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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

O estado atual do mundo humano e como o resolver (2/2), por Ricardo Lopes

 

 

O estado atual do mundo humano e como o resolver 1

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE 

 

Revolta-me que, depois de milénios de abstenção de críticas realistas à atividade religiosa, agora ninguém se chegue à frente para tecer o mesmo tipo de críticas a todas as atividades ideológicas que lhe são afins, e que são instrumentos, utilizados de uma forma mais ou menos intencional e voluntária, de manutenção do status quo.

 

A arte não vai salvar ninguém do seu próprio condicionamento. O próprio dito costumeiro dos artistas de que recorrem à arte como refúgio temporário do mundo real é sinal evidente da sua alienação. É a doença da insanidade.

 

É, para mim, isto a insanidade. A insanidade é um nome que eu uso para designar a forma como o cérebro opera quando condicionado pelos princípios ideológicos dos hábitos de pensamento. A insanidade é não conseguir lidar com o mundo real por termos o cérebro cheio deste entulho cultural que foi aumentando e diversificando-se ao longo da história da humanidade. A insanidade é não saber que um pensamento é apenas um pensamento, e que não corresponde a nada de real. A insanidade é confundir ideias com a realidade. A insanidade é o que resulta do processo de condicionamento cultural e que é causa secundária de um excesso desnecessário de sofrimento, pelo qual as pessoas passam por projetar no mundo real representações imodificáveis do mesmo.

 

Não existe uma única coisa imodificável no universo. Tudo muda constantemente de estado, a energia transfere-se de uns sistemas para os outros, a matéria reorganiza-se micro e macroscopicamente, os seres vivos evoluem pela pressão imposta por fatores ambientais. Até mesmo a cultura humana é mutável. Se há algo que a história humana demonstra é que a cultura humana muda continuamente. Não há nada estanque, nada final, nada perfeito, nada derradeiro, não existem utopias. A mente humana elucubrou estados perfeitos de existência e de organização coletiva, que designou de “utopias”, e a mesma mente humana, quando confrontada com a impossibilidade prática destas “utopias” elucubrou o seu oposto – as “distopias”.

 

Mas, o mais importante de tudo, e que se impõe sempre sobre qualquer coisa que o ser humano possa criar mentalmente, são as condições materiais. Não há ideia que supere a realidade, que supere o ambiente, que supere os fatores externos que atuam sobre o que quer que seja no mundo. Não há ideias que sejam superiores ao mundo, por mais que alguém se convença do oposto.

 

Um mundo melhor – não perfeito, mas melhor – nunca foi possível até recentemente, uma vez que não existiam meios nem instrumentos para providenciar as melhores condições materiais possíveis a cada momento às pessoas ou, pelo menos, à esmagadora maioria da população.

 

Mas um mundo melhor é possível agora. É possível porque a humanidade tem em sua posse o conhecimento científico e desenvolveu a tecnologia necessária para providenciar as melhores condições de vida à totalidade da população mundial.

 

A tecnologia que permite que as pessoas tenham acesso aos bens necessários para sobreviverem é fundamental. Mas, ainda mais importante, são os recursos em termos de conhecimento que deveriam ser providenciados a toda a gente, para que se possa adequar ao melhor novo mundo que se poderia criar.

 

As pessoas precisam de saber tudo aquilo acerca do qual eu aqui discorri, e muito mais. As pessoas precisam de conhecer o melhor possível como funciona o seu próprio cérebro, os fatores externos que nele operam, as influências que podem receber e a que correspondem exatamente. As pessoas precisam de perceber que as outras pessoas estão sujeitas a influências diferentes das delas e, por isso, é que têm ideias, visões do mundo, gostos e se comportam de maneira diferente. Não se tem de procurar igualdade entre as pessoas, a não ser a igualdade de oportunidades e providenciar acesso incondicional ao conhecimento mais atual acerca do mundo e da realidade em que vivem. As pessoas têm de ser educadas para aceitar a diferença e a lidar com ela. As pessoas têm de ser educadas para respeitar os outros incondicionalmente. As pessoas têm de receber os conhecimentos adequados para perceber que elas próprias e os outros se comportam de uma determinada maneira porque receberam influências para isso e tiveram diferentes tipos de experiências, que fazem com que processem cerebralmente a mesma informação de diferentes maneiras.

 

A uniformidade na cultura para promover a coesão social e as melhores interações interpessoais possíveis deve ser procurada no acesso e adesão de toda a gente a estes conhecimentos. Só assim é possível que as pessoas desenvolvam competências sãs de interação interpessoal, de resolução de conflitos, de entreajuda na busca de soluções para o melhoramento progressivo do mundo.

 

No mundo atual, tal não é considerado.

 

No mundo atual, ser uma pessoa “decente”, alguém que tenta não prejudicar os outros – embora tal não seja possível, porque todos consumimos produtos que provêm do trabalho escravo de outros – é um luxo, é quase um sinal de status. Isto porque a esmagadora maioria das pessoas não encontra condições para ser uma pessoa “decente”. A esmagadora maioria das pessoas tem uma vida demasiado merdosa para se poder dar ao luxo de considerar os outros sequer, para os poder ajudar, para poder, até, não cometer crimes.

 

90% da população prisional corresponde a pessoas que não cometeram crimes violentos. São pessoas que cometeram atos, condenáveis aos olhos da lei, para lhes permitir sobreviver, continuar mais um dia vivos, poderem sossegar o cérebro das redes de conexões neuronais estafadas de informação insana através de drogas.

 

Não se pode ser uma pessoa “decente” sem se ter uma casa onde viver, sem se ter o que comer, o que beber, algum conforto, sem ter acesso a cuidados médicos, sem ter acesso a transportes e, provavelmente tão importante como tudo isto, sem ter acesso a uma educação relevante. Relevante, neste caso, é uma palavra que eu uso para me referir a informação que é a melhor representação possível da realidade, o oposto de ideologias.

 

Por isso é que não serve de nada fazer discursos moralistas e apelar a que as pessoas se tornem nisto ou naquilo, quando não lhes são oferecidas condições materiais e mentais para tal. As pessoas precisam de ter a sua sobrevivência assegurada e precisam de ter acesso a conhecimento científico atualizado para poderem desbloquear os hábitos de pensamento e, então sim, tornarem-se “melhores” pessoas.

 

Os discursos moralistas estão repletos de palavras bonitas que não querem dizer nada, ou querem dizer tanta coisa que não querem dizer nada em concreto, ou que querem dizer aquilo que cada um interpreta. Linguagem abstrata, sujeita a interpretação, é um flagelo comunicacional. É um entrave ao estabelecimento de uma comunicação real entre as pessoas, à resolução de conflitos. É uma excelente ferramenta para se passar horas a discutir coisas que não existem, que não têm a mais mínima correspondência com nada de real. Muitas vezes, até, as pessoas utilizam as mesmas palavras para se referirem a coisas completamente diferentes, ou palavras diferentes para se referirem à mesma coisa, e discutem violentamente sem sequer se aperceberem de tal, porque nem sequer tiveram o cuidado de clarificar a sua noção do conceito a que recorrem antes de começarem a discussão.

 

É preciso melhorar a linguagem. As pessoas tratam a linguagem como se fosse uma religião, mas esta tem de ser o mais objetiva possível, o menos aberta a interpretação possível, tal como o é a científica. O interesse é em promover o entendimento entre as pessoas e não os conflitos baseados em mal-entendidos derivados de interpretação pessoais impostos ou projetadas sobre aquilo que outra pessoa proferiu.

 

A ciência, mais do que conhecimento do mundo real, é um processo interminável de melhoramento desse conhecimento por recolha e tratamento de novos dados empíricos. A ciência é também uma representação do mundo real. A ciência é como o mapa e o território é o mundo real. O mapa não é o território, mas pode-se fazer o mapa corresponder o melhor possível ao território. E é isso a ciência, esse processo de aproximação da nossa representação do mundo ao mundo em si. Será sempre um processo inacabado. E, também por isso, é que, caso o mundo humano seja reorganizado e tornado em algo mais são, não consigo conceber um futuro que inclua coisas como a religião, a arte, a filosofia, entre outras atividades ideológicas.

 

A religião e a filosofia, em particular, são, entre outras coisas, tentativas de compreender o mundo, tentativas de arranjar explicações para fenómenos para os quais, em tempos antigos, não se dispunha de instrumentos nem conhecimentos adequados para explicar e conhecer. Foram atividades e processos importantes, também porque tiveram um papel fundamental nas primeiras tentativas que houve de organizar coletivamente seres humanos, mas são ferramentas obsoletas no mundo científico e tecnológico.

 

O mundo físico é o único que existe, é nele que acontece tudo e é nele que se podem observar os mais diversos fatores em interação uns com os outros e as interações que estabelecem entre si, desde as mais mínimas partículas que compõem a matéria até à cultura humana, ou de outros animais.

 

Também numa sociedade futura, na qual não haja razões para alguém se alienar do mundo real, e as pessoas estarão abertas a explorar o mundo real em todos os seus infindáveis aspetos, a arte não terá um papel relevante. Ou melhor, não terá um papel de todo.

 

As pessoas têm de perceber que os placebos de hoje, não terão utilidade no mundo de amanhã. Não há nada, nunca houve, nem nunca haverá, de perpétuo. Pareço repetir-me, mas é uma verdade fundamental. Tudo muda. Até mesmo neste mundo humano, repleto de ideias e valores primitivos – justiça, honra, vingança, deus, mitologia, nacionalismo, patriotismo, amor, ética e moral, verdade, bonito e feio, bom e mau – a mudança é a única constante.

