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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Panorâmicas da Tailândia (2014)

 

Fotografia

 

 

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS

 

Temple de Pha Sorn Kaew I

 

Temple de Pha Sorn Kaew II

 

Visite o meu perfil 500px para ver uma selecção das minhas fotografias da Tailândia!

 

Luís Garcia, 28.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Panorâmicas da Arménia (2014)

 

Fotografia

 

 

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS

 

Agarak 

 

Khor Virap

 

Ierevan

 

 

Visite o meu perfil 500px para ver uma selecção das minhas fotografias da Arménia!

 

Luís Garcia, 28.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Emoji Reaction, a novidade do Facebook

 

 

facepiças

 

 Luís Garcia  SOCIEDADE TECNOLOGIA

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Adoro - parece a sociedade Tailandesa, pois que neste país quando se gosta, quando se adora, quando não se gosta, ou mesmo quando se detesta algo ou alguém, o que a malta faz, invariavelmente, é mostrar um sorriso (amarelo ou não) e dizer Kha/Khap. O Facebook, imbuído do mesmo espírito, diz-nos que podemos dizer se "gostamos", ou se gostamos muito, mas insiste em não nos deixar dizer que "não gostamos", não se percebe.

 

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Riso - sim, é de rir o botão, assim como a ideia de o incluir nas opções possíveis. Então mas este pessoal acha que não se usa já emojis que chegue e que sobre? Não, aparentemente não, há palavras a mais e emojis a menos, e com esta medida pode ser que consigam de vez fazer a malta deixar de se expressar por palavras e passar a fazê-lo exclusivamente por bolas amarelas (e outras cores) com riscos pretos lá dentro. Boa!
 

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Surpresa - voltamos ao mesmo, minimizar a linguagem humana. George Orwell era um menino ingénuo, um amador. Qual simplificar a linguagem num futuro (já presente) distópico, qual quê, criando a "novalingua"! Acaba-se é com a snobisse de uma vez por todas! Usem emoticons e emojis, mazé!
 

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Tristeza - feito a pensar naqueles que se sentem tristes por não terem (ainda) o botão "não gosto" que tanta falta lhes faz. Tristeza por constatar que Zuckerberg insiste em não aceder ao pedido de um quinto da população mundial, a qual desespera pela aparição do botão "não gosto". Poderiam acrescentar ainda o botão "desespero", que bem melhor transmitiria as emoções desse 1/5 da população pela falta do raio do botão, e daquela meia dúzia de freeks que sabem que são espionados à bruta pelos serviços secretos ocidentais através do Facebook e que insistem, como eu, em continuar a utilizá-lo por crerem no potencial positivo desta rede social enquanto fonte de informação horizontal e descomprometida com os interesses económicos censuradores e auto-censuradores.
 

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Ira - Há quem diga que é este o botão que se deve usar quando não se gosta de uma publicação. Mas não! Discordo. Uma pessoa racional e equilibrada, que não goste de uma publicação, deveria conseguir não-gostar sem se enervar e sem entrar em ataque de raiva. Pelo contrário, deveria conseguir provar com argumentos racionais e sensatos o porquê do seu descontentamento. Este botão de "ira", a ser aplicado enquanto aproximativo de "não gosto", só servirá de forma de expressão para aqueles que não tendo razão nem argumentos, se enraivecem por não os ter! Penso eu de que! Ahahahah, ou melhor, :D .
 

Luís Garcia, 27.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Cuidado com os artistas

 

 

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE 

 

A espécie humana é peculiar no reino animal por ser a única capaz de criar um mundo ilusório e tomá-lo por real ao ponto de a própria visão sensível já não ser capaz de enxergar o que os seus conceitos superficializam, o que a sua língua volatiliza, o que o seu pendor idealista e metafísico desmaterializa e o que o seu entendimento ignora da realidade inescrutável pelo intelecto humano, o que o desfasa de todas as restantes formas de vida sensível, por se desarreigar de uma vivência natural plena.

 

Aberrante, então, é a raça dos artistas.

 

Se nos dermos à empresa de conhecer a história pessoal da esmagadora maioria dos artistas, principalmente os de relevo histórico-cultural, e munidos de uma certa quantidade de conhecimento na disciplina da psicologia, facilmente traçamos perfis de desequilíbrio psíquico.

 

E, tal, não é tão abstruso como possa parecer ao apreciador médio de arte. Basta compreender o seu modus operandi, que passa, grosso modo, por, perante a rejeição social a que são sujeitos, muitos deles até tendo passado por graves problemas no que diz respeito ao desenvolvimento emocional e pessoal no seio da própria família, se isolarem num mundo idealizado que vão orquestrando imaginativamente. Mundo esse que é a base para a sua projeção externa da forma como a realidade se deveria apresentar perante eles. Na ignorância científica de que a maioria padece, facilmente o que poderia devir em algo que representasse uma melhoria realista para o mundo humano resvala para uma utopia. E, então, o encerramento dentro de si mesmo consolida-se, ora sob a forma de um embriago de felicidade tola, ora mais comummente sob a forma de um pessimismo que pode ser lido na sua misantropia irremediável, quando decidem que aquilo que veem à sua volta, e que não passa da corporização do um determinado conteúdo cultural, compõe a “natureza humana”.

 

E é da misantropia que pode derivar uma certa perda de aptidão para a empatia de que muitos padecem, reduzindo-se a sua sentimentalidade às formas frias estilísticas através das quais a exprimem, viciando-se na sua produção artística e negligenciando as relações humanas. Isso foi genialmente explorado por Ingmar Bergman nos seus filmes, como por exemplo “Sonata de Outono”, no qual Ingrid Bergman personifica magistralmente alguém com o perfil psicológico que tracei.

 

Ensimesmados, arrastam para a perdição humana toda a gente que toma contacto com o seu diletantismo, por submissão a um ideal positivo ou negativo que projetam e com base no qual interpretam toda a operabilidade do universo.   

 

Mais cedo ou mais tarde, as pessoas que assumiram essas ideias acabarão por esbarrar com uma realidade oposta, à qual atribuirão, por uma postura não científica, a qualidade de humanamente insolúvel, perdendo-se, possivelmente para sempre, da possibilidade de fruir o mundo para além do efeito visceral do bolo que resultou do vício de mastigar a realidade com as mandíbulas da ficção e interioriza-lo como se fosse real.

 

Ricardo Lopes

 

 

 

 
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Viciados em decepção

 

  

    ANACLETO  SOCIEDADE

 

Fizeste um post na máquina de consequências. Agora esperas que o teu esforço, o teu texto, o teu jantar, o teu gosto musical, as tuas férias, sejam validados. Um “fixe”. Dois, três, sete ...Mais? Só. Ninguém dá mais? Como é possível? Precisas de mais. Estás a suar. Alguma coisa correu mal. Refresh! Respira. Tenta outra vez. Pega no telemóvel. Carrega no botão. Faz um L. Desbloqueou. Abre novamente. Refresh! NADA!!! Sentes um nó na garganta! Refresh! Nada! Vê o post do teu amigo. Ele/a já tem dez. Foca‑te! Faz like! Espera. Oito! Yes!... Ninguém dá mais? Gastaste toda a tua gasolina. Ninguém reparou. Enche o depóstiso. Mostra-te um pouco mais, talvez de outro ângulo. Um “fixe”. Refresh! Dois, três, quatro ... cinco. Mais, precisas de mais!!! Refresh! NADA! O coração bate forte. Estás ofegante. Ninguém gosta de ti. Não percebes. Refresh! Vê a publicação anterior. NADA! Estás preso/a. Não avanças enquanto não fores validado/a. Faz uma pausa. Voltaste. Refresh! Há sinais no canto superior direito. O coração bate forte, há um sentimento incrível e mordes os dedos! Parece Natal. Decepção! O nó na garganta passou para o estômago. Era um evento, e alguém comentou no post da tua amiga. Se ao menos eu fosse como ela. Seis! Mais um “fixe”. Yes, que bom! Vamos lá! Quem dá mais? Preciso de mais! O dia já vai longo e não foi desta que foste viral. Refresh! Nada! Persegues o fantasma! Refresh! ... Refresh! Refresh! Faz refresh escravo! Algo caiu no chão. O visor está intacto. Ufa! Refresh! Nada! Gritas por dentro. És invisível. Já passa da meia noite, hora de dormir. Passaste o dia nisto. Algo te roubou um dia inteiro e não sabes quem foi. As horas passaram tão depressa. Não fizeste o que querias. Ninguém reparou em ti. Ninguém quer saber de ti. Quem sou eu? Eu não existo? Mais! Preciso de mais por favor! Não me deixem ir assim. Pensa positivo. Coragem, mais uma vez. Refresh! Refresh! Porque é que isto está a demorar tanto tempo! NADA!? Grita na almofada. Desespero. Chegaste ao fim da linha e adormeces. Acordas a meio da noite. Refresh! Isto faz doer os olhos! Refresh! Nada! Não consigo largar isto! Algo está errado. Adormeceste, e contigo o teu narcisismo. Deixa-o estar, que assim é que ele está bem. Estás viciado/a em decepção. Não faz mal, amanhã é outro dia. Acordaste. Refresh!

