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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

La culture de l’attention et du consumérisme

 

RICARDO MINI copy SOCIEDADE en français

 

Nous vivons dans un monde de culture du consumérisme, de matérialisme de la consommation, de médiatisme, d’attention.

 

Aucun être humain n’a plus de valeur  intrinsèque en tant que tel, sinon celle que son image vaut sur le marché, le bénéfice ou l’avantage qu’on en tire.

 

On remplace l’intimité  par de l’argent ou par de l’attention. Le deuil, la tristesse, les lamentations ne peuvent plus avoir lieu dans l’intimité du foyer, des amis, de la famille, de soi-même. On viole la beauté des liens sentimentaux qu’on entretenait avec des êtres chers disparus, en faveur d’un passage à la télévision pour trouver le regard humide d’une présentatrice qui interrompt l’histoire pour rappeler le numéro de téléphone du concours avec une somme d’argent à la clé, pour trouver les pleureuses de l’assistance, payées pour entrer dans un cœur de lamentation publique étiquetée, sans aucun lien émotionnel , sans aucune empathie.

 

Les deux mécanismes essentiels à la construction individuelle – solitude sociale et solitude intrapsychique – sont dévalorisés. Ils ne sont pas même pris en considération. Aussi parce que plus personne ne se prend soi-même en considération, et s’assujetti  à la validation et à l’affirmation des autres, en place publique.

 

Les gens se couvrent de marques, en se couvrant le corps (vêtements),  ou en se mutilant l’épiderme (tatouages). Ils regardent des portraits photographiques de tribus exposés dans des musées, eux aussi couverts de marques culturelles sur le corps, mais sans remarquer, étant trop loin de leur culture, avec laquelle ils ne peuvent avoir un vrai contact par la superficie captée par un objet mécanique, que les autres marques contiennent en elles une distinction de l’individu au sein de  sa société ainsi qu’une symbologie limpide, signifiante. Dans notre culture, les marques corporelles, qui couvrent notre corps ou y sont gravées, ne représentent rien, et servent juste à l’appropriation de l’individualité de celui qui les porte, et désignent dans la société les animaux de consommation marqués au fer rouge.

Comme dans les tribus, on trouve un exotisme dans la nature, dans une inversion de l’artificialité par rapport à l’urbanisme, à l’aspect architectural de la vie métropolitaine qui ne trouve plus la réminiscence d’un vieux cosmopolitisme que dans le libre commerce des marques, de la publicité, de produits qui se veulent obsolètes, ou ce qui suffit pour maintenir les gens dans le cercle vicieux de la consommation.

 

De plus le consumérisme requière une disposition acritique de la part du consommateur. Pratiquement tous les sujets de société « tabous » ont été réduits à leur valeur sur le marché économico-monétaire. Il faut, avec précaution, trouver une niche de marché associée à quelque thème considéré politiquement correct à débattre.

 

Personne n’est libre. La liberté est établie par le pouvoir d’achat de chacun, et par sa capacité à influencer l’opinion publique, à déterminer les tendances de mode et de consommation, d’acheter les lois qui faciliteront leur activité entrepreneuriale et augmenteront leurs bénéfices.

 

Ricardo Lopes

(Traduction de Claire Fighiera)

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Haréns do séc. XXI

 

 HOLLYWOODICES - EPISÓDIO V

chisinau

 

bw VIAGENS Luís Garcia

Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho, Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho, Tenho visto tanta coisa tanta cena, Mais impactante do que qualquer filme de cinema.
(Tás a ver?, Gabriel O Pensador)

 

HARÉNS DO SÉCULO XXI (Moldávia, 2008) – Embora Quichinau seja a capital de um país europeu, um viajante menos informado e distraído poderia confundir-la facilmente com um qualquer subúrbio-dormitório sem alma nem vida de uma cidade secundária europeia. Durante o dia não se vê muitas pessoas nas ruas e, as que se encontram, são na sua maioria jovens apáticos percorrendo o caminho de regresso a casa depois das aulas, Ou então velhos jogando xadrez em mesas de jardins públicos e velhas relembrando com nostalgia as memórias da longínqua e dourada idade juvenil... De resto, só eu, o Diogo, e os polícias de quem fugíamos constantemente.

 

Durante a noite, tal como na selva, os predadores de subúrbio saem à rua, aldrabões contadores de história, ladrões, mafiosos, grupos de gansters e skinheads, enfim, toda uma sórdida fauna urbana quase sempre hostil às duas aves raras ali pousadas quase por engano. É de facto pouco inteligente fazer o que eu e o meu amigo fazíamos à noite em Quichinau: andar na rua! Mas tínhamos a desculpa do desconhecimento da realidade local e portanto fizemo-lo durante os três dias que lá ficámos, Hoje digo “ainda bem”! No meio do caos nocturno descobrimos características fulcrais para compreender a realidade sócio-económica do povo moldavo, as quais ninguém jamais nos explicaria e  tampouco vêm escritas nos livros e guias de viagem.

 

Numa dessas noites, à conversa com malta de rua num nebuloso romeno-inglês apimentado com meia dúzia de palavras em russo, foi-nos explicado o motivo pelo qual ainda não tínhamos encontrado nada no centro da cidade que se assemelhasse com aquilo a que no resto da Europa costumamos denominar por “cafés”, “bares” e “discotecas”: porque não existem, simplesmente! Bom, existem certos estabelecimentos públicos, umas insalubres tascas onde – tal como nos westerns americanos – um estranho entra e toda a gente para de falar e de respirar, olhando em grupo para a porta de entrada com ar de poucos amigos. Do lado oposto da realidade económica, uns super-fashion bares com bolides estacionados à porta indicado o nível proibitivo dos preços praticados intramuros. Nada, nadinha para, digamos, a classe-média que, já agora, tampouco existe na Moldávia.

 

Por entre as conversas cruzadas naquela noite com os habitantes de rua, um acabou por, em troco de “umas moedinhas”, nos dizer o nome de um bar/discoteca fora da cidade e ajudar-nos a apanhar um táxi até lá. A acreditar no que nos disse na altura era o único estabelecimento do género acessível ao vulgo mortal. Aceitámos a troca e um quarto de hora depois estávamos à porta daquela realidade paralela plantada literalmente no meio do nada de uma planície moldava.

 

Dentro do estabelecimento, o primeiro impacto foi a tão grande quantidade de jovens na casa dos vinte contrastando escandalosamente com a meia dúzia de perfeitos protótipos de mafiosos de leste. Sem exagero, calças pretas, camisas brancas desabotoadas até meio, pelos do peito saindo aos tufos entrelaçados com fios de ouro, óculos de sol (!) e expressões faciais demosntrando arrogância novo-riquista, um certo atraso mental e muita bebedeira nas veias.

 

Atordoados pelo choque cultural, não demos logo pelo argumento completo do filme que ali se desenrolava e optámos por ficar. O Diogo foi ao balcão pedir algo para beber, eu fui tentar meter conversa com uma moldava ali perto da entrada. Inglês afirmava não perceber, romeno tampouco, e grosseiramente mando-me ir passear! Tudo bem. Fui ter com o Diogo ao balcão e pedi também uma bebida. Entretanto o Diogo discutia com o barman por este ter-lhe servido um uísque-cola com meia dúzia de gotas de uísque. Insistência atrás de insistência, lá acabou por convencer o rude barman a juntar mais umas gotas. Voltei a meter conversa com outra moldava, desta vez obtendo apenas silencioso. De regresso ao balcão apanho o resto da conversa sobre as gota de uísque: o barman exigia que o meu amigo pagasse quatro euros extra pelo “último pedido” e ameaçava chamar a segurança. O Diogo tinha toda a razão ao afirmar que estava escandalosamente a ser extorquido, mas exigir justiça não era a melhor opção a tomar por um coelho (dois) na toca do lobo, aliás, nem sequer sabíamos ao certo onde estávamos, e portanto aconselhei-o a controlar-se e esquecer a história da bebida para não sairmos dali espancados.

 

Pela terceira vez deixei o Diogo e fui tentar falar com uma jovem moldava. Durante os breves momentos em que estivemos cara a cara, ela, timidamente simpática, tentou explicar-me que não podia falar comigo. Eu, ingénuo e dando bronca insistia em querer saber porquê. A pobre, receosa de dar muito nas vistas, apontou com um movimento súbtil dos seus olhos para um dos "mafiosos" que dançava ao canto rodeado por doze mulheres e sussurrou: “por causa dele”. “Ah... ok!”, respondi eu, afastando-me o mais discretamente e regressando para junto do meu colega para lhe contar as novidades. Chegámos em simultâneo à mesma conclusão (óbvia): éramos dois intrusos mal vindos correndo perigo num bar onde os mafiosos da capital vinham passar o tempo com os seus haréns e exibir grotescamente as suas riquezas materiais.

