’application  des procédures légales et de la méthodologie de l’ONU à quoi que ce soit. Non, c’est pourquoi des gens comme Paulo Dentinho [3] doivent raisonner de la sorte: «Ha, il y a là un turc qui dit qu’il a un bocal avec du gaz sarin, super, je m’en vais dire dans le journal de RTP de ce soir qu’Al-Assad est le coupable». Et quelques jour plus tard, le même Paulo Dentinho, directeur de l’information de RTP, entend dire que les Service Secrets français ont conclu qu’Al-Assad est coupable et revient à la charge à heure de grande écoute avec ses non-infos!

 

L’Organisation pour l’Interdiction des Armes Chimiques (OIAC), agence sous tutelle de l’ONU, et sous pression des Etats-Unis et de ses Etats vassaux, déclare qu’il n’y a pas nécessité de réaliser une investigation indépendante en accord avec les règles internationales établies par elle-même, puisqu’elle juge suffisantes «les preuves» (non) récoltées par les français, anglais, et turcs clairement en opposition avec les règles internationales établies par la même OIAC…que dire! Et que dire du président de l’OIAC, un turc (oui, turc)  Ahmet Üzümcü qui prend maintenant ce genre de décision absurde mais qui a reçu un prix Nobel de la paix pour avoir précisément supervisé le retrait des armes chimiques syriennes en 2013 ? Bref…

 

 

Pourquoi rejeter la demande syrienne et russe d’une enquête légale et indépendante contrôlée par l’OIAC, sérieuse et scientifique, réalisée par des experts de l’ONU envoyés sur les lieux de la soi-disant attaque? Ce n’est pas trop de rappeler que le gaz sarin met des semaines à se décomposer, et que, donc, il est encore temps de prouver si oui ou non du gaz sarin a été libéré à Khan Shaykhoun. A moins qu’ils ne soient pas intéressés de récolter de manière légale, indépendante et scientifique les preuves nécessaires. Pour ceux que ça intéresse, voici encore des articles sur le sujet:

 

Le sud-coréen, le brésilien et le bolivien à l’ONU
En parallèle, Paulo Sergio Pinheiro, président de la Comission d’Enquête du Conseil des Droits de l’Homme des Nations Unies pour la Syrie, affirme n’avoir de preuves de rien ni personne au sujet de cette soi-disant attaque chimique : « Nous n’avons trouvé aucun lien entre le bombardement et les émissions [de gaz sarin] ». Donc, la personne officiellement en charge de cette affaire ne peut même pas présenter des preuves qui confirment que l’attaque chimique ait effectivement eu lieu, et cependant les gouvernements et médias occidentaux veulent nous faire croire, sans preuves, que le coupable d’une chose dont on ne sait même pas si elle a eu lieu est Al-Assad? Bravo!

 

Voici un article en espagnol sur le sujet :

 

Un entretien (en portugais) avec le diplomate brésilien Paulo Sérgio Pinheiro à  ONU News Português:

 

https://www.facebook.com/ONUNewsPort/videos/10155968160572506/

 

Et pourquoi pas entendre quelqu’un qui, légalement, a la responsabilité d’enquêter sur l’affaire, j’ai nommé monsieur Kim Won-soo, Sous-Secrétaire général de l’ONU et Haut-Commissaire aux Affaires de Désarmement? Le 6 de ce mois, pendant la réunion d’urgence du Conseil de Sécurité de l’ONU, alors que les missiles Tomahawks américain s’abattaient illégalement sur la base de  Shayrat, Kim Won-Soo répondait à la provocation de l’ambassadrice des Etats-Unis à l’ONU en affirmant que non, qu’elle n’avait pas de preuves de comment et si l’attaque avait de fait eu lieu, encore moins de preuves sur qui l’aurait réalisée. Mais enfin, encore une fois, je n’ai jamais entendu les déclarations ni de l’un ni de l’autre dans les occidentaux médias de propagande désinformative, mais pour quelle raison? Est-ce qu’ils ne reconnaissent pas les organes internationaux de l’ONU ni les fonctions pour lesquelles ils ont été créés? Est-ce qu’ils ne reconnaitraient que la loi du plus fort qui bombarde le plus faible en toute impunité, serait-ce donc ça?