 

Pedro Anacleto, Porto, Fevereiro 2016

 

 

 
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Narcisismo artístico na Sociedade do Espectáculo

 

 

(a conta 500px do artista, para os atentos, hehe) 

 

  SOCIEDADE Fotografia Luís Garcia 

 

Olharização do 500px

Vou vos contar a saga inacreditável de um novo utilizador do 500px, um site onde é suposto os utilizadores partilharem as suas (melhores) fotos, e onde se podem avaliar as fotos dos restantes utilizadores através de "likes" que dão pontos e através de comentários (em princípio críticos, no saudável sentido do termo).

 

No momento em que se inscreveu, há um mês e meio atrás, admito que o 500px já tinha se desviado muito da lógica racional, da sua utilidade enquanto meio de aprendizagem de fotografia pela comparação com o que há de bom e mau, melhor ou pior, tecnicamente desafiante, etc. O 500px tem mudado, e contínua a mudar, para pior na minha sincera opinião, sofrendo uma progressiva e lamentável olharização. Inventei o termo partindo do nome do site português Olhares, dentro do mesmo conceito, site onde ninguém se interessa por aprender fotografia, nem tampouco criticar objectivamente o trabalho dos outros, mas sim comentar fotografias do género "excelente! aproveito para o convidar para visitar a minha galeria", entre outras dezenas de variações igualmente narcisistas e fúteis que tornam impossível que uma boa foto, a melhor do mundo quiçá, se destaque por votação, e permitindo ao mesmo tempo que os maiores vómitos fotográficos da humanidade cheguem ao topo da classificação graças ao spam que me referi acima. A malta vota às manadas na javardice fotográfica uns dos outros, empurrando para o esquecimento e sem piedade uma foto de um Cartier-Bresson ou um Sebastião Salgado que não desça ao nível vil de votar em merda para ser retribuído com votos.

 

Voltando ao nosso artista fotógrafo, para meu grande espanto, conseguiu me convencer, pelo seu comportamento neste mês e meio, que os spamers narcisistas do Olhares são mesmo uns meninos, gente fraquinha mazé! Querem saber porquê? 

 

Manipulação de zeros e uns

Antes de mais explico que só me dei conta do fenómeno porque conheço-o pessoalmente e com natural interesse decidi seguir a sua conta nos primeiros dias, visto que também sou utilizador do 500px. Só quando me apercebi do enorme fenómeno de manipulação realizado por este é que passei a monotorizar a sua conta diariamente durante as últimas semanas! Vamos lá:

 

Desde o início de 2016, que corresponde à criação da sua conta 500px, o artista tornou-se muito activo publicando às dezenas fotos de cada vez, fotos que pareciam melhor encaixar num álbum de férias do que numa selecção de melhores fotos de alguém, mas enfim, nos dias de hoje "tudo é arte"... Mais, criou algumas categorias para organizar as suas súbitas centenas de fotos. Até aqui tudo bem.

 

O problema começa poucas semanas depois, quando o artista se apercebe que assim não iria a lado nenhum e, como leva a crer, se incluirá na categoria de artistas incompreendidos, em vez de evoluir a técnica de fotografia, em vez de estudar fotografia, em vez de comprar um melhor aparelho fotográfico, em vez, sem lá, de simplesmente passar mais tempo a tirar mais fotos, não, decidiu fazer tudo ao contrário.

 

De uma assentada apagou todas as suas fotos a cores, apagou quase todas as suas fotos a preto-e-branco, eliminou as categorias de fotos e adicionou um título incompreensível de artista incompreendido ao seu perfil:

Through the lens of my camera, I can see the world in black and white. Without the distraction of color, I focus exclusively on the soul.

 

Em simultâneo começou a sua campanha de manipulação de números. De forma a obter à força os tão ansiados e ausentes seguidores da sua conta, o artista decidiu passar a gastar quantidades colossais de tempo likando fotos e seguindo perfis de centenas de outros utilizadores, de forma a que esses se sintam (uma parte deles, pelo menos) obrigados a retribuir de igual forma. De acordo com as minhas estatísticas, no início, por cada 100 novos perfis seguidos pelo Artista, 10 de esses passaram a segui-lo também (ultimamente a média tem estado inclusive melhor), o que, embora prove lamentavelmente que no 500px  existe pelo menos uns 10% com a mentalidade de toma lá dá cá, prova também, felizmente, que não são 99% como no Olhares.

 

Em curtos espaços de horas, o Artista sobe às centenas o número de outros perfis que decide seguir. Na minha opinião é impossível tomar-se deveras atenção ao que outros criam de interessante quando se clica seguir 100 perfis numa hora. A esta escala industrial e robotizada não só não há tempo nem cabeça para uma escolha honesta (racional e/ou emocional), como o resultado é uma tal montanha de perfis seguidos que da próxima vez que quiser ver uma dada foto magnífica ou um excepcional perfil, andará à procura de agulhas em palheiros. Comportamento que julgo ser, numa perspectiva didáctica, absolutamente nulo.

 

Mas vamos aos números: subitamente passou a seguir 900 outras contas, para subitamente deixar de as seguir pouco tempo depois, descendo esse número para 300. De novo subiu para 1000 contas seguidas, para dias depois descer para 100 seguidas. E voltou a seguir contas até subir a 400, caindo de novo a 100, e uma vez mais até 400 e de novo 100. Neste momento (hoje) já vai outra vez em 500 perfis seguidos. Graças a estes 3200 perfis temporariamente adicionados, o Artista que começara (como é lógico) com 0 seguidores, já vai agora quase em 500. Ah, grande artista! E não, isto não se passou num espaço de tempo de 4 ou 5 anos, mas sim de 4 semanas!

 

Muitas das fotos a preto-e-branco apagadas, voltaram a ser publicadas sem edição de melhoramento ou outro motivo lógico. Apenas para que agora possam ser mais vistas e possam receber mais likes. E também para algo mais que considero profundamente desonesto: quando se apaga uma foto o número total de votos da conta não desce, mas quando essa foto é republicada, como é óbvio, o número total de votos da conta cresce. Daí ser comprensível que um utilizador honesto apenas em situações excepcionais apague e faça reupload de uma foto na qual encontre um flagrante defeito. Daí que eu chame desonesto ao nosso Artista, uma vez que o faz ao inverso, fá-lo de forma sistemática e grosseira, a uma escala industrial!

 

Voltando aos seguimentos súbitos, já imaginaram o  tempo perdido a seguir milhares de outras contas, dar-lhes muitos likes em suas fotos para que eles nos sigam e nos dêem likes de volta, tempo que poderia ter sido gasto a ler um livro de fotografia, a fazer fotos de aprendizagem, a ver com olhos de ver algumas poucas mas boas fotos de outras contas aprendendo nessa observação?

 

E que dizer dessas milhares de contas que o Artista seguiu durante umas horas ou dias, tempo estritamente necessário para receber de volta seguidores e com eles muitos likes? Podia simplesmente ir adicionando ao longo do tempo milhares de contas, de forma a que os donos dessas contas o seguissem também (como de facto fazem), mas não, num completo desprezo por aqueles que votam nas suas fotos medíocres e as tornam em sucessos de votação, este utilizador acumula seguidores mas apaga-os aos packs logo depois, como se fossem mercadoria fora de prazo, como se fosse uma linha de produção optimizada de eliminação de contas seguidas! .Não há empatia sequer, nem respeito nenhum por essas pessoas que, dando like por like, dando following por following, o transformam em Fotógrafo com F grande no mundo do faz de conta dos Zeros e Uns!

 

Insisto, porquê apagá-las? Porquê não deixar acumular? Uma vez mais, uma questão de manipulação de números no Reino dos Zeros e Uns. Neste momento o Artista seguiria já 3200 contra os 500 que o seguem. Esta proporção, a seu ver, especulo eu, passa a ideia de que é um fotografo fraquinho que precisa de seguir muitos para ter alguns seguidores (o que é grotescamente verdade). Solução? Seguir milhares, sempre aos packs e durante curtos espaços de tempo e depois cair de novo para 100. Desta forma, enquanto 500 pessoas (sempre a crescer) o seguem, ele, O Artista, apenas segue aparentemente 100. Portanto, o Artista é um artista... graças à manipulação de números, ahahah! 


Resultado de toda esta manipulação de zeros e uns: vai se afogar em autostima com as centenas de votos que ele melhor que ninguém sabe serem artificiais, ficando sem saber o que é uma boa ou uma má foto sua, auto-impossibilitando-se de evoluir. Não vai olhar nunca com olhos de ver trabalhos fotográficos de outras contas, daí que não evoluirá tampouco pela comparação com outros (melhores ou piores). Aqui está a essência do narcisismo espectacular!