 

Tal como olhamos para trás e consideramos bárbaros determinados costumes antigos, os humanos do futuro olharão para trás e apenas com dificuldade compreenderão a sociedade atual e tudo quanto compõe as atividades humanas e as relações interpessoais. No entanto, estou certo que compreenderão, porque terão uma noção muito mais acurada de como os fatores ambientais operam sobre o comportamento humano, individual e coletivamente.

 

Leia a primeira parte aqui

Ricardo Lopes

 

 
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O estado atual do mundo humano e como o resolver (1/2), por Ricardo Lopes

 

 

O estado atual do mundo humano e como o resolver 1

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE 

 

Vou tentar não culpabilizar indivíduos, ou grupos de indivíduos, mas sim aspetos gerais do funcionamento sistémico da cultura e da sociedade humanas. Não prometo, contudo, que não me irrite e que não venha a redigir, aqui e ali, num tom mais agressivo, porque…eh pá, foda-se…as coisas, simplesmente, não têm de ser como são. Não têm mesmo de ser como são, por mais que tal pareça contraintuitivo, depois de a intuição de toda a gente que vive neste distorcido e retorcido mundo humano ter sido condicionada por milénios de ideias e valores obsoletos.

 

Toda a gente aponta o evidente – mesmo assim, poucos, mas refiro-me à quantidade mínima de pessoas que ainda é capaz de apontar seja que problema for -, mas não me parece que, pelo menos de uma forma significativa, alguém se disponha a apontar as causas basais e arranjar soluções para as mesmas.

 

Muita gente me irá odiar depois disto, mas os verdadeiros problemas do mundo não são a guerra, a pobreza, a fome, as doenças, as alterações climáticas ou a destruição dos recursos naturais. Não é com manifestos e discursos bonitos que vamos resolver os problemas do mundo. Não é a criarmos grupos minoritários investidos de uma causa “justa” contra toda a restante gente que faz parte do sistema hegemónico que vamos resolver os problemas do mundo. Não é a armarmo-nos em bons samaritanos e a darmos esmolas e a irmos para África em campanhas de solidariedade que vamos resolver os problemas do mundo. Não é a juntarmo-nos estupidamente para uma morte precoce a limpar derrames de crude que vamos resolver os problemas do mundo. Não é a moralizarmos os outros que vamos resolver os problemas do mundo. Os problemas do mundo não são os problemas das mulheres, nem dos homens, nem dos pretos, nem dos índios, nem dos chineses, nem dos etíopes, nem dos ricos, nem dos pobres, nem dos trolhas, nem dos professores, nem dos médicos, nem dos polícias, nem das vítimas de violência doméstica. Os problemas do mundo não são causados por psicopatas, nem por megalómanos, nem por criminosos, nem por misóginos, nem por homofóbicos, nem por direitistas, nem por esquerdistas, nem por sem-abrigo, nem por multimilionários. Tudo isso são sintomas, tudo isso é a rama dos problemas do mundo, e tudo o que se faça em relação a esses problemas isoladamente é como estar a tentar impedir um barco que tem um buraco no fundo de se afundar a tirar água com baldes. Não interessa se se arranjar um balde maior, não interesse se se aumenta a velocidade do enchimento do balde, não interesse se se arranjar mais gente com mais baldes. O barco vai continuar a encher de água até estar completamente submerso.

 

Os problemas do mundo começam com aquilo que as pessoas têm na cabeça.

 

A partir do momento em que se condiciona alguém para uma cultura que define papéis estanques, está-se a condenar essa pessoa para sempre. Inventam-se rótulos, e esses rótulos vêm acompanhados de um texto repleto de exigências e expectativas que têm de se cumprir. As pessoas nascem com um cérebro altamente plástico. Os neurónios e os circuitos neuronais organizam-se de acordo com os estímulos que se recebem do exterior. Não existe o “eu” e as circunstâncias, como alguém dizia. Existem as circunstâncias. As circunstâncias são tudo. Até se pode nascer com um determinado conjunto de genes, mas até mesmo a sua expressão é altamente influenciada por fatores externos. Não existe ser vivo nenhum que não seja completamente o resultado dos fatores ambientais a que está sujeito. Desde a sua biologia até ao seu comportamento, tudo é determinado por tal. E, no que diz respeito ao animal humano, tal é ainda mais complexo, uma maior quantidade de fatores atua sobre a determinação daquilo que designam de “personalidade”.

 

Quando alguém nasce, principia-se imediatamente o processo de condicionamento cultural. A criança já foi influenciada, principalmente a nível biológico, desde a sua vida intrauterina, por uma miríade de fatores físicos e químicos. Mas, assim que abandona o útero, começa a ouvir outras pessoas a falar. A linguagem é a base do condicionamento cultural e é o primeiro fator a atuar sobre o cérebro do bebé e a condicioná-lo para determinados sons, que mais tarde são emitidos. Esses sons são palavras ou o que quer que seja que determinem como unidade linguística. E estas mesmas palavras persistirão na memória do bebé e condicioná-lo-ão para um determinado ponto de vista do mundo. Não apenas isso, mas também servirão de base à posterior acumulação de novas palavras, palavras essas que apenas têm vigência na cultura para a qual a criança é condicionada, que não correspondem, portanto, ao mundo real, mas sim a uma representação do mundo real, provavelmente elaborada desde há dezenas de milhares de anos, ou mais.

 

E isto é uma forma de violência. A criança não tem escolha senão ficar limitada à representação do mundo que lhe é imposta. Uma vez assimilada a língua e a sua gramática (que é, também, altamente circunstancial e concorre para a expressão contextual do mundo), seguem-se os papéis sociais. E há muitos. E, normalmente, uma mesma pessoa é vários. Vem o que é ser “mãe”, “pai”, “irmão”, “avó”, “avô”, “família”, “amigo”, “amiga”, “namorado/a”, “mulher”, “homem”, e tudo o mais que determina o papel que a pessoa deve assumir nas relações interpessoais, cobrindo todos os níveis de interação social, desde o pessoal ao familiar e ao profissional.

 

Então, a criança já sabe o que é ser um “bom” ou uma “boa” qualquer uma dessas coisas. E também o que é ser um “mau” ou uma “má” qualquer uma dessas coisas. Só ninguém a imuniza contra o sofrimento desnecessário pelo qual irá passar quando falhar em ser o “bom” ou a “boa” qualquer uma dessas coisas. Ninguém lhe explica o que é a língua, qual a sua origem, o que realmente representa. Ninguém lhe explica que todos estes rótulos foram inventados há muito tempo, numa altura em que eram ferramentas para manter a sociedade o mais coesa possível e facilitar as interações sociais, com o mínimo de percalços. Ninguém lhe mostra as falhas que este sistema de organização social tem. Ninguém lhe diz que existem ideias, e existe o mundo real, e que são duas coisas diferentes. Ninguém lhe diz que não tem de corresponder a ideais determinados para um mundo humano no qual não existem condições para alguém lhes corresponder e que, se tal acontece, é por mero acaso.

 

E porque é que ninguém faz isto? Porque não pode. Porque, como disse, não há condições para o fazer. Teria de ser feita uma transição gradual para outro tipo de sistema para que as pessoas se pudessem desenvencilhar definitivamente destes rótulos, destas abstrações que alguém inventou há muito tempo e que outros foram modificando através de associações com informação nova, mas que não funcionam.

 

Agora é moda ser contra a religião, da parte dos ditos “racionalistas”, ou pessoas “racionais”. A religião é, para o “racional”, a epítome do obscurantismo intelectual, da alienação da humanidade, da promoção da ignorância, do condicionamento das pessoas para o niilismo, por lhes prometer uma vida depois da morte melhor do que alguma vez esta poderá ser.

 

Eu não consigo distinguir as pessoas que designo de “ideólogos” umas das outras. Não consigo distinguir um religioso de um filósofo, um artista, um místico, um político ou um economista, apenas para nomear algumas das principais atividades a que se dedicam os tais “ideólogos”.

 

Os ideólogos, nas suas mais variadas manifestações, são pessoas que vivem com base nos seguintes princípios:

 

  • Determinar a origem da informação que se tem no cérebro não é importante;
  • As ideias são superiores aos dados empíricos;
  • As ideias são superiores à informação que se recolhe do mundo real;
  • Através da simples abstração, é possível descobrir “verdades” – informação acerca do mundo real;
  • A linguagem tem uma relação de correspondência exata com a realidade;
  • O raciocínio é a atividade que permite descobrir verdades acerca do mundo real, por excelência;
  • Não interessa conhecer os viés a que se está sujeito;
  • Não interessa validar o conhecimento empiricamente;
  • Não interessa conhecer o condicionamento a que se está sujeito;
  • Considera-se o autoritarismo – as ideias são boas se provierem de alguém que se distinguiu no seio da atividade;
  • Como não se considera a informação empírica, almeja-se conhecimento que é universalmente válido, independentemente das circunstâncias;
  • Toma-se o comportamento humano como sendo inalterável e intemporal;
  • Estabelecem-se considerações acerca da “natureza humana” e do que a compõe;
  • Determinam-se ideais impraticáveis, mas que se procura impingir ao mundo pela via da sua simples transmissão;
  • Desconsidera-se todo o conhecimento existente acerca das condicionantes do comportamento humano;
  • Atribui-se intencionalidade aos fenómenos que ocorrem no universo;
  • Recorre-se frequentemente à “teoria da mente” para explicar fenómenos que não se procura conhecer empiricamente.

 

Estes são os principais fatores dos quais me consigo lembrar, mas certamente existirão outros e, cada um destes, poderia ter partido em ainda mais, expondo detalhes acerca destes hábitos de pensamento.