 

Acabámos as nossas bebidas a gole e fomo-nos embora. De regresso à cidade, e não imaginado mais nada de interessante para fazer, entrámos numa loja de bairro para comprar bebida e algo para roer. À saída encontrámos um grupo de três jovens simpáticos e bem educados, curiosos por falar connosco. Decidimos ficar, sentamo-nos junto a eles e começámos a conversar. Os jovens, em inglês, foram nos contando as suas amarguras e confessaram a frustração que sentiam de viver em tão socialmente desequilibrado país. Segundo eles, não tinham dinheiro e não podiam divertir-se de outra forma senão “beber vodka do mais barato às portas das lojas de bairro”. Perguntámos acerca das raparigas da idade deles, por que razão não tinham eles namoradas ou amigas. O mais lúcido retorquiu-nos explicando: “Porque umas não saíam de casa interditas pelo ultra-conservadorismo dos pais e as restantes, a maioria, são na prática propriedade dos mafiosos locais que concentram em si a riqueza que deveria ser de todos os moldavos.” Pois, nem sequer tinha sido preciso dizer a segunda parte... já a tínhamos constatado ao vivo meia hora antes!

Luís Garcia, 22.12.2015, Lampang, Tailândia

 

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A cultura da atenção e do consumismo

 

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE 

 

Vivemos numa cultura de consumismo, de materialismo do consumo, de mediatismo, de atenção.

 

Cada qual já não tem valor intrínseco como ser humano, mas sim aquele que a sua imagem tiver no mercado, o lucro ou o retorno que der.

 

Troca-se a privacidade pelo dinheiro ou pela atenção. O luto, a tristeza, as lamentações já não se podem fazer na intimidade do lar, dos amigos, dos familiares, de si mesmo. Violam-se os bonitos laços sentimentais que se nutriam com entes queridos perdidos, em favor de uma ida à televisão para encontrar o olhar humedecido de uma apresentadora que interrompe a história para relembrar o número de telefone para o concurso com um prémio monetário, para encontrar as carpideiras na assistência, pagas para entrar num coro de lamentação pública etiquetada, sem qualquer ligação emocional, sem qualquer empatia.

 

Os dois mecanismos essenciais à construção individual – solidão social e solidão intrapsíquica – são desvalorizados. Não são tomados em consideração sequer. Porque também já ninguém se toma a si próprio em consideração, mas sim à validação e à afirmação por parte de outrem, em praça pública.

 

As pessoas enchem-se de marcas, a cobrir o corpo (roupa) ou a mutilar a epiderme (tatuagens). Observam retratos fotográficos de tribais em museus, também eles cobertos de marcas culturais no corpo, mas nem reparam, porque estão demasiado longe da sua cultura, com a qual não se pode tomar contacto verdadeiro pela superfície captada por uma objetiva mecânica, que as outras marcas contêm em si uma distinção do indivíduo na sua sociedade e uma simbologia límpida, significante. Na nossa cultura, as marcas corporais, que cubram ou chaguem o corpo, não representam nada, mas servem apenas a apropriação do individual de quem as porta e mostra pela sociedade, qual animal de consumo marca a ferro ao rubro.

 

Encontra-se, tal como nos tribais, um exotismo na natureza, numa inversão de artificialidade em relação ao urbanismo, ao arquitetural da vida metropolitana que já só encontra reminiscência de um antigo cosmopolitismo na livre mercantilização das marcas, da publicidade, dos produtos que se querem obsoletos o suficiente para manter as pessoas numa cadeia viciosa de consumo.

 

E o consumismo pede uma disposição acrítica por parte do consumidor. Praticamente qualquer assunto “tabu” em sociedade foi reduzido ao seu valor no mercado económico monetário. Há de, com atenção, encontrar-se um nicho de mercado associado a qualquer tema que seja considerado politicamente correto discutir.

 

Ninguém é livre. A liberdade é estabelecida pelo poder de compra de cada um e pela sua capacidade de influenciar a opinião pública, de determinar tendências de moda e de consumo, de comprar a legislação daquilo que facilita a sua atividade empresarial e aumenta a sua margem de lucro.

 

Ricardo Lopes

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Contre L'opinion

 

RICARDO MINI copy SOCIEDADE en français

 

Je suis contre l’opinion. Selon moi la maxime en usage «Chacun peut donner son opinion» est des plus subrepticement nocives au savoir humain. Tout comme «les goûts ne se discutent pas». À partir du moment où les individus se développent en tant que tels dans une culture qui est permissive, relativement à la capacité de tous de proférer quelque avis important, quel que soit le thème au sujet duquel ils se questionnent, les gens se déresponsabilisent. A partir de là, les gens se considèrent suffisamment informés sur n’importe quel sujet, simplement pour avoir été en contact avec la moindre information concernant ce sujet, donnée par qui que ce soit, dans n’importe quel contexte.

 

En affirmant cela je ne nie pas la capacité à assimiler l’information de manière positive et constructive, dont sont dotés tous les êtres humains. Je ne m’engage pas non plus dans de l’élitisme académique, puisque n’importe quel autodidacte peut surpasser un académique dans quelque domaine, à partir du moment où il s’y consacre suffisamment. Je dis seulement que l’opinion, présupposant une formulation idéologique sans besoin de la justifier, participe à la survalorisation du populisme, et finit par devancer la rigueur et la valeur argumentatives, ainsi que les évidences et les faits.

 

Cela donne des gens incapables de dire «Je ne sais pas», et anéantit l’esprit scientifiquement curieux et le sens critique. C’est quelque chose de si beau et sain à voir chez les enfants à l’âge tendre, mais qui se perd rapidement et progressivement jusqu’à la phase adulte du développement humain, en bombardant l’individu de préjugés, normes et préceptes culturels. Parce que c’est aussi ce que prétendent ceux qui brandissent hypocritement l’étendard de la démocratie et de la liberté d’expression, dans la représentation du droit inaliénable à l’opinion : rendre l’individu réceptif à quoi que ce soit qui soit prononcé en public. Devant une opinion il n’y a pas de discussion possible, puisqu’il n’existe pas non plus  de champ d’argumentation pour y répondre. Ce serait brasser de l’air.

 

Je ne veux pas dire par cela qu’il faut nier au gens le droit d’exprimer ce qu’ils jugent important, au regard du respect mutuel. Cela reviendrait à leur refuser le droit à la liberté d’expression. Je veux dire que la liberté d’expression sans rigueur ou méthode, est vite transformée en bruit de fond et verbiage dans l’espace public.

 

Et ma thèse n’a rien à voir avec la diminution intellectuelle de qui que soit, juste à un appel à l’humilité intellectuelle, à la promotion de l’esprit scientifique et critique.  S’il y a quelque chose que la science («exacte» ou humaine) peut apporter à l’organisation fonctionnelle de l’intellect humain, c’est, précisément, la négation de toute vérité absolue, de tout impératif catégorique. La science mène les gens à une insatisfaction, à l’insatiabilité de se savoir en possession d’une vérité transitoire.

 

La science nous rapproche du progrès, du changement, de l’avenir universel, de notre curiosité naturelle. L’opinion nous guinde dans des convictions superficielles qui, portées au fil du temps, nous outragent intellectuellement.

 

Ricardo Lopes

(Traduction de Claire Fighiera)

 

 

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Chae Son, um parque nacional como os outros... ou não!

Crónicas Tais

cronicas tais quais

 

SOCIEDADE VIAGENS Luís Garcia

 

 

Esta semana, aproveitando o feriado do dia da constituição tailandesa, decidi finalmente ir visitar o Parque Nacional de Chae Son, um dos mais próximos da cidade de Lampang e do qual já muito de bom tinha ouvido falado, sobretudo devido às suas inúmeras cascatas e às suas fontes de águas termais.

 

Como em vários outros parques nacionais já visitados aqui na Tailândia, deparei com uma proibição que eu considero paternalista e desrespeitadora dos mais básicos direitos humanos (na minha perspectiva de estrangeiro europeu): umas dezenas de metros antes do início do caminho que leva às cascatas encontra-se uma quartel de inspecção de artigos ilegais indicados nos painéis em tailandês e inglês e procurados pelas ovelhinhas de serviço. É, neste e muitos outros parques do país, proibido circular com comida, bebida (água incluída) ou tabaco. Parece-vos razoável? Não, não é! Porquê?

 

Porque neste e outros parques as caminhadas de exploração possíveis (ver mesmo propostas) podem levar horas. Os fumadores podem fazer o esforço de aguentar, embora não veja eu por que razão não possam esses fumar ao ar livre, desde que tenham a consciência de apagar e deixar os cigarros nos baldes de lixo (ilogicamente, portanto) postos à disposição nessas zonas restritas. Igual para a comida, uma pessoa pode encher a barriga antes de começar a aventura mas, a meu ver, não dá jeito andar a subir rochedos e explorar florestas de barriga cheia e, uma pessoa consciente poderá sempre guardar o lixo produzido na sua mochila ou usar os tais baldes do lixo. Quanto à água, não há argumento de defesa possível! Eu já passei horas em aventuras do género e não vejo como poderia ter caminhado e escalado tanto se não tivesse traficado ilegalmente uma garrafa de água comigo! Uma garrafa deitada ao chão é lixo e fere o paraíso natural? Sim, em parte, pois com tanto cimento e construções humanas já não se pode falar propriamente de natureza virgem e, quem disse que eu iria mandar a garrafa de plástico para o chão uma vez acabado o seu conteúdo?