 

Et pourquoi pas entendre les paroles sensées de l’ambassadeur bolivien au Nations Unies, monsieur Sacha Llorenti:

 

  

Donc, et pour en finir avec le sujet, nous nous trouvons avec des preuves sans un minimum de validité et avec la garantie que l’OIAC ne veut pas réaliser d’enquêtes qui permettent d’obtenir des preuves valides. Croyez ce que vous voudrez des preuves franco-turco-anglaises, mais Kim Won-Soo et Paulo Sérgio Pinheiro, comme l’exige le sérieux de leurs fonctions, ne croiront que ce qu’ils voient, si ce qu’ils voient est obtenu valablement. En attendant nous nous retrouvons avec la certitude occidentale basée sur du vide, à moins que l’armée syrienne reprenne bientôt Khan Shaykhoun, ce qui nous amènerait à l’une des plus grandes bévues médiatiques des 30 derniers jours.

 

Les syriens sur la route de Khan Shaykhoun
D’ici quelques jours, si tout se passe bien, les syriens vont reprendre le contrôle de Khan Shaykhoun et ensuite on pourra assister au spectacle. Avec Khan Shaykhoun sous le contrôle du gouvernement syrien, il n’y aura plus moyen pour l’ONU et pour l’OIAC de refuser d’envoyer leurs experts jusqu’aux lieux. C’est pour cela même que, malgré les énormes et incroyables avancées syriennes vers Khan Shaykhoun, RTP et compagnie ne font pas la moindre référence au sujet. Voilà pourquoi, si l’armée syrienne reprend Khan Shaykhoun avec la brièveté nécessaire à la réalisation d’enquêtes indépendantes sur place, ne vous étonnez pas si vous ne voyez rien sur le sujet sur RTP et compagnie. Cependant si telle chose arrivait, je vous garantis que se sera notifié ici!

 

L’offensive syrienne au Sud de la région d’Idlib en direction de Khan Shaykhoun est liée à des causes complexes qui ont déjà été expliquées dans l’article Terrorismo-colonização da Síria (en cours de traduction). Il n’est donc pas utile d’analyser à nouveau le sujet. Je crois qu’il suffit, pour cet article, de jeter un œil aux deux cartes ci-dessous:

 

22.03.2017.jpg

 

27.04.2017.jpg

  

Et parce qu’on ne donne jamais la parole aux syriens, je vous invite enfin à écouter les opinions personnelles de syriens, dans les rues de Damas, sur l’attaque mise en scène, thème de cet article:

 

 

C’est tout. Merci de votre attention ! 

 

Liens intéressants sur le sujet:

Liens sur la mise-en-scène de l’attaque chimique de la Ghouta en 2013:

Liens de propagande occidentale utilisés dans cet article:

 

Luís Garcia, 27.04.2017, Ribamar, Portugal

(Traduit par Claire Fighiera)

 

[1] L’auteur, qui est portugais se réfère à la chaîne publique Radio e Televisão de Portugal (RTP)

[2] Média de masse portugais très populaire

[3] Directeur de l’information à RTP

 

Lisez plus d’articles sur la Syrie ici

 

 
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O Plano C para a Síria, por Luís Garcia

 

 

O Plano C para a Síria.jpg

 

Luís Garcia  POLITICA    

 

Qual a relação entre os ataques aéreos e terrestres da Turquia no norte da Síria, nos últimos 7 dias, com a primeira conquista efectiva do norte-americano New Syrian Army (NSA, ESA, Maghawir Al-Thawra Army, ou o raio que seja) em território sírio na noite passada? É isso que vou tentar analisar, e é aí que entra o título do artigo, o "Plano C" norte-americano para a conquista da Síria.

