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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Livros de Adam Smith em português (PDF)

 

 

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 LIVROS EM PDF (PORTUGUÊS):

 

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Livros de Carl Von Clausewitz em português (PDF)

 

 

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Livros em PDF - LISTA DE AUTORES POR ORDEM ALFABÉTICA

A

Agostinho, Santo

Àgualusa, José Eduardo

Alencar, José de

Alighieri, Dante

Allende, Salvador

Amado, Jorge

Anderson, Perry

Andrade, Carlos Drummond de

Aquino, São Tomás de

Archinov, Piotr

Aristófanes

Aristóteles

Asimov, Isaac

Assange, Julian

Assis, Machado

Aurélio, Marco

Azevedo, Aluísio

B

Bakunin, Mikhail

Bambirra, Vânia

Bastos, Teixeira

Baudelaire, Charles

Bensaïd, Daniel

Berkman, Alexander

Bobbio, Noberto

Bocage

Boétie, Étienne de la

Bolo'bolo

Braga, Teófilo

Branco, Camilo Castelo

Brandão, Raúl

Brown, Dan

Buarque, Chico

C

Calvino, Italo

Camões, Luís de

Camus, Albert

Canção de Rolando, A

Canção dos Nibelungos

Cardoso, Ciro

Cartalucci, Tony

Carvalho, Maria Amália Vaz de

Castro, Fidel

Cervantes

Chaucer, Geoffrey

Chávez, Hugo

Chomsky, Noam

Chossudovsky, Michel

Cícero

Clarke, Arthur C.

Clausewit, Carl Von

Cleyre, Voltairine de

Cossery, Albert

Couto, Mia

D

Damásio, António

Dawkins, Richard

Debord, Guy

Deleuze, Gilles

Descartes, René

Dickens, Charles

Diderot, Denis

Dinis, Júlio

Dostoiévski, Fiódor

Doyle, Arthur Conan

E

Eco, Umberto

Engels, Friedrich

Epicteto

Epicuro

Espanca, Florbela

Ésquilo

Euclides

Eurípedes

F

Fernandes, Florestan

Ferrer, Christian

Foucault, Michel

Freud, Sigmund

G

Gaddafi, Muammar Al

Galeano, Eduardo

Galileu

Ganser, Daniel

García, Luis Britto

Garret, Almeida

Gaspari, Elio

Gerasa, Nicómaco de

Giddens, Anthony

Goldman, Emma

Gori, Pietro

Gramsci, Antonio

Greenwald, Glenn

Guardia, Francesc Ferrer I

Guérin, Daniel

Guevara, Ernesto "Che"

Guimarães, Bernardo

H

Harvey, David

Hawking, Stephen

Hegel, Georg Wilhelm Friedrich

Herculano, Alexandre

Heródoto

Hitchens, Christopher

Hobbes, Thomas

Hobsbawm, Eric J.

Homero

Horácio

Huxley, Aldous

I

Illich, Ivan

J

Jr, Caio Prado

Jung, Carl C.

Junqueiro, Guerra

K

Kant, Immanuel

Kassick & Kassick

Kempis, Tomás de

Kierkegaard, Søren

Klein, Naomi

Kropotkin, Piotr

L

Lefebvre, Henri

Lenine, Vladimir Ilich

Lívio, Tito

Lucrécio

Luxemburgo, Rosa

M

Maimônides, Moisés

Malatesta, Errico

Malraux, André

Mao-Tsé-Tung

Maquiavel, Nicolau

Marcos, subcomandante

Mariátegui, José Carlos

Marighella, Carlos

Márquez, Gabriel García

Martí, José

Marx, Karl

Maximoff, Gregori

Mészáros, István

Meyssan, Thierry

Montaigne, Michel de

Montesquieu, Charles-Louis

Moore, Thomas

Moraes, Reinaldo

Moraes, Vinicius de

N

Nietzsche

O

Orwell, George

Ovídio

P

Pepetela

Pereira, Ricardo Araújo

Perkins, John

Pessoa, Fernando

Platão

Plotino

Plutarco

Pouget, Émile

Proudhon, Pierre Joseph

Proust, Marcel

Puente, Isaak

Q

Queirós, Eça de

Quintiliano

R

Ramonet, Ignacio

Raymond, Eric S.

Read, Herbert

Reclus, Élisée

Rocha, Glauber

Rocker, Rudolf

Rodrigues, Edgar

Romano, Vicente

Rosa, João Guimarães

Rousseau, Jean-Jacques

Russel, Bertrand

S

Sá-Carneiro, Mário de

Sade, Marquês de

Saga de Njáll o Queimado

Sagan, Carl

Said, Edward

Santos, Boaventura de Sousa

Santos, Milton

Santos, Theotónio dos

Saramago, José

Sartre, Jean-Paul

Schopenhauer, Arthur

Seymour, John

Smith, Adam

Skinner, B. F.

Sófocles

Stallman, Richard M.

Stirner, Max

Sun-Tzu

T

Tácito

Thoreau, Henry David

Tocqueville, Alexis de

Tolstoi

Trotsky, Leon

Trumbo, Dalton

Tucídides

V

Vasco, Neno

Verde, Cesário

Vicente, Gil

Vieira, José Luandino

Virgílio

Vivó, Raúl Valdés

Voltaire

W

Woodcock, George

X

X, Malcom

Colecções

em 90 minutos

 

 

Documentos

Constituição da República Bolivariana da Venezuela

 

Constituição da República Portuguesa

 

TTIP Agreement

 

Project for the new American century

 

 

Temas Especiais

Dossiê VENEZUELA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Resumo do conflito sírio - parte 4, por Luís Garcia

 

 

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Luís Garcia POLITICA 

 

Organigrama do conflito

Formato Original  Formato Reduzido

 

ISIS ou Estado Islâmico

Eu que não gosto muito siglas, ainda assim, prefiro tratar o ISIS por ISIS, pois usar a sigla distancia o nome usado (ISIS) das mentiras que nos querem fazer acreditar sobre o ISIS. Com isto quero dizer que não consigo chamar Estado Islâmico a uma organização terrorista criada pelos EUA e que não é nem um estado nem é islâmica. Tretas do género só servem a tretas de media que ao usar o termo "estado" acreditam poder fazer sobre o ISIS referências e análises típicas de "estados" e não de "organizações terroristas". Poder podem, mas é prostituição e propaganda pura. Por entre toda essa javardice jornalística sobre o ISIS encontram-se análises ao Produto Interno Bruto (PIB), às fontes de rendimento e à colecta de impostos, com detalhes grotescos do género "para compensar a diminuição da venda de petróleo, o Estado Islâmico aumenta as multas por não cumprimento da xaria", imagine-se! Que grandessíssima anedota para ovelha ler. Pois é, dá muito jeito falar de forma eufemista sobre o ISIS, e acrescentar detalhes afogados em eufemismo. É que assim evita-se falar das questões pertinentes:

  • Como conseguem o ISIS ter comunicações móveis e internet no território que roubou à Síria? Simples, várias empresas francesas fazem-no, a troco de dinheiro, claro está. Fornecem cobertura à rede móvel e internet por telemóvel e por satélite. As empresas envolvidas defendem-se alegando que é difícil saber ao certo a quem vendem os seus produtos. Treta, pois na Síria de al-Assad, pelo contrário, o criminoso embargo ocidental torna muito difícil o uso de comunicações digitais nesse país.
  • Como se financiam? Raros são os media ocidentais vendidos que se referem às antiguidades roubadas, mas é um facto que elas aparecem à venda na Europa e EUA. Muitos falam da extracção de petróleo do ISIS mas enterram-se à bruta quando se metem a falar de "mercado negro". Mas qual "mercado negro", então e embargos/sanções? Eu explico-me. Primeiro, petróleo, pela sua natureza e pelo volume consumido, não é coisa que ande no bolso ou que se esconda num caixote por baixo do banco do carro. Não existe mercado negro de petróleo e quem diz o contrário deveria suicidar-se de tão infinitamente absurdo ser o disparate proferido. Não é possível existir mercado negro de petróleo nas condições que nos querem fazer crer os media prostituídos. Então poderosos estados modernos como a Rússia ou o Irão sofrem enormes danos económicos quando se apanham na guerra económica e ilegal dos embargos e sanções ocidentais... e o ISIS, por magia, despacha petróleo por debaixo da manga, ora essa! Não, não e não! Pelo contrário, o roubo de petróleo pelo ISIS à Síria é óbvio, escandalosamente óbvio e bem documentado. A Força Aérea da Rússia disponibiliza gigabites de dados na forma de fotografias e vídeos aéreos de alta resolução. É claro e óbvio que o petróleo roubado é (era) levado em camiões cisterna turcos até à costa do sudeste da Turquia. É claro e comprovado que o petróleo é (era) carregado em petroleiros aí estacionados. É claro e comprovado que depois de cheios seguem (seguiam) para Israel e para Itália. Quem em Israel e na Europa paga por esse petróleo vindo do sudeste da Turquia só não sabe a origem do petróleo se não quiser, pelos factos que acabei de referir e pela possibilidade de análise química e comparação desse petróleo com amostras de petróleo dos locais de onde seria suposto vir (Arábia Saudita, Irão, etc,). Na Europa consumimos petróleo do ISIS e as empresas energéticas privadas sabem-no muito bem. Se não fossemos nós europeus (quase totalmente) uma massa amorfa de ovelhas consumistas adormecidas, seria bem fácil, pelo poder das leis vigentes, obrigar os nossos governantes e as empresas europeias privadas a tornar público tudo o que sabem, assim como poderíamos julgá-los por todos os crimes dos quais são actores ou cúmplices.  
  • Como conseguem obter armamento? Os media prostituídos dizem que o conseguem graças à venda de petróleo. Sim, mas compram onde e a quem com esse dinheiro ilegal? Ninguém parece ter resposta, é demasiado difícil explicar como é que o ISIS consegue obter o mais moderno equipamento militar produzido nos EUA e na Europa!  Por supostos erros dos EUA, por supostos erros dos aliados dos EUA, por ajudas dos aliados dos EUA ao ISIS, e por aí fora... já lá iremos.
  • Qual a origem dos seus combatentes? Já escrevi na parte 3, e insisto, que o ISIS começou com a transformação em mercenários terroristas de polícias e militares iraquianos (uma grande percentagem deles cristãos) despedidos no tempo de Saddam Hussein por ordens de George Bush. Depois estendeu-se num recrutamento mundial de cidadãos de mais de 100 estados, sobretudo em países como a França onde se joga um perverso jogo duplo: não se ouve as vozes de franceses árabes laicos e de franceses muçulmanos sensatos (Bassan Tahhan é um excelente exemplo), queixando-se às autoridades sobre a propaganda terrorista implementada desde as mesquitas francesas e financiadas por estados bárbaros como a Arábia Saudita e o Catar. Mas fazer o quê, em França (como nos EUA) a elite prefere deixar-se comprar por esses árabes da península arábica, permitem que se compre equipas de futebol como o PSG e votam para a realização de mundiais de futebol onde comprovadamente se pratica escravatura (Catar 2022). Interessa é ver milhões em contas pessoais perdidas em paraísos fiscais. E viram a cara aos factos, a meio caminho entre corrupção descarada e consentimento de terrorismo dentro das suas fronteiras. Depois, quando ocorrem atentados em França sobre circunstâncias absurdas e mal contadas, por muita boa vontade que eu tenha para tentar não acreditar em teorias da conspiração incriminando as autoridades francesas, não deixo contudo de notar que a França, em vez de emendar o erro e começar a combater o que acima indiquei, prefere bombardear de forma absolutamente ilegal e criminosa... a Síria, pois claro! A culpa do terrorismo em França... é das vítimas do terrorismo na Síria, ora essa!!!, mesmo sabendo que o terrorismo na Síria é produzido pela NATO da qual a França faz parte, mesmo sabendo que a França de forma oficial fornece dezenas de milhões de euros aos criminosos terroristas que apelida de "rebeldes", mesmo sabendo que desses "rebeldes" faz parte a al-Qaeda que ainda hoje é oficialmente inimiga das forças francesas no Afeganistão, mesmo sabendo que se encontram por entre os prisioneiros de guerra do estado sírio muitos militares franceses! E por aí fora!

 

De onde veio o ISIS?

Segundo Barack Obama (Barack Bush é o nome mais apropriado), "foi a opressão de al-Assad sobre o seu povo que ajudou ao crescimento do ISIS dentro do seu país"! Como assim, que fórmula mágica é essa: mistura-se um "ditador sanguinário" com um povo descontente protestando na forma de cânticos e cartazes, adiciona-se um pouco de água morna e... zás, começam a cair de para-quedas (literalmente) munições, equipamento de guerra e terroristas para ajudar a destronar al-Assad e destruir por completo o país! Ganhai juízo, não quem profere disparates do género, mas quem neles acredita!

 

A realidade é bem diferente dessa obamiana baboseira. Foram os EUA e alguns dos seus aliados europeus e do golfo que criaram o ISIS, que organizaram o seu treino por entre o Afeganistão, o Kosovo ou Turquia e que para destronar al-Assad o exportaram para a Síria. Quem não acredita em tal acusação e que ao mesmo tempo acredita na omnipotência das Forças Armadas dos EUA que me venha aqui explicar como é que em 2014, dezenas de milhares de homens armados (terroristas do ISIS) atravessaram centenas de quilómetros pelo mais que plano deserto que separa o Iraque da Síria sem que essas omnipotentes, omnipresentes e omniscientes forças armadas gringas estabelecidas no Iraque ocupado tenham visto nada, e muito menos reagido? Como é possível que as mais poderosas forças armadas de sempre não tenham podido fazer a missão mais fácil de sempre: detectar milhares de homens e jipes atravessando um deserto sem abrigos nem meios de camuflagem, alvos demasiado fáceis para um aniquilador ataque aéreo facílimo de realizar e do qual ninguém sairia vivo? Os EUA despejaram mais bombas sobre o Laos do que todas as bombas usadas na Segunda Grande Guerra Mundial, e fizeram-no limpando do mapa florestas, cidades e aldeias, numa complicada cadeia montanhosa, com o absurdo objectivo de cortar o abastecimento às tropas comunistas do Vietname. E não podiam ter gasto 0,00000001% dessas bombas para mandar ao ar um bando de trogloditas conduzindo jipes sobre a areia de um deserto! Para quem acredita que os EUA combatem de verdade o ISIS, só tenho uma resposta: méééééé´!

 

Para os outros, aconselho-vos a ler o livro de John Perkins intitulado Confessions Of An Economic Hitman. Perkins, com o conhecimento de um reformado que já realizou o mesmo tipo de trabalho por ele descrito, resume muito bem os 3 modelos do processo norte-americano de destruir governos de países não-submissos ao seu imperialismo económico. Num primeiro momento enviam-se economic hitmen, como ele próprio, com o objectivo de corromper os governantes do país alvo. Se se falha, passa-se para o modelo seguinte: fazer desaparecer de doença, de acidente aéreo ou de golpe popular pacífico/violento o chefe de estado incorruptível. Se tudo falha, passa-se ao terceiro modelo: a intervenção militar (a guerra). Existem dezenas de exemplos perfeitos de países para cada um dos 3 modelos, mas destaco o Iraque de Saddam Hussein por ter passado pelos 3! Ora, voltando aos terroristas do tema deste artigo, o ISIS encontra-se algures entre o 2 e 3 modelo e faz parte da doutrina de guerra por procuração (guerra de proxy) que os EUA tanto tem usado desde que as guerras directas de George Bush queimaram o pouco que sobrava de positivo na imagem dos EUA. Mais precisamente, o ISIS encontra-se a meio caminho entre a guerra civil provocada por fora e a intervenção militar directa pois, se por um lado os EUA alimenta o ISIS da mesma forma que alimentou revoluções armadas por esse mundo fora (Chile 1973, por exemplo), por outro, ao invadir com organizações e homens que não são, não se dizem nem sem sentem membros do país invadido (ISIS), os EUA de facto faz a guerra contra esse país, não com o seu exército regular, mas antes com o seu irregular exército de mercenários (ISIS). O resultado, para os sírios, é sensivelmente o mesmo.

 

Armamento do ISIS

Se a entrada do ISIS começou pelo deserto sírio-iraquiano em 2014, desde lá até hoje, a maior parte dos mercenários do ISIS entraram na Síria pela fronteira que esta tem com a NATO: a Turquia. O resto entrou pela Jordânia e Israel. Como é possível que esse países tenho permitido? Ahahaha, aí está, bela pergunta. Imagens/vídeos aéreos e terrestres de mercenários do ISIS andando de trás para a frente entre Turquia e Síria é coisa que não falta. Assim como os que provam o trabalho conjunto entre ISIS e Forças Armadas da Turquia (NATO). Também não falta turcos presos em prisões turcas por terem tornado públicas provas sobre o facto.

 

Forças Armadas Turcas e ISIS colaborando entre si

 

Quanto ao armamento, que durante 2 anos parecia chover em favor do ISIS, e deixando de parte as questões económicas da treta, podemos falar de 4 modalidades de recepção de armamento:

 

1 - pela Turquia, mais uma vez, de onde também entravam mercenários e por onde saíam todos os artefactos e petróleo roubados, e onde se encontravam vários campos de treinos e depósitos de armamento destinado ao ISIS. Detalhe muito interessante, a "guerra civil" na Síria começou em 2011, o ISIS entrou em jogo em 2013, mas os túneis secretos mais antigos (na fronteira turco-síria) usados pelo ISIS/Turquia para fazer entrar discretamente armamento na Síria... datam de 2007. Hein?

2 - por "erros" da Força Aérea dos EUA que vezes sem conta largou de para-quedas armamento, munições, comida e medicamentos sobre território controlado pelo ISIS, "acreditando", os coitadinhos dos gringos, se tratar de territórios dos santos rebeldes ou dos santos curdos. Méééé!

3 - por prendas dos seus altruístas compadres da Oposição Síria, nomeadamente a al-Nusra (al-Qaeda, sim, criação norte-americana) que umas vezes são amigos e aliados e outras vezes são inimigos no campo de batalha. Já lá irei a esta tremenda contradição.

4 - o mágico deserto onde rezas se materializam em materiais necessários caídos do céu... ahahahah!

