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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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O que serve o pós-modernismo, por Ricardo Lopes

  

RICARDO MINI copy SOCIEDADE LITERATURA 

  

Não devemos ser incautos, e muito menos tolerantes em demasia, para com a corrente de pensamento e criação artística pós-moderna.

 

Chega-nos de autores como Jacques Lacan, Michel Foucault, Gilles Deleuze ou Félix Guattari que a identidade é constituída pela linguagem e através dela, que as relações sexuais são uma troca de significantes, e que cada um de nós é uma multiplicidade de partes de fragmentos, unidos por ligações eivadas de desejo. Que o “eu” deve ser encarado como essencialmente descentrado, pois as exigências normais da vida quotidiana exercem uma grande pressão sobre as pessoas para que assumam a responsabilidade pelos seus atos e se vejam a si próprias como autores intencionais e unitários.

 

É um movimento caracterizado pela primazia da superfície sobre a profundidade, do lúdico sobre o sério, da simulação sobre o “real”.

 

Digo que não tomemos estas informações de ânimo leve, pois, principalmente quando aplicadas no seio deste sistema cultural (capitalista, de redução do indivíduo a uma máquina de trabalho, de fazer dinheiro e de consumir, de atenção, de um ritmo de vida alucinante e de sede de redução da identidade a um qualquer rótulo que se encontre mais à mão) contribuem para soterrar ainda mais o indivíduo nos mecanismos que, curiosamente, o pós-modernismo arroga combater.

 

O “eu” espartilhado não tem como se condensar unitariamente para recuperar funções anímicas tão essenciais à emancipação e à construção individual como são a autoconsciência e a autorresponsabilidade. As pessoas não devem ser desresponsabilizadas, mas sim desculpabilizadas. Não é culpa delas que todo o seu existencialismo seja limitado pelas influências externas que recebem, mas é do seu máximo interesse no processo de individuação que lhes seja feito o apelo à responsabilização nesse processo. Ao contrário, tornam-se seres anestesiados e passivos.

 

O pós-modernismo dispõe os indivíduos a uma abordagem superficial dos seus problemas e das suas lutas, muitas vezes deixando-se ficar pela aquisição de um qualquer rótulo associado a um movimento com um conjunto de cânones a seguir acriticamente, caso contrário já não serão benquistos naquela baiuca, onde não é dado lugar a discutir os dogmas vigentes, sob uma pretensa criação de um “espaço seguro” para os seus membros. Se bem que eu nunca conheci nada mais perigoso do que a opressão, a repressão e o obscurantismo intelectual.

 

E, nesta sede de rótulos – que constituem a tal teorização superficial – para a qual cada excluído social se vê enveredado a satisfazer nem que seja para que possa reconstruir o simples mecanismo de aperceção sensorial, funda-se um neoconsumismo. Cria-se todo um mercado de bens de consumo dirigido a cada qual que sacrificou a capacidade de ser pessoa à necessidade de uma designação que creu mais definida do que as oferecidas em massa aos integrantes da cultura hegemónica. Um micro mercado e uma micro economia só para os freaks. Aqueles que são tudo, não sendo nada.   

Ricardo Lopes

 

 

 
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À boleia na Turquia vale tudo, por Luís Garcia

 

 

BOLEIAS – EPISÓDIO 9

 

À boleia na Turquia vale tudo

  

bw VIAGENS Luís Garcia

Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação, que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar, Vontade de partir, p’ra outro lugar. (Estou Além, António Variações)

 

À BOLEIA NA TURQUIA VALE TUDO (Turquia, 2008) –  Depois de cinco noites desfrutando do prazer de descobrir a cidade de Istambul, eu, Diogo e Claire partimos juntos à boleia rumo à mítica cidade de Tróia. Pela manhã, a conselho de uma nossa amiga turca que nos tinha alojado nas noites anteriores, apanhámos um autocarro público até uma das saídas ocidentais da grande metrópole e sacámos da placa na qual havíamos na noite anterior escrito “Truva”, nome pelo qual é conhecida Tróia na Turquia. Ao contrário do que havíamos deduzido das palavras da nossa amiga Derya, a última paragem do autocarro que nos aconselhou a apanhar não se encontrava fora da zona urbana, onde por norma viajantes pedem boleia, refugiados de trânsito caótico e múltiplos cruzamentos que complicam e muito essa sublime arte de convencer com os olhos quem pare e nos leve consigo na sua viatura. Não, a última paragem daquela linha citadina encontrava-se fora do centro urbano mas ainda bem dentro do referido caos de cruzamentos e tráfego que éramos supostos evitar. Sem muitas alternativas, tivemos de estender os polegares na direcção do astro rei e tentar a nossa sorte.