 

Mas não, na Tailândia, ao que parece, não existem conceitos de consciencialização e sobretudo, de responsabilização! O que impera, em total conformidade com o sistema político vigente, é a infantilização brutal dos adultos locais, a proibição por tudo e por nada e a total falta de responsabilidade pelos actos realizados. Em vez de se ensinar que encher os parques de lixo é errado, e de se explicar o porquê de ser errado, confisca-se de forma ritual aquilo que se consegue confiscar e o resto, o que passa, é ostensivamente usado para poluir e destruir essas mesmas zonas onde eu estou proibido de entrar com a minha garrafa de água, por mais que jure de pés juntos que nunca a deitarei fora, o que é verdade.

 

Resultado: quem passa na confiscação aleatória e pouco séria, fuma cigarros e manda-os para o chão. Bebe 1/5 da sua cola fresca e manda a garrafa para dentro do lago perante uma manada de ovelhas sem reacção alguma de condenação do acto nem tampouco de limpeza. Quem passa com comida faz incriveis banquetes e deixa um monte de lixo IMPRESSIONANTE, sem sequer tentarem esconder os seus actos dos olhares dos restantes visitantes ou dos guardas florestais! Sim, dos guardas florestais, pois excepto se a sua função seja a de inspeccionar na casota de inspecção, de forma robotizada, uma guarda nunca fará caso se a sua função não for essa. E é vê-los fumar cigarros nas zonas protegidas enquanto cumprem a sua tarefa diária que consiste em caminhar no parque.

 

Conclusão, uma pessoa consciente e responsável que tenha programado fazer uma exploração de um dia inteiro, ou desiste da ideia, ou tem de arranjar forma de fazer batota. Um local que passe na inspecção, pode cagar tudo, poluir tudo, partir tudo, provocar um incêndio com uma beata mal apagada que, os restantes tailandeses a centímetros de distância, guardas florestais incluídos, nunca farão uma crítica nem tampouco farão nada para remediar o mal feito! Um exemplo perfeito de sociedade infantil! Como o monge budista que encontrei uma vez no Parque Nacional de Erawan a fumar tranquilamente na zona protegida rodeado de dezenas de locais e com placas de interdição de fumar por todo o lado!

 

Mas bom, tudo o que disse até aqui aplica-se à generalidade dos parques. Agora vou vos contar o que realmente me chocou no parque de Chae Son. Ao contrário de outros parques tailandeses onde me diverti imenso a mergulhar, nadar ou escorregar de rochedos até às lagoas e cascatas, neste, não fiz nada disso. Porquê? Porque é proibido! E a proibição está escrita por todo lado em todas as cascatas e lagoas! E mais, ao contrário da comida para pessoas, a comida para peixes nas zonas de reserva natural não só não é proibida como é mesmo incentivada a sua compra! Os locais compram saquinhos com comida para peixe nas lojas do parque, passam sem problemas na inspecção de comida para humanos e vão se entreter a mandar pedaços para dentro das lagoas. Resultado: Primeiro, uma concentração anormal de peixes nas lagoas, por sinal gordíssimos, o que de natural tem pouco! Segundo, montes de sacos de plástico vazios à beira das lagoas, uma violação flagrante do principio por detrás da proibição de entrada de comes e bebes para humanos! Ou não! Afinal, isto é Tailândia, aquele país em que se aplicam regras à ocidental não porque se tenha percebido a premência da regra, e concordado com ela, mas apenas porque sim, porque fica bem ser moderno, daí que com frequência uma pessoa dê de caras com incumprimentos ilógicos mas espectáveis um pouco por todo o lado (um bom tema para uma próxima crónica tailandesa)!

 

Portanto, em Chae Son, é proibido tomar banho nas lagoas e cascatas, apesar do logo do parque estampado nas t-shirts turísticas oficiais do parque mostrarem um boneco todo contente tomando banho numa reprodução da lagoa e da cascata principais! É proibido trazer comida e bebida, para supostamente evitar poluir o parque, mas é permitido espalhar centenas ou milhares de sacos de plástico de comida para peixe, como se sacos de plástico de comida para peixe poluíssem menos que sacos de plástico de comida para pessoas! Enfim...

 

Conclusão, tailandês que venha a este parque fã-lo (mecânica e inconscientemente, seguindo a manada) para poder dar comida a peixes, tirar selfies a mandar comida a peixes ou fotografar amigos e familiares dando comida a peixes. Tal qual fazem nos restantes parques, com o extra da comida dada a peixes!

 

O que nos leva de novo ao comportamento tailandês em parque nacionais no geral. Sim, sem exagero garanto-vos que esta malta simpática vem apenas para tirar fotos juntos à tradicional placa de entrada ou juntos À Placa ou À Estátua de tirar fotos e selfies dentro de um determinado parque. Façam amizades no facebook com tailandeses e dêem uma olhada nas suas fotos de escapadelas se não acreditam! E mais esta malta trás literalmente a casa às costas se vierem para acampar uma noite: comida para um batalhão, loiça, mesas, cadeiras, televisão portátil, candeeiros, etc. E como vêm por vezes em grandes grupos, uma pessoa tem a sensação que está a acampar no centro de Banguecoque e não num parque natural perdido nas montanhas!

 

Quando a visita não inclui acampar, vêm vestidos para casamento. A esmagadora maioria não toma banho, e os poucos que o fazem, fazem-no completamente vestidos. Não critico, são questões sociais e culturais que convêm respeitar. O que me inquieta mesmo é que esses 99% vêm para parques nacionais com animais raros, plantas raras, cascatas lindas, lagoas perfeitas para nadar ou mergulhar, locais pelo menos de valor para fazer umas boas fotos de natureza, ou simplesmente para desfrutar de um contacto "meditativo" e tranquilizador com a natureza... e não, nada disso! Não, vêm para comer que nem uns porcos, sujando o mais possível e no fim, para ajudar à digestão, tiram umas boas dezenas de selfies! E eu que sempre gostei de brincar com a caricatura do saloio tuga que quando vai passear leva a bagageira do carro transbordando de farnel, ahahah! São uns meninos, os portugueses, nesta matéria! A sério, por que raio não o fazem (os tailandeses) em casa ou num parque público com mesas na cidade onde vivem! Por que raio fazem dezenas ou centenas de quilómetros até a um parque de cujas riquezas naturais se estão pouco marimbando! Parece que a resposta é uma vez mais "porque sim", seguem-se as modas, seguem-se as manadas, e ninguém parece sequer se aperceber para onde e porquê se está a deslocar.

 

Não esquecer que as entradas são praticamente gratuitas... para tailandeses. Para não-tailandeses... há a taxa de entrada estrangeira ou, como dizem os tailandeses, "foreign fee"!

 

Até uma próxima crónica! Obrigado pela leitura! E sim, podem me chamar nomes como "racista" ou "preconceituoso", ou "paternalista", ou "ocidental arrogante", pois vale tudo... mesmo! Afinal, não somos o Charlie Hebdo!

 

Luís Garcia, 13.12.2015, Lampang, Tailândia

 

 

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Projecto Venus: uma introdução