 

Aliados do ISIS

Em primeiro lugar, há que decidir se o ISIS é uma organização ou várias. Segundo o Pentágono e até mesmo os supostos líderes do ISIS, este subdivide-se em inúmeros grupos. Decidi contudo não os incluir no organigrama (confusão a mais que não vale a pena) pois representam todos o mesmo: mercenários pagos, lobotimizados com ideologias de morte, caos e horror, prontos a fazer eclodir a barbárie onde quer que os seus patrões decidam. Abri uma excepção para o Fateh al-Islam no organigrama, pois é um exemplo perfeito de interligação entre ISIS e a assim chamada "Oposição Síria": Já lá irei.

ISIS Fatah al-Islam

De uma forma muito resumida, demos uma olhada agora aos aliados, da direita para a esquerda como aparecem no organigrama:

 

OPOSIÇÃO SÍRIA: - por entre a miríade de grupos, subgrupos e sub-subgrupos que compõem essa rede maquievélica de caos e destruição, há quem se declare oficialmente inimigo do ISIS e quem se considere oficialmente aliado, mesmo que de forma não oficial sejam o oposto de uma ou outra coisa ou as 2 ao mesmo tempo. Mas para não nos perderemos na análise desta orwelliana rede que foi feita de forma a que nos percamos ao a analisar, peguemos num exemplo concreto: a Fateh al-Islam encontra-se no nordeste do Líbano, junto à fronteira com a Síria, onde é conhecida como um sub-grupo do ISIS composto por palestinianos. Sim, palestinianos, apenas umas centenas, mas é triste vê-los enrolados nesta escumalha de criminosos ao mesmo tempo que quase todas as forças de auto-determinação do povo palestiniano se batem lado a lado com sírios e russos pela libertação da Síria. Enfim! Por outro lado, este mesmo Fateh al-Islam, do lado sírio da fronteira, é reconhecido pelo al-Qaeda (que na Síria se chamava al-Nusra e desde há 2 meses se chama Fateh al-Sham) como seu membro/aliado. Dentro da Síria, a al-Qaeda (al-Nusra) é reconhecida por parte da Oposição Síria como uma força sua integrante. Em resumo, a Fateh al-Islam é um braço do ISIS (no Líbano) que na Síria é membro da Oposição Síria, que por sua vez é apoiada pelo EUA e NATO... Mais, se assistirem ao primeiro vídeo no topo deste artigo, podem constatar como para membros da Oposição Síria, o ISIS é uma organização que, "embora cometa erros como toda a gente", está ao lado dos seus "irmãos" da Oposição Síria na "luta contra o regime de al-Assad". Declarações do género é coisa que abunda...

 

TURQUIA - Patrocinador principal até à pouco, por onde tudo entrava e saia, sob as ordens do EUA, como já aqui foi dito várias vezes. Depois do golpe falhado dos EUA contra Erdogan, a Turquia passou oficialmente a combater o ISIS. Uma grande treta, pois o que o planeta inteiro não conseguiu (Síria e aliados) ou não quis conseguir (EUA e aliados) destruir em 2 anos, a Turquia despacha em 2 semanas, conquistando todo o território do ISIS no norte da Síria quase sem baixas, quase sem percas de equipamento, sem planeamento, por ali a dentro feitos rambos, e corre tudo às mil maravilhas. É preciso ser muito imbecil para ir nessa conversa dos media ocidentais. Eu acredito antes, embora sem factos que o provem, mas com toda a lógica, que a Turquia esteja simplesmente ordenando a saída ordenada do ISIS do norte da Síria, devido aos compromissos com a Rússia (ver partes anteriores) e que estes ilógicos ataques não passam de encenação e mentiras contadas nos media. O facto é que em poucos dias o ISIS saiu do norte da Síria perdeu todas as ligações ao mundo exterior, encontra-se cercado por FDS, Sírios, Iraquianos e Oposição Síria, e tem claramente os dias contados... na Síria. Fora da Síria veremos, pois se a Turquia empacota o ISIS e tira-o da Síria, para algum lado deverá estar planeando levá-lo... a pedido da Irmandade Muçulmana, por exemplo! Enfim... tema para um outro artigo.

 

IRMANDADE MUÇULMANA, CATAR E ARÁBIA SAUDITA - Arábia Saudita e Catar são os financiadores da Irmandade Muçulmana, essa organização fundamentalista da idade das trevas criadas há quase sem anos com a ajuda dos EUA e que sempre teve como principal função a substituição do pensamento político moderno e laico nos países árabes, de forma a substitui-lo pelas ideias obscurantistas wahabistas e takfiristas que deveriam reinar pela força e pela violência em prol dos interesses económicos dos EUA e seus vassalos da península arábica. Este será tema de uma próxima parte. Por agora apenas adiciono que Irmandade Muçulmana e estados seus patrocinadores estão profundamente envolvidos quer no ISIS quer nas forças que compõem a Oposição Síria, não o escondem, e são de fácil acesso os dados que documentam a ajuda que prestam em armamento e financiamento. Por outro lado, enquanto membros da Coligação Pró-Oposição (caixa cinzenta à esquerda no organigrama), oficialmente, o Catar e a Arábia saudita também combatem o ISIS. Mééé.

 

ISRAEL - Ahhh, esse osso duro de roer. Ao longo destes 2 anos várias vezes foram tornadas públicas notícias com fotos e vídeos de membros do ISIS (igual para a al-Qaeda, mas essa fica para outro artigo) feridos sendo assistidos em hospitais israelitas. Há meses o senhor Benjamin Netaniu teve o desplante (ainda bem) de insinuar, a propósito dos ataques do ISIS às forças legítimas de al-Assad, que o inimigo (ISIS) do seu inimigo (Síria) acaba por ser seu aliado. Por fim temos as actividades concretas da Força Aérea de Israel que, ao atacar as Forças Armadas da Síria de forma sincronizada com os ataques por terra do ISIS às Forças Armadas da Síria, vezes sem conta, não tem como se defender da acusação óbvia e evidente da parceria Israel-ISIS. Aliás, ninguém se espanta que uma organização terrorista que se diz Estado Islâmico e que é suposto odiar judeus, pelo contrário, mata, tortura, escraviza, bombardeia milhões de árabes, e nunca atirou um pedra sequer contra Israel, ali mesmo no meio de toda a confusão? Mééééé.... Mas enfim, oficialmente Israel aparece na lista dos inimigos do ISIS e não dos aliados. Méééé....

 

COLIGAÇÃO PRÓ OPOSIÇÃO-SÍRIA - Agora vamos à verdadeira anedota. Esta coligação de colaboradores estreitos do ISIS (Turquia, Arábia Saudita, Catar, etc,) com França, Reino Unido e EUA (países que patrocinam tudo o que se mexe contra al-Assad na Síria), diz ser uma coligação que apoia o conjunto das forças componentes da Oposição Síria... não digo que não, pois esses grupos terroristas que dão pelo nome conjunto de Oposição Síria combatem desde há 5 anos o estado Sírio. Agora quando me dizem que esta salada absurda também luta junto à Oposição contra o ISIS... ahhh, só dá para rir, depois de tudo o que já aqui foi dito. Mas façamos um esforço, não com todos, mas apenas com um membro: os EUA:

 

EUA - Pois, os EUA de forma metódica tem apoiado (ilegalmente, sem um mandato da ONU nem autorização do governo da soberana Síria) de forma constante a Oposição Síria (OP) e as forças curdas (Forças Democráticas Sírias ou FDS) contra o ISIS. É um facto comprovado, tudo bem, o problema são outros 2 factos. É que, se por um lado nas fronteiras do ISIS com a OP e as FDS os EUA bombardeia e ataca o ISIS de forma a proteger aqueles, por outro lado, nas fronteiras entre ISIS e as Forças Armadas da Síria (de al-Assad), as forças aéreas de EUA e seus vassalos ocidentais destroem sistematicamente as defesas de al-Assad em sincronia com assaltos terrestres do ISIS às forças de Al-Assad. Ou seja, o ISIS é um aliado dos EUA porque é usado por este como força descerebrada descartável na conquista indirecta de terreno por parte da OP e FDS contra as Forças Armadas da Síria (de al-Assad). Ao contrário não funciona, os EUA não é aliado do ISIS, o EUA é simultaneamente aliado e inimigo do ISIS nesse jogo de roubo indirecto de território sírio. O vil massacre de 80 soldados sírios em Deir ez-Zor esta semana por parte das forças aéreas dos EUA, Austrália e Dinamarca são o mais recente e mais perfeito exemplo do que acabei de dizer. Já lá iremos hoje, no fim deste artigo.

 

Inimigos do ISIS

Não vou repetir o que disse sobre aqueles que são simultaneamente aliados e inimigos do ISIS (quase todos), portanto vamos directo aos inimigos que sobram, o que é muito simples.