 

Ontem, enquanto começava a esboçar este artigo, o Artista voltou a apagar fotos e a republicá-las, para algumas é inclusive a TERCEIRA vez que são publicadas neste curto espaço de tempo, uma vez mais multiplicando a contagem total de likes (que não desce quando uma foto é apagada) e aumentando o seu potencial falso-artistico pois é óbvio que agora tem mais seguidores que das 2 vezes anteriores! Enfim! Como diria o outro: "um artista, é um bom artista!".

 

Sociedade do Espectáculo

Numa sociedade mentalmente sã, seria normal encontrar pessoas que achariam interressante analisar de forma objectiva os votos e comentários recebidos, aprendendo nesse processo sobre si próprio e sobre as suas próprias fotos. Sobre uma foto sua com pouca reacção gerada, perguntar-se-ia "que há de errado com esta foto?". Noutra, com uma inesperada grande reacção diria a si próprio "é assim tão boa a minha foto"? Pela reacção dos outros ao nosso trabalho aprendemos muito sobre esse trabalho O contrário também é válido, ver fotos do mesmo género de outros autores melhores e piores tecnicamente, ler as especificações técnicas das suas fotos, quiçá encontrar uma explicação ao lado da foto de como esta foi obtida, permite aprender pouco a pouco pela comparação com o nosso trabaho. Eu aprendi algumas técnicas de fotografia assim: vendo fotos que me espantavam e que eu não fazia a mínima ideia como se faziam antes de tirar fotos; agora, analisando a diferença com as minhas tentativas falhadas, posso tentar perceber o que fazem que eu não faço, e vou fotografar de novo até conseguir obter o mesmo tipo de efeito. A partir daí tenho mais uma ferramenta que poderei utilizar na próxima vez que me apetecer ir tirar fotos E assim, ao seguir o trabalho dos outros aprende-se a fotografar. 

 

Ao comparar o nosso com o dos outros percebe-se onde estão as nossas fraquezas; temos um incentivo e um guia para a evolução e melhoramento; Hoje em dia, com a "olharização" do 500px, temos merdas cagadas com centenas de votos de compadrio, e fotos magnificas que, por entre o oceano diário de milhões de novas fotos, passam despercebidas. Assim, como é que um novo utilizador pode aprender algo sobre as suas fotografias e as dos outros? Já não pode, pois já se perdeu a integridade e a objectividade na avaliação do conteúdo fotográfico do site. E depois, quanto ao novato, talvez nem sequer queira aprender nada. Talvez apenas queira ser vedeta instantânea. Apenas queira o rótulo imediato de artista e respectiva consagração virtual, pouco se cagando para a Fotografia em sim...

 

Ou, em particular, que aprende o nosso Artista ao apagar uma (muitas) fotos com 10 votos, esperar umas semanas até ter artificialmente conquistado 500 seguidores, para depois uploadá-la de novo e obter 100 ou 200 votos? A foto ficou melhor entretanto? O artista evoluiu entretanto? Não me fodam. Narcisismo infantil ensinado pela nossa sociedade de cariz individualista e superficial, que incentiva o protagonismo rumo ao estrelato, em vez do convívio e aprendizagem com o convívio! Ou a sensibilidade do mundo 500px mudou entretanto e o que era fraco e not fashion, é agora trend? Mas claro que não, o upload e reupload foram feitos, não num intervalo de 5 anos, mas sim de apenas 2, 3, 4 semanas. Nada mudou, excepto o número de followers artificialmente obtidos. Se o nosso Artista não repetisse fotos apagadas, até poderia se colocar a hipótese da subida gradual de likes por foto se dever a uma subida gradual da qualidade do seu trabalho. Como o Artista faz o favor de apagar e por de novo as mesmas fotos, fornece-nos a prova factual, precisa, concreta, de que nada melhorou... pois são as mesmíssimas fotos! Subiu de 10 para 200 likes? Como? Ahhhh, ai está a Sociedade do Espectáculo em todo o seu explendor!

 

 A alma do preto-e-branco

Querem mais uma achega à desonestidade artistica: o artista, depois de ter em poucos dias uploadado centenas de fotos, das quais quase todas eram a cores, apagou-as todas uns meros dias depois, passou a uploadar apenas fotos a preto-e-branco e adicionou esta frase já acima citada "Through the lens of my camera, I can see the world in black and white. Without the distraction of color, I focus exclusively on the soul." (Através da lente da minha câmera, consigo ver o mundo a preto e branco. Sem a distracção da cor, foco-me exclusivamente na alma). Não é preciso dizer mais quanto à desonestidade colorida. Ou sim, lembrar que o artista ver-se-á, quer queira quer não, distraído pelas cores que os seus olhos captam ao olhar pelo buraquinho da sua câmera digital, ahaha... só depois de clicar para obter a foto digital, é que a foto a cores é digitalmente processada e passa a preto e branco de acordo com as opções digitais de preto-e-branco aparentemente seleccionadas. Daí que, insinuar que essa alucinação metafisica a que dá o nome de "alma" seja a sua fonte de inspiração é, em primeiro lugar, digitalmente desonesto, e em segundo lugar, desonesto! 

 

Artista imcompreendido

Uma último detalhe interessante: a produção de títulos à artista incompreendido e à artista inspirado como "humano" a cada vez que fotografa uma pessoa, ou "poluição" quando fotografa uma central eléctrica de cujas chaminés não sai absolutamente fumo nenhum, ou "consequências da crise económica" quando fotografa um edifício abandonado do Portugal em crise económica mas que podia perfeitamente ser a foto de um qualquer outro edifício abandonado de um qualquer próspero país, ou "lendo sobre a crise económica" quando fotografa um português lendo um jornal, sem saber sequer se o homem estará a ler a secção desportiva ou a consultar os classifcados! O facto de estes dramáticos títulos estarem em inglês multiplica o seu efeito aos olhos de quem , nestes 2 últimos exemplos, a miséria portuguesa através das obras de arte fotográficas do artista, ahahah! "Sensacionalismo artístico" chamo eu a isto, para ser simpático! "Desonestidade artística", para me poderem chamar de "hater"!

 

Por tudo isto, caro Artista: força, baseia-te sobretudo em ideias metafisicas de "inspiração" e "alma das coisas" para te auto-enganares e te convenceres que és Um Artista, nestes tempos em que toda a gente anseia ser Artista com A grande, famosos e amado, e tudo isso de forma expontânea! Suor, trabalho e dedicação são paranóias de gente freek, pois claro!

 

E não, não me venham foder a cabeça chamando-me de "hater", esse anglicismo usado, abusado e violado à força ultimamente pois, quanto à desonestidade (e em especial à de pseudo artistas que se crêem incompreendidos), eu não a odeio, eu apenas a desmonto criticando-a, como fiz nos parágrafos acima. Em vez de me chamarem "hater", leiam este excelente artigo sobre "haters": Qui sont les "haters"?

 

Honestidade ou morte, venceremos, ahahahah! 

 

Luís Garcia, 19.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Qui sont les "haters"?

 

 

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Claire  SOCIEDADE  en français

 

Une nouvelle catégorie d’acteurs est née sur internet, et fait beaucoup de mal : les «haters» (haineux traduit en français). Qui sont les haters ? Manifestement des «méchants», motivés par des sentiments négatifs.


Quelques définitions ont déjà été données, l’une d’elles désigne HATER comme sigle de Having Anger Toward Anyone Reaching Success. Cette définition nous donne un très bon aperçu de la manière dont on veut que la masse perçoive les haters : des gens jaloux, frustrés, dont le plus grand plaisir est de médire de la réussite de ceux qui ont du mérite, et découlant de cela, de se réjouir du malheur des autres. Et se trouvant dans cette position de haine ils doivent eux-mêmes être des loosers, des ratés sans talent («ever met a hater doing better than you ?.... Me either») et deviennent enragés lorsqu’ils constatent que d’autres en ont et connaissent le succès.

Pour confirmer ces faits, il va falloir creuser un peu. D’abord d'où vient cette expression ?  Apparemment les gens touchés par le succès le sont aussi par le venin des haters. Mais voilà, le succès appelle la célébrité, et il est évident que celle-ci n’amène pas toujours que de bonnes choses.


A propos du « succès », Victor Hugo au 19e siècle, soulignait déjà que le succès et la notoriété n’allaient pas de pair avec le talent. Et c’est on ne peut plus vrai à notre époque. Et je pense que Victor Hugo était à mille lieux d’imaginer ce qui aujourd'hui fait que les gens ont du succès, deviennent «connus».