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE  CIÊNCIA  ECONOMIA

O Jacque Fresco anda desde os anos 70 a propor um sistema, completamente baseado em ciência, para fazer uma transição de um sistema monetário para uma economia baseada em recursos, aproveitando os conhecimentos de antropologia, construção cultural, construção de valores, psicologia social, linguagem nomeadamente no domínio da semântica geral, comportamento humano, desenvolvimento humano, neurociência, entre outras disciplinas para modificar o paradigma cultural, o sistema educativo e as informações a que as pessoas são expostas para as levar e condicionar à aceitação, integração e implementação de um sistema social organizado de acordo com dados científicos e o seu tratamento por computadores, com a automação de praticamente todos os tipos de trabalho para libertar progressivamente o ser humano de atividades repetitivas, rotineiras e que degradam a sua capacidade de se construir enquanto pessoa, de fazer máximo proveito das suas capacidades intelectuais e de contribuir para o bem-estar coletivo e individual, e para a aplicação da tecnologia na produção de energia renovável, limpa e inesgotável das mais variadas fontes, na projeção de cidades, para as quais até tem vários modelos projetados para diferentes tipos de geografia respeitando a paisagem, de acordo com modelos arquitetónicos concebidos de um ponto de vista funcional e não meramente estético, cidades concebidas de forma a melhorar ao máximo o aproveitamento e rendimento das fontes de energia disponíveis, estruturadas de maneira a permitir o máximo de acessibilidade e mobilidade, também aplicando a tecnologia mais recente (mas que, friso mais uma vez, já era possível de produzir nos anos 70, hoje então...), com centros culturais e educacionais pensados em estimular ao máximo a criatividade, o sentido crítico, a curiosidade, o gosto pela aprendizagem, um sistema educativo baseado em evidência, em ciência, para levar as pessoas a adotarem o modelo científico não só como meio de aquisição de conhecimento, não só como ferramenta de apreensão do mundo, mas também como o modo de vida mais são possível, com a criação de um sistema de linguagem o menos ambíguo possível e a proposta de desenvolvimento de uma ciência da comunicação para facilitar a comunicação entre pessoas com diferentes referenciais culturais, um sistema educativo que para além de tudo isso estimule o desenvolvimento de pessoas com capacidades de resolução de conflito por via dessas mesmas capacidades de comunicação, aplicação de tecnologia para a inventariação dos recursos naturais disponíveis, a nível local, regional e mundial, para permitir a produção e o fluxo de recursos mais sustentável possível por forma a satisfazer todas as necessidades da população de cada cidade e do mundo no geral, e até mesmo de tecnologia para permitir a produção exponencial de recursos dos mais variados tipos, principalmente de necessidade básica, como agricultura vertical, para reduzir o impacto geológico e ambiental provocado pela agricultura convencional, agricultura hidropónica, etc, sistemas de dessalinização, projetos de cidades no mar, edifícios projetados para suportarem as condições ambientais e os fenómenos naturais que normalmente ocorrem em cada local, automação da construção, e muitas muitas outras coisas, das quais se pode tomar conhecimentos através dos seus livros (Looking Forward, Designing the Future e, principalmente, The Best That Money Can't Buy), através dos milhares de palestras dadas por ele próprio disponíveis no youtube e no site oficial do Venus Project, das revistas criadas por ele e por outros colaboradores (TVP Magazine), dos documentários (dois dos Zeitgeist nos quais ele participa, The Choice Is Ours, Future by Design, Paradise or Oblivion), nos quais também são explorados todos os problemas que a cultura atual globalizada, que perpetua um sistema de escassez de recursos sem qualquer fundamento, cria em todos os aspetos, os problemas relacionados com a gestão de recursos através do dinheiro, para além de todos os aspetos, como já disse, e que dão base ao corpo teórico do projeto, que dizem respeito ao funcionamento do corpo humano, principalmente o cérebro, e como alguém se desenvolve reportando-se ao ambiente no qual tal acontece e não a aspetos intrínsecos ao indivíduo, que têm vindo a ser desacreditados progressivamente pela ciência.

Este senhor, a Roxanne Meadows - a sua colaboradora direta e co-criadora do projeto - e todos os outros voluntários e colaboradores do projeto, com toda a quantidade massiva de informação que criam e divulgam - inclusive, até existem sites criados por um dos voluntários com links para atualizações de sites de ciência, documentários, canais do youtube de ciência, história, etc -, não são reconhecidos.

 

Nada contra outras propostas. Pelo contrário. Se for para a "coisa" melhorar de uma forma consistente, que o seja por que via for. Mas, sinceramente, não me parece que exista uma outra proposta tão abrangente e tão bem estruturada para mudança de paradigma como esta, acerca da qual, mesmo com este texto, só arranhei a superfície.

 

Mas, lá está, o Jacque Fresco não tem títulos académicos, nunca foi distinguido com prémios, embora para além de tudo o resto ainda tenha sido inventor de diversos dispositivos, desde médicos a cinematográficos, nunca registou patentes, nunca quis fazer dinheiro com aquilo que quer transmitir às outras pessoas como conhecimento, nunca ocupou posições privilegiadas na sociedade ou no mundo académico ou intelectual para ter visibilidade e, portanto, tem que se contentar com aquilo que as suas condições lhe permitem fazer e com o facto de, aos poucos, irem aparecendo pessoas que vão validando, confirmando e apresentando, como se fossem ideias novas, propostas que já datam de há mais de 40 anos e que, tão simplesmente, nunca alcançaram (ou ainda não o fizeram) o público merecido.

 

Ricardo Lopes

 

 

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Contra a opinião

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE 

 

Sou contra a opinião. A meu entender, a máxima vigorante “Toda a gente tem direito à sua opinião” é das mais sub-repticiamente nocivas ao conhecimento humano. É como “Gostos não se discutem”. A partir do momento em que a pessoas se desenvolvem enquanto tal numa cultura que é permissiva relativamente à capacidade de qualquer um em proferir algo de relevante em relação a qualquer tema sobre o qual o/a questionem, as pessoas desresponsabilizam-se. As pessoas passam a tomar-se como suficientemente informadas sobre qualquer tema tão simplesmente por terem tido contacto com a mínima informação que lhe concerne, proferida por quem quer que seja, em qualquer situação.

 

Não nego com isto a capacidade de assimilar informação de uma forma positiva e construtiva da qual qualquer ser humano é dotado. Tão pouco enveredo por elitismos académicos, sendo que qualquer autodidata pode superar facilmente um académico em qualquer matéria, logo que a isso se dedique o suficiente. Digo apenas que a opinião, pressupondo uma formulação ideológica que se suporta sem necessidade de justificação, concorre à sobrevalorização do populismo acima do rigor e valor argumentativos e das evidências e factos.

 

Torna as pessoas incapazes de dizer “Não sei” e, portanto, aniquila o espírito científico-inquisitivo e a capacidade crítica. Algo tão saudável e bonito de se ver em crianças de tenra idade, mas que se perde rápida e progressivamente até à fase adulta do desenvolvimento humano, à custa de bombardear o indivíduo com pressupostos, normas e preceitos culturais. Porque é também isso que pretende quem brande hipocritamente o estandarte da democracia e da liberdade de expressão na representação do direito inalienável à opinião: tornar o indivíduo permissivo para com qualquer coisa que alguém profira em público. Perante uma opinião não existe discussão possível, posto que também não existe um corpo argumentativo a rebater. É como golpear o ar.

 

Não quero com isto dizer que deva ser negado às pessoas o direito de exprimirem o que tão bem entenderem, na observância do respeito interpessoal. Isso seria negar-lhes o direito à liberdade de expressão. O que digo é que a liberdade de expressão sem rigor ou critério redunda rapidamente em ruído de fundo e verborreia no espaço público.

 

E a minha tese não tem nada a ver com a diminuição intelectual de quem quer que seja, mas tão simplesmente com o apelo à humildade intelectual, à promoção do espírito científico e crítico. Se algo que a ciência (“exata” ou humana) pode implicar de positivo ao arranjo funcional do intelecto humano é, precisamente, a negação de qualquer verdade absoluta, de qualquer imperativo categórico. A ciência conduz as pessoas por uma insatisfação, pela insaciedade de se saberem na posse de uma verdade transiente.

 

A ciência aproxima-te do progresso, da mudança, do devir universal, da tua curiosidade natural. A opinião enrijece-te em convicções superficiais que, carregadas através do tempo, te mortificam intelectualmente.

Ricardo Lopes

 

 

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Putin, le maître de la diplomatie-échecs

 

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Luís Garcia  POLITICA  en français

 

La réaction de Poutine à l'abattage de son bombardier par la Turquie dans l'espace aérien syrien est devenue depuis quelques jours  la grande question du moment. Beaucoup craignaient une réaction musclée de Poutine, qui pourrait avoir comme conséquence l'éclatement de la 3e et dernière guerre mondiale. Mais l’attente une telle réaction impliquerait une absence totale de stratégie et d'expertise dans l'échiquier géopolitique de Poutine, et désigne une distraction face à toutes les tentatives récentes des  États-Unis (et de ses marionnettes,  Etats vassaux de l'UE et compagnie) d’inviter la Russie à entrer dans une guerre mondiale, invitations que Poutine a toujours sagement déclinées, profitant également au passage de mettre le roi en échec avec plusieurs de ses pièces.

 

Par conséquent, contrairement à ce que pourraient croire ses fans les plus euphoriques, Poutine réagit peu. Les Russes font preuve depuis 25 ans de bon sens en  politique étrangère et en diplomatie, tout en s’humiliant et en allant souvent à  l'encontre de leurs propres intérêts, pour le bien de la paix mondiale. L'intimidation des États-Unis a prévalu, et alors que Poutine a préféré la paix binomiale/ humiliation-russe plutôt que la guerre / fierté- russes. Le harcèlement des  États-Unis (EUA) a eu jusqu’ici l’avantage, alors que Poutine préfère le binôme paix/humiliation-russe, au détriment de guerre/orgueil –russe.