 

Em menos de cinco minutos parou um viatura junto a nós, embora não do tipo que ansiávamos. A sua cor amarela disse logo tudo mesmo antes de estacionar, era um táxi. Tomei a iniciativa de falar com o condutor e tentei explicar-lhe que não queríamos viajar de táxi, que tínhamos tempo e paciência suficiente para esperar por uma boleia. O homem, na casa dos trinta e tagarela, dava aos braços energicamente enquanto proferiu coisas incompreensíveis em turco. Concluindo que o homem não percebia nada de inglês, disse várias vezes “hayır para” (não dinheiro), tentando passar a mensagem que ali não encontraria clientes para o seu táxi. O homem, teimosíssimo, continuava a bracejar e a dizer coisas que soavam a menos que nada para mim. Aborrecido fiz-lhe sinal com o braço para que se fosse embora, virei-lhe as costas e afastei-me uns passos na direcção de Diogo e Claire que observavam divertidos a cena. Do táxi ouviu-se a buzina a funcionar frenética e repetidamente. Os meus colegas disseram para ir averiguar o que quereria o taxista. Eu, já chateado, disse-lhes que não falava mais com “aquele maluco” e mandei-os ir no meu lugar. Após um minuto ou dois, fizeram-me sinal para eu aproximar-me, enquanto eles abriam as portas do lado direito e se preparavam para entrar. Pensei “está tudo louco hoje” e por momentos não arredei pé. Apercebendo-se da minha teimosa hesitação Diogo voltou a fazer sinal com um braço para eu me aproximar e disse “anda lá, o gajo quer nos dar boleia”! Fui ter com eles, cabisbaixo, e entrei no táxi envergonhado pelo meu comportamento, pedindo desculpas ao taxista que me deve ter percebido não pelas palavras em inglês mas sim pela minha expressão corporal de quem parecia estar a tentar esconder-se num buraco. A ideia do taxista era excelente! Como é óbvio não se deslocaria muito mais longe dali, dado que o seu transporte era um táxi e não um autocarro, e como é sabido táxis não percorrem grandes distâncias sem clientes. A sua ideia, dizia eu, era levar-nos até ao fim daquela zona de tráfego caótico aproveitando o facto de ele ter de fazer mais ou menos o mesmo percurso pertencente ao seu circuito de procura de clientes. Não avançámos muito, cerca de cinco quilómetros, mas a sua pequena curta boleia fez toda a diferença visto que minutos depois arranjámos quem nos levasse dali para fora.


Acabados de fazer a nossa estreia numa incrível boleia com táxis, fomos recolhidos logo de seguida numa boleia não menos improvável, num autocarro público! Também desta vez, quando o condutor parou e abriu a porta de passageiros, explicámos prontamente que viajávamos à boleia e que não pretendíamos apanhar transportes públicos. Em vez de fechar a porta e arrancar, o motorista, muito sorridente e amável, convidou-nos a entrar. Embora na qualidade de passageiros não pagantes, tivemos também direito à garrafinha de água que por norma vem incluída no custo de um bilhete de autocarro na Turquia! Ainda tentámos recusar, mas o revisor insistiu que nos queria oferecer as águas e nós aceitámos agradecidos. De seguida o mesmo revisor, sem dúvida focado em nos presentear com a típica hospitalidade turca, foi buscar a sempre presente garrafinha de refrescante corporal à base de álcool. Aquele tinha um agradável aroma a limão. Deitou umas gotas nas nossas mãos. Ardendo em suor, fui com muito agrado que espalhámos o milagroso líquido, espalhando-o pela cara, pescoço e braços. Ainda temos muito para aprender no nosso Portugal, não haja dúvida, gastam-se fortunas nos ares condicionados e ainda ninguém se lembrou desta milenar e baratíssima solução. Quanto à hospitalidade não somos dos piores mas também poderíamos atentar na cultura turca e nela descobrir pasmados como os pequenos gestos fazem toda a diferença na percepção positiva que um viajante pode ter de uma cultura estrangeira. Como se não fosse bastante ter o condutor parado para nos recolher de graça e o revisor oferecido as referidas águas e solução refrescante, também os passageiros quiseram tomar parte nesta incrível demonstração de simpatia e altruísmo. Antes mesmo de o revisor ter vindo nos oferecer as garrafas de água, várias passageiros com idade para serem nossos pais ou avós se levantaram oferecendo-nos os seus lugares. Como é óbvio recusámos agradecidos. Três jovens cheios de energia e extasiados pela graça de viajar em tão acolhedor país não precisavam nem teriam a desfaçatez de tirar um lugar a um velhinho ou a uma velhinha. Nem naquela nem em nenhuma outra situação! Fomo-nos sentar no chão, no espaço dedicado às bagagens extra, dado que os lugares estavam todos tomados, mas ficou o significado profundo do gesto. Pela primeira vez na vida senti que poderia ter chorado de alegria, passe a lamechice, tamanha era a gratitude que sentia por toda aquela gente que não nos conhecia de lado nenhum nem teria rigorosamente nada a ganhar ao se sacrificar por nós. Ou sim, teriam! Empatia, pelo menos no dicionário turco, deve ter uma entrada!