Les gens qui acquièrent quelque notoriété, ne serait-ce qu'à une toute petite échelle, devraient savoir que celle-ci suscite forcément des réactions, et que ces dernières ne peuvent pas forcément être positives. A partir du moment où l'on produit quelque chose, que ce soit une production intellectuelle, artistique, ou même une idée ou une opinion, on doit s'attendre à ce que des tiers analysent cette production et donnent leur avis à son sujet.


Et comme je me réfère à l'époque à laquelle nous vivons, un facteur important intervient: comme l'a très bien exprimé Ricardo Lopes dans son artice Contre l'opinion http://pensamentosnomadas.org/contre-lopinion-26009, grâce à l'accès à la technologie et à l'information, nous pouvons tous nous exprimer et, effectivement, aujourd'hui tout le monde a la possibilité de donner son opinion, être un artiste ou un écrivain. Le problème de ce monde merveilleux où tout est à portée de nos mains est que souvent nous avons les outils pour ce faire mais nous manquons cruellement d'expérience, de travail et de sagesse pour produire du contenu d'un minimum de cohérence et de qualité, et ainsi réjouir autrui. Alors parfois nous ne réfléchissons pas assez à ce que nous produisons et il en sort quelque chose de médiocre. Ceci est critiquable.

Les réseaux sociaux jouent un rôle crucial dans la diffusion de cette masse de production de Monsieur-tout-le-monde, et je me vois inévitablement déplorer l'absence du bouton «dislike» de facebook. Oui, notre seule option est d'acquiéscer. Mais non, me direz-vous, nous sommes libres d'émettre une opinion quelle qu'elle soit ! Très bien, voici alors un exemple:


Il y a cet «artiste» que je suis sur facebook, il se dit photographe mais objectivement ses photos sont loin du niveau d'un amateur, et techniquement très médiocres. Mais voilà, dans notre monde libre, comme il s'est lui-même qualifié d' «artiste» et de «photographe», tout le monde trouve ça génial. Si je viens librement donner mon opinion et soumettre ma critique, on va me ŕétorquer de manière virulente que je suis «hater», que je suis jalouse car j'aimerais pouvoir en faire autant, etc.


Ceci est, à mon avis la recette typique de l'apparition de haters : une personne ou un groupe profite des moyens offerts par nos sociétés modernes pour se faire connaître (appareil photo de haute qualité, réseaux sociaux…) et abuser d'autres personnes naïves (en s'auto-proclamant «artiste») qui le trouvent génial (likes). Apportant une analyse sur le fond (la qualité des photos) et donc une critique objective (photos médiocres), et allant dans le sens inverse du reste du public, l'avis négatif va provoquer une réaction extrêmement hostile contre le critique et son opinion, qui au lieu d'être analysée sera uniquement considérée comme l'expression de mauvais sentiments (jalousie, frustration, envie…) envers l'artiste incompris.

Mais ceci est bien plus grave que le déchaînement des foudres des adorateurs de tout-ce-qui-se-présente sur ceux qui ont un minimum d'esprit critique. Le fait est que, pour la seule raison d'émettre une critique rationnelle et construite sur quelque sujet, une personne va être systématiquement exclue de tout débat et de tout espace d'expression: en effet après l'émission d'une critique, qui se veut constructive, une personne cataloguée de «hater» sera automatiquement discréditée, et son opinion considérée à l'avance comme du venin n'aura aucune chance d'être écoutée ni répandue. Qui sont les «haters», donc ?


Des gens qui disent du mal par plaisir, sans pouvoir argumentatif? Cela a toujours existé, on ne les avait pourtant pas dotés d'un tel sobriquet.


Des gens qui analysent ce qui se présentent sur le FOND, doués d'un esprit rationnel et critique, et se permettent d'émettre un avis, dérangent sans-doute beaucoup plus, troublant les paradis artificiels où tout est beau et bien, et où tout le monde est d'accord.

Pour finir sur une note positive, je tiens à féliciter le talentueux communiquant qui a créé ce terme, qui fait qu'on refuse d'entendre celui qui réfléchit avant même qu'il ait ouvert la bouche.

 

Claire Fighiera, 18.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Sudeleste 2007: Os Vídeos

 

VIAGENS Luís Garcia

 

Eu ando pelo mundo, E os automóveis correm para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dois lados de um lado, Eu gosto de opostos, Exponho o meu modo, me mostro, Eu canto para quem? (Esquadros, Adriana Calcanhoto)

 

 

Ao longo da viagem SUDELESTE 2007 fomos filmando pequenos vídeos nos quais pode encontrar lagos salgados, concertos ao vivo, percursos de comboio ou à boleia e até uma noite passada num estádio de futebol em construção, na Eslovénia, entre muitas outras situações insólitas. Estes vídeos encontram-se disponíveis na internet, e se quiser visualizá-los basta clicar encima dos seguintes títulos:

 

 

 

 

 

 

Luís Garcia, 17.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Sudeleste 2007: Os Álbuns de Fotografia

VIAGENS Luís Garcia

 

 

Eu ando pelo mundo, E os automóveis correm para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dois lados de um lado, Eu gosto de opostos, Exponho o meu modo, me mostro, Eu canto para quem? (Esquadros, Adriana Calcanhoto)

 

 

Neste artigo temos disponíveis os Álbuns Diários do SUDELESTE 2007, acompanhados pelo resumo dos principais pontos de interesse de cada semana, este último uma nova versão da estória de viagem contada no primeiro episódio:

 

      1ª Semana - Portugal to Slovenia by Truck

 

 

O primeiro dia de SUDELESTE ficou marcado pelo abandono prematuro de um dos viajantes, Ivo, devido a um imprevisto na fronteira com Espanha. Os restantes de nós, Diogo e Luís, seguimos em direcção ao nosso primeiro destino, Eslovénia. Para tal atravessámos a Espanha, a França e o norte de Itália à boleia de camiões. Em Itália, por não ser permitida a circulação de camiões ao fim-de-semana no período do verão, ficámos retidos durante dois dias na autoestrada A1, mas guardamos as memórias magníficas do companheirismo, do sentido de entre-ajuda e do grande humanismo de dois camionistas romenos que compartilharam com grande satisfação esses dois dias das suas vidas connosco. Ainda assim, ao final do sexto dia chegámos à Eslovénia, cumprindo a nossa meta: ir de Portugal à Eslovénia à boleia em menos de uma semana. Também neste dia tivemos o primeiro alojamento couchsurfing da viajem, na cidade de Postojna, numa vivenda magnífica de um casal super simpático e acolhedor. O último dia da semana acabou em grande, com um concerto ao vivo e gratuito do grupo francês Un Swing de R'tard, no centro da cidade de Postojna.

 

      2ª Semana - La Dolce Vita na Eslovénia e Hungria

 

 

Nesta segunda semana de viagem, à medida que atravessávamos a pequena Eslovénia, descobríamos que a limpeza, a organização, a beleza e a natureza intacta e verdejante eram regra por todo o país. E não era tudo, a Eslovénia mostrava-se ser terra dos melhores gelados do mundo (produzidos pela comunidade albanesa), e também terra de uma invejável mentalidade aberta, onde pedir boleia era um meio de viajar extremamente fácil e eficiente. Os destaques da semana, pela positiva, foram a grande e bem merecida tarde passada num Spa em Maribor, cidade universitária, e portanto quase deserta no verão, o surreal Couchsurfing Meeting também nesta cidade e a boleia que recebemos de um casal espanhol desde Maribor na Eslovénia, até Siófok na Hungria, com uma breve passagem pela Croácia. Pela negativa, Budapeste, cidade histórica e de passagem obrigatória, mas que não nos convenceu por ser demasiado turística nas suas zonas principais, e demasiado suja e caótica no resto da cidade, além dos seus muito elevados índices de poluição. A loucura da semana foi percorrer 10Km a pé sob chuva intensa e com uma mochila às costas, na fronteira entre a Hungria e a Roménia.

 

      3ª Semana - Merge la Romania?? Da, da...

 

 

No início da terceira semana chegámos a Cluj-Napoca, em plena Transilvânia, Roménia, onde nos esperava uma agradável surpresa: ummeeting oficial do couchsurfing. Cluj-Napoca é a cidade do clube mais lusófono da Roménia, CFR Cluj, com 8 portugueses e 2 brasileiros no  seu plantel principal. É uma cidade de contrastes, onde Ferrari's se cruzam com crianças de rua em estradas sem asfalto e cheias de buracos. Estes contrastes estendem-se contudo a toda a Roménia em plena turbulência  económica onde, por exemplo, fica mais barato jantar num restaurante do que cozinhar em casa, literalmente. De Cluj-Napoca seguimos para Sibiu, Capital Europeia da Cultura 2007, cidade do insólito: ao chegarmos à casa da couchsurfer que nos iria acolher demos com um apartamento em plenas obras de remodelação, e por isso, água quente, banho, um sofá ou até mesmo uma cadeira eram pedidos impossíveis de satisfazer. Mais insólitos viriam a revelar-se os restantes hóspedes, um brasileiro com estilo de serial-killer e mala de viagem maior que ele e um casal finlandês que se fazia acompanhar de dois guarda-chuvas alucinantes, um cor-de-rosa, outro azul-bebé. Insólitos sem dúvida eram também os lagos hiper-salgados que fomos encontrar em Baile Ocna Sibiului, assim como um pôr-do-sol no sul da cidade, com um rebanho de ovelhas e um tanque de guerra abandonado a completar o quadro...