 

LÍBANO - O Líbano encontra-se ocupado a nordeste pelo ISIS, ou pelo Fateh al-Islam, para ser mais preciso (e que também é al-Qaeda), e é uma vítima indirecta do conflito sírio pois suporta o peso económico e social de 1,2 milhões de refugiados sírios, uma cifra enorme comparada com a sua população de 4 milhões. E não recebe ajuda nenhuma da União europeia, ao contrário da Turquia de Erdogan. O Líbano, país pequeno e destroçado pelo colonialismo bélico de Israel, é deixado ao abandono, tendo a sua população que optar entre passar fome ou deixar refugiados sírios passar fome. A Turquia, patrocinadora de ISIS, de campos de treinos de terroristas, de roubo de petróleo, de tráfego de mulheres e crianças sírias, etc., essa, apesar de dezenas de vezes maior que o Líbano e de ter uma população de 75 milhões de habitantes, recebe da União Europeia 3.000 milhões de euros anuais "para os refugiados sírios", em troca do ilegal compromisso de receber de volta os refugiados sírios que empurrou à força da Turquia para a Europa em 2014. Triste Europa, continente do desumanismo e da hipocrisia...

Líbano 

FORÇAS DEMOCRÁTICAS SÍRIAS (FDS) - Apesar de não vir na lista de aliados do ISIS, já foi tudo dito, o ISIS é o utensílio descartável dos EUA que serve de inimigo real dos curdos (FDS) na conquista de terreno do ISIS na Síria, terreno esses anteriormente roubado pelo ISIS ao estado sírio. É que, se não é possível, de forma alguma, limpar mediaticamente a imagem do ISIS para que se possa perpetuar o ISIS como um novo estado reconhecido internacionalmente e instalado em território roubado à Síria, por outro lado, um Curdistão Sírio (produto que já anda a ser vendido nos media ocidentais) independente e reconhecido internacionalmente em terras roubadas à Síria (directamente, ou indirectamente através da conquista contra o ISIS daquilo que o ISIS tirou à Síria), é o logro mais fácil de vender ao mundo ocidental pseudo-humanista atordoado e adormecido. Aliás, soa super bem, super cool, um estado dos coitadinhos curdos, mesmo que os coitadinhos dos curdos não sejam coitados ali (na Síria) e antes na Turquia (que é país membro da NATO). Não interessa, é lá para esse lados, é tudo igual, não é? Não, não é, e quem seria roubada, a ser realizado este perverso plano dos EUA, seria, uma vez mais, a Síria, como foi hábito no século XX. E como é fácil vender o produto curdos coitadinhos quando se vende também, como monstro anti-curdos, o sanguinário al-Assad. Mééééé.... E quem ganharia com o roubo? EUA, claro está, criando esse estado fantoche por onde passar possíveis oleodutos ou gasodutos, os tais "interesses nacionais" privados dos EUA!

 

OPOSIÇÃO SÍRIA - mais ou menos a mesma história que o parágrafo acima, sem contudo esquecer que parte da Oposição Síria é aliada do ISIS na luta contra as Forças Armadas da Síria

 

IRAQUE - Tal como a Síria, o Iraque é vítima do terrorismo do ISIS. Mais, o embrião do ISIS começou ai mesmo em 2003, com a queda do governo de Saddam Hussein. Se na Síria o objectivo dos EUA é usar o ISIS para destronar al-Assad e tornar aquele país na mais recente conquista do imperialismo norte-americano, no Iraque, já conquistado, o objectivo é usar o ISIS (sunita) como força desestabilizadora do governo iraquiano xiita eleito pela maioria xiita pró-Irão e anti-EUA. É no que dá exportar democracia à americana. Para quem duvida do apoio dos EUA ao ISIS, vejam o que se passou esta semana no Iraque, quando a Força Aérea do EUA bombardeou (por "engano", pois claro) forças iraquianas aliadas do governo iraquiano na luta contra o ISIS: de forma ostensivamente coordenada, após os bombardeamentos dos EUA sobre as forças iraquianas, veio um ataque por terra do ISIS contras as forças iraquianas. Só não vê o óbvio quem não quer!

 

SÍRIA - Quem diz Síria diz também todos os seus aliados que combatem activamente do seu lado: Rússia, Irão e Forças Palestinas. Síria e aliados combatem de forma coerente e legítima todas as forças terroristas invasoras que ameaçam a sua integridade e a sua soberania, ISIS incluído, nesta guerra desonesta dos EUA contra uma Síria que se recusou assinar em 2009 o projecto de uma gasoduto norte-americano, uma Síria que ousou assinar em 2011 um projecto de gasoduto concorrente russo-iraniano. De resto já tudo foi dito da guerra entre ISIS e Síria nas partes anteriores.

 

Acontecimentos recentes

Há 3 dias atrás (17 de Setembro, os EUA (e seus vassalos Reino Unido, Austrália e Dinamarca) bombardearam posições das Forças Armadas da Síria, matando mais de 90 militares sírios e ferindo 120. Os EUA, que num primeiro momento negaram que tal tivesse acontecido, vieram depois admitir que o fizeram, defendendo contudo que esse "incidente" tinha sido "um erro acidental". Vamos ver se faz sentido.

 

Primeiro, o momento em que ocorreu, quando as Forças Armadas da Síria e da Rússia avançam rapidamente na reconquista do território sírio, mostram que os EUA, irritados pelo desenrolar dos acontecimentos, decidiram pôr um criminoso travão!

 

Segundo, parece desespero dos EUA por ver-lhes fugir a conquista da Síria após 5 anos de guerra suja, mas fazer o quê? Convidar a Rússia a deflagrar um conflito nuclear mundial? Neste últimos 3 anos de conflitos na Síria e Ucrânia por várias vezes os EUA estenderam esse genocida convite, mas a Rússia nunca cairá em tal. Pelo contrário, os EUA, se querem guerra nuclear e aniquilação total, vão ter de tomar a iniciativa. E sim, vai tomando iniciativas como esta dos 90 soldados sírios mortos. Felizmente, os sensatos russos (russos esses que os nossos media nos vendem como demoníacos e tresloucados invasores) reagem com calma, apesar dos mortos. Sabem que, apesar da injustiça, é melhor não reagir com violência e cair na armadilha pois têm a plena consciência que numa guerra nuclear perdem todos. Parece que só a elite político-militar dos EUA é que não receia aniquilação nuclear total, vá-se lá perceber!

 

De qualquer modo, e pela sua dimensão, os ataques aéreos de há 3 dias já são um deflagrar de conflito aberto entre os EUA e Síria, provando bem à ovelhada que nunca houve guerra civil síria, antes uma guerra de procuração EUA-Síria que agora vai descaindo para uma directa. Não? Veja-se então também as várias bases militares norte-americanas em território sírio, até à pouco mantidas secretas e, de qualquer forma, completamente ilegais? Quando um pais instala bases militares no território de outro país contra a vontade do segundo, não estamos a falar de guerra? E quando dessa base saem aviões e homens em missões militares sem o consentimento do estado ocupado não é guerra? E, sobretudo, quando essas missões resultam no bombardeamento e morte das forças armadas do país ilegalmente ocupado não é guerra? Mas já imaginaram esta história ao contrário? Uma base militar síria ilegal, em território dos EUA, bombardeando e matando militares dos EUA, como forma de apoio às revoltas dos 99% ou dos Black Lives Matter! Como é possível que, vindo dos EUA , toda a ilegalidade e barbárie é aceite pela ovelhada lobotimizada por esse mundo fora? Que vergonha de humanidade zombie!!

 

Terceiro, a perfeita sincronia entre EUA e o ataque terrestre do ISIS, como já aconteceu por inúmeras vezes durante a guerra na Síria. As Forças Aéreas dos EUA atacaram (por “erro”) as Forças Sírias, abrindo caminho ao ataque por terra do ISIS contra os sírios desorganizados, feridos ou mortos pelos ataques aéreos. É um exemplo clássico de guerra convencional na qual primeiro se ataca por ar (EUA como Força Aérea do ISIS) e depois avança-se por terra (ISIS). Só não vê o óbvio quem não quer!

 

Quarto, o padrão de comportamento dos EUA é: atacar ISIS perto do FDS (curdos+NATO) e da Oposição Síria, de forma a ajudá-los a conquistar território ao ISIS enquanto que, por outro lado, apoia o ISIS com ataques aéreos às Forças Armadas da Síria, de forma a que esta última perca território. Sem FDS nem Oposição Síria por perto, prestes a conquistar algo ao ISIS, estes ataques aéreos oficialmente “contra o ISIS” embora “falhados” não encaixam no padrão. Não dá portanto para acreditar na versão de norte-americana de “erro” quando nem sequer era suposto terem ali existido bombardeamentos.

 

"[o ISIS[ e o Exército Sírio têm estado envolvidos em combates na região por muito tempo. Os EUA nunca intervieram para evitar que o ISIS se expandisse para ocidente, por exemplo quando ele tomaram Palmira no ano passado. Então este é um passo muito inesperado e parece deliberado" (Tim Anderson)

 

Quinto, o EUA nunca realizou ataques ao ISIS em colaboração com a Síria, pois claro que não, uma vez que tal acto resultaria contrário aos seus interesses que é fazer recuar os sírios. Os EUA nunca ajudou nem os ajudará a Síria a conquistar terrenos ao ISIS com apoios aéreos, pois claro que não! Não faz nem faria sentido nenhum. Mas sendo assim, como se explica que os EUA executem ataques ao ISIS tão longe das posições dos curdos, da NATO ou da Oposição Síria (veja o mapa abaixo). Por que razão haveriam de gastar bombas num zona longínqua onde apenas se encontram ISIS e sírios, se o alvo (supostamente falhado) fosse deveras o ISIS?  Não faz sentido. O alvo não era o ISIS.