 

Récemment les choses ont changé et les Russes ont tendance à prendre leur place logique sur l'échiquier. Maintenant, oui, il est compliqué de gérer les derniers évènements : un avion de passagers russes abattu par le terrorisme (occidental) de DAESH (en Égypte), le sabotage de l'électricité en Crimée (russe) aux portes de l'hiver,  par le groupe néo-nazi Secteur Droit, groupe  parrainé par le gouvernement ukrainien, et maintenant, pour couronner le tout, , ce voyou Erdoğan qui leur abat un bombardier sans défense en mission anti-terroriste dans le ciel de la Syrie! Que dire? La vérité est que, avec des boucliers  anti-missile nord-américains placés en Pologne, en République Tchèque et en Roumanie pointés sur la Russie, avec des troupes d'intervention de l'OTAN littéralement limitrophes UE-Russie (à savoir en Estonie), avec le coup États-Unis / FMI en Ukraine et le parrainage du terrorisme en Syrie, les EUA appellent de fait depuis des années, à la chute de la Russie dans un conflit mondial! Rien de nouveau donc.

 

La seule réaction «juste» et souveraine serait de bombarder des cibles militaires en Turquie et d’exiger par la suite des excuses officielles à cette dernière alors humiliée. Comme le bon sens pacifique russe ne trouve pas satisfaction dans les guerres mondiales, les russes ne le feront pas et tant mieux, tant mieux pour l’humanité! Les Russes pourraient jouer un jeu malsain et entraîner et aider à former d’hypothétiques guérillas kurdes ou arméniennes dans une logique terroriste, lançant des représailles déloyales. Mais qui connaît l'histoire géopolitique russe a conscience que cela ne se produira jamais.Les Russes sont très pragmatiques et plus sensés que notre Occident dans cette affaire, ils savent qu’à créer le terrorisme on finit par en subir les conséquences, chose que les États-Unis et ses vassaux aiment à ignorer. Regardons Al-Qaïda, AlNusra, Boko Haram, AQMI, ISIS et tout l'attirail terroriste que l'Occident persiste à engendrer, tout en étant conscient qu’il finira  par perdre le contrôle de toute la situation et sur tous les groupes terroristes qu’il crée ! Nous allons donc rester en paix jusqu'au jour où les Russes avisés perdront patience et répondront positivement à l’insistante invitation occidentale à une guerre mondiale. Ce jour-là nous retournerons à l’âge de pierre, mais ça n’est pas pour tout de suite, puisque la patience de Poutine et la patience de la Russie sont loin d’avoir touché à leur fin! Heureusement! Et il se peut que cela n’arrive  jamais, puisqu’il semble que les mouvements de Poutine dans l'échiquier planétaire continuent à frapper juste.

 

Poutine a réagi avec des menaces verbales et des mesures/sanctions économiques envers la Turquie. Aux EUA-OTAN il a répondu par des mouvements politiques, économiques et militaires stratégiques au sein des pays qui lui sont alliés, actions qu’il n’avait pas réalisées jusqu’alors, par respect envers les EUA. Il ose désormais, étant donné l´évidente démonstration de suprématie russe devant un conflit mondial conventionnel prenant la forme de missiles modernes tirés de la mer Caspienne sur la Syrie. Les gens ne font pas attention à ces détails, mais ce que la Russie a fait était inutile d'un point de vue pratique. Elle aurait certes pu attaquer les mêmes cibles de DAESH à partir d'un navire de guerre ou sous-marins stationnés à Tartous (Syrie), ou à partir de ses bases militaires sur le sol syrien.


Selon moi, (je peux me tromper), ce lancement des missiles de la Mer Caspienne est une sorte de mini-Hiroshima et Nagasaki russes: leur principal objectif n’aurait pas été de détruire l'ennemi factuel et momentané, beaucoup plus faible, mais d’envoyer un message de suprématie à l'autre puissance mondiale. Les bombes nucléaires étaient un message de totale suprématie destructrice des États-Unis envers la Russie. Les missiles de la mer Caspienne étaient un message de la suprématie conventionnelle de la Russie avec les États-Unis, qui, dans un monde où l’on refuse sagement l'utilisation des armes nucléaires, met la Russie en position de commencer à donner des ordres au lieu de les recevoir ou, interdire de futures invasions américaines de tiers plutôt que feindre pragmatiquement de ne pas les voir!

 

Les États-Unis et leurs partenaires ont appelé à la chute de la Russie et au déclenchement d’une troisième guerre mondiale. En grand maître d'échecs géopolitique qu’il est, Poutine a sagement décliné toutes les invitations empoisonnées mais pas seulement.  Progressivement il est parvenu à inverser calmement les situations défavorables, de sorte que maintenant c’est la Russie qui est au-dessus et contrôle  tous les scénarios de confrontation créés par les États-Unis (et compagnie), se permettant même de dicter les règles et de pointer du doigt les créateurs de barbarie, de vol et de destruction.

 

Ne pas oublier qu’il le fait si bien qu’il n’a même pas besoin de nommer les principaux intéressés afin qu'ils se reconnaissent, ce qui met en lumière ses compétences diplomatiques, inconnues des politiciens occidentaux. Ces derniers font précisément le contraire. La France en est un exemple flagrant. Elle a agressé Benghazi avec des troupes spéciales, décimé des milliers de libyens habitants cette ville, ses politiciens accusent  Kadhafi d'être un "génocidaire". La France a orchestré l’attaque chimique de la Ghouta, en Syrie, pour qu’ensuite ses politiques qualifient  Al Assad de "sanguinaire" (lire, à propos, l'article de Thierry Meyssan: Comment les services occidentaux ont fabriqué « l’attaque chimique » de la Ghouta).

 

Comment les services occidentaux ont fabriqué « l’attaque chimique » de la ghouta

 

Récapitulons, enfin, les principales actions de pression occidentales sur la Russie, que Poutine a  su habilement faire tourner en sa faveur :

 

Ukraine: Les États-Unis et  ses États vassaux ont inventé une révolte contre le «régime» (démocratique) de Viktor Ianoukovitch, comme punition pour avoir refusé un accord économique avec le FMI et les États-Unis, et pour avoir accepté de signer un accord économique stratégique avec Poutine .Résultat: La farce de l’Euromaïdan. Des mercenaires tchétchènes et polonais, ainsi que des guérilleros ukrainiens liés à des groupes néo-nazis (Secteur Droit en est un exemple), ont créé une mini-guerre civile dans la capitale du pays, alors que nos médias surnommaient ces 3000 bandits des « agriculteurs affamés » se révoltant contre l’oppression ! Ridicule, surtout pour ceux qui ont pris la peine d’analyser en détail les méthodes de guérilla urbaine, les équipements professionnels et le matériel militaire utilisés par ces «paysans affamés» (comme ce liquide inflammable dont les flammes sont impossibles à éteindre, une modernité de guerre du Pentagone). Résultats: les États-Unis ont installé une dictature économique fantoche gouvernée par des fonctionnaires du FMI, avec des ministres étrangers originaires des États-Unis, ainsi que de la Lituanie et de la Géorgie, deux tristes vassaux de Washington (à lire :  Foreign-born ministers in Ukraine's new cabinet) ;  3 heures après le coup d’État, on a approuvé une constitution illégale, xénophobe, antirusse (interdiction de parler le russe dans des lieux officiels, etc…), et on a installé une chasse aux sorcières russes. Pas étonnant donc que les régions de population majoritairement russe comme le Donbass se soient rebellées.

 

Quant à la stratégie de Poutine: pour ceux qui l'ignorent, la Crimée est un territoire de la Russie qui a été remis à la République socialiste soviétique d'Ukraine par l'URSS en 1954, probablement pour des raisons administratives. Regardez la carte et vous comprendrez pourquoi. Lorsque Poutine a récupéré la Russie en morceaux et s’est proposé de la relever, il était sans aucun doute incapable à ce moment de prétendre à reprendre la Crimée. S’il avait simplement osé reprendre la Crimée russe par la force militaire, au mépris de la souveraineté d'un État reconnu par les Nations Unies, aurait créé un conflit mondial. Mais Poutine n’est pas Obama ni Clinton, ni Bush, ni le président des Etats-Unis, et donc il ne subit pas de pression de quelque complexe militaro-industriel qui nécessite des invasions régulières d’ États souverains comme stratégie de profit.

 

 Voilà pourquoi Poutine a patiemment attendu un futur et hypothétique moment propice. Obama et sa sauvagerie guerrière sont ceux qui ont attribué à Poutine ces conditions propices à regagner la Crimée: en déclenchant la chasse aux russes, des voyous ukrainiens et de leurs compagnons  mercenaires, ils ont invité M. Poutine à se conformer à une exigence de la constitution russe, celle de défendre l'intégrité physique de russes au-dedans et en dehors de la Fédération de Russie. Traduit en langage d'échecs géopolitique: Poutine pouvait enfin récupérer la province de Crimée sans provoquer une guerre mondiale, assurant la permanence de sa base navale d’une valeur stratégique inestimable dans la mer Noire (porte sur la mer Méditerranée). Obama pensait faire perdre à la Russie cette base navale de Crimée, mais il a finalement fait perdre à l’Ukraine la Crimée entière. Bravo Obama, belle démonstration de tir d’une balle dans le pied !