 

      4ª Semana - Durmiendo por la calle...

 

 

Antes de partirmos para a improvável aventura de passar 8 dias a dormir onde calhasse, pois não voltariamos a encontrar um couchsurfer para nos hospedar até ao final da viagem, couchsurfámos na bela e sossegada cidade de Pécs, na Hungria, cujas pequenas e agradáveis surpresas fizeram deixar no ar a sensação de obrigação de lá voltar um dia, além de terem servido como compensação da imagem negativa com que inicialmente ficáramos da Hungria após a anterior passagem pela capital, Budapeste. Paradoxalmente, ou até não, esta semana acabou por ser sem dúvida aquela que nos brindou com as experiências mais belas, intensas e marcantes de toda a viagem. De destacar a dormida num estádio de futebol em construção na Eslovénia embalados pelo som da chuva torrencial e inesperada, as duas noites passadas na praia da snob Nice (a primeira com um grupo de jovens turistas croatas, a segunda com um grupo de franceses que se despediam do seu amigo emigrante na Irlanda), e ainda a fantástica aventura com o alucinado camionista checo que nos "pegou" já noite escura em Itália e nos levou até à Catalunha, o qual após quase 4 horas perdidas à procura do local de descarga da sua mercadoria, ainda foi ao final da noite tomar um merecido banho connosco nas águas tépidas e amenas do Mediterrâneo, em Arenys de Mar. Esta semana deu ainda para um dia relaxante e inesquecível no Mónaco, especialmente pelos agradáveis banhos de sol e de mar que lá disfrutámos.

 

      5ª Semana - Rojões e Arroz de Marisco

 

 

Tivesse o mítico José Cid nos acompanhado nesta nossa senda pela Europa desconhecida e provavelmente o seu saudoso pedido ao regressar a casa podesse ter sido umas famosas Favas com Chouriço... Nós, Diogo e Luís, ficámo-nos respectiva e humildemente pelos Rojões do norte e o Arroz de Marisco do centro do país... Brincadeira. Estes dois últimos dias da nossa aventura SUDELESTE 2007 ficaram marcados negativamente pelos 6 Km percorridos a pé na auto-estrada de Valência para Madrid sob uma desgastante temperatura de 40ºC, sem a mínima sombra e com as mochilas às costas, e também pelo comportamento ignominioso do caquéctico segurança privado da estação de autocarros de Valência que não permitia de forma alguma que os viajantes à espera dos seus autocarros (e com bilhetes já comprados) se deitassem ou se sentassem no chão para aliviar o peso que o relógio já carregava (3 horas da manhã), e muito menos que se deitassem nos bancos, embora houvesse uma infindável quantidade de bancos vazios! Até fechar os olhos num banco dava direito a severa reprimenda. Insanidade mental ou resquícios das ditaduras peninsulares, quem sabe...  Pela positiva, o regresso a casa...

 

No próximo e último episódio: TODOS os vídeos da viagem!

 

Luís Garcia, 17.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Acreditar faz mal

 

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE Ciência RELIGIÃO

 

A crença, como eu a vejo, é o processo de esperar passivamente que algo aconteça com base no puro acaso ou na conjugação de fatores desconhecidos, uma vez que não se funda em quaisquer evidências ou indicadores.

 

É um processo verdadeiramente nocivo e destrutivo. Nocivo porque, promovendo a inação, o conformismo e a adaptação resignada às circunstâncias, facilmente prostra o crente numa situação arrastada de miserabilismo vital, até no caso de levar à afetação das necessidades biológicas básicas, como acontece com as pessoas pobres que se conformam com um paraíso lhes prometido pela religião. Destrutivo porque, no convencimento de que de algo incerto provirá invariavelmente o melhor desfecho de entre os considerados possíveis ou, não raras vezes, até um desfecho impossível. Tal como acontece com as pessoas a quem a restante humanidade condenou a uma vida miserável, pelo acidente que sofreram em nascer num determinado ponto geográfico e no seio de uma família irremediavelmente desfavorecida, ou com quem acredita na reversão mágica ou milagrosa da condição patológica terminal de um ente querido e sofre em demasia quando é golpeada friamente pela realidade.

 

Também por isso, os artistas são uma raça perigosa de seres humanos. São as fontes de onde brota o imaginário coletivo humano, preenchendo a mente humana de idealismos, de utopias, de oásis, de toda uma beleza podre porque construída da matérias de um idílico não vital e não real. É preciso matar as pessoas, a natureza a e existência material (a única verdadeira realidade) para lhes extirpar a beleza mortiça que deixam esculpida no mármore, para sempre frio. Na verdade, os versos são delírios de seres moribundos que se enclausuram na sua redoma de cristal artística, porque já não têm mais saúde para apreciar a beleza da vida. E, então, dedicam-se a desumanizar tudo o que os rodeia, sublimando-o em idealismos inóspitos.

 

A única forma de alguém evitar inteligentemente uma dor desnecessária é de integrar psicologicamente a sabedoria do sensacionismo – do único mecanismo que nos permite perceber verdadeiramente o belo vitalista, do devir -, e o respeito pelas forças e leis naturais para o qual a ciência nos educa.

 

A disposição mental científica transforma a incerteza num contínuo reformular de conhecimento acerca de determinado assunto ou acontecimento com base na coleta sistemática e rigorosa de novos dados e de resultados de experiências dirigidas com critério. Ensina-nos a menosprezar generalizações, aquilo que teimamos a fazer quando extrapolamos positiva ou negativamente de todos os casos com os quais tivemos contacto ao longo da nossa vida, mas que provavelmente são significativamente diferentes entre si. Ensina-nos a dar valor à falseabilidade das nossas hipóteses, descartando aquelas que não podem superar tal prova. E ensina-nos que o que achamos não tem qualquer valor, porque podemos sempre ser ignorantes o suficiente para nos enganarmos redondamente nas nossas previsões.

 

Ricardo Lopes

 

  

 
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Panorâmicas da Geórgia II (2014)

 

Fotografia

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS 

Tiblisi

 

Lago Lisi

 

Lago Sioni

 

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Luís Garcia, 14.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Panorâmicas da Geórgia (2014)

 

Fotografia

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS 

Mtskheta 1

 

Mtskheta 2

 

Gudauri

 

Sighnaghi

 

 

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Luís Garcia, 14.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Panorâmicas do lago Paravani, Geórgia (2014)

 

Fotografia

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS 

Lago Paravani 1

 

Lago Paravani 2

 

Lago Paravani 3

 

 

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Luís Garcia, 14.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Panorâmicas de Macedónia (2014)

  Fotografia

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS

 

Prilep

 

Struga

 

 

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Luís Garcia, 13.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Panorâmicas de Montenegro (2014)

  Fotografia

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS

Nikšić

 

 

Kotor

 

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Luís Garcia, 13.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Panorâmica de Porto Novo, Portugal, 2014

  Fotografia

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS 

Praia de Porto Novo

 

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Luís Garcia, 13.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Panorâmicas da Noruega 2012

 

Fotografia

 

 

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS 

Dyrkorn

 

 

Åmotdammen Lake 

 

Storfjord

 

Røra 1

 

Røra 2 

 

Røra 3 

 

Røra 4 

 

Lago Leklemvatnet

 

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Luís Garcia, 12.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Sudeleste 2007: A Aventura

VIAGENS Luís Garcia

 

 

Eu ando pelo mundo, E os automóveis correm para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dois lados de um lado, Eu gosto de opostos, Exponho o meu modo, me mostro, Eu canto para quem? (Esquadros, Adriana Calcanhoto)

 

A preparação do SUDELESTE 2007, a primeira de 2 viajens loucas, começou pela definição dos objectivos principais e da delineação do trajecto base, trajecto esse sempre aberto a mudanças e improvisações de última hora caso necessário (o que veio de facto a acontecer com frequência). Os objectivos traçados foram então:

  • Sobreviver um mês com um orçamento de 350 euros;
  • Ir de Portugal à Eslovénia à boleia em menos de uma semana;
  • Ir de Portugal à Roménia e voltar à boleia em 30 dias.