Tenho dito e repito que estrangeiro de viagem na Turquia é rei (ou rainha). Pena é que muita gente não saiba, ou pior, não queira por vezes sequer saber! Isto leva-me a um aparte que não tendo nada a ver com a situação tem tudo a ver com a errada percepção que por hábito se tem da Turquia e do seu nobre povo turco. Dias antes de partir para a viagem que me levou até àquelas paragens, vivia então eu em Braga, tive a infelicidade de por diversas vezes ouvir estúpidos preconceitos e frases feitas baseadas em menos que nada. À conversa com vítimas perfeitas do sensacionalismo e propaganda televisa anti mundo islâmico, tive que ouvir blasfémias do género. “aí que te vais meter no meu de terroristas”, ou “tem cuidado pois sempre ouvi dizer que os turcos são todos uns mafiosos!” Nas primeiras situações ainda tentei defender a imagem da Turquia com base nas palavras de amigos meus turcos. Posteriormente, para evitar cair em subjectidade igual à daqueles que me desanconselhavam visitar um país muçulmano, passei a afirmar que só falaria bem ou mal da Turquia depois de lá voltar. Dois meses depois, de regresso a Braga (e também à minha terra, Ribamar), munido de mil e um argumentos a favor (também alguns contra, é normal), ataquei decidido muitos dos detractores da Turquia sem conhecimento de causa. Para meu espanto a maioria não quis ouvir as minhas palavras ou se ouviu não quis acreditar nelas. Essa maioria preferiu ficar fechada no seu pequeno mundo de conto de fadas ocidental e dragões islâmicos expelindo fogo pela narinas ou pela boca. Para a maioria que não quis notícias em primeira mão sobre a Turquia, aquela terra longínqua, ali mesmo ao lado, continuava a ser sede de multinacionais redes de máfias turcas, e “o resto é conversa”! Eu pergunto algo muito simples: se é credível que haja muitos mafiosos na Turquia, não é por outro lado um facto que também no nosso belo Portugal os haja aos molhos? Sim é verdade que as máfias turcas são muito famosas, ouve-se muito falar dos seus negócios sujos espalhados sobre tudo pela Bélgica, Holanda e Alemanha? Deixam os portugueses de visitar esses três estados europeus devido à presença turca? Não me parece. Outra: não é segundo reza a lenda Itália, por excelência, a terra de todas as máfias? E deixam os portugueses de visitar Roma, Veneza ou Florença? Também não me parece. A propaganda explica muita coisa, e provoca muita coisa. Provoca e explica por exemplo o estado em que a nossa Lusitânia se encontra. Mas não explica tudo, não explica a bajulação doentia de obscurantismos! Enfim...


Voltando à boleia de autocarro, uma vez mais o percurso seria de curta distância, e o objectivo do motorista, tal como pensara pouco antes o taxista, era de nos afastar ainda mais da cidade e deixar-nos num bom lugar para pedir boleia. O local foi bem escolhido e em poucos minutos uma viatura parou para nos dar boleia aos três até Tekirdağ, uns 120 quilómetros a ocidente de Istambul, na parte europeia da Turquia. Como dizem os avôs de todos nós, não há duas sem três. Daí que depois de táxis e autocarros, tinha chegado a hora de nos estrearmos em boleia de carros de polícia! A Turquia é sem dúvida uma caixinha de surpresas, e ainda nem sequer havíamos posto a chave na fechadura desta encantada caixinha.

 

Álbum de fotografias

Álbum de fotografias.

 


Em Tekirdağ tivemos menos sorte. Os dois polícias haviam nos deixado no centro da cidade onde, embora tenhamos realizado várias tentativas de arranjar boleia, nos vimos obrigados a apanhar um autocarro. Não é fácil receber boleia no meio de uma cidade. Quando existem muitos cruzamentos o mais provável é que os condutores que nos vejam a pedir boleia indiquem que vão cortar na próxima à direita ou à esquerda, ou que vão estacionar à porta de casa uns poucos metros à frente, seja a desculpa verdadeira ou pura mentira para se escaparem. É assim na Turquia e no resto do mundo, e nós sabíamo-lo bem. Acabou por ser um pequeno erro de percurso cujo custo (de autocarro) foi muito reduzido, cerca de um euro e meio por pessoa. Daí em diante passámos a andar mais atentos ao lugar onde estacionar ao fim de uma boleia, perguntando com antecedência para nos deixarem sempre no fim da cidade e, nos casos em que não fosse de todo possível, antes da cidade destino de quem nos estivesse a transportar, para que fora de meios urbanos encontrássemos facilmente a próxima boleia.


De autocarro partimos com destino a Keşan, cerca de 85 quilómetros mais à frente. O plano era apanhar um autocarro que nos levasse directo ao porto de Gelibolu, visto que aí teríamos de atravessar o Estreito do Bósforo recorrendo a um ferry-boat, mas não havia escolha. A desilusão não durou muito pois, vários minutos depois de voltarmos à estrada para pedir boleia, um sorridente senhor parou para nos levar até ao seu destino que era também o nosso, o porto de Gelibolu!