 

Agora, qual é a real diferença entre alguém seguir cegamente um livro que foi redigido por uma certa quantidade de pessoas ao longo de mais de 2000 anos e que contém a “palavra do Senhor”, e alguém seguir as ideias de uma ou várias pessoas que criaram conceitos definidos de uma forma puramente abstrata e que consideram que deveriam nortear a vida das pessoas e as suas relações interpessoais? Há que atentar na tentativa da parte de qualquer uma destas atividades em orientar, com base em meras ideias, a vida da totalidade da espécie humana.

 

continua...

Ricardo Lopes

 
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Cegos não, clinicamente mortos!, por Luís Garcia

 

 

 

Cegos não, clinicamente mortos!

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE 

 

  

Não estão cegos os meninos e as meninas? Pois não, estão cegos, surdos, mudos, lobotimizados e analfabetos! Pelo menos! Não estão cegos os meninos e as meninas? Pois não, estão bem pior, já atingiram a morte clínica ou, na melhor das hipóteses, estão em coma profundo!

 

São contra a guerra? Ahh, sim? E são a favor do quê, da paz podre? Lembraram-se de ser contra a guerra agora que russos e sírios limpam o cebo aos vossos adorados terroristas da al-Qaeda e do ISIS? Engraçado, quando os mesmos, rebentaram bombas em Madrid, Londres, Paris e Bruxelas, fiquei com a impressão que toda a gente era anti al-Qaeda!?!? Que engraçado, que puta de humanistas, vêm com manifestações-choradeiras exigindo que se pare a guerra contra o terrorismo na Síria, para depois se queixarem que há demasiados refugiados sírios na Europa! A morte dos terroristas mercenários na Síria causa-vos reacções de empatia, de pena e de choradeira! A chegada de refugiados sírios à Europa causa-vos reacções racistas, nacionalistas, chauvinistas e xenófobas e, quando uma pessoa dá por ela, lá está outro centro de refugiados sendo consumido pelo fogo, não é?

 

E o quê, "o governo espanhol não faz nada"? Como assim, é facto provado que Espanha vende armamento à Arábia Saudita, armamento que acaba sendo utilizado por terroristas para matar civis na Síria, armamento que acaba nas mãos das forças armadas medievais sauditas que realizam neste momento uma ilegal guerra de ocupação do seu vizinho Iémene! E o quê, "o governo espanhol não faz nada"? Então mas se foi precisamente a Espanha (junto com o Egipto e a Nova Zelândia) que esta semana propôs ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução pedindo uma paz podre igualinha à que vocês agora pedem!?!? Sois burros? Ignorantes? Deficientes mentais? Gostais de fazer figura de otário? Drogas em demasia? Que ridículo comportamento o vosso!

Contra a guerra, mas não são contra o envio de armamento para os "rebeldes" terroristas.

Contra a guerra, mas nada disseram quando os EUA ilegalmente massacraram de uma assentada 100 sírios, para depois dizerem que tinha sido engano!

Contra a guerra, mas nada dizem sobre Israel que todas as semanas realiza ilegais e criminosos ataques aéreos na Síria!
Contra a guerra, mas nunca exigem que Israel acabe com a ocupação militar dos Montes Golãs sírios!
Contra a guerra, mas onde estavam quando numa semana o Reino Unido e França dizimaram 10.000 líbios?
Contra a guerra, mas ninguém vos vê falar da invasão do Iémene por parte da Arábia Saudita, Reino Unido e EUA!
Contra a guerra, mas nada dizem sobre o massacre de curdos na Turquia!
Contra a guerra, mas nada dizem contra a invasão da Turquia à Síria, onde já controlam 5.000 km2!
Contra a guerra, mas nada dizem contra a invasão da Turquia ao Iraque!

Contra a guerra, na Síria, contra o terrorismo patrocinado por nós, mas a favor da guerra, no Iraque, contra o terrorismo patrocinado por nós! Libertar Mossul é um acto benigno, libertar Aleppo é um acto maligno.
Contra a guerra, mas nada dizem das bases militares da NATO instaladas na Síria secreta e ilegalmente!
Contra a guerra que a Rússia não fez contra a Ucrânia e, ao mesmo tempo, contra a guerra que a Rússia faz ao terrorismo ocidental na Síria!?! A Sério?
Contra a guerra, mas nada dizem sobre os roquetes lançados pelos "rebeldes" terroristas de Aleppo leste sobre os da restante Aleppo. Todos os dias morrem civis inocentes, esta semana morreram inclusive 2 médicas russas, mas que se fodam não é? Para vocês, há civis inocentes bons e civis inocentes maus, não é?
Contra a guerra, mas nada têm contra os "rebeldes" terroristas que não permitem que milhares de civis reféns em Aleppo leste saiam e fujam para longe, não é?
Contra a guerra, mas após 15 anos de guerra e ocupação militar da NATO, continuam a morrer todos os dias civis inocentes no Afeganistão? Então, estes não merecem a atenção da vossa humanitária empatia?
Contra a guerra, mas continuam consumindo na Europa electricidade produzida pelo petróleo que o ISIS vende aos israelitas e turcos e que estes vendem depois a nós? Como se armamento fosse coisa barata, não é? Dá jeito vender petróleo para comprar munições, não dá?
Contra a guerra, mas não disseram nada quando terroristas criados (também) pela França rebentaram bombas em Paris e em reacção tresloucada a França bombardeou e matou mais de cem civis, vítimas a longo prazo dos mesmos terroristas.

 

Contra a guerra, sim, se for uma guerra da Rússia contra alguém. Transtorna-vos ver a Rússia conquistando terreno ao ISIS e à al-Qaeda (ler "rebeldes"), tenho constatado. O problema é que por entre o top 10 de exportadores de armamento estão EUA, europeus, Rússia e China. Se Rússia (e China, sua aliada), não vendem armamento ao ISIS e às restantes organizações terroristas presentes na Síria, quem vende afinal? Extra-terrestres? Qual quê, vejam as montanhas de fotos e vídeos mostrando armas de fabrico europeu, norte-americano, turco e israelita usadas por ISIS e al-Qaeda!
Contra a guerra, sim, mas apenas quando os órgãos de propaganda como a USaid ou o NED vos convocam sem que vocês saibam sequer o que é a USaid ou o NED. Querem uma pista? CIA!
Contra a guerra, sim, mas apenas quando os órgãos de propaganda como o Avaaz, controlado pelos mesmos de cima, voz pedem que se comportem ovelhescamente e assinem petições de "non flight zone" sem fazerem a puta ideia do que isso significa e quais as suas consequências! Sem fazer puta ideia no que deu uma "non flight zone" na Líbia em 2011! Méééé!
Contra as guerras de defesa de soberania e integridade territorial como a da Síria! Pois, mas contra as guerra de limpeza étnica (de curdos na Turquia) ou as guerras de invasão e roubo (no Iémene) nada têm a dizer! Palhaços!


Ahhhh, puta de ovelhada hipster new-ager bem-pensante, que só acorda quando os serviços de propaganda da CIA lhes impinge um "I am an Ukrainian" ou um "No estamos ciegos".... que profundo nojo mete o vosso ilógico humanismo! Que profundo nojo!

 

Felizmente ainda há gente lúcida, como o autor (desconhecido) desde texto que circula no facebook:

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E já agora, vejam o que o vosso amado nobel da piça Barack Oguerra propõe, hein, mais fornecimento ilegal de armamento a organizações terroristas na Síria! Paz é Guerra! Guerra é Paz! Mééééééééé...

Luís Garcia, 09.12.2016, Chengdu, China

 

 
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Uma perspectiva crítica sobre o "Exército de Aleppo", por Luís Garcia

 

 

o caralhinho de Aleppo

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE 

 

 

Muita gente por esse mundo fora vê al-Assad como um ditador genocida sanguinário. Eu discordo mas, cada um crê no que quer, racionalismo e pensamento crítico não são obrigatórios em lado nenhum. Se fosse, quiçá a pacifista multidão anti-al-Assad se visse também obrigada a provar, objectivamente, de onde foi tirar a "sua" opinião sobre a-Assad. Eu aqui proponho o exercício contrário, tentar provar, racionalmente, que os heróicos "rebeldes moderados" são terroristas extremistas ou, então, não existem!

 

Os EUA e seus beija-cus europeus afirmam que os russos, de forma "criminosa e irresponsável", "não distinguem rebeldes de terroristas e bombardeiam todos indiscriminadamente". Por outro lado, esses mesmo rebeldes e/ou terroristas, perante as perdas diárias de território em Aleppo leste, colocaram de lado todos seus rótulos (al-Qaeda, Frente Islâmica, Soldados de al-Aqsa, Exército da Conquista, Ahrar al-Sham, Jaysh al-Islam, etc. para os terroristas, Exército de Libertação Sírio para os rebeldes moderados) e anunciaram ao mundo que agora lutam todos juntos (hehe, que espanto) sobre um único nome: O Exército de Aleppo!

 

Ora, durante os últimos 3 meses, perante as investidas militares da Rússia, Síria, Irão e Ezbolá contra os "ocupantes" de Aleppo leste, os EUA e seus estados vassalos têm insistido vezes sem conta que essas investidas, a terem lugar, deveriam realizar-se apenas contra os ocupantes terroristas e jamais contra os ocupantes "rebeldes moderados". Tudo bem, sempre afirmou a diplomacia russa pela voz de Lavrov, apesar de ser lunática a exigência. Tudo bem, sempre disse Lavrov, e a Rússia comprometeu-se oficialmente, através de acordos assinados directamente com os EUA, a bombardear apenas terroristas da al-Qaeda (al-Nusra) e seus pares e a poupar as vidas dos "rebeldes moderados". Mas com uma condição: que os EUA fornecessem todos os dados na sua posse que provassem quem era rebelde moderado e quem era terrorista, assim como as suas localizações exactas dentro de Aleppo leste, nomes de líderes, etc. Sempre omitido pelos media ocidentais como a merda da RTP, o facto é que os EUA nunca conseguiram provar a diferença entre terroristas e "rebeldes moderados" e, em consequência, a Síria, a Rússia e seus aliados partiram para a reconquista de Aleppo leste sem diferenciar nenhum grupo armado lá estabelecido.