 

Der ez-Zor na Síria

 

Sexto, não é possível que os EUA bombardeiem o que quer que seja por erro, sendo a mais sofisticada máquina de guerra de sempre na história da humanidade. Qualquer militar honesto poderia explicar como são absurdos está estórias para entreter massas lobotimizadas pela televisão!. Não é possível porque é demasiado fácil saber onde se encontram ISIS e sírios, porque os EUA não tinha nada de lógico ou estratégico para fazer ali, e porque, como Putin e Lavrov levam mais de 1 ano insistindo, só não há coordenação porque os EUA sempre recusaram colaborar com o “sanguinário” al-Assad ou quem quer que seja seu aliado. E se recusam não podem queixar-se de não saber onde estão sírios e russos, e se não sabem o melhor é não arriscar bombardear às cegas, sobretudo quando se encontram ilegalmente na Síria, sobretudo quando bombardeiam o território desse estado soberano em completa ilegalidade! E mais, é ridículo querem fazer crer ao mundo que não conseguem distinguir zonas controladas por sírios de zonas controladas pelo ISIS quando tal informação é do conhecimento público e actualizada diariamente na internet:

 

D Z 1.jpg

 

Sétimo, os ataques aéreos ocorreram sobre o aeroporto de Deir ez-Zor que foi conquistado há vários meses pelos sírios. Como é possível que não saibam tal facto tão bem documentado online? Esse aeroporto está repleto de aviões de guerra sírios, que não podem ser confundidos com aviões de guerra da força aérea do ISIS porque o ISIS não tem nem força aérea nem resmas de aviões! E pior, o aeroporto de Deir ez-Zor encontra-se rodeado por uma zona plana e vazia, não havendo forma de confundir sírios com membros do ISIS. Seria possível se estivéssemos antes a falar de uma zona urbana densa e complexa! Mas não, insisto, estamos a falar de deserto plano! Vejam:

 

D Z 2.jpg

 

Veja-se também este vídeo no qual o jornalista Rafael Araya Masr,i em menos de três minutos, faz um excelente resumo não só deste última agressão dos EUA à Síria, como um magnífico resumo de todo o conflito.

 

 

À parte

O cessar fogo foi quebrado graças a estes ataques absurdos dos EUA e, de qualquer modo, um dos principais objectivos do cessar fogo não tem podido ser implementado graças ao desrespeito da Oposição Síria sobre o que tinha sido acordado. Tinha sido acordada a criação de uma zona neutra no norte de Aleppo por onde entrar ajuda humanitária aos civis que habitam uma zona dessa cidade ocupada pela "oposição" e completamente cercada por sírios e russos. A Síria, como acordado, retirou-se da Estrada do Castelo recém-conquistada, enquanto que a Oposição Síria não só não se retirou das imediações como invadiu de novo o que a Síria tinha libertado como zona neutra. Resultado: os camiões da ONU com ajuda humanitária continuam estacionados na Turquia à espera de ordens, os civis sírios habitando nas zonas controladas pela terrorista Oposição Síria vão morrendo de forme e o Ocidente continua a sua vergonhosa ladainha mediática de Assad e Putin bárbaros sanguinários que tudo fazem pela perpetuação da barbárie e nada pela restauração da paz.  

 

Com esta brincadeira, nem cessar-fogos quanto mais acordos de paz entre EUA e Rússia. A única paz que os EUA deseja é uma paz podre, a paz de uma Síria subjugada, submissa e obediente aos "interesses nacionais"  económico-energéticos dos EUA, o que não vai acontecer enquanto houver Rússia. Portanto, os EUA que tanto falam de acordos de paz, não procuram paz, procuram estados vassalos. E com as obscenas propostas de paz que propoem, quem é que fará acordos com os brincalhões dos gringos, hein? Então não é que, no mais recente acordo de paz proposto à Rússia, e que fallhou por recusa russa, os gringos incluiam, como uma das condições para a paz na Síria, que a Rússia oficialmente reconhecesse a al-Nusra (al-Qaeda na Siria) como uma orgão membro da Oposição Síria moderada e não mais a rotulasse de organização terrorista? Que brincalhões, não, depois da treta do 911 pegaram fogo a meio planeta com a desculpa de caça à bruxa da al-Qaeda, e afinal a bruxa al-Qaeda na Síria é "oposição moderada" e nao bruxa, que grandes brincalhões, não!

  

E uma das maiores brincalhonas gringas é a palhaça rica Samantha Power, embaixadora dos EUA na ONU. Essa então mostrou-se super ofendida com a exigência russa de reunir de emergência o Conselho de Segurança da ONU em reacção ao insignificante e banal bombardeamento norte-americano. Tão brincalhona que se deu ao luxo de desvalorizar at+e mais não o criminoso e ilegal acto dos EUA, tão brincalhona que perante factos graves cometidos pelos EUA, se pôs a tergiversar sobre mitos e lendas de ataques russos a campos de refugiados e hospitais, como se acusações infundadas anti-Rússia fossem mais válidas que provas indesmentíveis de crimes norte-americanos! Tão brincalhona-trapalhona que conseguiu ver “um ataque aéreo” onde houve quatro! Brincadeira ou não, a larga maioria da plebe adormecida mundial engole tudo, infelizmente...

 

Samantha Power vomitando em público

 

Próxima parte: Israel, Ucrânia e Irmandade Muçulmana.

 

Luís Garcia, 20.09.2016, Chengdu, China

 

 leia também  Resumo esquemático do conflito sírio

leia também  Resumo do conflito sírio - parte 1

leia também Resumo do conflito sírio - parte 2

leia também Resumo do conflito sírio - parte 3

 

 

 

 

 
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Resumo do conflito sírio - parte 3, por Luís Garcia

 

  

resumo do conflito sírio p3.jpg

 

Luís Garcia POLITICA 

 

Organigrama do conflito

Formato Original  Formato Reduzido

Protestos e Guerras Civis 

Antes de começar a analisar a tão extensa e complexa rede de inimigos do estado sírio que se encontra em território sírio, façamos um exercício de imaginação.

 

Imaginemos que estamos em 2016 e que grandes manifestações emergem num qualquer país que não a Síria. Imaginemos que se trata de um país como os EUA, a França ou o Brasil, onde, por norma, protestos quer pacíficos quer violentos são despachados com carga policial violenta e prisão de manifestantes, e acompanhados de um grotesco coro-mediático (prostituído) que chama todos os nomes que se lembra aos manifestantes: bandidos, arruaceiros, psicopatas, criminosos, etc. E o caso morre dias depois, para recomeçar semanas ou meses depois, repetindo-se da mesmíssima forma, se não aparecer ninguém que os apoie e mude o rumo dos acontecimentos.

 

Imaginemos que por uma vez, sim, por uma vez os manifestantes pacíficos dos "99%" nos EUA, ou os manifestantes violentos de Paris em 2006 queimando centenas de carros, ou os manifestantes pacíficos do "Fora Temer" no Brasil recebiam ajuda militar proveniente da Rússia, da China e do Irão. Tal como nas farsas de revoluções na Ucrânia 2014, Líbia 2011, ou na Venezuela 2014-16, imaginemos que, em "apoio ao povo descontente e espancado pelo regime" brasileiro, e em completa ilegalidade segundo as leis internacionais assinadas na ONU, a Rússia entregava aos protestantes brasileiros tanques de guerra, a China enviava especialistas em treino de guerrilha urbana, o Irão enviava Toyotas Hilux transformados em carros de combate e os 3 enviavam milhares de kalashnikovs, roquetes, toneladas de explosivos e dezenas de milhões de dólares. Imaginemos que toda essa ajuda fosse aceite pelos brasileiros descontentes e que estes começariam uma guerra civil, destruindo cidades e provocando a morte directa e indirecta de civis. Imaginemos que, perante a manifesta desproporção de forças entre os "freedom fighters" brasileiros e as forças armadas brasileiras, a Rússia, a China e o Irão enviariam juntos 200 ou 300.000  mercenários pagos e treinados por estes países e vindos do mundo inteiro mas sobretudo de estados seus aliados (Venezuela, Cuba, Bielorrússia, Bolívia, etc.), disparando entretanto o número de mortos civis para as dezenas ou centenas de milhares. Imaginemos que, com todo este apoio, o conflito se espalharia por todo o Brasil, que a destruição e morte se generalizasse e que o país desmoronasse numa hiper-complexa rede de grupos e frentes guerrilheiras com alianças e inimizades inter-cruzadas quase impossíveis de perceber. Imaginemos que os media da Rússia, da China e do Irão, a cada acção armada das Forças Armadas do Brasil mostrassem estas exclusivamente como agressoras desumanas viciadas em horror e que nunca produzem danos colaterais, apenas genocídios orquestrados com sangue frio, por mais óbvio que fosse o direito das Forças Armadas do Brasil de combater um invasão estrangeira disfarçada de guerra civil. Imaginemos que Temer, o ditador "sanguinário", marcava eleições e ganhava-as democraticamente (bom, aqui é imaginação a mais, kakaka, pois no dia em que Temer o fizer, perderá estrondosamente! Ahahaha!) como fez Al-Assad em 2014, mas que os media desses países ignorariam por completo.