 

Gelibolu é um local cheio de história. Durante a Primeira Grande Guerra Mundial foi palco da homónima Campanha de Gelibolu, também conhecida por Campanha de Dardanelos, e na Turquia como a Batalha de Çanakkale (nome de uma outra cidade a 30 quilómetros de distância na qual também passámos de boleia). Pese embora tenha sido uma sangrenta e prolongada campanha militar que provocou mais de 130.000 mortos nos dois lados do conflito, o seu nome ficou para a história sobretudo retirar do anonimato Mustafa Kemal, um comandante que obteve a glória entre os seus pares desobedecendo ordens superiores para alcançar a proeza de fazer recuar as tropas aliadas. Daí em diante a sua carreira e fama subiu fulminante. Poucos anos depois seria líder da nova Turquia e ideólogo do choque de modernização que mudou por completo aquele país. Ainda hoje é conhecido por Atatürk, “Pai da Turquia”, e venerado por toda a nação como um semi-deus. Para se ter uma ideia, o seu nome aparece inscrito em pelo menos uma rua em todas as localidades do país, bustos e estátuas de Atatürk são encontradas em todos os edifícios públicos e até em casas particulares. Se um dia o leitor for à Turquia poderá, se lhe apetecer, falar mal de Istambul, do Galatasaray ou até mesmo de Alá, mas não ocorra jamais na loucura de criticar Atatürk! Por muito bom que seja o seu argumento contra Atatürk, é melhor ficar calado. Gelibolu mereceria portanto uma visita com tempo, sem dúvida, mas nós tinhamos destino marcado para Tróia, possuidora de uns bons milhares de anos mais de história, o dia ia passando, e crescia a incerteza de conseguirmos lá chegar antes se fazer noite. Gelibolu acabou não sendo visitada, ficando guarda na lista (imensa) de futuras viagens e descobertas por fazer.

 

Voltando ao nosso simpático motorista, há que revelar todo o altruísmo de que era orgulhoso possuidor. Não podendo comunicar quase nada connosco, encheu a atmosfera de alegria e boa disposição com os seus prolongados sorrisos Nós falávamos em inglês e ele ria-se divertido e curioso. Nós dizíamos uma palavra ou outra em turco e ele ria-se confuso. Ele discursava em turco e ria-se entretido com nossas caras de quem não nada captava. E nós acompanhámos o senhor rindo também, alegres e descontraídos. Poucos quilómetros depois de termos partido, o senhor fez uma gesto com a sua mão direita abanando junto à sua cara, como quem quem diz que “está aqui um calor dos raios”. Estava, pois sim, cerca de 45ºC. Vendo que as nossas cabeças abanando confirmavam a sua opinião meteorológica, estacionou a viatura à entrada da primeira estação de serviço que encontrou e fez-nos sinal para esperar. O ponteiro do combustível estava quase no nível máximo e o carro tampouco se encontrava no raio de acção das mangueiras das bombas. Em vez de combustível tinha ido comprar quatro gelados dos grandes e caros, um para cada dos viajantes! Ah, e como sorria ele de satisfação! Chegados ao porto o pobre homem mostrou-se triste pela despedida, quase comovido com a inevitável perda. Para o resgatar daquela melancolia convidámo-lo a tirar uma foto de grupo que muito o alegrou (capa do artigo, acima!


De ferry-boat atravessámos o estreito até Lapseki onde parámos para comprar um saco de suculentos pêssegos turcos, almoçar kebabs e cometer a grande gafe de grupo do dia. Na mesa do bar onde comemos os nossos deliciosos kebabs encontrava-se um pequeno jarro contendo um líquido cuja utilidade era desconhecida pelos três. Como a cor nos fazia lembrar o líquido refrescante que nos tinha sido oferecido horas antes num autocarro, não ligámos e continuámos a comer. Acabada a refeição tivemos a feliz ideia de lavar a cara e mãos com o tal líquido que era afinal um condimento com sabor (também) a limão para pôr na comida! Que três palermas!


De Lapseki seguimos à boleia até Çanakkale, e aí encontrámos a última boleia do dia. Um par de amigos fanáticos do tuning num carro todo quitado. Para completar o quadro eram também amantes de velocidade, atravessando a quase-recta de trinta quilómetros que separam Çanakkale de Tróia uma estonteante velocidade de 150km/h! Digo estonteante por que a maior parte das estradas turcas, embora em muito bom estado, são tão estreitas que mal dá para passar dois carros ao mesmo tempo! Ainda assim chegámos vivos a Tróia, e cheios de adrenalina no sangue. Infelizmente chegámos à entrada das ruínas cinco minutos depois da hora de fecho. 

 

Sem equacionar a hipótese de partir sem visitar Tróia, procurámos sem sucesso um local barato onde pernoitar. Acabámos por dormir gratuitamente debaixo do abrigo de uma árvore, mas isso é outra estória (ler A cama de palha).

 

Luís Garcia, 16.08.2016, Xi'an, China

 

 

 

 

 

 
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Um outro Pensamento Nómada no Boom!, por Pedro Anacleto

 

  

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    ANACLETO  SOCIEDADE

 

Sobre o Boom Festival, a opinião de quem lá foi uma vez.


Sobre aquilo que é transversal a todos os festivais de verão em Portugal não é preciso falar muito.Eu vou então focar-me (e sem muito detalhe) apenas nos fatores que me levam a pensar que o Boom é fundamentalmente diferente da maioria dos festivais em Portugal.