 

Sinceramente, é preciso estar imensamente distanciado da questão síria para acreditar que num terço da área de Aleppo pudessem coabitar em perfeita harmonia várias organizações terroristas como a al-Qaeda, Frente Islâmica, Soldados de al-Aqsa, Exército da Conquista, Ahrar al-Sham, Jaysh al-Islam, com os humanistas "rebeldes moderados", sem que dessa coabitação resultasse a mistura entre o "mal" e o "bem", hehe. Aliás, quando se vê uma cara famosa do "bem" (ler rebelde moderado do "Exército de Libertação Sírio" que aparece piscando o olho no vídeo abaixo), degolando uma criança palestiniana de 12 anos em Aleppo pelo crime de ser palestiniano, uma pessoa pergunta-se "que raio de bem é esse", mas enfim... E uma pessoa pergunta-se porque toda a gente no ocidente viralizou nas redes sociais a sua "tristeza" para com a suposta morte do palhaço da al-Qaeda, enquanto cagaram em silêncio para a morte deste rapaz palestiniano: 

 

 

 

Para a diplomacia dos EUA, a falsa questão era a de separar o trigo do joio, pois sim, mas a verdadeira questão é antes se há alguma diferença entre al-Qaeda (e seus pares), ISIS e "Rebeldes moderados". Uma pessoa bem informada sobre o assunto (e sim, neste ponto podem me chamar de arrogante) já se cansou de ver os mesmos nomes e as mesmas caras saltando de uns grupos para os outros, para a frente e para trás, como uma bola num jogo de ténis. Saltam em função da quantidade de armas recém-lançadas do céu por aviões de carga dos EUA. Saltam em função das mudanças salariais propostas aos mercenários... Uma pessoa mal informada pode procurar informar-se ou, se não lhe interessar o assunto, permanecer calada. Vomitar tristezas sobre "palhaços" virtuais da al-Qaeda é que não, um pouco de pensamento crítico por favor!

 

 

Mas foquemo-nos na diplomacia russa, a dos "bárbaros imperialistas" russos. A Rússia sempre se mostrou disponível a acreditar de imediato na mentira de diferença entre terroristas e "rebeldes", tão pronto lhes chegasse às mãos as provas. Como não chegaram, desencadeou-se a batalha final pela libertação de Aleppo leste. Se russos e sírios fossem bárbaros sanguinários como os nossos media prostituídos os intitulam, não vejo por que raio haveriam de complicar uma coisa tão simples. Não vejo porque não actuam à gringo: despejar uma chuva de bombas, matar tudo o que se mexe e partir tudo o que existe em Aleppo leste e, 2 ou 3 dias depois, declarar Aleppo leste livre de terroristas (e de tudo o mais). Mas não , esses tolinhos do Putin e do al-Assad metem-se a brincar aos humanitários abrindo corredores pelos quais os terroristas/rebeldes possam fugir impunemente! Para quê, para depois reencontrá-los vivos e rearmados, em combate, numa outra zona da Síria? Olha que suicidas estes 2, a ser assim! Ou, não será antes o caso dos "sanguinários" Putin e al-Assad preferirem não matar rebeldes/terroristas, a correr o risco de matar civis? Mmmm, mas há um problema para uma mente crítica: onde encaixa esta estratégia de poupar vidas humanas com a omnipresente histeria anti-al-Assad e anti-Putin dos nossos media? Em lado nenhum, não encaixa em lado nenhum! Por isso é preciso anestesiar a ovelhada com supostas mortes de supostos palhaços supostamente de Aleppo, espalhando propaganda da equipa de relações pública da al-Qaeda/Exército de Libertação Sírio: os White Helmets e, especificamente, de um dos seus membros, Mahmoud al-Basha, o suposto irmão do suposto palhaço supostamente de Aleppo (https://twitter.com/mahmoud_basha8).

 

Para os que não sabem o que é o White Helmets (candidatos ao Nobel da Paz 2016, imagine-se o delírio!), partilho aqui um pequeno vídeo de 4 minutos, seguido de um documentário de 1h12m:

The White Helmets, a Western ONG Terrorist Organization

 

The White Helmet exposed, by Vanessa Beeley

 

Voltando à Rússia e ao que se tem passado nos últimos 12 dias em Aleppo, à medida que as forças sírio-russas vão reconquistando bairros atrás de bairros em Aleppo leste, os EUA reagem exigindo o que não podem exigir, ou seja, que haja um cessar fogo. Para quê? Porquê? Porque, segundo os EUA, cada vez há menos terroristas em Aleppo leste, porque cada vez há mais "rebeldes moderados" (!?!) e porque estes últimos precisam de receber "ajuda humanitária" ocidental. Ora os russos têm uma visão completamente oposta. Dado que os EUA não apresentam as provas que poderiam diferenciar terroristas de "moderados" e dado que desde há dias todos os grupos armados dentro de Aleppo leste se uniram oficialmente sobre um único nome, o Exército de Aleppo, a Rússia e a Síria só têm um objectivo: remover esses mercenários ilegalmente estabelecidos em Aleppo, cidade do estado soberano da Síria. Assim sendo, e dado também o historial de cessar-fogos usados pelos EUA para rearmar os seus grupos terroristas em solo sírio, a batalha continuará até que a cidade fique livre por completo desses mercenários. Simples! O major-general russo Igor Konashenkov, no vídeo seguinte, expõe muito bem todas estas contradições e mais algumas:

 

 

Quero vos falar de uma delas, a minha preferida, por ser um exemplo perfeito de pensamento crítico. De forma irónica mas lógica, e aceitando a premissa norte-americana sobre a distinção absurda entre al-Qaeda e o Exército de Libertação Sírio,  o major-general Igor Konashenkov argumenta que, sabendo que a al-Qaeda não possui meios tecnológicos que lhe permita fazer recolha de dados militares de reconhecimento (satélites, drones espiões, etc), não é possível acusar a al-Qaeda de ter atingido com roquetes o recém-instalado hospital de campanha russo, acto do qual resultou a morte de duas médicas russas. Os "rebeldes" e/ou terroristas encontram-se completamente cercados numa diminuta parte de Aleppo e são alvos de investidas russo-sírias 24 horas por dia, excluindo-se assim a hipótese de poderem ter enviado espiões fazendo reconhecimento de território, os quais teriam encontrado o hospital acabado de instalar. Se não foram os terroristas da al-Qaeda que atacaram o hospital (ver vídeo abaixo), e sabendo que os roquetes partiram de Aleppo leste ocupada por terroristas e "rebeldes", então o criminoso ataque ao hospital só pode ter sido realizado pelos "rebeldes". E esses sim, porque são boa "gente moderada", porque são oficialmente patrocinados pelos EUA, poderiam ter recebido dos EUA, Reino Unido ou França as coordenadas precisas do novo hospital cuja a existência desconheceriam por completo. O que se tira desta história?

 

Que, ou al-Qaeda e Exército de Libertação Sírio (ELS) são a mesma coisa e portanto o ELS é uma organização terrorista ou, que O ELS, não tendo nada a ver com a al-Qaeda, é uma organização terrorista pois ataca com roquetes hospitais em Aleppo libertada graças aos dados de reconhecimento oferecidos pelo Ocidente. Conclusão extra: EUA e seus estados vassalos, se fornecem dados de reconhecimento aos seus aliados "moderados" que acabam sendo usados na realização de actos terroristas... epá, foda-se, são estados terroristas! Ou, se fornecem dados de reconhecimento ao ELS que é também al-Qaeda... epá, foda-se, são estados terroristas! Mas quem é que ainda não percebeu isto após todos estes anos de acumulação de provas?

 

 

Para finalizar, que dizer da última decisão da Câmara dos Representantes norte-americana sobre o conflito sírio, hein!?! Aconteceu no dia 2 de dezembro, nos EUA mas, pelos vistos, os órgãos de comunicação do humanista mundo livre, hehe, como a RTP ou a Globo, não deram por nada, ora bolas! A dias de Barack Owar se ir embora,  com 375 votos a favor e 34 contra, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou um projecto de lei que impedirá a cooperação militar entre os EUA e a Rússia, logo agora, a dias de Trump tomar posse como presidente dos EUA, esse mesmo Trump que prometeu cooperação militar entre os EUA e a Rússia com o objectivo de por fim ao conflito sírio!?! Ahhhhhhhhhh........ lindo!

 

Luís Garcia, 08.12.2016, Chengdu, China

 

 
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Utopias e Distopias, por Ricardo Lopes

 

 

Utopias e distopias 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE POLÍTICA

 

 

Todo um vídeo baseado nas diarreias mentais de artistas.

Mas o que é que os artistas sabem de ciência, de tecnologia? Mais, o que é que os artistas querem saber sequer de ciências sociais? Nada!


Ainda se mantém a moda, que se começou a gerar nos finais do século XVIII, de acusar a religião e o clero como sendo responsáveis pelo obscurantismo intelectual, pela ignorância das massas, pelas promessas vãs de futuros ideais intangíveis e de resignação ao estado da arte da organização social.