 

Por fim, imaginem que EUA e seus vassalos assistiriam a tudo isto ano após ano sem a mínima reacção. Não dá para imaginar pois não? Ao segundo dia desta farsa já haveria um conflito mundial provocado pelos EUA com o argumento de proteger os seus "interesses nacionais" privados no Brasil de Temer, seu mais recente fantoche e cão fiel. Pois não dá para imaginar! Pois claro que países não podem financiar nem apoiar militarmente ilegais e criminosos golpes de estado e guerras civis noutros países. Por exemplo, é proibido pela ONU a venda de armas a países em conflito. E nenhum país tem o direito de invadir outro sem autorização da ONU que seja justificada com razões humanitárias urgentes. E se assim é, como é que protestos pacíficos ou violentos, reprimidos ou não violentamente pelas autoridades sírias, se transformam numa guerra total entre a Síria e uma coligação de dezenas de países e centenas de organizações terroristas? Porquê? Porque as regras da ONU são para ser respeitadas, excepto se o país se chamar Israel, se for membro da NATO ou se for uma ditadura árabe submissa ao EUA. Simples! Por isso um ministro francês pode vir à TV nacional afirmar que "a al-Nusra (al-Qaeda) faz um bom trabalho na Síria". Por isso primeiros ministros e/ou presidentes de países como o Reino Unido, França ou EUA podem vangloriar-se em directo dos milhões de dólares desviados das contas públicas para patrocinar terrorismo "moderado" e não moderado. Não porque tenham razão ou porque seja legal! Não! É absolutamente ilegal e criminoso o que dizem sem receio em directo nas TV's nacionais! Fazem-no e dizem-no abertamente porque fazem parte do exclusivo lote de países terroristas acima da lei internacional! Estes apenas se regem pela lei do mais forte, do militarmente mais forte e do mais forte na arte do engano em massa! 

 

Se toda a gente parasse para analisar o quão absurdo lhes pareceria que a Rússia ou a China armassem civis franceses descontentes com o seu governo tendo como resultado a total destruição da França, perceberiam como é infinitamente patética a figura de otário que fazem quando engolem hollywoodescas estórias de sanguinários chamados Gadafi ou al-Assad que se lembram de massacrar da forma mais sádica possível a totalidade do seu povo... porque acordaram mal dispostos um dia... ou porque não lhes passa a porra da dor dentes da semana anterior! É caso para dizer: méééééééé´!

 

E veja-se, com o passar do tempo, no que dá as massas ovelhizadas por consumismo e publicidades desumanizantes aceitarem todas as ilegais guerras e conflitos inventados pelos EUA e companhia: acaba toda a gente aceitando com toda a naturalidade que a França bombardeie ilegalmente a Síria sempre e quando os seus líderes acharem por bem fazê-lo, que a Turquia abra campos de treino de terroristas lado a lado com bases da NATO, que Israel receba nos seus hospitais terroristas feridos e que os EUA, além tudo isto e muito mais, se dê ao luxo de ter bases militares (temporariamente secretas) absolutamente ilegais em território sírio para depois ameaçar de abater caças sírios se os seus pilotos tiverem o desplante de voar sobre as tais ilegais bases militares dos EUA... em território sírio! É, demasiado surreal para ser verdade... mas é verdade, é factual, é real, irra! E mais, depois levamos com o porta-voz da NATO dizendo que os EUA tem todo o direito defender a integridade física dos seus militares(!!!) e que se algum fosse morto ou ferido (dentro dessas bases gringas ilegais em território sírio), os EUA teriam todo o direito de declarar guerra à Síria!!! Que loucura! Direito internacional quê? Isso é para totós humanistas, não para os EUA, esse estado terrorista por excelência, que precisamente por ser terrorista, caga para direitos internacionais. De todos os modos, é ridículo que falem de legitimidade para declarar guerra contra a Síria pois essa foi declarada a partir do momento em que militares dos EUA trespassaram ilegalmente a fronteira síria. Ou muito antes, quando os EUA começaram a despejar armas e mercenários para a invasão disfarçada de guerra civil que já dura há 5 anos...

 

Guerra é paz, paz é guerra

E veja-se que ao contrário não vale. Como? No Iémene parte do povo fez uma revolução que acabou com a ditadura de um fantoche a mando dos EUA e o resultado foi: primeiro levarem com uma inundação norte-americana de terroristas da al-Qaeda que serviu de desculpa para a força aérea dos EUA aterrorizar e bombardear a população civil; depois, uma clara invasão do Iémene por parte da Arábia Saudita, EAU e Reino Unido que acharam por bem castigar o povo iemenita por este se ter livrado do seu ditador! E ainda temos de levar com o primeiro-ministro francês (Manuel Valls) defendendo a milionária venda (ilegal segundo a ONU) de armamento à Arábia Saudita invasora com o argumento de ser sua obrigação defender a economia francesa com essas vendas. Ainda esta semana um jornalista da CNN usou o mesmo absurdo não-argumento para defender o próximo envio de armamento dos EUA para Arábia Saudita! Então, se a questão é económica e não humanista, que interessa se al-Assad seja sanguinário ou não e se chacina ou não o seu povo? Então não é irrelevante seguindo essa lógica? Não deveria Manuel Valls, fosse ou não verdade essa grotesca mentira de "al-Assad sanguinário", vender armas à Síria, visto que mais importante que salvar vidas humanas de guerras desnecessárias é salvar postos trabalhos em França? Se postos de trabalho de "desenvolvidos" franceses valem mais que vidas humanas de "retardados" árabes no Iémene, o mesmo se deverá se passar em relação a vidas humanas árabes da Síria, ora essa! E a ovelhada não vê o óbvio, que não é civilizado um ocidente que vende armas a genocidas com argumentos de protecção de postos de trabalho, ocidente esse que patrocina ilegalmente a total destruição da Síria e a morte de centenas de milhares de sírios com a desculpa "humanista" de vir salvá-los do bárbaro genocida! Anda tudo a dormir? 

 

Já agora, e em relação à Arábia Saudita, quero deixar uma pergunta àqueles que de forma genuína acreditam que al-Assad é um sanguinário que deveria ser deposto: Que opinião têm sobre o rei da Arábia Saudita e sua família real? Mesmo que acreditem na mentira de um al-Assad sanguinário, não deveriam os energéticos humanistas anti al-Assad canalizar alguma dessa energia contra o senhor rei e dono da Arábia Saudita, esse país absolutista sem lei nem justiça? Sei lá, por uma razão de coerência! É que, por um lado, o senhor rei saudita ordena decapitar em praça pública cidadãos que ousam ter ideias políticas que não o satisfaçam. Por outro invadiu o seu vizinho (Iémene) sem a mais insignificante tentativa de explicação possível, e em completa ilegalidade. E por outro ainda, esse reizinho que decapita cidadãos e invade vizinhos, faz parte da "humanista" coligação encarregue de "resgatar os sírios do sanguinário al-Assad"! Não vos perturba tamanha sequência de incoerências caros humanistas possíveis leitores destas linhas? 

 

Como deflagrou o conflito

Como sempre acontece quando alguém recusa se submeter aos "interesses nacionais" privados dos EUA e governa um país que tem o geográfico desplante de se meter no caminho entre o ponto de partida e o ponto de chegada de um oleoduto ou gasoduto a construir por uma ou mais empresas gringas, acaba por haver golpes de estado, mortes de chefes de estado em dias de tempestade ou guerras e barbárie... 

 

Em 2011 estava-se no auge da palhaçada das Primaveras Árabes inventadas pelos senhores que governam os EUA e que achavam por bem mudar todos os governos de países árabes laicos ou religiosos, democráticos ou ditatoriais, por uma antiga anglo-saxónica ferramenta de terror chamada Irmandade Muçulmana. A Síria não foi excepção. Havia que tirar do poder o insubmisso al-Assad o mais breve possível, estorvo antigo do expansionismo territorial de Israel na região e, sobretudo, presidente de um país demasiado valioso para escapar às mãos dos "interesses nacionais" privados dos EUA. Com as imensas reservas de gás sírias recém descobertas, e sabendo dos antigos planos da Síria, Iraque e Irão de construir (com a participação da russa Gazprom) um gasoduto (Islamic Pipeline) do Irão até à costa mediterrânica (de onde o gás sírio e iraniano seguiriam rumo ao mercado europeu), os EUA não podia esperar mais. Tinha de intervir na Síria antes que acordos e contratos fossem em breve assinados, e assim o fez, fazendo deflagrar a Primavera Síria em Abril de 2011 e esperando que, com a queda próxima de al-Assad, os EUA, Arábia Saudita e Catar pudessem por em marcha o seu projecto concorrente de gasoduto passando pela Síria (Qatari Pipeline).