 

Já muitos lemos por aí críticas em relação ao preço do bilhete. O Boom acaba por ser mais barato do que os festivais mais conhecidos como Alive, SBSR, etc. Mesmo comprando o bilhete do Boom na 3ª fase de venda, em que o preço é mais alto (180eur), 180 eur por 7 dias. (exemplo: Alive: 120eur - 3 dias)

 

O que salta logo aos olhos, no Boom não há lixo no chão, não há beatas no chão. A organização entrega um cinzeiro portátil por pessoa logo à entrada. As casas de banho estão sempre incrivelmente limpas.Todos os resíduos produzidos podem ser depois utilizados para adubarem os terrenos.Só é preciso dizer isto, eu e toda a gente caga de bom grado numa casa de banho do bom, é como cagar em casa.

(ver links no final com Eco Letter do Boom)

 

A comida é magnífica. Existe de tudo para todos. Os preços são os mais acessíveis de qualquer festival. Refeições completas por 5-6 eur. Esse foi outro aspeto importante que me marcou. Poderia alargar-me aqui a descrever toda a oferta mas não o vou fazer

.

No Boom podem-se fazer férias. Podes acordar e ir passear para a praia, correr, ver as múltiplas instalações de arte, ir meatings, e ao museu,fazer yoga (entre múltiplas outras “atividades relacionadas”) ir ao mercado (dentro do Boom) comprar produtos para fazeres uma saladinha, ou simplesmente ir diretamente para um palco onde haja som. O Boom tem tanto espaço e tanto para ver e fazer que se aconselha levar uma bicicleta.

 

No Boom há água à borla! Elemento essencial que te vai fazer poupar muito dinheiro. Existem umas torneirinhas onde podes encher a tua garrafa a qualquer hora do dia. No Boom existem hortas que foram criadas especialmente para os utentes, “feel free to take what you need for your salad” (algo do estilo).


No Boom existe, num dos palcos, um sub-woofer de 16m de largura e 1.8m de altura e as colunas são Funktion 1. Para quem não liga muito a isso, as colunas do Boom são tipo o formula 1 das colunas. O som sai sempre com a melhor qualidade possível. A experiência é incrível!

O Transe Psicadélico é rei no Boom. Quem não goste pode, como eu, aprender a gostar. Quando fui, a larga dos meus amigos não gostava de trance e agora é o que se vê.No entanto há mais oferta nos vários palcos.

 

No Boom não há publicidade. É tudo pago com os 130eur, 150eur, ou 180eur, (3 fases de venda de bilhetes), e com aquilo que lá deixas em comida e bebida. Volto a frisar, curiosamente é tudo mais barato, mais limpo, com menos filas, com muuuuuuuuuuiuto mais espaço do que certamente todos os “outros” festivais. Dá a sensação que a organização do Boom espera que te divirtas e sintas algo realmente diferente daquilo que é oferecido por aí.

 

Sei que muita gente não vai na onda nem à bola com cenastranscendentes new-ages. Pois bem, nem eu! Mas também não me parece que o Boom Festival esteja sequer à procura dessa identidade. Apenas para “intercetar” o último artigo sobre o Boom publicado neste blog:
Na última edição do Boom fui assistir a uma palestra "new age". Não tive muita sorte e aquela a que assisti era um pouco ridícula. Preocupou-me? Não. Eram 50 pessoas ali, 35.000 noutro lado qualquer. Muitas delas não sabiam o que estavam ali a fazer, foram como eu, foram ver. E não há qualquer problema em ver ou ouvir algo com que não se concorda muito. No entanto o Boom oeferece isto: "The Liminal Village presents lectures, workshops and discussion panels on environmentalism, natural living solutions, visionary activism, integral nutrition, conscious dancing, ancient rites and mythology, therapeutical use of entheogens and medicine plants, hacktivism and social media, evolutionary life styles, political action for change…"Daqui, os céticos posso excluir automaticamente certos tópicos por não encontrarem neles qualquer fundamento científico. Eu sou um tipo de ciência. No entanto fico extremamente surpreendido e contente com outros tópicos presentes neste festival, de extrema relevância e precisão científica. No Boom se nalgum momento se misturar algum wishful thinking com hard science,por mim tudo bem. A organização do Boom tem algo a dizer, como vamos ver mais abaixo.

 

No entanto, fica a dica, noutros festivais podes ir à banca da Vodafone ganhar chapéus de sol, na banca da EDP changar toalhas, sacos de praia na Sumol, canetas e pins do Ice Tea, tirar uma selfie com um M&M gigante, apanhar 100 copos de plástico do chão para ganhares 2 cervejas, tentar ir para a zona vip ver o pessoal da TVI, and so on.

 

“Somos um”, “We are love”, etc … temas e lemas do Boom. Secalhar devíamos ouvir isso mais vezes não? Não que eu acredite que desejar coisas com muita intensidade vá resultar nalguma coisa. Mas tal como um documentário pode ser uma ferramenta para continuarmos a explorar uma ideia pela qual vale a pena lutar, também estas mensagens e a experiência de uma semana de Boom o sejam.