 

Syrie: Après la barbarie OTANnienne en Libye, s’en est suivi la Syrie. La Syrie a un vieux pacte de défense avec la Russie, et tous deux sont un allié stratégique l’un pour l’autre, mais pour des raisons différentes. Dans la foulée de la Libye, la machine barbare américaine commença l’assaut sur la Syrie en toute impunité, en organisant d’abord des manifestations civiles provoquant des morts des deux côtés, une bonne vieille recette reprise maintes fois depuis l’opération Ajax, pendant laquelle les EUA ont renversé le premier ministre iranien démocratiquement élu Mohammad Mosaddegh, et l’ont remplacé par la dictature sanguinaire du Shah Reza Pahlavi. Depuis lors, les États-Unis utilisent régulièrement cet outil pour modifier les régimes. Il y a des dizaines d'exemples, je vais ici en citer trois: Brésil 1964, Chili 1971, Venezuela en 2002.

 

Je soutiens, bien qu’ignorant largement la position secrète russe dans cette question, qu’entre 2011 et 2014, Poutine a limité ses actions à ce que nous savons tous: d'abord une timide assistance matérielle aux forces armées syriennes. Au fil du temps, un accroissement de l'aide militaire à la Syrie, qui, par la suite, même sans reconnaissance officielle, est devenu un renfort d’hommes russes sur le sol syrien.

 

En réaction à la farce de Ghouta, le «massacre chimique » dramatisé mentionné ci-dessus, M. Poutine a fait monter les enchères, établissant définitivement sa flotte dans la base navale de Tartous (Syrie),  envoyant un message clair aux États-Unis: il n’y a pas moyen d’envahir la Syrie. Avec la pression continue des lignes rouges prétendument franchies par le sanguinaire Al Assad, et vu la persistance d’Obama à envahir la Syrie, Poutine a réalisé un coup de maître. Il s’est proposé à démanteler le programme d'armes chimiques syrien, avec le consentement et l'appui d'Al Assad, fermant une fois pour toutes les portes à une invasion conventionnelle nord- américaine.

 

En Juin 2014, les États-Unis ont décidé d'installer définitivement * le soi-disant 'Etat islamique en Syrie (bien qu’il ait été présent en Syrie au moins depuis mai 2013 d’après  un ami syrien qui a souligné l'imprécision après avoir lu l’article) *, dans une nouvelle tentative farfelue de, non plus conquérir la Syrie, mais plutôt de créer un État terroriste sunnite dans les zones à ressources pétrolières. Ils ont fait de même en Irak. Après avoir démocratiquement élu leurs dirigeants, comme les États-Unis l’avaient imposé, l'Irak est devenue gouvernée par des adeptes de la foi chiite (la majorité religieuse, mathématiques élémentaires), qui mis en œuvre une approche stratégique envers l'Iran, également majoritairement chiite (une évidence pour tout le monde sauf pour les milliers d’experts en stratégie militaire travaillant au Pentagone), ainsi qu’une distanciation avec les EUA. Je n’oublierai jamais le jour où le légendaire Mahmoud Ahmadinejad, président iranien à l'époque, a eu le privilège de marcher avec sa chemise ouverte dans les rues de Bagdad, la capitale du pays le plus dangereux au monde! Barack Obush (Obama), pour aller pisser, apporte 100 gardes du corps avec lui! Et pour visiter l'Irak il apporte une invasion de l'Irak avec lui, ahah!

 

Les États-Unis en utilisant l’État islamique, et Israël en utilisant son état vassal du Kurdistan irakien, ont proposé et réalisé la partition de l'Irak en trois parties en quelques jours. Seuls les chiites se sont retrouvés sans pétrole, comme punition de leur rapprochement avec l’Iran ! La même chose est arrivée au gouvernement légitime de la Syrie d'al-Assad. Ah, sans parler du Koweït, ce morceau terres iraquiennes volées par les Britanniques il y a quelques décennies. Maintenant, si tout se passe comme prévu avec la stratégie du prédateur israélo-américain, l'Irak sera laissée sans une seule goutte de pétrole, pas même le pétrole de Mossoul, volée aux Arabes par les Kurdes et les Israéliens, évènement dont personne en occident ne parle, encore moins explique. Parce que oui, il faut expliquer que les Kurdes d'Irak (qui ont le soutien israélien) organisent sans se cacher la partition de la richesse pétrolière de l'Irak avec les terroristes de DAESH (qui a le soutien des États-Unis, Turquie, France, Royaume-Uni, Arabie Saoudite, Qatar et d’autres).

 

Profitant de l'accord stratégique américano-iranien signé le 14 Juillet, et sans perdre de temps, M. Poutine a officiellement et ostensiblement pris le contrôle de la défense de l'État syrien par des forces militaires. Pendant les deux mois écoulés depuis lors, l'action de Poutine a brusquement renversé la situation en faveur de l'Etat syrien légitime, qui est gouverné par Assad, un homme démocratiquement élu par le peuple syrien depuis mi-2014. Cet accord US-Iran inclus implicitement la pacification de la Syrie dirigée par Assad, un allié stratégique de la puissance régionale iranienne. La paix en Syrie comme un cadeau à l'Iran doit être comprise comme une compensation pour ce dernier, pour avoir accepté de devenir le soi-disant nouveau protectorat des États-Unis dans la région. A partir de maintenant, les EUA attendent la division du Moyen-Orient en deux parties, chacune incluant les alliés stratégiques des deux puissances régionales: l'Iran et l'Arabie Saoudite. Les Chiites d’un côté, les sunnites de l’autre. N’importe quoi ! Enfin, des hallucinations nord-américaines, que l’Iran, sagement, ne respectera pas, même si il affirme machiavéliquement que si, au contraire de ce que voudrait nous faire croire la Maison Blanche.

 

Enfin, nous avons le bombardier russe abattu par la Turquie dans l'espace aérien syrien, un acte clairement préméditée par l'OTAN, la Russie ayant informé un jour avant les Etats-Unis de l'emplacement précis et l’heure de vol de l'avion militaire détruit par la Turquie. Par conséquent, Erdoğan passe pour un abruti  en déclarant que s’il avait su que l'avion était russe, la Turquie ne l’aurait pas abattu. Cette déclaration est d’une incohérence remarquable, puisque Erdoğan, affirme dans le même temps qu’il continuera  à abattre tous les avions russes mettant en danger la souveraineté turque. Encore pire, l’affirmation d’Erdoğan selon laquelle,  dans un futur hypothétique, la force aérienne russe abat un avion de chasse turque dans l’espace aérien syrien, ce qui serait considéré par Ankara comme un « acte d’agression de la Russie » ! Voyez l’effronterie ! Sur les terres du néo-Pacha tout est permis ! Y compris faire le contraire de ce que l’on dit, en effet selon des sources officielles grecques et syriennes, depuis l’après-midi du 25 novembre(jour où le bombardier russe a été abattu) la Turquie n’a plus violé l’espace aérien de ces 2 pays. Pour ceux qui ne le savent pas, la moyenne du nombre de violations de l’espace aérien grecque par des avions de chasse turques est de 10 par jour ! Et, que dire de l’affirmation qu’un avion russe bombardait une zone où se trouvaient uniquement des civils ? Oh oui, alors pourquoi diable le pilote russe a été abattu par des terroristes lors d’un saut en parachute, fait prouvé par des vidéos de téléphone portable des terroristes eux-mêmes? Et pourquoi diable l'hélicoptère de sauvetage russe a été détruit par une roquette américaine lancée par des terroristes (Turkmènes syrien menés  par un citoyen turc, le fils du maire d'une ville turque) qui a également filmé l'exploit et qui a abouti à la mort d'un commando russe? Erdoğan a définitivement le cerveau gravement atteint !

 

Mais revenons à Poutine. Le président russe, encore une fois, n'a pas réagi émotionnellement ou sauvagement contre la destruction d'un bombardier russe, en déclarant la guerre à la Turquie (OTAN) et en déclenchant une guerre nucléaire, en contradiction avec ce qui pourrait être attendu par la dictature économique mondiale, avide de carnage à l'échelle mondiale. Non, il ordonna simplement de déplacer un navire de guerre à proximité de la côte sud de la Turquie, d’interrompre à nouveau les communications turques avec des systèmes de guerre électronique ultra-modernes, et apporta à la Syrie l’impensable en un temps record : un impénétrable système de défense S-400 Triumph! Avec l'introduction de cette puissante pièce d'échecs, l'échiquier géopolitique en Syrie a subit un renversement complet. Si dans les premières années du conflit l'aide de la Russie à la Syrie était secrète et limitée, si l’aide musclée et officielle survenue au cours des derniers mois a été faussement désignée par l’Occident comme des moyens de massacrer des rebelles modérés et des civils, maintenant, avec les S-400 Triumph en place, seule la Russie est à même de décider de  ce qui se passe en Syrie. Ceci est à tel point véridique que les EUA ont annulé aujourd’hui (29 Novembre) tous les vols pour la Syrie. Et pas une seule accusation infondée sur les morts de civils (victimes présumées de bombardements russes) a été faite par les médias et les politiciens occidentaux! Si Poutine avait mis le roi en échec dans les premières étapes du jeu, en introduisant les S-400 Triumph, les États-Unis auraient peut-être éjecté l'échiquier hors de la table et déclenché un conflit nucléaire. En jouant prudemment  la défensive, et en analysant de nombreux mouvements à l'avance, Poutine en effet réussi à ramener le S-400 Triumph en territoire syrien, tandis que Barack O'Bush respecte humblement les décisions prises par Poutine.