 

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Até um membro da família Kennedy veio a público afirmar que a invasão da Síria vinha sendo preparado desde há muito devido à teimosia de al-Assad em não aceitar o projecto de gasoduto dos EUA e companhia: "Un miembro del clan Kennedy revela el oculto motivo de la guerra en Siria", assim como é famosa a afirmação em 2007 do general norte-americano Wesley Clark sobre os planos dos EUA para invadir a Síria (entre outros):

 

 

Àqueles que não entendem a relação causa efeito acima referida, aconselho-vos a analisar a relação entre distribuição de energia no continente eurasiático e as guerras "contra o terrorismo" dos EUA no continente eurasiático. É que se o fizer descobrirá que, por detrás de qualquer guerra ou golpe de estado patrocinado pelos EUA no Afeganistão ou Quirguistão, por exemplo, existe sempre a determinação de, por um lado destruir antigos oleodutos/gasodutos soviéticos com os bombardeamentos-mata-terroristas e, por outro, controlar a longo prazo os governos dos países por onde passarão os novos gasodutos/oleodutos a construir e ser explorados por empresas norte-americanas. É este o jogo: as reservas energéticas estão no coração do continente eurasiático; o mercado consumidor encontra-se na Europa; os antigos oleodutos/gasodutos soviéticos que ligam o centro da eurásia à Europa são controlados pela Rússia; Os EUA não acham piada nenhuma ao facto e correm contra o tempo para destruir os oleodutos/gasodutos soviéticos e substitui-los pelos seus! O conflito ucraniano é outro exemplo perfeito do que ainda agora afirmei.

 

Um bom livro (de introdução) a este tema da rapinagem energética norte-americana disfarçada de lutas pelo bem é este livro de Michel Chossudovsky:

Mas voltando à invernal "Primavera Síria", os EUA, como é hábito desde o enorme sucesso da Operação Ajax no Irão em 1953, pôs em marcha em Abril de 2011 o seu mecanismo de deposição de governos que, quase sempre com sucesso, foi responsável pelos golpes que deram ao mundo regimes beija-cus submissos dos EUA, como no Brasil 1965, no Chile 1973, no Honduras 2009, no Líbia 2011 ou no Ucrânia 2013, entre várias dezenas de outros. Por vezes acaba em guerra generalizada, por vezes basta adicionar sabotagem económica, por vezes funciona tão bem que o governo caí uns dias depois só de protestos e já está. Mas também falha, como no Bolívia 2008, no Venezuela 2002 ou no Venezuela 20014-16.

 

Nas semanas que se seguiram a Síria não caiu com os protestos e, contra os desejos económico-imperiais dos EUA, o acordo para a construção do gasoduto sírio-iraquiano-iraniano foi por fim assinado em Julho de 2011, 3 meses depois do início do terrorismo primaveril norte-americano na Síria.

 

Os Inimigos da Síria

Descontentes com um determinado governo, genuínos ou induzidos, há sempre. Os protestos iniciados em Abril de 2011 por sírios descontentes com o governo de al-Assad continham sem dúvida protestantes com legítimas razões de queixa. Nenhum governo é perfeito, todos estão longe de o ser, e o de al-Assad não era nem é excepção. No entanto o deflagrar desses conflitos, de forma maquiavélica, foi realizado por fora, à má-moda da Operação Ajax como já referi. Foram os protestos reprimidos com violência policial? Foram, e quê? Qual é o espanto? Ou alguém acredita que as formas de poder que gerem a vida de seres-humanos por esse mundo não fazem o mesmo? Ou alguém tem o desplante de negar que o mesmo aconteça com protestos pacíficos nos EUA, França, Brasil ou Portugal, onde civis são espancados e presos por cantarem cânticos e levantarem os braços com cartazes anti-governo? Por que haveria de ser diferente na Síria? Porque não haveria o governo sírio de fazer o mesmo que os nossos governos fazem, sobretudo perante manifestações não puramente de sírios mas também compostas (e criadas) por forças estrangeiras interessadas em espoliar o estado sírio? E como se explica que, enquanto os protestos pacíficos ou violentos no Ocidente levam com a violência policial que for precisa para acabar com eles, na Síria os protestos rapidamente se transformaram numa guerra civil iniciada por protestantes recorrendo a armamento ligeiro e pesado que não era suposto possuírem? Ahhh, tanta pergunta sem resposta a fazer aos crentes da religião Assad É Um Sanguinário E Ponto!

 

Mas tentemos explicar. Tentemos entender a revolta síria que não foi uma revolta mas sim um guerra de proxy (de procuração), uma invasão de EUA e companhia, em 3 fases, com o objectivo de retirar al-Assad do poder, colonizar a Síria para propósitos geoestratégicos e roubar-lhe os seus recursos energéticos. Numa primeira fase os EUA e companhia enviaram armamento e mercenários para a Síria, por terra (Turquia, Israel, Jordânia, Iraque) e pelo ar, onde reciclaram mercenários de outras aventuras terroristas ocidentais como as da Líbia, do Afeganistão, do Kosovo ou do Mali. E assim apareceram o Exército de Libertação Síria, Oposição Síria, al-Nusra (al-Qaeda) e centenas de outros grupos e subgrupos terroristas que serão tema de uma próxima parte deste Resumo do Conflito Sírio. Objectivo principal: destruir o estado laico sírio governado por Assad. Objectivo secundário: demonizar a imagem de al-Assad perante a ovelhesca opinião pública mundial, atribuindo os crimes das organizações mercenárias estrangeiras às Forças Armadas da Síria, de forma a legitimar perante aqueles um futura invasão da Síria por parte de um coligação humanista ocidental, caso os mercenários terroristas não cumprissem o primeiro objectivo. E assim o mundo ocidental e seus aliados árabes do golfo presentearam o povo sírio com forças de "libertação" que trouxeram a aplicação estrita da sharia num estado secular, a limpeza étnica de aldeias cristãs e judias, mercados de escravas sexuais menores de idade, decapitações de adultos e crianças, jaulas com mulheres servindo de escudos-humanos contra o exército regular sírio, entre muitos outros horrores, sempre focados na completa destruição material, social e cultural da Síria.

 

O derrube do regime sírio nunca chegou a acontecer por obra dessa miríade de organizações mercenárias ocidentais, mas quase podia ter acontecido quando se montou em 2013 a farsa do massacre de Guta com o objectivo de mostrar ao mundo que al-Assad teria ultrapassado a Obamiana "linha vermelha" além da qual uma invasão estrangeira seria inevitável. A perversa armadilha montada pela França (na qual foram usadas centenas de crianças raptadas meses antes para servirem de marionetas numa encenação de ataque químico de al-Assad contra o seu povo) só não resultou porque Putin, numa genial jogada de xadrez político, ofereceu-se para monitorizar a destruição do arsenal de armas químicas sírias em troca dos EUA desistir de invadir a Síria (ler Cómo los servicios de inteligencia de Occidente fabricaron «el ataque químico» de la Ghouta).

 

 

Por essa altura começou a segunda fase da guerra de proxy dos EUA na Síria, com a introdução nesse país de uma organização terrorista cujos comportamentos horríficos só podem ser comparados com a inquisição da Igreja Católica ou a colonização europeia do continente americano: o ISIS! Apesar do terror provocado desde a sua chegada (amigos sírios confirmam-me terem perdido familiares em 2013 às mãos de trogloditas que se consideravam membros do ISIS), o  Estado Islâmico (ISIS), que de estado tem nada e de islâmico só leitura literal de tretas, apenas se tornou mediático no verão de 2014. Em Junho de 2014 lembro-me muito bem de ler que milhares de terroristas fugindo do exército iraquiano tinham desaparecido subitamente no deserto. E lembro-me muito bem que 3 dias depois tive contacto com notícias que informavam que um Estado Islâmico acabava de ser criado no deserto sírio junto ao Iraque... composto por 30.000 trogloditas saídos do nada. Milhares de terroristas sunitas apoquentando o governo xiita iraquiano por este não se vergar aos EUA e se inclinar para o Irão desaparecem e ao mesmo tempo aparecem milhares de terroristas sunitas invadindo a Síria... só não vê a ligação quem não quer!! Aos que não querem ver, dedico-lhes a próxima parte 4 do artigo, sobre ISIS e companhia.

 

Com a entrada em jogo do ISIS as Forças Armadas passaram de uma a duas guerras a combater, agora contra a Oposição Síria e contra o ISIS, o qual depressa se apoderou da região produtora de energia do país, estrangulando ainda mais a já estranguladíssima Síria, destruída pela guerra, e empobrecida/esfomeada não só pela guerra mas também pelo bárbaro embargo ocidental à Síria (que ainda hoje perdura).

 

Senão fosse pela entrada em campo das Forças Armadas da Federação Russa, muito provavelmente, apesar de terem resistido até então a uma intensa guerra contra dezenas de países muitíssimo mais ricos e poderosos durante 4 anos e meio, a Síria teria sido derrotada e condenada às trevas profundas como foi o caso da Líbia e do Afeganistão. Mas não, apesar da guerra económica imposta pelos EUA à Rússia através dos seus suicidas vassalos europeus como castigo à Rússia pelo golpe de estado que os EUA patrocinaram na Ucrânia, as Forças Armadas da Rússia alcançaram no fim de 2015 o nível de renovação e capacidade que Putin considerava necessário para poder intervir militarmente a favor da Síria, seu aliado histórico e geoestratégico.