Como eu também sei que o autor do outro artigo sobre o Boom gosta bastante do Venus Project, e das ideias do Jacques Fresco, pode-se ver (abaixo) que o Boom Festival é certamente aquele em Portugal que se aproxima dessas ideias e ideais. No final do Boom, toda a gente recebe uma newsletter com um relatório dasmatérias primas que se gastou, tudo descriminado, a sua origem … ver links abaixo.

 

(Fazer download, descompactar e tem 10 fotos com Eco Letter do Boom É seguro, fui eu que criei) e depois pensem no Nos Alive, no Sudoeste, no Paredes de Coura, no SBSR)

 

http://www.mediafire.com/download/m95th6bcxzb6lzo/Boom_Eco_Letter.rar (Eco Letter)

https://www.boomfestival.org/boom2016/news/boom-news/boom-newsletter-dec-2014/

 

O Boom é altamente (minha opinião). Sim há lá uns quantos daqueles que andam apaixonados pelo mundo e pelas energias e essas tretas maradas, mas o número e insignificante. Mas ele os há em todo o lado. O Boom não é de todo uma convenção hippie. É um festival de trance psicadélico. Ninguém se propõe a salvar o mundo e se o fizesse era arrogante. Parece-me que a organização do Boom é bastante científica e Hands On, o que se pode ver pelos vários prémios já recebeu devido à aplicação prática da ciência e tecnologia.

 

- European Festival Award 2010 - Green'n'Clean Festival of the Year

- Greener Festival Award Outstanding 2008

- Greener Festival Award Outstanding 2010

 

Um sentimento que me encheu quando chegou o ultimo dia do Boom foi a tal tristeza do “oh, já acabou”, mas também de algum orgulho (não sou muito orgulhos), de sentir que há uma organização que faz tal coisa em Portugal. Sobre quem vai ao Boom não me interessa.

Sobre quem vai ao Boom e aquilo que fazem, como se apresentam e as suas escolhas não me interessa. Muito já se escreveu sobre as “qualidades” das pessoas que vão ao Boom. Para mim, é ruído de fundo. Todos diferentes, todos iguais.

Siga, po Dance Templeatão!

Pedro Anacleto

 

 

 
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Boom! Explosão de estupidez, por Ricardo Lopes

 

 

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RICARDO MINI copy SOCIEDADE  

 

Cá para mim, o que o pessoal que vai ao Boom fazia bem era no fim um deles começar a cantar "Somos um!", em tom de canto gregoriano, depois aos poucos começarem a cantar todos e a agrupar-se. Depois, um shaman chegava e dizia a todos para alinharem os chakras, davam as mãos, sentavam-se em posição de lótus, pegavam num pepino biológico, mergulhavam a ponta num smoothie de vegetais sem glúten, trincavam a ponta e depois explodiam todos. Surgia então uma nuvem de fumo com a forma de uma folha de cannabis e ficava um cheiro intenso a charro. Então, o local tornava-se um local de peregrinação para os new agers do mundo inteiro e podiam aumentar consideravelmente o preço de entrada nos anos a seguir, até porque por causa do cheiro a charro o pessoal ia para lá convencido que conseguia curar os cancros todos.


No dia a seguir, entrevistavam um new ager na rua, com rastas e sem tomar banho há 6 meses, que dizia que tinha tido pena de não ter conseguido ir ao festival, porque tem a certeza de que agora todos os que se fizeram explodir com base na flatulência causada pelos produtos biológicos e sem glúten, estavam junto dos aliens, o que era bom porque assim podiam começar a ser treinados para tomarem o poder da Terra quando os aliens que já mandam morressem, e assim fazerem alguma coisa para acabar com os chemtrails.


Nisto, ele dizia que era vegano, aparecia uma pessoa com um bife, atirava-o para uma ribanceira e ele atirava-se em voo encarpado para o tentar apanhar e comer.

Ricardo Lopes

 

 

 
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Desespero mediático 9 - jornal Público é mentiroso e manipulador, por Luís Garcia

 

 

DESESPERO MEDIÁTICO 9.jpg

  

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE

 

Estava eu a ler a merda-vómito-jornal Público e olhem o que encontrei:

 

grupos rebeldes como a ex-Frente al-Nusra, agora Frente Fateh al-Sham, o grupo mais poderoso na ofensiva anti-regime em Alepo.

 

Como assim, a Al-Qaeda, que na Síria se chamava Al-Nusra, mudou o nome para Frente Fateh al-Sham. E quê? E para quê? Para que o jornalista-merda-vómito possa referir-se ambiguamente a "grupo" em vez de "organização terrorista"? Para que daqui a uns dias passe de "grupo" a "rebeldes", orwelliana reciclagem de nomes típica da máquina de propaganda do Império e seus vassalos? Orwelliana manobra que leva anos transformando "terroristas" em "freedom fighers", para depois os tranformar de novo em "terroristas", e de novo em "freedom fighers", numa infinita reciclagem de uma tremenda tolice engana massas. A realidade é bem mais simples: não são uma coisa nem outra, são apenas mercenários ao serviço do Império (EUA-Israel).

 

Império que manda trocar o nome ao seu brinquedo Al-Qaeda e o brinquedo autómato-jornalista obedece. Mas não chega. Há sempre que exigir aos brinquedos "informativos" que baralhem a embaralhação, de forma a garantir que nenhum daqueles que seguem ovelhescamente os meios informativos (brinquedos do Império) fique informado sobre a realidade na Síria.