Ora bem, então alguém que me explicar qual é a diferença entre isto e pessoas que não pretendem ter contacto com o mundo real, a quem não interessa validar empiricamente o que lhes vem à cabeça e aceitam como verdade apenas porque soa bem, e que desde que há palavra escrita passaram milénios a registar e a acrescentar à cultura humana conceitos abstratos que não correspondem a nada de real, mas a meros ideiais aos quais consideram que a sociedade se deve conformar, sob pena de ser uma merda caso não o faça? Não há diferença!


Quem inventou "utopias" foram os artistas e os filósofos! Quem inventou as "distopias", como reação ao facto de perceberem que quando na tentativa de projeção destes conceitos na realidade esta não se adapta a eles, foram os artistas e os filósofos!


Os artistas, os filósofos e os religiosos, com as suas taras ideológicas, condenam, desde há dezenas de milénios, a sociedade, por via cultural, a um sofrimento e a distúrbios mentais muito para além daquilo por que poderiam passar, independentemente da qualidade das condições materiais.


Os artistas e os filósofos são uma expressão cultural parasitária. Parasitam a mente das pessoas de conceitos que não correspondem a nada de real, e que as condicionam profundamente, alienando-as.

Ricardo Lopes

 
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Shadi Halwi em Aleppo Leste libertada, por Luís Garcia

 

 

Shadi Halwi em Aleppo Leste libertada

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE 

O artigo hoje é curto, curtinho, porque por vezes um vídeo, também curto, vale mais que mil palavras. Convido o leitor a antes demais assistir ao vídeo abaixo, depois explico o porquê deste artigo:

Shadi Halwi recebido de forma efusiva pelos civis em fuga de Aleppo oriental

 

Contra todos os dados disponíveis, os media ocidentais insistem em afirmar que "dezenas de milhares de sírios fogem dos criminosos bombardeamentos do exército sírio sobre Aleppo oriental". Mais, afirmam que os tais "bombardeamentos estão a provocar uma crise humanitária", "uma catástrofe humanitária". Eu digo que não, insisto que, pelo contrário, as dezenas de milhares de civis sírios fogem do terror da al-Qaeda (e companhia) reinante desde há mais de 4 anos naquela parte de Aleppo. Fogem rumo à liberdade proporcionada pela vitória das forças militares sírias e russas contra o terrorismo patrocinado pelo ocidente. Fogem rumo a Aleppo ocidental controlada pelo governo legítimo de al-Assad, onde chegam uns a pé e outros em autocarros disponibilizados pelo governo sírio. Chegam e são recebidos com comida, medicamentos e abrigo temporário.

 

Agora falemos do vídeo acima. Qual a sua importância? Simples, o senhor que todos aqueles civis sírios cumprimentam efusivamente dá pelo nome de Shadi Halwi e é um jornalista da agência de notícias estatal Syrian News Center. Mais, este senhor conhece pessoalmente Bashar al-Assad e a sua família. Este senhor tem arriscado a sua vida nos últimos anos reportando os horrores da agressão estrangeira ao seu país. Este senhor quase foi morto em Maio passado às mãos do Abu Omara Battalions, um grupo de "rebeldes libertadores" terroristas que o acusaram do crime de informar o povo sírio sobre a barbárie perpetrada por esses "rebeldes libertadores". Felizmente sobreviveu. Infelizmente, nada foi dito sobre o assunto na manipuladora RTP.

 

A ver pela reacção dos civis sírios, a cara de Shadi Halwi deve ser muito familiar mesmo para quem viveu estes últimos 4 anos em Aleppo sobre o controlo das organizações terroristas do "Exército de Libertação Sírio". Mais, não é só familiar, é familiar e positiva, muito positiva. Como puderam ver, toda a gente quis cumprimentá-lo, toda a gente se mostrou feliz, mesmo efusivamente feliz por encontrar ali o jornalista Shadi Halwi.

 

Agora pergunto, e gostaria de dirigir a pergunta ao jornalista Paulo Dentinho, novo director de informação da RTP que esteve há pouco em Aleppo:

  • Como é possível que ao mesmo tempo, por um lado, segundo a RTP, os civis de Aleppo leste fogem "dos bombardeamentos do genocida governo sírio" que provocam uma "catástrofe humanitária" e, por outro, segundo as imagens do vídeo acima, esses mesmos civis festejam a aparição de um jornalista que trabalha para o governo sírio e é amigo pessoal do "genocida" al-Assad?

 

Este artigo vai ser enviado ao senhor Paulo Dentinho. Terá direito a resposta em forma de artigo neste blog se o desejar, sem edição nem manipulação alguma, pois eu não trabalho para a RTP. Vamos ver se responde.

 

Para os mais cépticos, partilho aqui a conta facebook do jornalista sírio (https://www.facebook.com/shady.hulwe) e duas fotos dele. A primeira mostra o jornalista Shadi Halwi à esquerda, acompanhado por Bashar al-Assad e a esposa deste, Asma Al-Assad. A segunda mostra o mesmo jornalista Shadi Halwi em Palmira, acompanhado por Suheil al Hassan, um major-general das Forças Armadas da Síria:

 

Shadi Halwi, Bashar Al-Assad e Asma Al-Assad

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Shadi Halwi e o major-general Suheil al Hassan

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Luís Garcia, 02.12.2016, Chengdu, China

 

 
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Desespero mediático 13 - RTP realiza terrorismo-jornalístico, por Luís Garcia

 

 

DESESPERO MEDIÁTICO 13

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE 

Propaganda transmitida pela RTP

Antes de ler este artigo, por favor assistam a esta disparatada montagem emitida pela RTP cujo objectivo foi o de fazer crer aos portugueses que teria sido o exército sírio e a força aérea russa quem matou civis estes últimos dias em Aleppo:

Bombardeamento causa a morte de 45 civis em Alepo

 

Que vergonha!, que vergonha! Mostram cadáveres humanos no chão? E depois, desde quando é que pessoas mortas são sinónimo de bombardeamento russo ou sírio?

 

Entrevistaram vários civis que, sim, falam árabe, mas em nenhum momento é dito que sejam sírios em Aleppo nos últimos 4 dias! Nas imagens disponibilizadas não aparece nenhum objecto ou inscrição que prove ou pelo menos dê indícios sobre o local onde as imagens foram filmadas! Nenhum dos entrevistados falou de bombardeamentos aéreos, nem sírios nem russos! Aliás, nem sequer falaram de bombardeamentos! Os entrevistados, de forma natural, apenas lamentam as mortes dos seus familiares. Porque que não se queixam do "ditador sanguinário" al-Assad"? E, se não se queixam de ninguém, como posso saber se foram mortos por russos-sírios, por "rebeldes" terroristas, ou pelo Mickey Mouse? O quê, eu tenho de, num cego acto de fé, acreditar na vossa palavra, farto que estou de vos apanhar a mentir? Não, não e não. Para permanecer honesto, um jornalista, ou prova as acusações graves que faz contra sírios e russos ou não abre sequer a boca. O que fizeram neste vídeo cai numa terceira categoria: manipulação grotesca!

 

Não, a sério, como provam que os mortos são resultado de supostos bombardeamentos que ninguém filmou nem ninguém fotografou? Que espantoso, não havia ninguém por perto, com um telemóvel, no momento do ataque aéreo sírio-russo? Pois não, nunca há, nunca houve, nunca ninguém consegue aparecer com prova nenhuma das milhares de acusações gravíssimas que fazem aos exércitos da Síria e da Rússia! Que estranha coincidência!

 

Ah, como os "5 hospitais de Aleppo bombardeados pelos russos" segundo o governo norte-americão, não é? Acusar é fácil, mandar piadas de mau gosto para o ar idem aspas, mas o problema é que o governo russo pediu a lista e localização desses hospitais, de forma a poderem averiguar a veracidade das acusações e, como é hábito, ninguém em Washington soube indicar sequer os nomes dos tais hospitais fantasmas! Claro que este último ponto é um pormenor insignificante para a RTP (e outras merdas mediáticas portuguesas), se os EUA, país do bem supremo, diz que os demoníacos russos bombardearam hospitais, então é porque é verdade! Material que comprove? Para quê? Seria blasfémia duvidar por um segundo desses angélicos governantes norte-americães! Querem rir um bocado? Então vejam neste vídeo como o porta-vós do departamento de estado dos EUA não consegue responder a uma jornalista da RT que lhe perguntou o mesmo: quais os nomes dos 5 hospitais supostamente bombardeados pela força aérea russa?

 

 

Voltando à não-notícia RTPiana, leram, constataram como confiam os jornalistas-merda-humana portugueses na palavra do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH)!?! Que palhaços! Que vendidos! Que escumalha! Toda a gente neste planeta que se interessa pelo assunto, menos a merda-humana-jornalística da RTP, sabe que o OSDH não é "observatório" pois não observa nada, antes manda piadas para o ar a partir do seu escritório em Londres e tem zero pessoas em Aleppo! Que não é sírio, mas sim inglês, sediado em Inglaterra e pago pelo governo inglês, no qual trabalham ex-funcionários do MI5, um dos vários serviços secretos ingleses. E nada tem a ver com direitos humanos pois apoia "rebeldes" terroristas que decapitam crianças e vendem mulheres em praça pública, entre muitas outras barbaridades que não valem a pena ser repetidas aqui.

 

E depois, como explicar que as imagens de gente morta no chão mostram um dia nublado/chuvoso e, no entanto, as imagens lá para o final dessa porca desonesta vídeo-montagem mostram ataques aéreos (supostamente dos mauzões sírios) num dia de sol e céu limpo!?! Não têm mesmo vergonha na cara, seus merdas de mentirosos manipuladores! Vocês são o exemplo mais baixo e mais vil da espécie humana, abutres da desinformação e apologistas da barbárie!