 

À partir de maintenant Poutine est celui qui donne les ordres, celui qui donne des leçons, Poutine est celui qu’on désigne pour lancer des alertes. Tout cela sans jamais menacer l'OTAN et ses membres, contrairement à ces derniers. Tout cela sans tirer une seule fois contre les membres de l'OTAN, contrairement à ces derniers! Poutine Bravo, bravo !!!

 

Luís Garcia, Lampang, Thaïlande, 29.11.2015

(Traduction de Claire Fighiera, 02.12.2015)

 

 

 * - Mises à jour du 2 Décembre 

 

Discours de Putin: 

Who created ISIS

 

Turkey and ISIS together on stealing Syrian oil

 

Russian S-400, Turkish terrorism & USA betrayal

 

 

Putin's remarks 

 

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Putin, the master of chess-diplomacy

 

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Luís Garcia  POLITICA  in english

 

A few days ago, Putin's reaction to the shutdown of his bomber jet by Turkey in Syrian airspace became the big question of the moment. Many feared a strong reaction from Putin that could have sparkled the outbreak of the 3rd and last World War. Nevertheless, expect such reaction implies a total ignorance about Putin's expertise and strategy in the geopolitical chessboard, and denotes a huge distraction towards all the recent attempts that US (and its vassal states of the EU and company) has created to invite Russia into a world war, which Putin has always been capable to avoid wisely, taking advantage also, in this process, to attack the king in the geopolitical chessboard with several of his pieces.

 

Therefore, contrary to what his most euphoric fans could have imagined, Putin will barely react. The Russians have been showing common sense in foreign policy and diplomacy in the past 25 years. Humbling themselves and going often against their own interests for the sake of world peace. The US bullying has prevailed, while Putin has preferred the binomial peace/Russian-humiliation rather than war/Russian-pride.

 

Recently things have changed and Russians tend to take its logical place on the global chessboard. Then, yes, it's complicated to manage the latest developments: a Russian civilian aircraft shut down by (Western) terrorism called ISIS (in Egypt), sabotage of electricity in Crimea (Russian) on the eve of winter by the Neo-Nazi Right Sector group sponsored by the Ukrainian government and now, to get off the scale, the troglodyte Erdoğan ordered the shutdown of a helpless Russian bomber during its counter-terrorist mission in the skies of Syria! What else to say? The truth is that, with US anti-missile shield in Poland, the Czech Republic and Romania pointing to Russia, with NATO's intervention troops literally at the EU-Russia borders (particularly in Estonia), with the US/IMF coup d'etat in Ukraine and the sponsorship of terrorism in Syria, the US, for several years, has been pushing Russia towards a global conflict! Nothing new under the sun.

 

The only "fair" and sovereign reaction would be to bomb military targets in Turkey and force its leaders to make official apologies as a humiliating measure. Knowing that the Russian peaceful sense do not appreciate world wars, the Russians will not do it, and that's good, good for human kind! The Russians could play a dirty game by training and help hypothetical Kurdish or Armenian guerrillas in a terrorist logic, as a dirty retaliatory action. But those who know the Russian geopolitical history also know it would never happen. The Russians are very pragmatic and more sensible than our West in this matter, they know that create terrorism turns out to be the best way to suffer from terrorism, which the US and its vassals love to ignore. For instance, let's look at Al Qaeda, AlNusra, Boko Haram, AQMI, ISIS and all this terrorist paraphernalia that the West insists on creating even being aware that, eventually, West ends up losing control over any terrorist group it creates! So, I guess we will have peace until the day the wise Russians lose their patience and accept the long western invitation for a world war. On that day we will send back ourselves to the stone age. But not now, since Russian's and Putin's patience are far from being over! Fortunately! And it may never happen if, as it seems, Putin's moves in the planetary chessboard continue to be the right ones.

 

Putin will react only with verbal threats and economic punishments against Turkey. To the US-NATO he will respond with political, economic and strategic military movements within his allies, acts that he did not dare until now, given the necessary respect towards the US. Now he dares given the clear demonstration of Russian supremacy in an hypothetical conventional World War displayed in the form of modern missiles fired from the Caspian Sea to Syria. Usually we don't pay attention to these kind of details but, what Russia did with its missiles, was unnecessary from a practical point of view. Certainly, Russians could have attacked the same ISIS targets from a warship or a submarine stationed in Tartus (Syria), or from their military bases on Syrian soil. In my perspective (I can be wrong), the launch of the Caspian missiles was a sort of a Russian Hiroshima&Nagasaki in miniature. I mean, the main objective was not to destroy the factual and momentary enemy, much weaker, but to send a message of supremacy to the other world power. Nuclear bombs were a message of total destruction supremacy from US towards Russia. The Caspian missiles were a conventional supremacy message from Russia towards the US, which, in a world where decision makers wisely refuse the use of nuclear, puts Russia in a position to start giving orders instead of receiving them or, prohibit future US invasions to third parties rather than pragmatically pretend not to see those US invasions!

 

The US and its partners have been pushing Russia to fall and trigger a third world war. As the great geopolitical-chess master he is, Putin has wisely avoided all the poisoned invitations and, gradually, he has managed to calmly reverse several unfavorable situations. Therefore, now, the Russians are the ones in charge, controlling all confrontational scenarios created by the US (and its vassals) and, they do it so overwhelmingly, that Putin even allow himself to dictate the rules and point the finger to the creators of barbarism, robbery and destruction.

 

It is important to stress that Putin does it so well that he doesn't even need to call the beasts by their names in order to be understood by the spectators, demonstrating diplomacy skills completely unknown by the Western politicians. Actually the opposite is truth. France is a glaring example. France wildly assaulted Benghazi with special troops, decimated thousands of Libyan inhabitants of this city, and then its politicians accused Qaddafi of being "genocidal". France orchestrated and implemented the chemical attack in Ghouta, Syria, and then its politicians labeled Al Assad as a "bloodthirsty"! To clear out this issue I advise to read the article How the Western services fabricated the ’’chemical attack’’ of Ghouta,  by Thierry Meyssan!

 

How the Western services fabricated the ’’chemical attack’’ of Ghouta

 

Finally, let's analyze the major Western acts of pressure toward Russia, which Putin wisely managed to turn in his favor:

 

Ukraine: The US and its vassal states orchestrated a revolution against the (democratic) regime of Viktor Yanukovych as a punishment for his refusal to sign an economic agreement with the IMF and the US, and for agreeing to sign a strategic economic pact with Russia lead by Putin. Result: The Euromaidan farse. Chechens and Polish mercenaries, as well as Ukrainian guerrillas linked to neo-Nazi groups (Right Sector is an example), created a civilian mini-war in the capital, while our media nicknamed these 3000 bandits as hungry farmers protesting against oppression! Absolutely ludicrous, especially for those who spent the time and energy  necessary to analyze in detail the methods of urban guerrilla, the professional and military equipment used by these "hungry farmers" (such as flammable liquid whose flames are impossible to extinguish, a warlike toy with Pentagon stamp), and so on. The result: the US has settled in Ukraine a puppet economic dictatorship ruled by IMF staff, with foreign ministers from countries such as USA, Lithuania or Georgia, the last ones being 2 foolish puppet states of Washington (to read: Foreign-born ministers in Ukraine's new cabinet, BBC). 3 hours after the coup d'etat was approved a xenophobic and illegal anti-Russians Constitution (prohibition of speaking Russian in official places, and so on), which triggered the hunting for Russian-witches. Knowing this facts is not a surprise that, in regions where the majority of the inhabitants were ethnic Russians, such as the Donbass Region,  rebellion has naturally emerged.

 

As for Putin's strategy: for those who ignore it, Crimea is a Russian territory which was handed over to the Ukrainian Soviet Socialist Republic by the USSR in 1954, most likely for administrative reasons. Look at the map and you will get it. When Putin took control over Russia, back then broken apart, and proposed to rise it again, undoubtedly he had no conditions at all to claim back Crimea. If he had tried to get back Crimea purely by military means, disregarding the sovereignty of a state recognized by the UN, he would have created a global conflict. But Putin is not Obama nor Clinton nor Bush, nor the US president, so he does not suffer pressure from any military-industrial complex that requires regular invasions of sovereign states as a strategy for profit.