 

E a realidade é que neste momento as forças sírias têm o cerco montado, no leste de Aleppo, às últimas forças invasoras que ainda resistem. Dentro dessa área encontram-se encurralados 300.000 civis sírios. À medida que tem morrido civis em Aleppo leste, os media ocidentais têm se vomitado todos numa inundação informativa de barbarismo mascarado de humanismo, chorando os mortos sem poder explicar esta derradeira batalha de Aleppo. Porquê? Porque essa zona onde se encontram encurralados 300.000 civis é controlada pela... sim, isso, pela nova Frente Fateh al-Sham, velha Al-Nusra, vulga Al-Qaeda. Sem troca de nomes seria difícil criticar Assad por combater a mesma Al-Qaeda que nós "combatemos" por esse mundo fora. Com um nome como Frente Fateh al-Sham, Rua Sésamo ou O Senhor dos Anéis, está resolvido o assunto! Capitche? 

 

 

 Ovelhada essa que só não se informa porque não quer, porque não gosta de se informar, porque têm raiva a quem se informa e ódio a quem a convida a se informar. Caso contrário, não só não engoliriam conspurcadas não-notícias como esta do Público, como também já estariam fartos de saber que é inútil baralhar nomes de organizações terroristas ocidentais (como Exército de Libertação Sírio (ELS) ou a Al-qaeda) porque, sim, porque essas mesmíssimas organizações há muito tempo que não escondem as ligações entre "rebeldes", terroristas e patrocinadores de terroristas-rebeldes (isto é, Império e vassalos). Não escondem! Pelo contrário, inundam a net de provas. É ver bandeiras de Al-Qaeda misturadas com bandeiras do ELS! É ver caras de terroristas famosos saltando ao longo dos meses entre fotos de "rebeldes", da Al-Qaeda e até do ISIS! Sim, ISIS! É ver fotos que mostram soldados turcos (logo da NATO) confraternizando com terroristas do ISIS... E por aí fora, a lista tende para o infinito!

 

No entanto, nesse pequeno rectângulo à beira-mar-plantado e à cérebro-mal-usado, a ver pelos comentários às não-notícias do Público e outras merdas-vómitos-jornais, a velha táctica de mudar regularmente de nomes (já de si longos, árabes e/ou difíceis de pronunciar) de forma a confundir as massas e fazê-las disistir inclusive de perceber o que se passa de facto (objectivo último, que leva ao afastamento e alienação), ainda resulta na perfeição! E é vê-los, aos membros das massas, espumando-se de impropérios anti Assad, é vê-los usar exemplos de "crimes" de Assad que há anos que foram desmascarados ou provados falsos (por exemplo: Cómo los servicios de inteligencia de Occidente fabricaron «el ataque químico» de la Ghouta), e cuja real origem é hoje bem documentada!

 

 

Por isso um dia, quando entrava no café da minha aldeia e perguntei ao pessoal que jogo de futebol estava a ser transmitido na TV, me responderam que Portugal estava a jogar contra os Talibâs. Muito céptico, pois claro, aproximei-me da TV, li "Portugal-Israel" e perguntei: mas o que é que talibãs muçulmanos têm a ver com Israel, país de "judeus" que persegue palestinianos muçulmanos? A malta presente respondeu-me confiante que "ah, isso é tudo igual, é Portugal-Talibãs é!" Enfim, meios de vómito-merda-comunicação, continuai a produzir mais do género, o maravilhoso resultado está à vista! 

 

Aviação russa impede avanços rebeldes em Alepo (jornal Público)


Outro ponto, vejam a merda de título que deram à não-notícia!!! Impede o avanço? E quê, acham mal, não chega de atentados à bomba, cortes de electricidade, caos e terror? Não chega? Os sírios não têm direito a viver em paz? Quem é esta merda de jornalista para vir fazer juízos de valor sobre russos quando não faz a mínima ideia do que se passa em Aleppo! Vá ver as abundantes imagens de vídeo e fotografias dos festejos de sírios que conseguiram nos últimos dias sair das zonas-idade-das-trevas dos "rebeldes" para as zonas controladas pelo governo democraticamente eleito de Assad! Ou pegai no equipamento e ide para Aleppo constatar, se não acreditam, em vez de fazer copy-paste de propaganda barata que leva sangue de sírios e iraquianos nas mãos!

 

 

E qual avanço de rebeldes? Aqueles que admitem entregar armas ao ISIS? Aqueles cujo Pentágono admite saber que parte das armas que lhes deu foram parar ao ISIS? Aqueles rebeldes que executam soldados sírios em praça pública, sem não antes os filmarem sendo vítimas de horrendas torturas? Aqueles rebeldes que obrigam mulheres a taparem-se da cabeça aos pés? Aqueles rebeldes que há dias decapitaram uma criança de 11 anos perto de Aleppo, por acharem que era um apoiante de Assad? É essa porra de merda de rebeldes que vocês jornalistas-criminosos defendem? Ganhem juízo, ou matem-se, pois não têm noção de limites, não sabem quando devem parar com a vossa diarreia jornalística que nunca fez sentido nenhum! Chega, chega, chega!