 

Mas antes demais, há que perguntar o que é o New Syrian Army (NSA)? Boa pergunta, sem dúvida. Há meio ano cheguei a falar dele na série de artigos "Resumo do conflito Sírio" que nunca cheguei a acabar devido à complexidade do tema, da enorme dinâmica que leva à constante aparição e/ou remodelação de grupos terroristas, e por serem artigos que manifestamente não despertaram o interesse dos leitores (a ver pelo número de visitas). Mas bom, agora é incontornável falar do NSA, sobre o qual daqui a uns tempos, de forma vaga, confusa e parva, se farão menções nos média/mídia de propaganda ocidentais. O NSA, ao contrário do que o nome indica, não são novos, nem sírios, bem pelo contrário, são as velhas forças armadas terroristas dos EUA, Reino Unido e Jordânia, e encontram-se há meses estacionados na Jordânia junto à fronteira com a Síria, há espera de ordens. Existem várias notícias dos últimos meses (como esta ou esta) nas quais foram por diversas vezes citados em acções relacionadas com tentativas de conquistar território ao ISIS, mas só agora se realizou uma conquista efectiva no sul da Síria que, a meu ver, tem tudo a ver com o que se tem passado nos últimos dias no outro lado do país, no norte da Síria! Vamos por partes.

 

Desde o dia 25 de Abril de 2017 a Turquia tem atacado de forma contínua território sírio controlado pelas FDS (curdos vendidos + NATO), certo? Certo, provas não faltam. Aqui ficam uns 2 exemplos por dia, só para termos uma noção:

 

25 de Abril:

26 de Abril:

27 de Abril:

28 de Abril: 

29 de Abril:

 

E o que se disse durante este dias sobre os ataques da Turquia (membro da NATO) à zona do norte da Síria controlada pelas FDS (curdos vendidos + NATO)? Nada, absolutamente nada. Ontem nas notícias do SIC, o pacóvio de serviço falou da reacção dos norte-americanos, que deslocaram meios e tropas para junto da fronteira sírio-turca, mas esse mesmo pacóvio não soube explicar a "coisa", pobre coitado. Ah, e tal, os EUA vão prá'li para evitar que a Turquia ataque os curdos. Eheheheh, muito bem, agora vai comer a papinha e depois vai fazer lóló, está bem? Puta que pariu! Agora a sério, como se explica que um membro da NATO bombardeie território da Síria controlado pela NATO e os EUA levem 6 dias a reagir para... não fazerem absolutamente nada além de aproximarem uns peões e umas torres para junto da fronteira síria-turca? Ah, não se explica, não é? Ah, não bate certo pois não? Ah, que confusão, ainda agora dizíamos que os turcos tinham provas do ataque químico que NÃO aconteceu em Khan Shaykhun, agora temos de dizer que eles atacam os curdos... tsztsz... curto-circuito! Mas já lá vamos. Deixem-me rebobinar um pouco.

 

É verdade que Erdogan troca vezes sem conta de ideias, é imprevisível e é difícil de perceber a quem respeita ou de quem recebe ordens, se dos EUA se da Rússia. Provavelmente de nenhum! Ou talvez dos 2, aleatoriamente, ou não! Certo é que Erdogan consegue realizar proezas do género: no mesmíssimo dia ameaçar aniquilar o "regime" sírio e, imagine-se, permitir que os seus protegidos "rebeldes sírios" sejam atacados pela força aérea russa a partir do espaço aéreo turco. Confuso? Metam confusão nisso! Por isso, quando o tema é Erdogan, não tenho certezas, apenas opiniões o mais lógicas possível, o que raramente é possível!

 

 

Ainda assim, tentemos perceber se se pode retirar algum sentido destes últimos eventos.  A Turquia, sem motivo lógico, do nada, lembrou-se no dia 25 de começar a bombardear posições das FDS (Forças Democráticas Sírias, compostas por YPG, PKK, curdos sionistas iraquianos e NATO, que é como quem diz EUA, França, Polónia, Austrália, etc). Ora, apesar do nome, esta malta claramente não é síria. Mais, apesar de no ocidente ser apresentada como uma força curda de luta pela (absurda) independência de um tal de Curdistão na Síria (ler Terrorismo-colonização da Síria), para mais não servem que disfarçar a ilegal ocupação da zona síria mais rica em petróleo e gás por parte dos EUA e dos seus estados vassalos membros da NATO. Tendo isto em conta, estes ataques da Turquia (também membro da NATO) parecem-me (e é uma opinião pessoal sem base em prova alguma) ser um maquiavélico acordo com a Rússia com o objectivo de mostrar aos curdos sírios e aos curdos turcos o quão estúpidos e ingénuos são para a acreditar nas promessas norte-americanas de um estado curdo independente por cima de terra roubada à Síria. Sim, era esse o "Plano B" de John Kerry, criar um Curdistão, pensado em função da vontade de roubar petróleo e gás à Síria, não para criar um paradisíaco oásis cor-de-rosa para curdos, ora essa! Confundir meios com fins, ora essa! Era esse o Plano B, mas o Plano B anda a cair aos pedaços e, na perspectiva norte-americana, "os curdos que se fodam"! Arranja-se um Plano C e um D se for preciso, com ou sem curdos, inclusive com o genocídio total de curdos, se a tal for preciso chegarem os norte-americanos de forma a poderem gamar o gás sírio todo! E construir gasodutos onde tugas-mongas da NATO farão vigília-zombie 24h/dia de metralhadora na mão! 