Insisto, os 2 vídeos que  partilho abaixo neste artigo mostram céu limpo, sem nuvens nem chuva. A meteorologia para Aleppo nos últimos 4 dias, como podem constatar na imagem seguinte (ou aqui), indicavam céu limpo sem chuva para os dias em que teriam ocorrido os supostos ataques aéreos. De onde vem afinal este vídeo da RTP? Alguém explica? E vejam as fotos do artigo anterior (Desespero mediatico 12), digam-me se vêm chuva ou piso molhado nas 30 fotos que partilhei nesse artigo!?!

 

weather.png

 

Porque não fazem como a HispanTV, ou a PressTV, ou a Sana news, ou a RT, e mostram vídeos de gente fugindo desses tiros que resultaram em mortos, mas... continuam filmando e, sim, é possível constatar que os civis fogem na direcção do exército sírio cujos soldados arriscam a vida ajudando os civis mais fracos na fuga. As imagens são esclarecedoras, há dezenas de vídeos já disponíveis. Se ficaram mortos para trás, pois sim, vejam os vídeos de que vos falo e constatem que são os vossos amados "rebeldes" terroristas que disparam de forma cobarde contra os civis que ousam correr para a segurança e protecção do exército sírio! Os equipamentos do exército sírio são facilmente identificáveis nas imagens! Se os civis sírios correm na direcção de soldados sírios, por vezes literalmente para os seus braços em busca de protecção, não vejo como se pode sustentar ainda a hipótese de que esses mesmíssimos civis sírios estivessem fugindo de soldados sírios ou de bombardeamentos sírios! Temos pena!

 

Os civis fogem para fora dos bairros abandonados pelos terroristas que os mantinham reféns. As imagens provam-no. RTP e companhia ocidental afirmam precisamente o contrário, que os civis sírio fogem de ataques aéreos ou terrestres perpetrados supostamente pelas forças armadas sírias. Cabe a vocês prová-lo, com vídeos inexistentes! Boa sorte abutres mediáticos!

Os prometidos vídeos de Aleppo, sem chuva, e com soldados sírios ajudando civis na fuga:

 

 

Factos não transmitidos pela RTP

Até ao momento já foram libertados 16 bairros de Aleppo leste, pelo menos 140 terroristas renderam-se, pelo menos 80.000 civis foram resgatados e encontram-se protegidos na Aleppo ocidental libertada.

O terrorista estado de Israel bombardeou subúrbios Damasco de forma ilegal e em total impunidade:

Rússia envia 200 militares para a Síria para desminar Aleppo das minas que os "rebeldes libertadores" tiveram a gentileza de instalar:

Putin ordenou o envio de hospitais móveis para civis para  Aleppo:

Autoridades sírias decidem recomeçar a reconstrução do sistema de abastecimento de água de Aleppo, desactivado desde há mais de 4 anos, altura em que os nossos trogloditas mercenários de estimação ("rebeldes libertadores") lembraram-se de destruí-lo:

O tresloucado suicida de Erdogan anunciou que a sua ilegal incursão militar na Síria tem como objectivo derrocar Al-Assad.

Ataques terroristas perpetrados com roquetes pelos "rebeldes libertadores" em Aleppo deixam 9 civis mortos

O exército sírio capturou em Aleppo uma fábrica de bombas dos "rebeldes" terroristas 

Luís Garcia, 01.12.2016, Chengdu, China

 

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 Desespero mediático 12 - Informação selectiva, desinformação agressiva, ocultação ostensiva

 

 

 

 

 

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Desespero mediático 12 - Informação selectiva, desinformação agressiva, ocultação ostensiva, por Luís Garcia

 

 

DESESPERO MEDIÁTICO

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE 

 

Informação selectiva, desinformação agressiva

Eu ontem, no artigo Desespero Mediático 11, apesar de ter lido nos media ocidentais expressões como "dezenas de milhares", "50.000" ou "80.000" sírios fugindo da Aleppo ocupada pelo terrorismo ocidental, preferi escrever apenas 3.300, pois esse era o número que as autoridades sírias afirmavam ter contado até então. Sabendo que na Aleppo oriental ocupada pelo terrorismo ocidental vivem entre 200.000 a 250.000 mil civis reféns, não será de espantar que um terço de território libertado leve a um terço de civis libertados, o que dá sensivelmente os tais 80.000 tão repetidos nos media portugueses e seus pares. Espanto-me (ou não) é com o vergonhoso comportamento destes mesmo media. Com tanta informação (comprovada) emitida pelas agências sírias e pelo governo sírio, sobre a quantidade de comida e medicamentos distribuídos, sobre como e para onde foram se refugiar os civis libertados, sobre a origem (sobretudo russa) destas ajudas, os jornalistas-merda da RTP e outros decidiram pegar apenas no dado que poderia ser, de forma muito sensacionalista e desonesta, ser utilizado para propagar mais desinformação à la gringo! Imbuídos de uma profunda informação selectiva, estes jornalistas-merda decidiram insistir nas dezenas de milhares, nos tais 80.000, não porque fosse verdade (ainda por comprovar), mas porque com estes números poderiam corroborar os disparates de "catástrofe humanitária" do ministro francês Ayrault e alarmar as massas tugas com o destino "incerto" de tanta gente!

 

O problema é que, se sabem sobre os números avançados pelo governo sírio, mesmo antes do governo sírio avançar esses números, claro é que não faltam aos nossos media ocidentais meios de saber o que se passa, o que se diz, o que se grava e o que se fotografa em Aleppo. Se assim é, onde estão as notícias da RTP sobre os festejos dos sírios libertados? Onde estão as notícias da RTP, acompanhadas de imagens em vídeo e fotografia, dos civis sírios recebendo alimentação, medicação e atendimento médico fornecidos no local pela Rússia! Ahhh, que selectividade perfeccionista!

 

Se fosse informação aquilo que produzem, os jornalistas da RTP informariam sobre como saem os civis sírios da zona leste sobre uma chuva de tiros disparada pelos "rebeldes libertadores", informariam como e para onde fogem impunes os terroristas a quem gostam de chamar "rebeldes". Se quisessem informar, visto que conhecem bem a cifra 80.000 e que então devem ter acesso aos dados, fotografias e vídeos que mostram autocarros do governo sírio transportando civis para abrigos nas zonas sob controlo do governo, então teriam de mostrar essas fotografias e esses vídeos! Se quisessem informar teriam anteriormente mostrado a catástrofe humanitária que sim se vivia naqueles 12 bairros, a qual está em vias de ser resolvida (e não, como propõem, em vias de ser criada) com a ajuda humanitária síria, russa e bielorrussa cuja existência ocultam de forma ostensiva! Se quisessem informar, não teriam enviado o zombie celerado do Paulo Dentinho para andar a cuspir na mão de quem lhe permitiu há dias visita guiada em segurança à cidade de Aleppo.

 

Mas, como optam por seleccionar o que lhes interessa de forma a compor a narrativa que convém aos seus patrões beija-cus dos patrões lá dos states, o resultado do seu trabalho não jornalístico é uma desinformação agressiva, vergonhosa prostituição em forma de mentiras que induzem os leitores e espectadores a apoiar (os seus) estados bárbaros e a amaldiçoar quem despende dinheiro, energia e vidas humanas no esforço de alcançar paz, segurança e estabilidade na Síria!

 

Fotos da SANA News tiradas ontem dia 29, mostrando a fuga, resgate e transporte de milhares de civis sírios para fora do terror de Aleppo oriental e para longe do terrorismo ocidental "rebelde":

 

SLIDESHOW 1

 

 

SLIDESHOW 2

 

SLIDESHOW 3

 

 

Ocultação ostensiva

Se quisessem informar não ocultavam os inúmeros dados sobre os hospitais de campanha (alguns russos) e as cantinas improvisadas em Aleppo. Se quisessem informar, não ocultariam as imagens das 2 toneladas de carne que chegaram anteontem de avião a Deir ez-Zor, cidade sobre controlo sírio mas cercada por ISIS e bombardeada por norte-americanos.

 

Se quisessem informar, explicariam à plebe que a al-Qaeda na Síria dava pelo nome de al-Nusra, e que desde há 3 meses mudou o nome para Fateh al-Sham, tudo maquiavélicas trocas de nomes para baralhar essa mesma plebe desinformada e/ou desatenta. Se quisessem informar, não ocultariam portanto que os "rebeldes de Aleppo" que tanto defendem mais não são que mercenários estrangeiros membros de organizações terroristas extremistas como a Frente Islâmica, a Soldados de al-Aqsa, o Exército da Conquista, o Ahrar al-Sham, o Jaysh al-Islam, etc., e sim, sobretudo a Fateh al-Sham... isso mesmo, a al-Qaeda!  A al-Qaeda que é suposto ser a grande inimiga do ocidente, razão última para existência da NATO, desculpa eterna para as infinitas agressões de rapina da NATO! Na Síria não, na Síria, de acordo com os jornalistas-merda ocidentais, os membros da al-Qaeda são "libertadores", são "rebeldes", são "moderados, assim como na Síria 2+2=5! 