 

Criança palestiniana decapitada por rebeldes idolatrados pelo Público

 

Para finalizar, quero alertar o leitor que a agência humanitária Capacetes Brancos não é humanitária mas sim sanguinária. As provas são imensas. Em primeiro lugar, e é um facto comprovado, a organização terrorista Capacetes Brancos opera em perfeita coordenação com vários grupos terroristas, sobretudo a Al-Qaeda e o Exército de Libertação Sírio. Depois, os "Capacetes Brancos, também conhecidos como Syria Civil Defence é um grupo criado com a ajuda da Purpose Inc., empresa norte-americana especializada em operações de ONGs envolvidas em acções para mudança de regime. Os Capacetes Brancos são pagos pela USAID ($23 milhões de dólares) e pelo Foreign Office do Reino Unido (23 milhões de libras). Holanda e Japão também doam dinheiro para o mesmo esquema. Os Capacetes Brancos foram montados e treinados, desde meados de 2013 por James Le Mesurier, um "ex" operador da inteligência militar do Reino Unido atualmente residente em Abu Dhabi. Todos são agentes de propaganda camuflados como 'auxiliares' humanitários. Os Capacetes Brancos cooperam em íntima conexão com a Al-Qaeda. Por isso, recentemente, os EUA negaram visto de entrada a um dos seus dirigentes..."

 

Para aqueles mais cépticos em relação às afirmações contidas neste artigo sobre os Capacetes brancos:

 

The White Helmet exposed, by Vanessa Beeley

 

The White Helmets, a Western Terrorist Organization

 

 

 

Luís Garcia, 05.07.2016, Chengdu, China

 

 

 

 

 

 
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Livros de André Malraux em português (PDF)

 

 

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A nova moda é pensar como os nossos avós, por Ana Leitão

 

 

A nova moda é pensar como os nossos avós.jpg

 

  SOCIEDADE 

 

No século XXI, o neopacote obscurantista, inspirado na velha New Age, inclui tendências que estavam na moda há uns séculos atrás. É um pacote porque, quem o adota, toma como suas ideias que tendem a vir em cadeia, aos pares ou aos molhos. É neo porque o velho obscurantismo sofreu uma remodelação aparente que permite o emprego de termos em inglês e a utilização das novas tecnologias. Os seus fundamentos assentam em literatura de blogue e em preceitos ditos ancestrais, cuja fidedignidade é medida pelo número de pessoas que repetem as mesmas falácias e garantida pelo facto de a internet dar vida eterna aos boatos. Com efeito, ficam assegurados seguidores para qualquer ideia, por muito descabida, ilógica, desatualizada, desonesta ou aviltante que esta possa ser.

 

Assim, a inclinação geral do neo-obscurantismo é uma atitude anticiência que tende a colocar em pé de igualdade postulados pessoais de neogurus, com propósitos mais ou menos mercantilistas, a par da idolatria de tudo o que é considerado “natural” – esquecendo-se os seus defensores que nada é natural na cultura humana - e os princípios que sustentam o método científico. Consequentemente, em pleno século XXI, pode-se ter uma posição antivacinação, ser-se seguidor de um qualquer regime alimentar inspirado em mitos, assumir-se como apóstolo de um sincretismo religioso que faz depender a autenticidade dos seus princípios do seu caráter exótico e exibir-se como inflamado defensor de teorias da conspiração mal amanhadas, em desfavor de corpos teóricos assentes em evidências, até ao momento, cientificamente sustentadas. Gilles Lipovetsky designou de “hipermoderna” esta tendência para voltar ao passado e glorificá-lo, através da transformação de crenças e tradições em axiomas, que se opõem ao progresso mais básico. Contudo, aí reside um contrassenso fundamental: as tradições e os costumes ancorados no passado referem-se a formas antigas de fazer as coisas, a visões do mundo para as quais já não deveria haver lugar num sistema pautado pelo respeito pelo outro e pela inovação, em lugar da simples perpetuação, mecânica e demasiadas vezes desumana, irracional e até suicida. Não é o grau de cristalização do passado no presente que deve garantir a legitimidade e a autenticidade das ideias e dos comportamentos. Não é o “saber” de experiência feito, nem os exemplos dos nossos avós, que nos vão ensinar a gerir recursos finitos seriamente ameaçados, nem a respeitar o nosso entorno humano e não-humano, em toda a sua heterogeneidade e num contexto cada vez mais globalizado. Essas estratégias, apoiadas na memória, podem ser refúgios seguros para identidades pessoais e grupais cada vez mais em risco, terra firme para um tempo cada vez mais acelerado e para um espaço cada vez mais fluido. Mas o passado não é um valor por si só.  E o seu enaltecimento cego pode fazer-nos incorrer nos mesmos erros de sempre, tantas vezes cometidos ao longo da História, pelos mesmos motivos. O elogio do passado, nestes moldes agora preconizados, apenas poderá conduzir ao sério comprometimento do futuro e das suas oportunidades de mudança.

 

Ana Leitão

 

 

 
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