Esta viagem não poderia portanto ser realizada se para tal não tivéssemos requirido à inestimável utilidade das boleias como meio de transporte principal, e ao couchsurfing como meio de obter casa para pelo menos termos onde dormir e tomar banho, sempre a custo zero. No entanto, as experiências couchsurfing neste SUDELESTE 2007 trouxeram-nos quase sempre muito mais que um simples sofá para dormir e/ou uma casa de banho com duche quente. Com ele pudemos encontrar também inúmeros almoços e jantares oferecidos, computadores e internet à nossa disposição, "guias turísticos" exclusivos e "amigos de imediato" com quem tivemos o prazer de partilhar belos passeios, agradáveis discussões e idas a bares ou cafés para beber uma cerveja fresquinha ou um chá bem quente...

 

Para ter uma ideia mais precisa do percurso por nós realizado nestes 30 dias de SUDELESTE, aqui fica o googlemaps que criámos:

 

O primeiro dia de SUDELESTE ficou marcado por um insólito e lamentável episódio em Vilar Formoso, junto à fronteira com Espanha. Ao tirarmos à sorte quais de nós os três seguiriam viagem à boleia num camião com vaga para apenas dois, calhou a Ivo ficar à espera da próxima boleia, uma situação já prevista e portanto aceite por nós como natural. Absurdo seria no entanto o comportamento da Guardia Civil de Espanha que ao encontrar um português procurado por ter assaltado algo em Espanha, acabaria por levar até a esquadra também o Ivo, apenas por este se encontrar a pedir boleia no mesmo lugar que o outro português. Esta má experiencia com a policia espanhola resultou no abandono prematuro de Ivo. Até ao fim da viagem continuaram Diogo e Luís.

 

De Vilar Formoso seguimos viagem até quase às portas de Paris com um camionista português que por vontade dele nos levava também ao seu destino final, a Alemanha. Mas a Alemanha não estava nos nossos planos, e portanto recusámos, embora não tenha constituído grande surpresa este convite vindo de um camionista português que provou conseguir debitar informação durante pelo menos 48 horas consecutivas. Numa profissão solitária como a de camionista, entende-se perfeitamente a necessidade de partilhar uma conversa com alguém, e não é de espantar que após alguns dias à boleia, um viajante se sinta como psicólogo ambulante de camionistas em depressão profunda...

 

Em França passámos para um camião espanhol conduzido por um romeno que seguia para sul em direcção a Espanha, embora o nosso destino fosse Itália. Em plena auto-estrada e em andamento encontrámos a solução para este problema ao perguntar por sinais para onde seguia um outro camionista. Pararam os dois camiões na estação de serviço seguinte, onde ai viemos a descobrir que além de ser também romeno este novo camionista, dirigia-se de facto para Itália. Perfeito! Ionica era o nome deste segundo camionista romeno, agora mais que um pai para nós os dois, tratou-nos como filhos adoptivos, como reis e como amigos de longa data. Pagou-nos gelados e cafés, comprou-nos cerveja, fez-nos almoços e jantares romenos nos dois dias parados na auto-estrada italiana, contou-nos magníficas histórias de vidas reais... A pensar no nosso conforto pediu a um colega também romeno que estacionasse no mesmo parque de modo a termos os dois onde dormir descansadamente. Na despedida, e sabendo que o nosso destino último seria precisamente a sua terra natal, Sibiu, na Roménia, ainda nos ofereceu a cada um 10€ para beber "um café" na sua cidade... um ser humano inesquecível...

 

 

Após as fantásticas experiências com todos estes camionistas romenos, começámos à "caça" de matrículas romenas e, na falta delas, de camionistas romenos conduzindo camiões de outros países. Daí veio o hábito de começar as conversas com "Merge La Romania?", literalmente, "vai para a Roménia?" em romeno. E funcionou, o nosso estratagema, quando encontrarmos em Itália um camionista romeno que nos levou até à saída de auto-estrada junto a Postojna, na Eslovénia onde nos esperava o primeiro alojamento couchsurfing desta viagem. E para começar não podia ter sido melhor. O casal que nos iria acolher foi-nos buscar de carro ao centro da cidade e levou-nos para a sua magnífica "mansão", onde nos disponibilizaram um quarto e uma casa de banho só para nós. Não nos faltou nada, comida bem saborosa, banhos quentes, internet em casa, um jardim enorme com espreguiçadeiras para descansarmos, companhia para caminhadas e para saídas nocturnas, e muito mais. Perfeito. O último dia em Postojna acabou com um concerto ao vivo e gratuito do grupo francês Un Swing de R'tard, cujo saxofonista após uma interessante troca de ideias connosco, acabou por tomar a decisão de também tornar-se couchsurfer.

 

No trajecto de Postojna até Celje, passando pela capital Ljubljana, podemos constatar que na Eslovénia encontrar boleia é extremamente fácil e rápido, e é de tal forma comum na sociedade eslovena que basta escrever as iniciais de uma dada cidade (as mesmas das matrículas) para que os automobilistas compreendam para onde tenciona ir um viajante. Em Celje, apenas de passagerm, fomos ao encontro de uma amiga que nos levou a visitar a zona histórica da cidade, o castelo medieval no cimo da colina e um lindo lago escondido por entre os montes nos arredores da cidade.

 

Em Maribor fomos acolhidos por um casal de couchsufers muito simpáticos, que por serem "workaólicos" deixavam todos os dias a sua casa o dia inteiro nas nossas mãos. Um portátil com acesso à internet, frigorífico e dispensa e respectiva autorização para cozinhar o que por lá houvesse de comestível, além da cama e do banho quente. Muito boa gente...  Maribor foi ainda a cidade onde descobrimos que os magníficos gelados que se compram na rua são produzidos pela comunidade albanesa, e onde podemos disfrutar de uma bem merecida e necessária tarde passada num Spa com jacuzzi, piscinas com várias temperaturas e até uma piscina de água quente no exterior. Quanto ao surreal e improvável encontro de couchsurfers que tivemos com duas miúdas eslovenas e dois viajantes franceses, o melhor será ver o vídeo (num próximo artigo) do dito encontro. Linguagem e experiência nonsense, impossível de transcrever aqui...

 

 

  De Maribor seguimos para a Hungria com uma boleia de um casal espanhol que nos deixou na estância balnear de Siófok, onde aproveitámos para entrar em contacto com o Balatón, o enorme lago que marca a paisagem ocidental da Hungria, para depois seguirmos de autocarro até Budapeste, cidade histórica e de passagem obrigatória, mas que não nos convenceu por ser demasiado turística nas suas zonas principais, e demasiado suja e caótica no resto da cidade, além dos seus muito elevados índices de poluição. Limpa e agradável seria a paisagem de infindáveis campos de milho da planície húngara, completada com o conforto de um nostálgico comboio muito antigo que nos levou quase até à fronteira com a Roménia. Chegados aí, e não tendo outra forma de chegar à Roménia, vimo-nos obrigados a percorrer mais de 10 Km a pé. O pior foi ter começado a chover torrencialmente após o primeiro quilómetro, e não haver sítio algum para servir de abrigo mas, depois de tão esgotante caminhada, acabámos por chegar à primeira cidade na Roménia, Oradea. Aí apanhámos um comboio para Cluj-Napoca, a maior cidade da região, e que nos recebeu com a agradável surpresa de um meeting oficial do couchsurfing.

 

De Cluj-Napoca seguimos para Sibiu, Capital Europeia da Cultura 2007, cidade do insólito, começando por essa tal história de Capital Europeia da Cultura. Cultura haverá sempre em qualquer lugar, interessante ou não, mas o que ali fomos encontrar foi uma cidade com os problemas típicos da Transilvânia romena, desigualdade social, desemprego, baixa qualidade de vida, infraestruturas em ruínas ou completamente ultrapassadas e, como por "artes mágicas", um centro da cidade a reluzir de superficialidade ocidental em cada vidro de janela e lampião acabado de instalar na véspera, com um estilo e custo de vida absurdamente fora do contexto do norte da Roménia e claramente imposto pelo poder de compra e de influência do mercado turístico das grandes nações da Europa Central, qual neocolonialismo cultural... A lista de insólitos contínua. Permanecer na casa onde fomos hospedados através do couchsurfing, em obras de remodelação e sem o mínimo de condições de habitabilidade, veio a revelar-se uma experiência complicada mas enriquecedora. Os restantes hóspedes couchsurfers, um viajante brasileiro com estilo de serial-killer e mala de viagem maior que ele, que conseguia manter-se 2 horas imóvel e sem dizer qualquer palavra, e um casal de jovens filandeses que se fazia acompanhar de dois guarda-chuvas alucinantes, um cor-de-rosa, outro azul-bebé. Como se não fosse já suficiente, o finlandês acordava de noite  e piscava os dois olhos freneticamente enquanto erguia a cabeça, para depois voltar a adormecer. Insólitos sem dúvida eram também os lagos hiper-salgados que fomos encontrar em Baile Ocna Sibiului, assim como um pôr-do-sol no sul da cidade, com um rebanho de ovelhas, uma casa de banho em madeira no meio do campo verdejante e um tanque de guerra abandonado a completar o quadro...