 

Voltando ao assunto, a melhor maneira de convencer os ingénuos curdos de que é imensamente estúpido confiar em norte-americanos, é ter a Turquia (membro da NATO) atacando deliberadamente as FDS (e, em consequência, a própria NATO) sem qualquer reacção dos EUA/NATO! Pois claro que os EUA/NATO não vão bombardear a Turquia (NATO)! Com isso sonha Putin, encurralar os EUA de tal modo que sejam os EUA a correr com a Turquia para fora da NATO! A partir desse dia a Turquia não tocaria mais na Síria pois, caso o fizesse, a Rússia poderia declarar guerra à Turquia sem declarar guerra à NATO, ou seja, sem conflito nuclear global! Por isso os EUA não reagem, estão encostados à parede!

 

 

 

 

O melhor que podem fazer é queimar gasolina passeando pela fronteira sírio-turca com os seus brinquedos bélicos, enquanto aquela merda de símbolo de terror, caos e barbárie vai abanando ao vento: 

 

E assim temos Turquia bombardeando FDS a seu belo prazer, enquanto curdos observam o quão se estão cagando a NATO/EUA para eles! E parece que já estão a acordar, dentro do YPG já se ouvem vozes de descontentamento de malta que já percebeu que os EUA não estão lá para os proteger ou criar Curdistões, mas sim para proteger interesses nacionais norte-americonas. E assim temos Erdogan fazendo um enorme favor à Síria (soa absurdo não soa?), dizendo indirectamente aos curdos para esquecerem essa estória da treta de Curdistão na Síria,  entregarem de forma pacífica o norte da Síria a quem tem soberania sobre esse território (o governo e forças armadas sírias) e mandarem os EUA ver se chove no deserto! É um facto, alguns membros do YPG já vieram a público afirmar que estão cancelados os acordos com os EUA/NATO sobre o roubo de território à Síria! Outros vão dizendo o contrário, enfim...

 

Mais, para provar que essa malta não está a brincar, estão aí 2 acontecimentos de grande importância.
 
Primeiro, o incremento (aparentemente ilógico mas real desde há semanas) nos últimos 2 dias de forças russas na zona ocidental das FDS (ver mapa acima, mancha amarela à esquerda). 
 

 

Não há nada de ilógico se se compreender o que disse nos parágrafos acima. Pode parecer ilógico que em zonas FDS (curdos vendidos + NATO) se encontrem agora tropas russas e bandeiras sírias, mas não é. Não é ilógico nem tampouco significa uma aliança Rússia-EUA, ahahahah, ora essa! Não, apenas prova que os curdos vendidos, ou parte deles, acordaram para a vida nas últimas semanas (e sobretudo nos últimos 7 dias) e que os EUA estão perdendo controlo da parvalheira de Plano B (aka Curdistão, aka terrorismo-colonização da Síria) de John Kerry. Daí a activação do Plano C, que falarei de seguida, depois de vos mostrar uma foto e um vídeo onde se pode ver a bandeira da Síria hasteada perto de Afrin, em pleno território das FDS:

 

Bandeira síria içada junto a Kharabat Sharanli 

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Bandeira síria içada em Ayn Daqnah

  