 

Se, em vez de ocultar, antes informassem, explicariam baseados em factos comprovados que a al-Qaeda na Síria actua enquanto organização terrorista estrangeira, ilegalmente estabelecida em território sírio, e não como força de libertação nacional! E insistiriam que, de acordo com as normas internacionais estabelecidas na ONU, é ilegal todo o género de apoio a organizações militares que invadam um país. E teriam de confrontar estas normas com o descarado à-vontade com o qual os chefes de estado da França, Reino Unido e EUA se vangloriam ao cometer ostensivamente tal género de ilegalidades. Se quisessem informar, não ocultariam que al-Qaeda e todas as variações de terrorismo islâmico foram criadas pelos Reino Unido e Arábia Saudita há quase 100, através da Irmandade Muçulmana. Não ocultariam os horrores de que foi vítima a Síria entre os anos 50 e os anos 80, horrores criados pela Irmandade Muçulmana anglo-saudita, horrores semelhantes em natureza e origem àqueles que vemos na Síria desde 2011. Não ocultariam que a URSS "invadiu" o Afeganistão a pedido do governo comunista afegão que sozinho não poderia combater os 30 mil terroristas islâmicos fundamentalistas enviados pelos EUA e Arábia Saudita. Não esconderiam que o próprio Henry Kissinger reconhece que essa guerra foi uma armadilha planeada por ele e seus colegas de forma a que "a URSS se enterrasse também no seu próprio Vietname", palavras de Kissinger! Não esconderiam que desde a "invasão da URSS ao Afeganistão" até ao presente dia, os EUA têm usado o mesmo tipo de organizações terroristas na tentativa de balcanizar a Rússia começando pela Tchétchénia, no desmantelamento bem sucedido da Jugoslávia insubmissa através da criação do UÇK e outras organizações terroristas albanesas, na criação do Partido islâmico do Turquestão, uma organização terrorista Uigur que supostamente quererá a independência da sua região face ao governo central chinês de forma a que os recursos do subsolo dessa região passem para o controlo privado das corporações norte-americanas, exactamente como... no Kosovo!

 

Se não se ocultasse tudo isto, se não se ocultasse também que a "guerra civil síria" foi a reacção violenta dos EUA ao acordo assinado em 2011 entre Rússia, Irão e Síria para a criação de um gasoduto atravessando a Síria; se não se ocultasse que os EUA levavam 10 anos pressionando o governo sírio para que assinasse a proposta concorrente saudita-americana, inclusive ameaçando a Síria com intervenções militares, inclusive assassinando em 2004 o primeiro-ministro libanês Rafik Hariri e depois inculpando al-Assad para assim legitimar uma equacionada intervenção militar na Síria que levasse por fim, e à força, à construção do gasoduto gringo-medieval... se nada disto fosse ocultado nos media... nada mais seria necessário explicar sobre o "conflito Sírio". Tudo seria demasiado óbvio (e contrário à verdade-mentira prevalecente).

 

Por fim, será (só) por culpa dos media aldrabões mentirosos prostituídos que a malta submissa não saiba nada disto? Não, não é, toda esta informação é de livre e gratuito acesso, online, assim como todos os documentos e factos que a comprovam....

 

Luís Garcia, 30.11.2016, Chengdu, China

 

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DESESPERO MEDIÁTICO 11

   

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE

 

Como é hábito, nesse país onde a malta se vangloria de ter vencido um campeonato europeu de pontapé na bola e de ver um trafulha lusitano como mordomo da ONU, o dinheiro dos contribuintes, o dinheiro tirado a essa malta portuguesa através dos impostos, é desperdiçado da forma mais nojenta e vergonhosa pela RTP: a mentir, a aldrabar e a baralhar com não-notícias sobre a Síria, num apologia (servil e patética para com os EUA) da morte, da barbárie, da destruição e do sofrimento humano a todos os níveis.

 

Nos últimos 2 dias o exército sírio, com a ajuda do exército russo e do Ezbolá, conseguiu libertar 12 bairros de Aleppo, dos quais saíram aliviados mais de 3.300 sírios que foram recebidos pela Síria livre com hospitais de campanha e dezena de cantinas improvisadas onde os sírios recém-libertados tiveram acesso a medicação e alimentos fornecidos pela Rússia e pela Bielorrússia. Não invento nada, é vasta a quantidade de reportagens, vídeos, fotografias, e todos estes dados são de acesso fácil e gratuito na internet. Se as merdas-humanas de jornalistas não sabem, é porque ou não são jornalistas ou porque são uns grandessíssimos aldrabões! E se sabem e não partilham com o povo português que lhes paga os salários através dos impostos nacionais, bom, então são isso mesmo, nojenta merda humana! 

 

Civis libertados em Aleppo nos últimos 2 dias

 

Num louvável e sobre-humano esforço, e apesar da ajuda da força aérea russa, o exército sírio (que é também o povo sírio) tem sabido lidar com paciência a libertação faseada de Aleppo. É angustiante para quem assiste do lado libertado (Síria governada por al-Assad), é aterrorizante para os sírios que ainda se encontram reféns daqueles que o pensamento crítico apelida de "terroristas mercenários da al-Qaeda e companhia" e que os media prostituídos apelidam de "rebeldes moderados" mas, se o objectivo é poupar sofrimento e vidas humanas, há que ter paciência. EUA, França, Reino Unido e seus amigos nunca têm paciência para coisa nenhuma, estados terroristas que são! Basta ver como chacinaram 10.000 líbios em 3 dias para "libertar os líbios da opressão" inexistente.

 

A Síria e a Rússia tem como objectivo libertar os sírios e não matá-los. Por isso se fazem mil e um cessar-fogos, abrem-se corredores de fuga para terroristas e abrem-se pontos de fuga para os civis conseguirem fugir sem serem mortos pelos terroristas que nós no ocidente chamamos de rebeldes. Por isso é de louvar o esforço e paciência sobre-humana do exército sírio. Por isso é profundamente vergonhosa a histeria irracional dos nossos media aquando de bombardeamentos russos sobre as zonas de Aleppo ocupadas por terroristas! Chamam de monstros e assassinos a al-Assad e Putin, mas esquecem-se (porque são atrasados mentais) que se al-Assad e Putin quisessem matar todos os civis de Aleppo ocupada... foda-se, isso fazia-se num dia! Bastava largar um chuva de bombas! Já ouviram falar em pensamento lógico? Se levam um ano não será para matar um civil por dia, não! É porque russos e sírios não são cowboys gringos genocidas, não! Precisamente pelo facto de não quererem matar os civis de Aleppo mas sim libertá-los é que a libertação se mostra dolorosamente longa.

 

Mas fazer o quê, de cada vez que a aviação russa bombardeia em Aleppo os terroristas pagos pelos nossos impostos europeus, a merda-humana de jornalistas da RTP publicam fotos de crateras na Palestina, no Paquistão e na Lua como sendo "provas dos crimes russos". Quando o Ministério da Defesa Russo vem a público demonstrar cientificamente a falsificação de provas e manipulação de imagens... os jornalistas da RTP estão a apanhar pokémons, grandessíssimos filhos da puta! E, pelo contrário, quando vezes sem conta os exércitos dos estados terroristas da NATO matam aos 100 ou 200 civis de uma vez num qualquer esquecido recanto do Afeganistão, esses mesmos filhos da puta não falam de "crimes norte-americanos" ou de "crimes europeus", não, falam antes de "danos colaterais"! Que vergonhoso e simplório maniqueísmo, coisa de descerebrados prostituídos! 

 

Merdosos artigos da RTP

França pede reunião imediata do Conselho de Segurança sobre cidade síria de Alepo

ONU alerta que 16 mil civis de Alepo procuram "desesperadamente" refúgio

 

Mas voltemos à Síria e a Aleppo. Perante as boas notícias (acompanhadas com inúmeras provas) de inúmeros media insubmissos que nos mostram homens, mulheres e crianças fugindo dos rebeldes, sendo acolhidos pelas organizações do governo sírio, recebendo comida e atendimento médico, que nos diz a merda da RTP?

 

Diz que o terrorista do ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault, está indignado com a catástrofe humanitária! Ora que aldrabões! Qual catástrofe? A dos 4 anos de ocupação de Aleppo por terroristas financiados em grande parte pela França? Ou pela catástrofe dos seus pobres "rebeldes" terroristas terem tido o privilégio de fugir intactos graças ao humanismo do exército que sírio que prefere resgatar civis vivos em vez de correr o risco de os ver mortos como consequência de uma caça aos "rebeldes" terroristas? Ou com a catástrofe de ver sírios cessarem de sofrer às mãos do terrorismo (também) francês em Aleppo?

 

E mais, a RTP também diz que os civis em fuga procuram desesperadamente refúgio em áreas mais seguras!?! Que merdosa manipulação é esta? Procuram ou procuravam? Pelo que vejo 3300 procuravam mas já encontraram, recebendo agora o merecido tratamento humanista que lhes fornece a Rússia e os restantes sírios de Aleppo libertada! Que maquiavélica desconversa! Que não haja dúvida que o objectivo desta perversa frase é fazer crer à ovelhada tuga desatenta que estes sírios não sabem para onde ir porque onde agora chegam é pior por definição dado se tratar de solo governado por al-Assad! Mas é a mais pura das mentiras e as imagens provam o contrário! Há imagens gravas e também em directo, por favor, que vergonha!