 

 

Antes de partirmos para a improvável aventura de passar 8 dias a dormir onde calhasse, pois não voltaríamos a encontrar um couchsurfer para nos hospedar até ao final da viagem, couchsurfámos na bela e sossegada cidade de Pécs, na Hungria, cujas pequenas e agradáveis surpresas fizeram deixar no ar a sensação de obrigação de lá voltar um dia, além de terem servido como compensação da imagem negativa com que inicialmente ficáramos da Hungria após a anterior passagem pela capital Budapeste.

 

Paradoxalmente, ou até não, este período da nossa aventura SUDELESTE 2007 acabou por ser sem dúvida aquele que nos brindou com as experiências mais belas, intensas e marcantes de toda a viagem. Em primeiro lugar o magnífico pôr-do-sol que tivemos o prazer de assistir enquanto caminhávamos na auto-estrada em obras do leste da Eslovénia e a dormida num estádio de futebol em construção, também Eslovénia, embalados pelo som da chuva torrencial e inesperada. Uns dias depois vieram as duas noites passadas na praia da snob Nice. Na primeia juntámo-nos a um grupo de jovens turistas croatas, os quais partilharam connosco as bebidas que tinham, para depois partilhármos pensamentos, ideias e histórias de viagem. Já a noite ia bem longa quando o grupo de croatas se decidiu a voltar ao hotel, sem antes nos convidarem a segui-los, e portanto trouxeram-nos também para o hotel onde dormimos 2 horas e onde ainda recebemos um pequeno-almoço gratuito. A segunda noite passámos com um grupo de franceses que se despediam do seu amigo que emigraria no dia seguinte para a Irlanda, com festa na praia pela noite dentro até atingir a exaustão máxima. Inesquécivel foi também o dia relaxante que passámos no Mónaco, especialmente pelos agradáveis banhos de sol e de mar que lá disfrutámos e pela caminhada no percurso citadino do Grande Prémio de Fórmula 1 do Mónaco.

 

 

Acabada a diversão de Nice e Mónaco, fizemos uns quilómetros para trás, de regresso a Itália, Ventimiglia, onde muitos camionistas nos aconselharam a ir para encontrar boleia de regresso a Portugal. Não correu como esperado, mas com muita sorte e junto às portagens de uma auto-estrada, um alucinado camionista checo "pegou-nos" já noite escura e levou-nos até à Catalunha.  Com ele visitámos o mítico parque de camiões La Junquera, um dos maiores da Europa. "Melhor" ainda foram as quase quatro horas perdidas à procura do local de descarga da sua mercadoria e o consequente e merecido banho ao final da noite nas águas tépidas e amenas do Mediterrâneo, em Arenys de Mar, ao qual o camionista checo não hesitou em se juntar.  Os últimos dois dias da nossa aventura SUDELESTE 2007 ficaram marcados  pelos 6 Km percorridos a pé na auto-estrada de Valencia para Madrid sob uma desgastante temperatura de 40ºC, sem a mínima sombra e com a mochila às costas, e também pelo comportamento ignominioso do caquéctico segurança privado da estação de autocarros de Valência que não permitia de forma alguma que os viajantes à espera dos seus autocarros (e com bilhetes já comprados) se deitassem ou se sentassem no chão para aliviar o peso que o relógio carregava (3 horas da manhã), e muito menos que se deitassem nos bancos, embora houvesse uma infindável quantidade de bancos vazios! Até fechar os olhos sentado num banco dava direito a severa reprimenda. Insanidade mental ou resquícios das ditaduras peninsulares, quem sabe...  Pela positiva, o regresso a casa...

 

 

No próximo episódio: mais umas estórias desta viagem de loucos e TODOS os albúns de fotografia!

 

Luís Garcia, 12.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Deus descansou ao Sábado ou ao Domingo?, por Luís Garcia

 

 

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RELIGIÃO Luís Garcia  

Abençoou o sétimo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que deus repousou de toda a obra da criação. (Génesis, 2:3)

 

A esse dia, ao sétimo e consagrado por deus ao descanso, chamavam os judeus de Sabat. Em português chamamos Sábado… Sábado? Então o dia de descanso não é ao Domingo? Então o dia do senhor deus não é ao Domingo?, daí vem a palavra Domingo, de Dominicus, o dia do senhor! Ah, meu caro católico e leitor, boa pergunta, pertinente sem dúvida, mas vejai, hoje em dia descansa-se ao sábado e ao domingo, não é (pelo menos até a troyka permitir)?  Ora e por que razão? Para agradar a gregos e troianos, pois claro, ou neste caso, a católicos e pagãos, pelo menos assim decidiram em tempos os poderosos senhores do Império Romano que viram na adopção e expansão da Igreja Católica um formidável instrumentum regni: Sabat era o dia do deus judeu; domingo era para inúmeras religiões pagãs o dia do deus principal, o dia do deus Sol, fonte de luz e vida. Atente-se na palavra domingo em inglês, alemão ou sueco (entre muitas outras línguas europeias): Sunday, Sonntag e Söndag, respectivamente. Em todas o significado é “dia do sol”, pois claro, o dia do deus pagão. Mistela e remistura que é a Igreja Católica de preceitos e crenças quer judias quer pagãs (pois assim conviu em tempos ao poder romano), esta relegou então o Sábado (Sabat, dia do deus judeu, o deus bíblico) para um papel secundário, optando pelo dia do deus pagão, o deus sol, como o novo dia de descanso do seu senhor: Domingo. E não é por acaso que o ritual principal da igreja católica se realiza no domingo de manhã e não à tarde ou à noite; também nas manhãs de domingo (dia do sol) celebravam os pagãos os seus rituais principais, pois é de manhã que nasce o sol, era de manhã que nascia o seu deus. No entanto, na língua portuguesa, ainda se mantém uma pista sobre o Sabat/Sábado bíblico: o primeiro dia da semana é a segunda-feira, pois claro, se se convencionar o domingo como o último dia. Mas então porquê segunda e não primeira-feira? Bem, antes das remodelações impostas em tempos por Roma, aposto que havia uma primeira-feira (domingo). A semana ia da primeira-feira à sexta-feira, e acabava no sábado, no dia do descanso do senhor bíblico, claro está!

Luís Garcia, 07.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 

 
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Tirana é um lugar… (4ª parte)

 

 

 

HOLLYWOODICES – EPISÓDIO 10

tirana

 

bw VIAGENS Luís Garcia

Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho, Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho, Tenho visto tanta coisa tanta cena, Mais impactante do que qualquer filme de cinema. (Tás a ver?, Gabriel O Pensador)

 

TIRANA É UM LUGAR… (Albânia, 2005) –  O romance com Jonida desenrolou-se a passo, qual filme de época, por culpa das duas meninas de véus sempre a seguir-nos a sombra, quais detectives particulares. Ainda assim, se no início cumpriam de forma escrupulosa a sua tarefa de guardiãs dos bons costumes, tal como teriam sido ordenadas a fazer, aos poucos, conquistei-lhes a confiança e ganhem a sua amizade, o que nos permitiu enfim ter um pouco de espaço para respirar.

 

Quando não estava com Jonida, na maior parte do tempo usufruía da companhia do meu amigo traficante que me acompanhava na descoberta de Tirana e arredores, ou então jogando Playstation 2 na casa semi-destruída do seu tio desaparecido, nos dias em que nos faltava energia nas pernas.