 

Com a Rússia a balança inclinou de volta para o lado sírio, foi denunciada a evidente ligação entre Turquia (ler NATO, ler EUA) e o ISIS, o ISIS foi duramente atacado e destruído e as forças sírias puderam finalmente, graças ao apoio militar russo e também à modernização militar síria apoiada pelos russos, passar a reconquistar o território perdido durante os últimos anos. As massas de jornalistas-prostituídos bem tentaram (e conseguiram por entre as massas ovelhizadas) fazer passar os russos por vermelhos monstros sanguinários apoiantes de alauitas monstros sanguinários... mas poucos recuperam do duplo trauma de ver a Rússia libertar a multi-milenar Palmira das mãos do ISIS, apesar das ruínas se encontrarem fortemente armadilhadas e prontas a explodir em caso de derrota dos trogloditas islâmicos. Duplo trauma pois além da vitória da Rússia contra a representação do mal na terra, os russos, ao contrário do que costumam fazer os rambos gringos, não botaram a baixo as ruínas no acto de libertação!

 

E com este trauma de fim 2015, os EUA entram em 2016 com a sua terceira vaga de caos e horror: a criação (absurda) de um estado curdo no norte da síria onde vivem dezenas de grupos étnicos de várias confissões religiosas. Típica solução gringa, a de etno-estados que, como o próprio nome indica, têm a (des)virtude de destruir a riqueza e diversidade cultural de países bem mais interessantes culturalmente que os invasores EUA! Para o fazer juntaram alguns membros da NATO, Austrália e todas as forças curdas que conseguiram comprar pelo dinheiro, e deram a essa absurda mistura o nome de Forças Democráticas Sírias (FDS), imagine-se! Para o tornar possível, criaram bases militares norte-americanas ilegais e no início secretas em território roubado à Síria e não, não mudaram de nome, continuaram a auto-denominarem-se de "democráticos" e de "sírios", imagine-se! E para que a ovelhada ocidental não estranhasse antes de entranhar, encomendaram às suas organizações terroristas (ISIS) o massacre de Kobani e outros, de modos que a chegada de ocidentais "salvadores" de curdos foi aceite com toda a naturalidade pelas massas ocidentais, por pouco ou nada que compreendessem essas massa o porquê do massacre de uns ou da chegada de outros. 

 

A criação das ignominiosas FDS trouxe várias vantagens aos EUA neste guerra contra a insubmissa Síria. Serviu para desviar alguns dos até então aliados de al-Assad na luta contra o terrorismo da Oposição Síria e do ISIS: os curdos sírios e curdos turcos, embora muita da informação e das opiniões partilhadas por curdos nas redes sociais deixe transparecer a ideia que o suborno/compra de curdos por parte dos EUA tenha se realizado apenas por entre as chefias militares curdas, enquanto que os combatentes na base da pirâmide respeitam em contra-vontade as ordens de cima ou nem sequer as respeitem. Em 2014, no Curdistão turco, encontrei-me com curdos que combateram nas batalhas do norte da Síria contra o ISIS e a parte da Oposição Síria que atacava curdos, e não me ficou a menor dúvida que aqueles curdos turcos, obviamente, apoiavam o governo de al-Assad. É portanto difícil hoje, em 2016, imaginá-los a combater as forças de al-Assad. As linhas cinzentas no organigrama entre Síria e algumas forças curdas representam o que acabei de escrever neste parágrafo.

 

Como se entendeu muito bem (entrelinhas) no aviso de John Kerry (EUA) a Serguei Lavrov (Rússia), aquando do primeiro grande cessar fogo a meio de 2016, ao referir-se à necessidade de implementar um Plano B no caso em que o cessar-fogo corresse mal (e os EUA fez tudo o que era possível para correr mal), os EUA davam a si próprios a autorização para criar um novo estado independente no norte da Síria, o Curdistão Sírio. Assim os EUA podiam por fim justificar mediaticamente a invasão da Síria pela NATO e assegurar pelo menos uma parte do território para um possível plano alternativo de gasoduto construído no matter what! Perante a lei internacional, perante a ONU, no entanto, justificaria coisa nenhuma, ficaria tudo na mesma: na mais profunda ilegalidade!

 

Com a desejada ocupação militar dos EUA (via apoio às Forças Democráticas Sírias), os EUA passaria então a atacar o ISIS, sua criação útil em período de destruição mas sem valor de ocupação a longo prazo, o qual (ISIS) deveria ser aos poucos substituído no terreno pelas Forças Democráticas Sírias (FDS) que tomariam conta do terreno à espera da independência do novo Curdistão Sírio. É que, o mundo nunca aceitaria um país chamado Estado Islâmico (ISIS) mas, o mundo repleto de pseudo-humanistas, haveria de babar-se de cabeça aos pés perante a criação de um novo país cujo nome contivesse a palavra Curdistão. Assim se explica que os EUA tenha continuado a fornecer apoio militar ao ISIS estabelecidos longe das FDS e perto das Forças Armadas Sírias (de al-Assad). É que, ao fazê-lo, ao apoiar o ISIS perto das zonas controladas por al-Assad, não só enfraqueceria as Forças Armadas Sírias (al-Assad), principais inimigos das Forças Democráticas Sírias (NATO+curdos), como, ao proporcionar a eventual conquista de territórios pelo ISIS a al-Assad, estaria a aumentar a área potencial de conquistas das FDS contra o ISIS, áreas essas que num futuro próximo viriam a constituir o tal Curdistão Sírio, que a realizar-se, seria o mais recente estado vassalo dos EUA.

 

Tudo muito bonito para os EUA, se não existisse a Rússia e as suas Forças Aéreas... E para baralhar mais as contas, veio o golpe de estado falhado na Turquia. Senão tivesse falhado, por certo teríamos assistido a mais uma rocambolesca surpresa bélica dos EUA neste conflito sírio. Como falhou (ler segunda parte deste artigo), a reacção da Turquia ao golpe falhado veio estragar as contas aos EUA, "conquistando" a brincar território ao ISIS que assim não cairão nas mãos das FDS (NATO+curdos) nem serão, por enquanto entregues ao seu dono legítimo que é o estado sírio. E mais, a ilegal incursão turca tem o mérito de acabar de uma vez por todas com a possibilidade das duas zonas controladas pelo FDS (uma no litoral e outra no interior junto ao Iraque) se juntem numa só, o que seria imprescindível para os EUA no caso de ainda querer construir no seu novo Curdistão Sírio um gasoduto entre a fronteira sírio-iraquiana e a costa síria.

 

Antes de chegar às conclusões, gostava de deixar esta reflexão: como é irónico que os governos dos EUA  e Europa tudo façam para que as suas massas distraídas tenham ódio e fobia a muçulmanos, e ao mesmo tempo apõem vários grupos curdos (muçulmanos, portanto) que juntos são supostos criar um estado curdo em território sírio onde até agora viviam algumas das mais antigas sociedades cristãs do mundo, como são o caso dos Assírios. Mais, os EUA, que se apresentam à ovelhada ocidental como os Neo-Cruzados, inventaram a Oposição Síria e o ISIS que dizimaram inúmeras aldeias e vilas de cristãos e judeus sírios, e em seguida inventaram o Curdistão Sírio para acabar com o trabalho. E tudo isto sob a desculpa de apoiar a revolta popular contra um "sanguinário genocida" al-Assad que faz parte da comunidade Alauita, um grupo étnico-religioso conhecido por realizar um pacífico sincronismo entre crenças muçulmanas e crenças cristãs, que celebra rituais das duas religiões e que frequenta tanto mesquitas como igrejas (apesar de se considerarem muçulmanos de religião). Isto num país que leva milhares de anos sendo o mais puro exemplo de país onde se pratica de forma tolerante uma das mais complexas pacíficas misturas de religiões e grupos étnicos que o mundo já conheceu. O período de governação de al-Assad pai e de al-Assad não foram excepção! E, ironia das ironias, os EUA, país que se auto-propôs à tarefa de desfazer este belo exemplo sírio, nasceu, cresceu e prosperou do massacre  de nativos americanos, da escravidão de africanos e da submissão feudal da maioria pobre europeia que lá chegou na condição de servos não livres... bravo EUA, bravo!

 

Por fim dizer que as Forças Armadas da Síria (e seus aliados sírios, palestinos, iranianos e russos) são os únicos combatentes coerentes desta guerra absurda. Olhando o organigrama é fácil de compreender que ao contrário de todos os outros grupos envolvidos, a Síria (e aliados) só tem um objectivo: recuperar a integridade do território que legalmente lhe pertence, lutando contra todas as outras forças inimigas postas ao mesmo nível, ao nível de agressores e invasores que são. Na oposição o contrário reina, ou seja, os objectivos são múltiplos e inter-cruzados, denotando-se apenas um denominador comum: a aplicação da Teoria do Caos em favor dos "interesses nacionais" privados dos EUA. Senão, é só confusão e incoerência: os EUA combate a al-Qaeda ao mesmo tempo que ajuda a al-Qaeda a combater as Forças Armadas da Síria; os EUA apoia o ISIS contra as Forças Armadas da Síria enquanto que ataca o ISIS em protecção às FDS; A Turquia combate as Forças Democráticas Sírias (FDS) compostas por curdos e NATO ao mesmo tempo que a Turquia é país membro da NATO; Os EUA são aliados quer das FDS quer da Oposição Síria, o que não impede que haja combates entre FDS e Oposição Síria, e por aí fora... a lista de incoerências é quase infinita... Portanto, um viva a multi-étnica, multi-religiosa e muito coerente Síria!

 

Luís Garcia, 13.09.2016, Chengdu, China

 

 leia também  Resumo esquemático do conflito sírio

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