 

E citam de novo esse bandido criminoso terrorista do ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault, quem afirma que "Mais do que nunca, há urgência em pôr termo às hostilidades e permitir um acesso sem limitações à ajuda humanitária"! Mas qual quê? Qual fim de hostilidades se são precisamente estas hostilidades que libertaram nas últimas 48 horas 12 bairros de Aleppo e mais de 3300 seres humanos até então reféns de organizações terroristas? Mas fim para quê? O governo francês até já demonstra abertamente o quão terrorista e criminosa é a sua política externa! Então parar para quê se se vê muitíssimo bem nas sofridas caras sírias, pelas fotografias e vídeos disponíveis, a felicidade e o reconforto de se se encontrar por fim livre de terror! E qual acesso limitado a ajuda humanitária? Aquela ajuda humanitária ocidental vezes sem conta repleta de armas e bombas! A ovelhada em Portugal não sabe porque não quer saber, mas o governo sírio e governo russo não escondem as imagens das inspecções à ajuda humanitária da ONU na qual quase só vêm bombas e armas! Ahh, pois claro, o ministro-terrorista francês está alarmado por verem chegar ao fim as munições dos seus terroristas-amestrados? Não temos pena! E insisto, qual ajuda humanitária se ajuda humanitária de verdade é coisa que não falta, felizmente, apesar do genocida embargo económico da União Europeia à Síria!?! Mas ide trabalhar puta de deficientes mentais de jornalistas portugueses! Ide fazer umas pesquisas na net, ora que merda! Sim, merda, merda-humana! Então eu que estou aqui na China, neste "totalitário, opressor e sombrio estado censurador por excelência" consigo seguir quase em simultâneo o que se passa em Aleppo, vejo a ajuda humanitária russa, bielorrussa e síria sendo distribuída, e essa merda-humana jornalista do "mundo livre" não consegue"!?! Palhaços!

 

Civis em fuga atacados pelos terroristas "rebeldes"

 

E mais, esses aldrabões sem vergonha escrevem que "dezenas de milhares de civis estão ameaçados pelos combates."!!! Como é possível ser tão burro, tão vendido ou tão filho da puta para dizer um disparate destes sem lógica nenhuma! Vá, força, provai com dados e com argumentos lógicos tamanha afirmação! Não, não e não! Neste 2 dias de libertação de 3300 sírios, o perigo é o de ser-se morto atiro pelos terroristas "rebeldes", de forma cobarde, dado que ninguém dispara para os terroristas "rebeldes" durante a libertação! Ninguém do lado sírio dispara para terroristas rebeldes e a explicação é simples. As forças sírias abriram corredores de segurança para os terroristas "rebeldes" poderem fugir de Aleppo Leste para outras zonas controladas por terroristas "rebeldes". A ideia é ter terroristas fugindo para os corredores de segurança (estritamente respeitados pelo exército sírio) enquanto os civis (sem terroristas à sua volta) possam caminhar na direcção de Aleppo livre. Todos os vídeos disponíveis hoje mostram muito bem o que agora escrevi. É de admirar a paciência e a sapiência de quem controla as operações militares em Aleppo pois, apesar de deixarem fugir em totalidade impunidade terroristas com quem mais cedo ou mais tarde terão de combater de novo nos subúrbios a oeste de Aleppo, terroristas esses que inevitavelmente acabarão por matar alguns dos soldados sírios que agora os deixam passar em paz, a sua preocupação principal é ver civis saindo vivos do inferno "rebelde" de Aleppo oriental. Perante estes factos muito bem documentados, que dizer da merda-humana-jornalística portuguesa e ocidental que nos diz o contrário, precisamente o contrário, que as forças armadas da Síria e da Rússia são compostas por uma cambada de psicopatas que se divertem a cometer "crimes de guerra" e tal! Que vergonha de Portugal, que vergonha de Europa, que vergonha de ocidente!

 

Mais, os milhares de civis a que a merda da RTP se refere defrontam sim um grande dilema neste momento, mas completamente inverso ao proposto pela propaganda ocidental. As fotos e vídeos destes 2 dias mostram bem que os terroristas "rebeldes" pagos pelos nossos impostos europeus não estão a jogar limpo e, em vez de simplesmente aproveitarem o luxo de poderem fugir em paz pelos corredores de segurança, não, preferem fazer mais do mesmo. Por esses mesmo corredores escoltam à força civis que assim perdem a oportunidade de fugir para as zonas libertadas e que pelo contrário continuarão reféns dos terroristas "rebeldes" numa nova zona a oeste. E os russos, e os sírios, porque não atacam? Ahhh, aí está, porque Putin e Assad não são os bárbaros que nos tentam vender, porque não ordenam a morte de civis como a ovelhada amestrada gosta de acreditar! Mais, os civis que não foram forçados pelos terroristas "rebeldes" a seguir pelos corredores de segurança não têm, ainda assim, a garantia de chegarem vivos às zonas libertadas. As imagens de hoje mostram bem como os terroristas "rebeldes" que ainda não saíram dos bairros libertados não hesitam em disparar sobre homens, mulheres, crianças, velhos e  gente em cadeiras de rodas quando estes tentam caminhar na direcção do exército sírio e da ajuda humanitária que os espera. É horrível mas não é vergonhoso o que fazem, afinal são terroristas mercenários pagos pelos EUA e Europa para realizar precisamente este tipo de crimes. Vergonhoso é ver a merda da RTP mentindo sobre o assunto, ocultando vital informação sobre o assunto, manipulando de forma maquiavélica palavras e dados, inventado em completo delírio supostos dados e factos... vergonhoso, infinitamente vergonhoso! Para estes jornalistas portugueses merdosos vendidos espero as suas mortes para breve, de preferência em consequência de profundo e intenso sofrimento, visto ser esta a sua atitude para com as vítimas do ocidental terrorismo de estado na Síria!      

                                                                                                                   

Mapa de Aleppo actualizado hoje

 

Para quem quiser ter um mínimo de ideia sobre o que se está a passar estes dias em Aleppo: 

Luís Garcia, 29.11.2016, Chengdu, China

leia também 

Desespero mediático 12 - Informação selectiva, desinformação agressiva, ocultação ostensiva

 

 

 

 

 

 

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De Niš a Prokuplje, por Luís Garcia

 

 

DOS BALCÃS AO CÁUCASO – EPISÓDIO 5

De Niš a Prokuplje.jpg

bw VIAGENS Luís Garcia

Estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem, aonde não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... aonde não estou. (Estou Além, António Variações)

 

11.06.2014

Manhã do 7º dia de viagem, acordámos zombies de cansaço e da noite quase não dormida. Ainda assim fizemos as malas com calma, e também com muita vagareza fomos às compras e atravessámos 6km a pé até chegar à saída leste de Niš, onde fomos recomeçar a boleia em direcção ao Kosovo. Apesar das malas às costas e do calor intenso, foi uma travessia muito interessante plena de surpresas fotografáveis. Quando por fim arranjámos boleia, eram já 5h da tarde!

 

Quem parou para nos levar foi um jovem muito simpático chamado Nikola, que seguia em direcção a Prokuplje. Com a ajuda do google translator no telemóvel, conseguiu nos explicar que podia nos fazer uma visita guiada ao castelo e à vista panorâmica da cidade, para depois nos deixar no centro e vir recuperar-nos outra vez de carro às 8h da noite. Porquê? Porque nos convidou a jantar em casa dos pais, prometeu-nos casa para dormir e ainda uma boleia do pai dele para Pristina no dia seguinte. E assim foi!

 

Em Prokuplje fomos encontrar gente sorridente, muito simpática e acolhedora. Por onde quer que passássemos havia adultos a cumprimentar-nos com sorrisos e crianças a seguirem-nos os passos. Muito divertido! E houve até quem, falando um pouco francês, nos tivesse vindo oferecer ajuda para uma eventual dificuldade! Em pleno centro encontrámos uns senhores acenando para a câmara e convidando para nos aproximarmos. Um deles, antigo jogador de futebol e treinador, ofereceu-nos um monte de autocolantes. Um outro, camionista, contou-nos as suas aventuras por terras lusitanas, onde teve que “descer e subir montes” até chegar ao seu destino: Guimarães!

 

Às 20h em ponto Nikola apareceu no mesmo lugar que nos deixara, trazendo no carro a sua namorada. Fomos levá-la à residência universitária, onde entrou outra passageira Jelena (amiga de Nikola), uma inteligente, divertida, cheia de vida e carisma, uma verdadeira “tempestade balcânica” ao estilo das personagens dos filmes de Kusturica!

 

Na casa dos pais de Nikola tivemos uma recepção imensamente calorosa, e com muita generosidade à mistura, banho quente, toalhas limpas, café, e… ahhh, uma maravilhoso jantar tradicional cozinhado pela sua mãe! Que gente boa e querida, e tão loucos!  No tempo que passámos a rir e conversar na sala, pareceu-me mesmo que tinha feito uma viagem no tempo e no espaço, e estar a participar no enredo de um filme de Kusturica! Ah, a sério! É a magia dos balcãs!

 

E houve mais filme à Kusturica! Depois de jantar, já tarde, fomos de caro com Nikola e Jelena para a aldeia onde ele mora, a 10km de distância. Noite, iluminação quase nula, ainda assim, a mais de 100km/h por uma estrada de curvas e contra-curvas onde passavam carros com pouca ou nenhuma luz enquanto que, eufóricos, Jelena e Nikola se expressavam cantando e falando, sempre irrequietos nos seus lugares. Chegados à aldeia, Nikola foi buscar a chave da sua casa à outra de um vizinho que afinal não estava. Tivemos de voltar para trás, para Prokuplie, ao som de música balcânica super divertida e com uma paragem surreal no meio do breu para provar uma água de horrível sabor e nauseabundo odor que "é boa para a prevenção de pedras nos rins"! Sentíamos-nos muitíssimo felizes por estar a viver aqueles momentos únicos, e só me vinha à cabeça uma coisa, o filme Ko To Tamo Peva:

 

 

Como é de adivinhar, fomos dormir na casa dos pais de Nikola onde não abundava espaço. O  irmão de Nikola foi dormir no quarto dos pais e Nikola na casa de um amigo, para que eu e Claire pudéssemos ficar sossegados e confortáveis no quarto dos rapazes! Ah, um dia mais que especial!

 

Álbuns de fotografia

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Luís Garcia, 21.11.2016, Chengdu, China

 

 
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