Segundo, a implementação do Plano C. A sério, vejam o que o Império da Guerra (EUA) anda a aprontar no sul da Síria! Depois do Plano Zero (criação de uma falsa guerra civil síria), do Plano A (ISIS conquistando a Síria para criar um Sunistão) e Plano B de John Kerry (FDS conquistando parte da Síria indirectamente, através da conquista de território aos ISIS anteriormente conquistado por este às forças armadas sírias), agora avançam com o Plano C, como eu lhe chamo! E o Plano C é invadir a Síria pelo sul, usando para o efeito a treta de New Syrian Army (EUA + Reino Unido + Jordânia) preparado há meses, estacionado na Jordânia junto à fronteira com a Síria e que esporadicamente tem realizado sem sucesso ataques contra o ISIS. Finalmente e, não me parece coincidência, ao mesmo tempo que os EUA enviam desesperada e impotentemente tropas suas para a fronteira turco-síria, a norte, que não pararão de forma alguma ataques turcos contra FDS, os EUA avançam com esta medida de desespero a sul. Na madrugada de 30 de Abril para 1 de Maio conquistaram no sul da Síria território vazio "controlado" pelo ISIS, um pedaço de nada, ou seja, um pedaço de deserto absolutamente vazio. Vejam no google earth:

NSA 1.jpg

 

NSA 2.png

 

Para quê? Mmmm, eu creio que seja para poderem controlar em segurança um pedaço de terra onde possam fazer aterrar mais tropas e equipamento de pára-quedas. Aliás, quem já lá meteu os pés só pode ter chegado de pára-quedas, se pusermos de parte a hipótese de terem chegado por terra com a total permissão do ISIS, não é? Olhem bem onde se encontra o pedaço de vazio que os EUA (New Syrian Army) acabou de conquistar:

 

nsa 3.jpg

 

Neste mapa do syriancivilwarmap.com vê-se claramente como a posição conquistada pelo NSA/EUA se encontra rodeada por território do ISIS sem fronteira com a Jordânia, não é? Portanto quem lá chegou, chegou de para-quedas, imagino, e não deve ter tido grandes dificuldades graças ao vazio total e às infinitos meios-aéreos dos EUA. 
 
Mas aí está, meios aéreos que os EUA têm e que os "rebeldes" terroristas da região de Daraa não têm de certeza! Ainda assim, já vejo, de forma ilógica, fontes pró-"rebeldes" terroristas avançarem que a conquista terá sido feita pelos "rebeldes" da região de Daraa, a zona verde no canto inferior esquerdo do mapa acima. Não têm provas do que que dizem, eu também não tenho provas do contrário, mas não se conquistam mais de 100km contra o ISIS durante uma noite! E mais, conquistar 100km, durante uma noite, para alcançar e controlar uma posição vazia no meio do deserto!?! Como assim? Vejam o que mais ou menos supõem os pró-"rebeldes:
 

nsa 4.jpg

 

Aquela faixa de 100km de verde a mais é suposição. Além de absurda, o New Syrian Army não faz referência a ela. Esta versão não faz sentido nenhum!
 
Portanto, o  New Syrian Army, parece-me, será a nova tentativa do Império do Caos, que só pode viver de guerra, de guerra infinita, para no mínimo continuar a desestabilizar a Síria. A partir daquele pedaço de deserto vazio, expandir-se-á nos próximos dias e semanas de forma a controlar uma parte daquele território do ISIS que neste momento colapsa face aos avanços do exército sírio em torno de Palmira (como também se pode ver no mapa acima). Veremos no que dará este Plano C anglo-jordano-gringo!
 
 
Uma explicação alternativa para esta primeira conquista efectiva de território pelo New Syrian Army (NSA) na Síria é dada pelo pessoal do Syrian War Daily. Segundo estes esta brincadeira de mau gosto norte-americana não será um plano C de conquista/desestabilização da Síria, mas apenas uma pragmática medida dos EUA para prevenir que as Al-Hashd al-Shaabi (Forças de Mobilização Popular do Iraque), após concluírem a reconquista de território do seu país contra o ISIS, venham, como prometido, apoiar as forças sírias na conquista de território sírio contra o mesmo ISIS. Ao criarem uma zona tampão de NSA, os EUA tentarão evitar que as Forças de Mobilização Popular do Iraque entrem na Síria. Enfim... Da guerra vive a pobre economia norte-americana...
 
Enquanto escrevia este artigo, a Turquia aparentemente reatou os ataques com peças de artilharia Howitzers e lança-roquetes T-122 Sakarya MLRS a partir da cidade turca de Kilis. Ainda não há imagens disponíveis.

 

Luís Garcia, 02.05.2017, Ribamar, Portugal

 

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