 

Complicado e assustador era quando, aventurando-me à descoberta da Albânia sem a companhia nem de um nem de outro, voltava sozinho a casa já noite, obrigado a atravessar o Casal Ventoso de Tirana às escuras. Numa dessas ocasiões, para meu azar, quando regressava por uma das ruas não iluminadas da “zona negra”, dei de caras com vários membros de gang espalhados pelas bermas, confraternizando, bebendo e injectando coisas nos braços que fazem ver nuvens multi-colores em forma de elefantes andantes. Alguns desses grupos de adolescentes inconscientes, clientes do meu hóspede, levantaram-se do chão e seguiram-me alguns metros. Primeiro vi a vida a andar para trás, depois calculei que os rapazes me tivessem associado ao seu fornecedor (provavelmente já me teriam visto passar com Aleksandër noutras ocasiões). Quando chegaram junto a mim disse-lhes boa noite bruscamente, com cara de poucos amigos, seguindo em frente de cabeça erguida, passo lento, imitando o melhor possível o andar ao estilo gangster, estilo espectável para quem naquelas ruas vivesse. Ah, mas cagando-me de nervos e suando por todos os lados! Enquanto caminhava com artificial vagar, esforçava-me ao máximo para relembrar o resto do caminho a realizar, de forma a poder efectuá-lo em passo apressado ou inclusive a correr, sem cometer uma gafe fatal, caso viesse a ser necessário. Após cruzar uma rua à direita e não tendo encontrado vivalma, disparei em sprint até à casa do meu anfitrião, desacelerando apenas para passar espremido pelo buraco do portão da casa. Para meu desencanto o rapaz não estava em casa. Tranquei a porta e fiquei a contar os minutos até ele chegar. Como compensação pela prolongada espera e pelo correspondente stress, Aleksandër, quando regressou, convidou-me a ir jantar e beber um copo no Bairro Alto de Tirana. No dia seguinte de mãnha, para variar, fui com a menina, lavadinho e bem vestido, visitar uns belos jardins e umas casas engraçadas que na tradução de albanês para francês acabavam por ser denominadas de “palácios”! Enfim, lost in translation…

 

 Num dos últimos dias por terras albanesas fui com Aleksandër visitar o Castelo de Skënderbeu, situado a poucos quilómetros de Tirana. Skënderbeu é a única figura histórica albanesa que se pode considerar um verdadeiro herói do país. A sua fama obteve-a contra os turcos na altura em que a Albânia era uma colónia do Império Otomano. Ironicamente, embora tenha combatido de forma tão voraz os invasores turcos, segundo me informou Aleksandër , Skënderbeu era de origem turca. Reza a lenda que um dia, durante o cerco turco ao Castelo de Skënderbeu que durava há vários meses, o herói albanês ordenou um dos seus inferiores que alimentasse um cavalo com os cereais até o animal não querer mais. O seu inferior, escandalizado, protestou que seria uma loucura alimentar assim um cavalo quando a população passava já fome devido à escassez de cereais provocada pelo prolongado cerco. Skënderbeu insistiu e, quando o cavalo recusou comer mais, levou-o junto a uma torre de vígia e lançou-o no precipício. Quando os chefes de guerra otomanos depararam com um cavalo albanês a abarrotar de comida, concluíram que tão depressa não ganhariam o conflito cortando aos albaneses o acesso aos campos de cultivo e, sendo um facto adquirido que os seus potentes canhões não alcançavam sequer os alicerces das muralhas construídas no cima da montanha escarpada, deram ordem para recolher as tropas e desistir da conquista daquele castelo.

 

Para a história ficou também o nosso regresso a Tirana. Não tínhamos chegado muito cedo ao castelo e, depois de o visitar, decidimos ainda ir explorar umas aldeias esquecidas na base das montanhas circundantes. Distraídos que nem criançada inconsciente, deixámos as horas passar até que se fez noite, e nós ainda confraternizando com os locais! Enfim. A Albânia pertence geograficamente à Europa mas não é europeia quando se trata de apanhar um autocarro. Às 9 horas da noite, o melhor que encontrámos para sair da aldeia foi um carrinha de 9 lugares quitada (acho que é assim que malta nova diz) de cima a baixo com LED e luzinhas multicolores com destino à entrada da estrada principal que liga o norte do país à capital. Ficámos portanto à beira da estrada, na escuridão total, temendo sermos assaltados ou passados a ferro por um maluco qualquer. Desesperados começámos a colocar a hipótese de ir procurar um lugar seguro onde pernoitar. Já dormi muitas vezes na rua, ao relento, mas na Albânia não obrigado, há limites para a loucura. Para nossa extrema felicidade, no momento em nos preparávamos para voltar à aldeia mais perto a pé, parou junto a nós outra carrinha de 9 lugares. Tinha como destino Tirana mas não tinha quase nada mais. Não tinha porta lateral de correr, não tinha capô, não tinha pára-brisas e não tinha revestimento interior, o que permitia constatar que tinha ferrugem e muita. Pelo contrário tinha gente em excesso, uns 12 que se compactaram ainda mais para descobrir inexistente espaço para mim e para o Aleksandër sentármo-no nos bancos. Perante a manifesta falta de espaço e terríveis condições da carrinha ainda hesitámos entre embarcar ou não, mas entre viajar uma hora e meia num autocarro improvisado a cair de podre, entalados entre malta que não tomava banhos à 2 ou 3 anos, ou arriscar ficar à noite perdidos numa qualquer rua da Albânia… pagámos os bilhetes e juntámo-nos à festa ambulante!

 

Inocente, no último dia em território albaneses, lembrei-me de ir revelar os três rolos de fotografias tiradas no país. Desloquei-me à primeira casa de fotografia que encontrei e pedi ao empregado para as revelar. Poucos minutos daquele ter começado o processo de revelação o sistema eléctrico de Tirana foi abaixo! Magnífico! Faltavam 8 horas para partir de ferry-boat do porto de Durrës com destino a Itália! Pode soar tempo mais que suficiente para quem desconhece o tema, mas não. Em Tirana, quando falhava a electricidade, a reposição poderia levar quer 2 horas quer 12, e 12 seria sem dúvida demasiado tarde! Felizmente levou apenas 5 horas. Fui buscar as fotos a correr já de mala às costas e depois pus-me também a correr na direcção da paragem de autocarros na praça central onde Jonida já me esperava impaciente. Tinha vindo se despedir…

 

Horas antes, ainda na casa do seu tio, Aleksandër havia-me feito um pedido insólito. Ofereceu-me 3000 euros em troca do meu passaporte. Propôs-se a dar-me o dinheiro em avanço, naquele momento mesmo, e esperaria que eu chegasse a Itália de onde enviar-lhe-ia o passaporte por correio (em Itália, território da União Europeia onde eu precisaria apenas de BI). O seu pedido contudo apresentava vários problemas. Primeiro, é crime grave vender passaportes. Depois, quando se perde um passaporte deve-se contactar de imediato uma embaixada e dar baixa do documento para que não possa ser utilizado por outrém em caso de ser encontrado. Ora, para que o passaporte tivesse utilidade para Aleksandër na sua há muito sonhada partida rumo a Itália, eu teria de informar as autoridades da “perda” com vários dias de atraso de forma que ele o utilizasse ainda válido. Aleksandër tinha aspecto de latino mas não tinha propriamente cara de ser meu irmão gémeo. A probabilidade do seu plano de fuga daquela prisão a céu aberto tinha tudo para dar errado e eu seria o maior prejudicado na história. Por tudo isto, mesmo com os 3000 euros à minha frente que entretanto tinha engordado para 4000, recusei-lhe o pedido. Mostrei-lhe a minha compreensão pela sua situação e pela sua ânsia de partir de um país (tão) falhado, mas garanti-lhe que não valia a pena continuar a subir a parada. Não lhe vendia o passaporte por preço nenhum pelas razões acima expostas.

 

Para vos provar que o mundo não é a preto e branco, e que um traficante de droga também é gente, com sentimentos tal como o leitor ou com eu, Aleksandër não me roubo o passaporte, não me apontou uma arma à cabeça nem nada do género. Pediu-me desculpa pela proposta, agradeceu-me por compreender o porquê do seu pedido e deu-me um abraço. Passei rápido a mão pelo bolso confirmando se ele tentara me roubar enquanto abraçava, mas não, e senti-me humilhado pela minha desconfiança (embora ele não se tenha apercebido do gesto).

 

Queria Aleksandër sair da Albânia passando a fronteira com o meu passaporte? Louco. Se não, veja-se o filme que passei para sair do território albanês mesmo sendo proprietário de todos os documentos verdadeiros e válidos que apresentei à polícia alfandegária albanesa! Cartões de banco, licença de condução de motocicleta, cartões de estudante, BI e o obrigatório passaporte! Todos os dados batiam certo e as fotos corroboravam-se umas às outras, mas os polícias não queriam de forma alguma deixar-me sair do país. Teimavam que eu era um qualquer emigrante ilegal de origem àrabe e acusavam-me de ter comprado ilegalmente o passaporte, usando a Albânia (terra de corrupção por excelência) como porta de entrada para a “Europa livre”. Que ironia! Estive mesmo para perder a viagem. Um empregado do ferry-boat veio várias vezes ter comigo insistindo para me despachar pois faltava apenas eu entrar na embarcação. Eu querer embarcar queria, só que todos os meus documentos andavam por ali de mão em mão por entre um molho de polícias atordoados! Na última vez que veio chamar-me fez-me, finalmente, o favor de dirigir as suas palavras aos polícias e não a mim. Garantiu-lhes que ou eu entrava naquele seguindo-lhe os passos ou então partiam sem mim. Os polícias da alfândega olharam uns para outros, encolheram os ombros e entregaram-me os documentos de volta! Apanhei o ferry-boat e adieusrealidade parelela!

 

Ficou a mágoa profunda de não voltar a ver Jonida (nem o seu primo géniozinho, nem Aleksandër, nem…). Ficaram as suas palavras escritas numa contra-capa de um livro meu, as quais iniciam logo tão pragmaticamente assertivas:

Fim!

 

Luís Garcia, 04.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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