 

That's why Putin has patiently waited for a future and hypothetical right time to do so. Obama, with his belligerent savagery, was the one who presented Putin with the required conditions to regain Crimea. By triggering the hunt for Russians, Ukrainian thugs and their mercenaries companions invited Putin to comply with the requirement of the Russian constitution to defend the integrity of Russians inside and outside the Russian Federation. Translated into geopolitical chess language: Putin could finally recover the province of Crimea without provoking a world war, ensuring the permanence of its naval base of incalculable strategic value in the Black Sea (the gate to the Mediterranean Sea). Obama planned to make Russia loose its naval base in Crimea, but eventually made Ukraine lose the entire Crimea. Bravo Obama, what a great example of shooting oneself in the foot.

 

Syria: After the NATOnian barbarism in Libya, the next victim was Syria. Syria has an old defense pact with Russia and both are strategic partners to each other's, although for different reasons. In the aftermath of Libya, the American barbarian-machine started the assault on Syria with complete impunity, beginning by organizing civil demonstrations with deaths on both sides, a well know old recipe tried for the first time in the Operation Ajax, in which USA overthrew  the democratically elected Prime Minister of Iran Mohammad Mosaddegh and replaced him with the bloody dictator Shah Reza Pahlavi. Since then, the US uses regularly this tool to change regimes. There are dozens of examples, I will share three here: Brazil 1964, Chile 1971, Venezuela 2002.

 

I argue, although ignoring largely the secretive Russian position in this issue between 2011 and 2014, that Putin has limited his actions to what we all know: initially a shy material assistance to Syrian Armed Forces. Over time, an increase in military aid to Syria that, eventually, even without official recognition, became an inclusion of Russian boots on Syrian ground.

 

In reaction to the Farce of Ghouta, the dramatized "chemical massacre" that I mentioned above, Putin raised the stakes, settling permanently his navy in the naval base of Tartus (Syria) and sending a clear message to the US: there's no chance to invade Syria. With the continuous pressure of red lines supposedly crossed by the bloodthirsty Al Assad, and given the Obama's persistence on invading Syria, Putin came up with a masterstroke. He offered himself to dismantle the Syrian chemical weapons program, with the consent and support of Al Assad, closing once and for all the gates for an US conventional invasion.

 

In June 2014, the US decided to definitely* install the so called Islamic State in Syria (although they were already present in Syria as earlier as May 2013, according with a Syrian friend who read this article and pointed out the inaccuracy)*, in a new and far-fetched attempt to, no longer conquer Syria, but rather create a Sunni terrorist state in the areas with oil resources. They did the same in Iraq. After having democratically elected their rulers, as the US had imposed, Iraq became ruled by Shia faith followers (the religious majority, elementary mathematics), who implemented a strategic approach towards Iran, also predominantly Shia (an obvious move to everyone except for the thousands of military experts on strategy working at the Pentagon), and implement a detachment from the US. I will never forget the day when the legendary Mahmoud Ahmadinejad, Iran's president at the time, had the privilege of walking with his open shirt in the streets of Baghdad, the capital of the most dangerous country in the world! Barack Obush (Obama), to go piss, brings 100 bodyguards beside him! And to visit Iraq brings an invasion of Iraq with him, ahah!

 

The US by using its Islamic state, and Israel by using its vassal state of Iraqi Kurdistan, have proposed and carried out the partition of Iraq into three parts in a few days. Only the Shiites were left without oil, as a punishment for their approach towards Iran! The same happened to Syria's legitimate government of al-Assad, left with no oil. Oh, not to mention Kuwait, that Iraqi piece of land stolen by the British some decades ago. Now, if everything goes as planned with the US-Israeli predator strategy, Iraq will be left without a single drop of oil, even not the oil of Mosul which was stolen from the Arabs by the Kurds and the Israelis! Shamelessly, we in the West do not dare to talk about this issue, let alone explain it. Because yes, it should be explained that the Kurds of Iraq (which have Israeli support) ostentatiously organize the partition of Iraqi's oil wealth with the terrorist ISIS (which has the support of US, Turkey, France, UK, Saudi Arabia, Qatar and so on).

 

 Taking advantage of the strategic US-Iran agreement signed on July 14th, and without wasting time, Putin officially and ostensibly took control over the defense of the Syrian state by military means. In the 2 months passed since then, Putin's action abruptly reversed the situation in favor of the legitimate Syrian state, which is ruled by Al Assad, a man democratically elected by Syrian people in mid-2014. This US-Iran agreement implicitly included the pacification of Syria ruled by Assad, a strategic ally to the Iranian regional power. The peace in Syria as a gift to Iran must be understood as a compensation, for this last one, for having accepted to become supposedly the new US protectorate in the region. From now on, USA would expect to successfully divide the Middle East into 2 parts, each one including the strategic allies of 2 regional powers: Iran and Saudi Arabia. Shias in one side, Sunnis in the other. Whatever! I bet those are US hallucinations that Iran, wisely, will not respect, even though Iranian political leaders in a Machiavellian way pretend to consent. In contrary, from the White House come speeches trying to make us believe in the accomplishment of that agreement! Who cares!

 

Finally, we have the Russian bomber shot down by Turkey in Syrian airspace, an act clearly premeditated by NATO, giving the fact that Russia informed one day in advance the US about the precise location and flying time of the military aircraft destroyed by Turkey. Therefore, Erdoğan makes himself foolish by saying that if he knew the plane was Russian, Turkey would not have shot down it. It is an outstanding nonsense once Erdoğan, in on hand, says so, and in the other hand he affirms that he will continue to shoot down all Russians planes endangering Turkish sovereignty. Even worse,  Erdoğan stated that the future and hypothetical shoot down of a Turkish fighter by the Russian Air Force in Syrian airspace will be considered by Ankara as an Russian act of aggression! Yeah, well. Whatever! From now on, any absurdity is expected to be said by the neo-Pasha! Including saying one thing and do the opposite because, according to Greek and Syrian officials, from the afternoon of November the 25th (the day it was shot down the Turkish bomber) until now, Turkey has not violated the airspace of these two countries again! For those unaware, the average violations of Greek airspace by Turkish fighters is about 10 per day! Or, what about the claim that Russian aircraft bombed an area where there were only civilians? Oh yes, then why the hell the Russian pilot was shot dead by terrorists while falling with a parachute, a fact proven by videos shot with the smartphones of those terrorists? And why the hell the Russian rescue helicopter was destroyed by an American rocket launched by terrorists (supposedly Syrian Turkmens led by a Turkish citizen son of a mayor of a Turkish town) who also filmed the event, which resulted in the death of a Russian marine? Erdoğan, definitely, is mentally handicapped!

 

But let's go back to Putin. The Russian President, once again, did not react emotionally or savagely  against the destruction of a Russian bomber, declaring therefore war on Turkey (NATO) and starting a nuclear war, in contradiction of what could be expected by the World Economic Dictatorship so eager for carnage on a global scale. No, he simply ordered to relocate a warship nearby the Turkish southern coast, to disable again the Turkish communications with ultra-modern electronic warfare systems and he brought to Syria, in a record time, the unthinkable: the impenetrable defense system S-400 Triumph! With the introduction of this powerful chess piece, the geopolitical chessboard in Syria reached a complete reversal. If in the early years of the conflict Russia's aid to Syria was secret and limited, if the muscular and official aid in recent months as falsely been labeled by the West as means to slaughter moderate rebels and civilians, now, with the S-400 Triumph in place, only Russia decides what can happen in Syria. That is true to the point that the US has also canceled today (November 29th) all flights over Syrian airspace. And not a single more unfounded accusation over civilian deaths (allegedly victims of Russian bombings) was made by the Western media and politicians! That dirty propaganda is gone! If Putin had put the king in check in the early stages of the game, by introducing the S-400 Triumph, the US would have possibly thrown the chessboard off the table and triggered a nuclear conflict. Wisely playing in the defensive, but analyzing many moves in advance, Putin indeed managed to bring the S-400 Triumph into Syria territory, while Barack Obush humbly complied with Putin decisions.

 

From now on Putin is the one who gives orders, Putin is the one who makes lectures, Putin is the one entitled to pronounce warnings. All this without ever threat NATO and its members, unlike these. All this without firing a single time against NATO members, unlike these! Bravo Putin, bravo!!!

 

Luís Garcia, Lampang, Thailand, 29.11.2015

 

 

 

* - updates made on November 2nd

 

(This English version was published on 01.12.2015. I apologize for my basic English. That was the best I could do translating my article originally written in Portuguese. Anyway, the important is that the message is understandable to English speakers. Thank you!)

 

(The most importants sources used to write this article were: VoltaireNet, Russia Today and Telesur. Also very useful where the facebook pages of many Syrian media such as SANA, Al-Masdar NewsSyrian News and Syrian Republic, among several other brave productions.)

 

Putin's speeches: 

Who created ISIS

 

Turkey and ISIS together on stealing Syrian oil

 

Russian S-400, Turkish terrorism & USA betrayal

 

 

Putin's remarks 

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